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Ir ler para um banco de jardim? Claro, parece saído de Pinterest: sol a bater na perfeição, passarinhos a ensaiar ópera e aquela brisa digna de anúncio de televisão.
A realidade? Sentei-me num bloco de cimento gelado, com o vento a tentar colar o cabelo à cara como se isso fosse ajudar o meu mood de leitura.E a cereja no topo do bolo? O banco exibia orgulhosamente uma palavra obscena, pintada a spray em letras gordas, como quem diz: “Bem-vindo à experiência literária hardcore.”
Conclusão: Ler no jardim? Só se for versão extrema — vento, cimento e palavrões incluídos.
E vocês, arriscavam-se a ler assim ou ficam pelo sofá seguro de casa?
As redes sociais desgastam. É como um poço sem fundo: começo a fazer scroll e, quando dou por mim… já passou uma hora inteira. E a verdade é que o tempo não volta atrás. O tempo é o bem mais precioso que tenho, e não quero gastá-lo todo a olhar para um ecrã.
Então, decidi experimentar algo diferente: coloquei limite de tempo e desliguei-me um pouco. E nesse espaço que abri, coube tanta coisa boa. Escrevi mais para o blog, saí para passear, vi uma série que queria há imenso tempo, almocei com uma amiga e ainda tive energia para um aniversário.
Tudo isto porque larguei, mesmo que por pouco tempo, o hábito de estar sempre agarrada ao telemóvel.
Resultado? Mais tempo para mim, mais presença nas pequenas coisas, e uma sensação de leveza que já me faz sentir muito melhor.
E tu, já pensaste quanto tempo gastas do teu dia no scroll infinito?
Gosto de livros. Gosto da forma como me permitem sair da realidade, mergulhar noutras vidas, experimentar emoções que não são minhas e descobrir mundos que só existem no papel. Ler é, muitas vezes, o meu refúgio. Uma pausa no barulho diário. Uma espécie de abrigo.
Mas nem sempre consigo manter-me lá dentro. Há momentos em que “acordo” desse refúgio e volto a olhar para o que me rodeia. E, sinceramente, nem sempre gosto do que vejo. A realidade não tem a leveza da ficção. Traz problemas que não se resolvem no virar da página e capítulos que parecem repetir-se vezes demais.
Penso, sobretudo, nas notícias. Ultimamente, os incêndios parecem uma saga interminável. Todos os anos regressam, como se alguém lançasse sempre mais um volume de uma coleção que nunca quisemos ler. O enredo é o mesmo: destruição, medo, impotência. Desculpem a comparação, mas quase dá a sensação de que os “editores” desta realidade não sabem escrever outra coisa.
E aqui estou eu, dividida entre dois mundos: o das histórias que me confortam e o da vida que insiste em repetir capítulos negros que já lemos vezes demais.
Às vezes dava tudo para desligar por uns minutos, fechar os olhos e fingir que o mundo podia esperar. Seria tão mais fácil… se o mundo alguma vez tivesse a cortesia de obedecer. Talvez seja por isso que os livros me fazem tanta falta: não para fugir, mas para me armarem de paciência e resiliência suficientes para continuar a assistir sem poder fazer nada.

O mar pode ser sinónimo de liberdade e descanso… mas também de profundezas misteriosas, onde segredos se escondem.
Foi essa sensação que tive ao mergulhar em A Mulher do Camarote 10, de Ruth Ware. Um thriller inquietante, em que cada onda parece trazer uma nova dúvida e cada silêncio esconde uma revelação.
Enquanto muitos aproveitam o mar para relaxar, eu encontrei páginas que me fizeram prender a respiração. Afinal, como é possível que a única prova desapareça no fundo do oceano?
E tu, já sentiste esse arrepio frio na barriga quando um mistério literário te puxa para as profundezas da história?

Há pores do sol que nos deixam sem palavras… e há livros que nos roubam o fôlego de igual forma.
Ontem não vi o pôr do sol, porque estava totalmente rendida às intrigas e aos segredos familiares de A Mansão, de Anne Jacobs.
Entre paixões, rivalidades e reviravoltas inesperadas, este romance mostra que, por vezes, as sombras são tão intensas quanto a luz dourada do entardecer.
Já leste? Ou também já te aconteceu “perderes” um pôr do sol por causa de um livro irresistível?

Gelado é sinónimo de frescura, leveza e prazer simples — perfeito para o verão. Mas também pode evocar memórias, afetos e até uma certa melancolia, como acontece em Jardim de Inverno, de Krinstin Hannah.
Neste romance, o frio da neve contrasta com a intensidade das emoções, e o “jardim de inverno” de Anya transforma-se num espaço de refúgio, mas também de revelações dolorosas. Um pouco como um gelado: doce na primeira dentada, mas por vezes com um travo inesperado.
Já leste este livro? Conta-nos: que sabor de gelado escolherias para representar esta história — doce, amargo ou agridoce?

Começo o desafio Summer Moods com o tema mais óbvio… e talvez o mais enganador : Férias. Porque, na verdade, férias nem sempre significam uma viagem marcada no calendário, uma mala feita à pressa ou um destino longínquo. Às vezes, férias são só uma pausa. Um momento só nosso. E, para mim, isso acontece sempre que me sento a ler.
Na foto que partilho hoje, aparece o livro As Últimas Férias, de Louise Candlish.
Curioso, porque no meu caso não há "últimas". Há sempre mais uma página, mais uma história entre as mãos. Mas ao preparar este post, lembrei-me de uma imagem antiga: uma mala de viagem com muitos livros. Tirei a foto antes de partir e, na altura, achei que estava a exagerar —era só para compor a imagem. Mas levei meia dúzia. E li dois.Hoje percebo que não estava a fingir. Estava só a preparar-me para as minhas verdadeiras férias: as literárias.
Há quem precise de bilhetes de avião, mapas e malas cheias. Eu preciso de um bom livro.
E tu, o que é que te faz sentir verdadeiramente de férias?🌴

Todos os anos, por esta altura, gosto de lançar um pequeno desafio de verão: algo leve, criativo e que celebre os livros e os dias longos que convidam à leitura. Este ano não é diferente… mas decidi fazer algo um bocadinho diferente.
Resolvi escrever menos no Instagram (espero eu!) e partilhar mais por aqui, no blogue. Sinto que este espaço pede um ritmo mais calmo, mais pensado, mais meu. E, claro, mais ligado aos livros, de forma profunda e descontraída ao mesmo tempo.
O Instagram mudou e está cada vez mais próximo do TikTok, por isso decidi deixar os vídeos por lá e guardar as palavras para aqui. Neste cantinho sinto o mesmo que sentia no Instagram há uns anos: uma foto, uma reflexão… tudo mais leve. Aqui, no blogue, vou partilhar uma foto por tema e, quem sabe, algumas reflexões.
☀️ Qual é o desafio?
O desafio que lancei a mim própria (e a quem quiser acompanhar-me) chama-se Summer Moods e parte de uma ideia simples: 12 temas, 12 moods, todos ligados ao verão.
☀️ Mas afinal, o que são “moods”?
Neste desafio, cada tema representa um mood, ou seja, uma vibe, um estado de espírito, uma associação sensorial ou emocional que nos liga ao verão… e à leitura.
Por exemplo, o tema Férias pode inspirar:
• Um título que contenha a palavra “férias” ou evoque essa sensação de pausa;
• Uma leitura que faça sentir em descanso, longe da rotina;
• Estar mesmo de férias, com tempo para ler o que quiser, sem pressas!
📌 Os 12 temas são:
Férias, Mar, Sol, Gelado, Noite quente, Areia, Piscina, Chapéu de palha, Brisa, Pôr do sol, Barulho de verão e Cores vibrantes.
E tu, vais acompanhar-me neste desafio? Qual é o teu mood literário de verão?🌴
Gosto de ler porque me faz desligar. Da pressa. Das vozes. Dos pedidos constantes de atenção.É quando me perco num livro que encontro um silêncio bom, um espaço meu — onde o tempo se estica e a mente respira.Mas, ultimamente, até esse refúgio parece menos imune.As redes sociais não param. Pedem, puxam, exigem. Mais presença, mais conteúdo, mais rapidez.Nem sempre mais qualidade.E isso pesa.
Até o que é leve começa a cansar. Até o prazer da leitura sofre pequenas interrupções invisíveis, ruídos constantes que nos distraem do essencial. Ler devia continuar a ser isso: um desligar inteiro, um estar por completo. Talvez o desafio esteja em reaprender a proteger esse espaço.E não permitir que a urgência lá fora nos roube a paz cá dentro.

Férias é sinónimo de mais tempo para ler. E este ano não irá ser diferente - espero eu. Porém, a escolha foi muito complicada. São 15 dias de férias (na praia) e levar muitos livros não é uma opção, até porque não sobrava espaço para levar roupa na mala. Então, tive uma ideia. Selecionei apenas alguns livros e coloquei no instagram. O objetivo? Saber quem já tinha lido e se recomendavam ou não a leitura. Assim, a opinião de bloguers e vloguers, que me seguem nessa rede social, acabou com o meu problema.
É claro que não vou levar na mala todos os livros que estão na fotografia. São cinco (dos mais votados) e um extra (à minha escolha). Seis são meia dúzia, o que me soa bem melhor do que cinco. Sim, meia dúzia, é muuuitooo melhor !!!
Mas, como sou realista, provavelmente não vou conseguir ler todos. Acho que são boas escolhas, mas também quero aproveitar a praia, o mar e a piscina. E vocês, costumam ler muito nas férias?



Romance publicado em 1965, caído no esquecimento. Tal como o seu autor, John Williams – também ele um obscuro professor americano, de uma obscura universidade. Passados quase 50 anos, o mesmo amor à literatura que movia a personagem principal levou a que uma escritora, Anna Gavalda, traduzisse o livro perdido. Outras edições se seguiram, em vários países da Europa. E em 2013, quando os leitores da livraria britânica Waterstones foram chamados a eleger o melhor livro do ano, escolheram uma relíquia. Julian Barnes, Ian McEwan, Bret Easton Ellis, entre muitos outros escritores, juntaram-se ao coro e resgataram a obra, repetindo por outras palavras a síntese do jornalista Bryan Appleyard: “É o melhor romance que ninguém leu”.
Porque é que um romance tão emocionalmente exigente renasce das cinzas e se torna num espontâneo sucesso comercial nas mais diferentes latitudes? A resposta está no livro. Na era da híper comunicação, "Stoner" devolve-nos o sentido de intimidade, deixa-nos a sós com aquele homem tristonho, de vida apagada. Fechamos a porta, partilhamos com ele a devoção à literatura, revemo-nos nos seus fracassos; sabendo que todo o desapontamento e solidão são relativos – se tivermos um livro a que nos agarrar.

«No dia seguinte ninguém morreu.»
Assim começa este romance de José Saramago.
Colocada a hipótese, o autor desenvolve-a em todas as suas consequências, e o leitor é conduzido com mão de mestre numa ampla divagação sobre a vida, a morte, o amor, e o sentido, ou a falta dele, da nossa existência.

O Alquimista relata as aventuras de Santiago, um jovem pastor andaluz que abandona a sua terra natal e viaja pelo Norte de África em busca de uma quimera — um tesouro enterrado sob as pirâmides. Uma cigana, um homem que diz ser rei e um alquimista irão ajudá-lo na sua busca. Ninguém sabe exatamente o que é o tesouro nem se Santiago conseguirá ultrapassar todos os obstáculos da sua travessia do deserto. Mas aquilo que começa por ser uma aventura por locais exóticos para procurar a riqueza material, acaba por se transformar numa viagem de descoberta de si mesmo e da riqueza da alma humana. O Alquimista recria um símbolo intemporal que nos recorda a importância de seguir os nossos sonhos e de ouvir a voz do coração.

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