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História de Uma Gaivota e do Gato Que a Ensinou a Voar, de Luis Sepúlveda, regressa numa belíssima adaptação em banda desenhada ilustrada por Cever e publicada pela Porto Editora.
Este clássico intemporal, que já tocou gerações de leitores, ganha agora uma nova dimensão visual, onde as cores e os traços amplificam a ternura, a poesia e o encanto da história original.
Zorbas, o gato grande e generoso, promete a uma gaivota moribunda que cuidará do seu último ovo e ensinará a cria a voar. O que se segue é uma comovente lição de amizade, solidariedade e respeito pela diferença — uma fábula sobre a coragem de cumprir promessas e sobre o poder de acreditar.
As ilustrações de Cever acrescentam emoção e movimento à narrativa, tornando esta edição um verdadeiro tesouro gráfico e literário.
Adorei esta adaptação! Já tinha lido o original há alguns anos, mas esta nova versão em banda desenhada fez-me reviver toda a magia e a doçura da história de Sepúlveda. É impossível não se deixar tocar pela beleza desta amizade improvável entre um gato e uma gaivota.
Recomendo vivamente! Uma leitura breve, poética e universal — perfeita para todas as idades.

Neste livro, acompanhamos Robyn “Avril” Managa, que aos doze anos testemunhou o pai controlador e abusivo matar a mãe. Enquanto ele recebeu uma nova identidade através do programa de Proteção de Testemunhas, Robyn foi deixada num lar de acolhimento, crescendo com o trauma e a sede de vingança. Já adulta, decide ajustar contas com o passado, eliminando todos os que tiveram ligação ao caso do pai e deixando junto de cada vítima um bilhete enigmático: “Ele é meu”. Só no final consegui perceber o verdadeiro significado desta mensagem — e confesso que fiquei surpreendida.
Na investigação surge a Dra. Kez Lanyon, profiler e terapeuta, determinada a compreender a mente perturbada de Robyn e a travá-la antes que mais vidas se percam. Tal como uma boa personagem de thriller psicológico, também ela guarda os seus próprios segredos.
O livro está dividido em catorze partes, o que lhe dá um bom ritmo, e tem várias reviravoltas inesperadas. Senti a intensidade psicológica a crescer ao longo da leitura, com momentos que me prenderam completamente.
Por outro lado, talvez por conhecer a autora apenas através dos seus romances e não ter lido o thriller anterior, houve passagens que me pareceram um pouco forçadas e por vezes tive a sensação de déjà vu, como se já tivesse lido algo semelhante. Ainda assim, a experiência foi muito positiva e gostei da forma como a autora se aventurou neste género.
Em suma: Recomendo a quem gosta de thrillers densos e perturbadores. Apesar de algumas passagens me parecerem já vistas, a leitura foi muito envolvente.
Já leste algo da autora neste género? Conta-me nos comentários!
Classificação: 4*/5*

Inspirado no famoso acidente ferroviário de 1895 na Gare Montparnasse, O Expresso de Paris é um romance que exige entrega. O início pode ser desafiante: há muitas personagens, o enredo parece disperso e a sensação de desorientação acompanha os primeiros capítulos.Já conhecia Emma Donoghue pelos livros O Quarto de Jack e O Prodígio, que gostei bastante, por isso foi estranho encontrar aqui um ritmo mais lento e um estilo mais denso. Foi só quando deixei de tentar seguir uma narrativa linear e comecei a ler como quem vê um filme, cena a cena, que a história ganhou vida.
A autora leva-nos a bordo de um comboio que viaja de Granville para Paris, onde se cruzam figuras inspiradas em personagens reais e outras puramente ficcionais. Entre elas destaca-se Mado Pelletier, uma jovem anarquista, determinada e inconformada, disposta a levar os seus ideais ao limite. É uma personagem vibrante e complexa que marca profundamente o livro. Ao seu lado, encontramos Henry Tanner, pintor americano negro, e Marcelle, estudante de medicina, filha de cubana e francesa, ambos confrontados com o racismo e os preconceitos do final do século XIX. Blonska, uma mulher prática e resiliente, representa a classe trabalhadora e o espírito de resistência silenciosa.
O livro é uma tapeçaria de histórias individuais que refletem tensões sociais e políticas da época: desigualdade, identidade de género, orientação sexual, luta de classes e colonialismo. A frase “o conhecimento não é a única forma de poder” funciona como mote para refletir sobre as diferentes formas de influência e resistência que se cruzam a bordo daquele comboio.
As referências literárias, como A Volta ao Mundo em 80 Dias, de Jules Verne, ou A Máquina do Tempo, de H. G. Wells, acentuam o valor simbólico da deslocação, do progresso e da aceleração histórica. O acidente ferroviário que inspira o romance não surge como ponto alto da ação, mas antes como metáfora de um mundo em avanço desmedido, que colide inevitavelmente com os seus próprios limites. A imagem da locomotiva a atravessar a estação e a tombar na rua encarna essa tensão entre velocidade, modernidade e consequência.
Recomendo O Expresso de Paris a quem aprecia romances históricos ricos em personagens e temas sociais, e que gosta de uma leitura lenta, reflexiva e repleta de simbolismo.
Já leste este livro? Conta-me se também sentiste essa dificuldade inicial e qual das personagens mais te marcou.



Opinião: Esta história incrível, linda e invulgar, revela um grande conhecimento da natureza, e é fruto da experiência de Delia Owens enquanto zoóloga e cientista da vida selvagem, em África. A autora, habituada a escrever para revistas da especialidade, designadamente na área de ecologia e vida selvagem, conseguiu surpreender-me neste seu romance de estreia. A sua escrita é fluída e ritmada, e transmite uma calma visual e uma melancolia que se adequa ao espaço envolvente. E foi com essa leveza de espírito que encetei a leitura do primeiro capítulo, que descreve uma manhã de agosto quente, em que estava tudo invulgarmente silencioso, até que se ouve a porta da cabana a bater, e Kia, com seis anos de idade, vê a mãe sair com os sapatos altos de imitação de crocodilo e a mala azul na mão.
Kya é a mais nova de cinco irmãos, vive com os pais numa cabana tosca no pantanal, perto de Barkley Cove, uma pequena cidade fictícia da Carolina do Norte, mas aos poucos, a mãe, os irmãos e, por fim, o próprio pai, vão saindo e partindo deixando a pequena Kia para trás.
“E finalmente, num momento inesperado, a dor que sentia no coração desapareceu como água na areia. Continuava presente, mas a grande profundidade. Kya poisou a mão sobre a terra viva e morna, e o pantanal passou a ser a sua mãe”
Para Kia o pantanal é tudo a partir do momento que é abandonada e "ninguém" quer saber dela. Ela aprende a observar com atenção tudo o que a rodeia e torna-se desconfiada, ou um verdadeiro “bichinho do mato, preferindo estar numa cabana desolada no pântano e longe do contato de qualquer ser humano. Kia irá crescer sozinha, na companhia das suas amigas gaivotas, e do seu amigo Tate, que a ensina a ler.
“Talvez fosse uma forma de comunicar, uma forma de expressar as suas emoções a alguém que não apenas as gaivotas, para dar um destino às suas palavras”.
Este livro, possui descrições que revelam toda beleza natural do pântano e maravilha-nos com as várias espécies que aí habitam - numa verdadeira ode à natureza em que prevalece a lei do mais forte no recesso esconso do próprio ser humano. E será com este pano de fundo que o ritmo de escrita da autora nos vai fornecendo uma visão quase cinematográfica, quer da natureza selvagem, quer da natureza humana, contribuindo para que, enquanto leitora, saboreasse cada imagem com deleite. Este é, sem dúvida, o melhor livro que li este ano. Adorei cada página e aconselho vivamente a leitura.
Classificação: 5/5*
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