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Quem se identifica com a escrita dita a roçar a perfeição dirá que mudar uma vírgula e alterar uma palavra por um sinónimo é uma maneira de escrever melhor. No entanto, em contexto de trabalho, diria que nada é mais pernicioso do que esperar que tudo saia bem à primeira ou arrogar-se o supra-sumo nessa matéria.

Na escola primária, aprendemos que mudar uma vírgula de sítio poderá matar a verdade e a voz das próprias palavras quando retira o sentido e são expurgadas do devido contexto. E desde cedo aprendemos que escrever tem regras  (como as daqui), no entanto, talvez o aprume dos dedos colocados corretamente, por quem sabe, no teclado [que não o nosso], adquira toda uma nova forma e conteúdo, superior e elegante e, erróneamente, pensamos que há coisas que só acontecem aos outros. Mas quando não existe uma carta de instruções de quem tem a mania, ou uma qualquer bula que nos oriente a hora da toma [vai buscar], engolimos as vírgulas com vontade de lhes gritar vários sinónimos de impropérios néscios.

Creio que o alto patamar de intransigência, por parte de quem tem a mania, não provem da superioridade inteletual que se dirime com táticas dirigidas aos seus supostos serviçais, antes os coloca entre quem não soube assumir uma liderança estimulante. 

E, então, uma vírgula, um sinónimo, podem ou não fazer alguma diferença? Poder, podem, mas não devem. Poder não é dever assim como para se ser soberano na matéria não basta parecer mas, sobretudo, há que saber sê-lo. Diante um tal espezinhamento, a assertividade dos argumentos apenas iriam ter o condão de enfadar e acintar quem tem uma tal mania - palavra que, curiosamente, se transverte por "apego excessivo ou obsessivo a uma ideia ou intenção". E entender isto como escrever melhor do que outro não é mais do que uma obsessão - palavra que, curiosamente, siginifica "perseguição diabólica".  Por essas e por outras, prefiro manter uma espécie de si-lên-cio perante tanta imperfeição, usando como argumento alguém que percebe da escrita quando sente e que sente o que escreve.

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Pensamentos - 5

08.08.19

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Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam! Não duro nem para metade da livraria! Deve haver certamente outras maneiras de uma pessoa se salvar, senão… estou perdido.” 

 Almada Negreiros, A Invenção do Dia Claro

A palavra pedestrianismo significa a atividade desportiva praticada em ambientes naturais. É um bocado difícil de pronunciar e não gosto particularmente dela. Ora, tendo em conta que sou uma simples iniciante nesta prática, não a vou utilizar de todo e, tal como outras palavras do dicionário, ficará apenas nas suas páginas inquientantes até que o abra de novo.

Esta atividade física ao ar livre permite aliviar o stess do dia-a-dia e é uma forma de combater o sedentarismo. Além disso, proprociona a observação da natureza, da flora, de algumas aves e funciona como aromaterapia. Sim, leram bem. Aromaterapia porque o cheiro do mato, das flores, ou da natureza, em geral, é salutar e agradável - longe da confusão e dos cheiros da cidade.

Neste post, como já perceberam, não venho falar de livros. Claro que podemos viajar através das leituras. Mas a proximidade com a natureza, os cheiros e os sons aguçam os sentidos e revigoram a alma.

A minha cruzada/caminhada no Vale do Lapedo durou duas horas e meia e foi uma verdadeira descoberta. É que o Vale do Lapedo, aqui perto da cidade de Leiria, é um local lindíssimo. As encostas são íngremes e existem declives acentuados aos quais devemos estar atentos - para não cair ribanceira à baixo.

O mais difícil foi iniciar esta caminhada (cerca de 45 minutos à espera), dado que os trilhos eram muito estreitos e, nesse dia, compareceram 670 participantes ( o que, embora longe da cidade, é muito trânsito engarrafado, como devem calcular). Enquanto esperavamos fui observando as pessoas (também fazem parte da natureza, a humana)  e alguns levavam mochilas enormes com uma caneca pendurada, outros estavam acompanhados dos filhos e conhecidos, e outros, ainda, levaram o cão (o que me fez recordar o livro d´Os Cinco, logo quando não era suposto pensar em livros!). Travei conhecimento com o Trincas, um cão preto e branco, que foi o participante percorreu os trilhos diversas vezes, porque o seu entusiasmo o levava a correr e a voltar para trás a correr e a voltar para trás. A certa altura tomou banho e o seu corricar animado passou a molhar as nossas pernas. 

No Abrigo do Lagar Velho, situado no extremo oeste do vale, na margem esquerda da ribeira, foram feitas descobertas arqueológicas importantes. Estudos apontam que o Abrigo tem entre 20 000 e 30 000 anos. A descoberta da primeira pintura rupestre, em 1998, levou a que os arquólogos explorassem o local, tendo sido descoberto o menino do Lapedo. Com cerca de 24 500 anos, o fóssil terá pertencido a uma criança que teria nascido do cruzamento de um Homo neanderthalensis e um Homo sapiens. 

Num percurso de 6 km, íngreme e atribulado, adorei conhecer o Vale do Lapedo, a sua história, enquanto fui observando tudo e todos. Claro que encontrei muitos motivos para tirar fotografias. Espero que gostem.

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A porta na Rua Direita não é uma porta qualquer ou poderia ser já que existem muitas, algumas degradadas como a da casa onde viveu Eça de Queirós.

A tudo assistem, desgastadas, as pedras negras da estreita rua mais conhecida da cidade de Leiria, em direção à porta do "Espaço Eça", da porta centenária da chapelaria "Liz" e até da porta do hostel "Atlas", num edifício antigo renovado.

Mas a porta não é uma porta qualquer, embora os visitantes sigam encautos e encantados pelo visual colorido. 

Esta Porta, não abre nem fecha, dá antes vida e alegria àquela rua empedrada e ladeada por edifícios desgatados pelo tempo; e a tudo empresta a cor vívida dos sonhos, refulgindo de sons e fervilhando de atividades e Workshops para os mais pequenos.

Já as pinturas e artesanato saltam à vista de todos, pois saem das mãos de quem tem rosto cansado e se alimenta de esperança.

Para mim, não é uma porta qualquer, é caminho que se percorre reavivando a força dos sonhos para que não sejamos passado em ruína.

 

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Pensamentos - 4

01.03.19

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Acreditara que talvez já não existisse Queijo no Labirinto, ou, pelo contrário, se existisse era possível que ele nunca viesse a encontrá-lo. Estes pensamentos estavam a imobilizá-lo e a matá-lo.

 

Dr. Spencer Johnson - Quem Mexeu no Meu Queijo?

 

 

As pessoas têm medo da mudança e do desconhecido. Mudar de relacionamento amoroso, de vida, de amigos, de casa, ou até de profissão, é algo que preocupa, inquieta e paralisa. Por vezes, é mesmo necessário sair da zona de conforto e aceitar novas oportunidades para ser FELIZ. É preciso arriscar e deixar para trás o que nos prende e tolhe o pensamento. Seguir em frente é sempre o caminho.

 

 

 

 

 

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Sejamos como a primavera que renasce cada dia mais bela… Exatamente porque nunca são as mesmas flores.

Clarice Lispector

 

 

Uma coisa que aprecio, além de livros, são as fotografias diferentes e naturais. Vejo muitas fotografias todos os dias no Instagram e penso sempre em fazer algo semelhante ou, pelo menos, em experimentar. Mas, embora tenha várias ideias do que quero fazer, nada me preparou para a dificuldade em tirar fotos, sem me sentir observada. Diria mesmo que já vi vários paparazzis, mas só que sem a máquina fotográfica. Das duas uma: ou algo está errado ou então o que faço é mesmo muito estranho para quem não está habituado.

 

Fotografar com um telemóvel é vulgar. Fotografar com uma máquina já sobressai. E se experimentarem com um livro, então, é simplemente esquisito. Não sei se isto se passa apenas pela minha cabeça, mas, aparentemente, lá vou conseguindo lidar com os olhares dos curiosos. É melhor não pensar demasiado.

 

No domingo passado, por volta das 16h:00m, estavam cerca de 10 graus e o sol já se tinha escondido, então resolvi que o melhor local para fotografar o livro do Nuno Nemopuceno seria num Parque de Merendas, um sítio um pouco isolado. A Uma última ceia estaria assim em  comunhão com a Natureza.

Foto 1

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Pois é, deveria estar deserto, mas não estava, porque àquela hora ainda estavam duas mesas com pessoas a fazer um piquenique. Pessoas sem livros, sou só eu a achar isso estranho?

 

Por acaso até saiu bem e poderia ter terminado as sessões fotográficas, porém, ontem, à hora de almoço, resolvi experimentar entrar numa Igreja e afrontar todos os clérigos com uma fotografia ainda melhor. Seria A Última Ceia numa espécie de vingança disfarçada e uma forma de protesto contra os podres da Igreja.O máximo que me poderia acontecer era levar um ralhete do padre, pensava eu. Entrei e estavam duas senhoras no altar a rezar alto. Uma Igreja enorme e estavam duas senhoras, sem livros, a rezar sozinhas. Pessoas estranhas, ou sou só eu a achar isso estranho?

 

Foto 2

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Olhem, tive de me contentar com a porta, mas respirei de alivio, porque me livrei de uma situação daquelas complicadas de explicar, e continuei a minha aventura estranha com pessoas ainda mais estranhas.

 

Foto 3

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Mais uma foto que ficou bem e ainda assim, numa tentativa de enfrentar os medos, fui andando para outros locais.

Durante o resto do passeio tudo corria bem e eis senão quando encontrei uma senhora ao telemóvel. Falava tão alto que ouvi toda a conversa sobre a sua gravidez. Pessoas muito estranhas.

 

Foto 4

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Virei logo na primeira Rua e depressa esqueci o sucedido, porque a hora de almoço estava a terminar e o trabalho náo espera por ninguém.

 

Foto 5

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Espero que tenham gostado e, se acharam alguma coisa estranha, por favor comentem. 

 

P.S.1. O Nuno Nepomuceno é só o escritor mais simpático que conheci até hoje, pelo que espero que este post não seja de molde a ferir susceptibilidades. Se for o caso, apresento as minhas sinceras desculpas.

P.S.2.Muitos parabéns pelo seu sucesso e espero que o novo livro já venha a caminho!

 

 

Pensamentos - 3

15.02.19

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- Já passa das 9?!- A voz dela transborda pânico, e ela de imediato dá meia volta e corre na direção das escadas. Sobe-as de dois em dois degraus; não a sabia capaz de incorporar tanta pressa.

 

Confesso - Collen Hoover

 

Esta frase suscitou-me a atenção, não sei bem porquê.

A escolha aleatória é apenas a forma que arranjei de vos mostar algumas frases: filosóficas, criativas ou que suscitem algum tipo de debate.

Leio novamente. Julgo que foi a última parte.

Andamos nesta vida a "incorporar tanta pressa" para chegar ao trabalho que acabamos por esquecer o que é mais importante. 

Esquecemos a lancheira, o estojo dos lápis, um caderno, um livro....e o pior é que, quando náo sou eu, são os meus filhos!

E vocês?

 

 

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Este mês comprei três livros com 50 % desconto. Por coincidência (ou não) são livros escritos por mulheres e a única que conheço é Nicole Krauss, em "A História do Amor".  Quando li este livro fiquei encantada com a sua escrita e, depois de uma pesquisa, surpreendou-me o facto de esta ser casada com Jonathan Safran Foer, escritor de "Extraordinariamente Alto Incrivelmente Perto", que tinha lido algum tempo antes. Recordo-me que na altura me interroguei como seria a vida de um casal de escritores, se seriam felizes com os sucessos de cada um ou se isso não traria alguns atritos, tal como acontece com os atores e as atrizes, aliás como acontece em qualquer profissão em que ambos os conjugues trabalhem no mesmo ou lado a lado. São coisas que me passam pela cabeça, é certo, porque a vida é a vida e, quer se queira quer ou não, acontece a todos nós, e também a grandes escritores. 

 

Relativamente aos outros dois livros, não pesquisei nada, mas ouvi falar neles em blogs e nas redes sociais, pelo que espero que não me desapontem. Ainda que assim seja, vale sempre a pena conhecer novas escritoras.

 

Já me disseram que compro livros por comprar, que tenho muitos livros para ler e ainda que, a continuar assim, não vou conseguir ler tudo. Eu sorrio e não respondo.Contudo penso, que os livros e os pensamentos andam sempre juntos, e o que penso é muito simples:

Compro porque sim, porque posso e porque me apetece e sobretudo porque os livros não são interesseiros nem nos abandonam quando mais precisamos.

#livrosamaisnaoexiste

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Sempre fui muito observadora. Em miúda diziam que tinha olhos grandes, o que nem sempre era um elogio. Talvez por ser muito tímida e calada os meus olhos fossem intimidantes, não sei, o que me recordo foi que tinha uma enorme curiosidade por tudo o que me rodeava. E assim que tive a minha primeira máquina fotográfica comecei logo a tirar imensas fotografias. Infelizmente, os rolos e a revelação eram muito caros, pelo que tive de conter (e muito) os meus dotes artísticos recém descobertos. Eram tempos diferentes, sem tecnologias. Podia gostar de fotografia, mas depressa comprendi que tinha livros para ler e matérias para estudar e fui esquecendo o assunto.

 

Tanto a fotografia como os livros ficaram uns tempos relegados para segundo plano. Os estudos avançaram e na faculdade não tinha tempo para mais nada. Depois vieram os tempos em que, apesar de licenciada, era difícil arranjar trabalho, e depois ainda os filhos. Feitas as contas, demorei cerca de 15 anos a retomar onde tinha ficado.

 

Esta introdução já vai longa e o que eu quero transmitir é que de futuro vou fazer o que gosto e sempre com a mente aberta a novas descobertas, seja de uma fotografia a um livro ou a uma paisagem, seja ao que for. Claro que há sempre uma história por detrás, pois sou apenas uma mera amadora e isso nota-se.

 

Por exemplo, quando estava a tirar fotografias ao livro "A Grande Solidão" estava um senhor a fumar um cigarro eletrónico e a olhar para mim. Deve ter pensado que eu era uma maluquinha dos livros, o que até nem é descabido, mas ignorei e continuei.

[Os meus olhos grandes continuam muito ativos].

 

No fim de contas, vamos lá a raciocinar sobre o assunto, é estranho tirar fotografias ou fumar um cigarro eletrónico? O que acham?

 

 

 







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