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uma abelha na chuva.jpg

Sinopse: aqui.

Opinião: Este livro é daqueles em que "primeiro estranha-se, depois entranha-se" . Acho que não estava à espera que uma história, que decorre no Portugal provinciano, pudesse revelar particularidades divertidas versus uma história estranhamente cruel. Eu explico. Achei divertidas algumas expressões, como "Se as orações dos cães chegassem aos céus choviam ossos", "noiva serôdia, nem miolo nem côdea" ou, ainda, "burro morto, cevada ao rabo". Mas também achei a história cruel, porém,não posso divulgar mais pormenores, sob pena de conter spoilers, estragar a surpresa, ou contar a história toda, Whatever!

O primeiro capítulo começa por descrever o ambiente escuro, que ameaça chuva, e um homem que vai ao café e pede um brandy e bebe tudo de uma só vez. Não sabemos mais nada. É o mês de outubro, o tempo é invernoso e o homem aparece, entra no café, bebe três copos a penalty e sai. Tudo pausadamente. Percebi no capítulo a seguir que era para descrever Álvaro Silvestre e que este estava a tomar coragem para entrar no Jornal da terra (Montouro, em Cantanhede). O que Silvestre prentende é ver a sua confissão de culpa publicada no jornal da terra para que todos saibam que tem uma mulher que o obriga a desviar dinheiro ou a roubar.

No capítulo seguinte, surge a D. Maria dos Prazeres que veio à procura do marido. Entretanto, na charrete, ela reflete sobre o seu casamento infeliz  (ela, fidalga, foi obrigada a casar com Álvaro Silvestre, um lavrador "boçal" e "rico"). Permeando os seus pensamentos de "sangue por dinheiro", Maria dos Prazeres (uma ironia?) observa o cocheiro, Jacinto.

A leitura das 132 páginas deste livro foi demasiado rápida, pelo que tive de voltar a ler segunda vez. O significado das palavras que nos preparam para as cenas seguintes não é apreendido de imediato. Álvaro, que gera simpatia, torna-se odioso e Maria dos Prazeres, altiva e fidalga, não é o que parece. Já Jacinto e Clara, que se amam, que simbolizam o amor verdadeiro, são a antítese, um casal que se atreve a sonhar, neste ambiente de infelicidade, pautado pelos interesses económicos, e de onde nada pode surgir de bom.

A acção decorre em três dias durante o mês de outubro. Chove imenso e o tempo é "invernoso".  Fiquei triste como o tempo. Pensei. Pesquisei. No fundo, não queria acreditar que um livro tão pequeno podesse dizer tanto.

Deixo-vos o link do excerto do filme de Fernando Lopes (1968-1971), o qual demonstra o casamento infeliz de D. Maria dos Prazeres Pessoa de Alva Sancho Silvestre:https://www.youtube.com/watch?v=pqsxxusO-ms.

 

 Classificação: 5/5 - Adorei

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4 comentários

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De Anónimo a 26.10.2017 às 09:18

No  meu 6º ano do Liceu (actual 10º), este livro fez parte do programa de Português.
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De HD a 26.10.2017 às 18:13

Bem me parecia que me lembrava algo dum filme português ;)
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De Edite a 26.10.2017 às 19:10

Não gostei nada do filme. Muito soturno e escuro. Acho que me dou melhor com os livros.
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De A Hipster Chique a 27.10.2017 às 03:11

parece-me muito bem :)

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