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Sinopse: aqui

Opinião: Este é o segundo livro que leio da mesma autora de “Meu nome é Lucy Barton”e, tendo em conta que venceu o Pulitzer de ficção em 2009 e que foi adaptado a uma minissérie da HBO, encontrei razões fortíssimas para sentir logo curiosidade.

A prosa, que tão bem caracteriza Elizabeth Strout, é por vezes poética e por vezes crua, porém, neste livro, ela optou por escrever não uma mas 13 histórias, independentes, estruturalmente aproximadas ao género de contos, cuja única ligação é Olive Kitteridge, uma professora de matemática reformada. Portanto, o título do livro refere-se à personagem principal (Olive), embora, na minha humilde opinião,  Henry, o marido de Olive, farmacêutico simpático, merecesse ter um papel de maior destaque. 

Na pequena vila de Crosby, no litoral do Maine, todos se conhecem e os dramas surgem como  histórias isoladas, as quais fazem parte das vivências da comunidade. Este é um dos motivos para,  inicialmente, pensar que se trata de um romance que aparenta ser um conjunto de contos sobre pequenos dramas dos habitantes de uma pequena vila e, sobretudo, sobre a antipática Olive. Contudo, sabemos bem que as aparências enganam, cabendo ao leitor tirar as suas próprias conclusões, conforme explicarei de seguida.

Para mim, a subtileza neste livro está, portanto, na forma como a autora transfere para o leitor um certo ónus ao nível da leitura, dependendo muito de quem lê e da forma como o faz, ou da escolha entre ler o livro todo de seguida ou ir saboreando a leitura, ou até ao nível das simpatias e antipatias para com os personagens. Eu, por exemplo, terei sempre o Henry na memória enquanto Olive é apenas uma lembrança espartilhada pelas histórias de outros personagens.

Este livro é uma espécie de desafio lançado ao leitor, pois ele terá de tentar descobrir os detalhes e as mudanças desta personagem (Olive) que, quer se goste ou não, prima pela singularidade da imperfeição inerente ao ser humano. 

E vocês, já leram?

 

Classificação: 4/5*

 

 

Oferecido pela editora para opinião

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Sinopse:aqui.

Opinião: A morte da sobrinha de Hitler, Angela Raubal, é até hoje um mistério. Os rumores diziam que foi a grande paixão da vida de Hitler, que este controlava a sua vida e que possuía um fanatismo ao ponto de lhe proibir qualquer tipo de amizade ou independência própria. Será que isto possui algum fundo de verdade?

Fabiano Massimi, editor e escritor, tem uma teoria, agarra na história, investiga, e dá uma resposta neste livro, misturando a realidade e a ficção de uma forma totalmente verosímil.

Tudo se inicia em Munique, em setembro de 1931, a poucas semanas das eleições que trarão poder aos nazis. Sigrifried Saue, comissário da polícia, é chamado à moradia do número 16 da Prinzregentenplatz, onde supostamente Geli, de 22 anos, se suicidou. Ao lado do seu corpo um revólver pertencente ao seu tio Adolf Hitler. Pequenos pormenores como este, bem como a posição do corpo e o quarto imaculado, levam a que Saue sinta que algo não bate certo naquele cenário. E essa sensação agudiza-se mais ainda quando, passadas escassas horas, mandam encerrar a investigação, o corpo é cremado e o relatório médico desaparece.  Será que alguém tenta impedir que se descubra quem matou Geli?

A procura de respostas levam o leitor a partilhar suspeitas e a participar na investigação perigosa protagonizada por Saue e o seu colega Mutti. Sente-se a adrenalina e, sobretudo, um enorme desejo de descobrir o verdadeiro culpado quando a tese de homicídio começa a ganhar força.

O cenário da morte de Geli e de outros personagens, as cartas assinadas com a letra H, as testemunhas manipuladas, as provas que desaparecem e as ameaças de morte, conferem a esta história todos os ingredientes necessários para uma leitura compulsiva, emocionante e intrigante.

Um thriller é sempre um thriller, mas uns são mais do que outros e, neste caso, a investigação e a imaginação do autor superou a História. Uma estreia que aconselho sem sombra de dúvida. 

 

Classificação: 5/5

 

Oferta da editora para opinião

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SINOPSE: aqui.

OPINIÃO: Este é um dos escritores que acompanhei desde o início e que me conquistou logo pela dose certa de mistério e de crime à mistura. É que são só as minhas estórias preferidas e acredito que, com o tempo, ele irá destronar a própria Agatha Christie. Tenho fé.

«O enigma do quarto 622» é o quinto livro de Joël Dicker e, tal como nos anteriores romances, o autor agarra-nos desde a primeira página. Bem sei que são 610 páginas, mas acreditem que não se sentem a passar (ou a folhear) até porque queremos descobrir quem foi o assassino e o que se passou no quarto 622 do luxuoso hotel nos Alpes suíços (Palace de Verbier). E é o próprio escritor, Joël Dicker, que, quinze anos depois, para fugir a um desgosto amoroso e para fazer o luto do seu estimado editor, irá então iniciar a investigação, tendo por companhia, e principal colaboradora, uma cliente do hotel, hospedada no quarto ao lado do seu, chamada Scarlett Leonas.

Nesta estória, nada é o que parece e as inúmeras personagens, incluindo o próprio autor, levaram-me a questionar tudo e a ficar sempre de pé atrás, e só quase no final é que desconfiei quem poderia ser o suspeito número um. E quase acertei! 

Já o autor, enquanto personagem, não achei que tivesse, aqui, um especial impacto, dado andar quase sempre a «reboque» da Scarlet. Aliás, como fã, sou suspeita, pois gostaria que tivesse desenvolvido essa parte de outra forma.

Achei ainda curioso que, enquanto personagem, recordasse de Bernard de Fallois, o seu editor, e que se lembrasse  do nome do seu livro preferido [E tudo o Vento Levou],  mas creio que se percebe que a  intenção é tão só de lhe prestar uma homenagem, dado que:«Era uma inspiração para a vida, uma estrela na Noite».

N´O enigma do quarto 622, o leitor é apanhado de surpresa, porque «O mais importante (...), não é como a (...) história acaba, mas o modo como enchemos as páginas até lá. Porque a vida, como um romance, deve ser uma aventura. E as aventuras são as férias da vida».

Um livro fantástico que recomendo vivamente. 

 

CLASSIFICAÇÃO: 5/5*

 

Oferta da editora para opinião

 

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«Sou eu a minha prisão, agora. Até acordar cercada por grades, algures.»
Eduarda apenas sonhara em refazer a sua vida após a morte do marido, que a deixou sozinha no mundo com uma filha adolescente. Não desconfiou que essa nova casa, com um novo companheiro, a conduziria a uma vida de violência, destinada ao esquecimento. Anos de submissão encaminham-na para uma noite de tempestade.
Este é o momento em que as paisagens tão dissonantes da vida de seis mulheres se entrelaçam de uma forma inegável, numa demanda pelo significado da vida. Mães, filhas, amigas, amantes, casas devastadas pela dúvida e pela loucura - todas obrigadas a enfrentar o medo de voar no quarto escuro.

OPINIÃO:
No dia 5 de outubro de 2019, no 2.º Encontro de Booktubers, realizado na Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira em Leiria, tive a oportunidade de ver e ouvir a Márcia Balsas quando assisti à apresentação do livro "Voar sobre o quarto escuro". Recordo-me de ela contar como surgiu a ideia para escrever uma história com personagens ficcionadas, as quais existiam apenas na sua cabeça, cujas vivências e dilemas poderiam ser reais.

Durante o mês de junho, com o projeto "On the Road" da  Ana Paula Catarino, da Cristina Luis e da Silvéria Miranda, o livro chegou cá a casa e tive a possibilidade de confirmar aquelas palavras da Márcia e, claro, de conhecer melhor a escrita dela. Gostei especialmente de algumas passagens:

"Chove. Caminha com cautela por causa do chão escorregadio. Tem medo de cair, mas não pode ficar mais magoada. A ironia é quase cómica, não fosse as dores provocadas pelo riso".

"Seca uma lágrima saudosa do falecido, «era de boas contas, não falhava», e fica a matutar nas injustiças da vida enquanto tira os copos da máquina, já secos, prontos para mais uma rodada".

"«Nunca» é outra palavra curiosa, usada tantas vezes de modo leviano, sem percepção do seu sentido limite. Talvez por não haver sentido no fim, porque quando se chega lá, ao fim, não se tem essa consciência. Depois do fim, nada".

Neste livro, existem oito personagens femininas e cada uma vivencia uma situação de: violência doméstica, desespero, solidão, sexualidade, depressão e até suicídio. São tudo temas atuais , pertinentes mas muito difíceis de abordar. Assim, pese embora tenha gostado da escrita e da forma como as personagens vão surgindo, achei que a leitura de tantos problemas ao mesmo tempo me transmitiu um peso, um fardo e uma falta de esperança. Para explicar melhor, talvez consiga fazê-lo utilizando uma linguagem metafórica, uma vez que durante a leitura senti como se ouvisse um fado com letra muito bonita e com uma música muito triste. Não obstante, as minhas impressões foram boas ao nível da escrita e gostei muito de ter ficado a conhecer o primeiro romance da Márcia.

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SINOPSE: aqui.
OPINIÃO: Depois de ter lido o livro "A Marca de Todas as Coisas" fiquei com boa impressão da escrita desta autora e convencida de que ela sabe retratar bem personagens femininas. Com base nesta experiência de leitura assumo que as minhas expetativas relativamente "A cidade das mulheres" eram elevadas, no entanto Gilbert veio provar a minha opinião inicial.
A história inicia-se em abril de 2010, quando Vivian recebe uma carta de Ângela (que só se descobrirá quem é mais para o final), na qual esta pede a Vivian que conte o que foi para o pai dela. E Vivian, assumindo a qualidade de narradora, conta a sua vida a Ângela (ou ao leitor) recuando até o verão de 1940, altura em que tinha apenas 19 anos.
Vivian, a estudar na Faculdade de Vassar, é mandada de volta para casa dos pais, uma vez que ela não obteve aproveitamento nos exames. Apesar do prestígio da faculdade, Vivian não manifestou qualquer interesse em frequentar as aulas, preferindo costurar vestidos a estudar. Os pais, por vergonha ou por não saberem lidar com a filha, resolvem "despacha-la" no comboio para ir morar em Manhattam com a tia Peg (dona do teatro Lily Playhouse). De jovem inexperiente, rica e sem rumo, a vida de Vivian muda radicalmente quando trava conhecimento com várias personagens que a fascinam. É assim que na companhia de Celia Ray, corista no teatro da tia, embarca na aventura ("La vida Louca") madrugada fora, aproveitando ao máximo a vida e o divertimento noturno, em modo desbragado. Porém, essa alegria e vivacidade é ameaçada por problemas relacionados com ampla liberdade da jovem, embora esta continue a desempenhar, competentemente, a tarefa de figurinista do teatro da tia Peg, gerido com mão de ferro por Olive, caraterizada como implicativa mas de grande coração conforme se verificará ao longo da história.
O título "A cidade das mulheres" é o nome da peça de teatro que o tio de Vivian, Billy, escreve para a grande atriz Edna Parker Watson. O título alude a isso e a mais, porque conhecemos e acompanhamos várias personagens femininas interessantes que residem todas no Lily Playhouse.
A meio do livro, o ritmo da história diminuiu um pouco, porém, quando julguei que não ia acontecer nada de novo, Gilbert conseguiu dar um novo folgo e apanhar-me desprevenida e bem desperta para o que se segue. 
"A cidade das mulheres" é uma história absorvente sobre liberdade, paixão, romance, descoberta, erros e crescimento pessoal, em que o fascínio reside na narrativa simples e direta alicerçada na construção de personagens quase reais. Gostei muito e aconselho vivamente.
 
 
Classificação: 4, 5/5*
 

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SINOPSE: aqui.
 

OPINIÃO: Este livro é o segundo livro do autor. Eu nunca tinha lido nada dele anterirmente mas, tratando-se de um policial/thriller, parti para a sua leitura com um certo espírito detetivesco. Embora sabendo que este livro é a continuação do primeiro, “O dia em que perdemos a cabeça”, e que possui alguns elos de ligação com este, creio que o livro pode ser lido em separado sem que isso afete o interesse em acompanhar uma investigação criminal como esta (confesso que gosto particularmente de policiais).

Em 14 de dezembro de 2014, uma jovem mulher aparece, numa rua de Nova Iorque, uma jovem nua e suja. A polícia leva a jovem  para o escritório do FBI e esta traz consigo umas notas amareladas com nomes. O inspetor Bowring e o seu assistente irão investigar o caso e logo surge uma ligação a uma mulher que surge decapitada num campo.

Esta mulher é estranha e chama logo à atenção quando profere frases enigmáticas como: "Odeio vestidos de flores,, inspetor Bowring especialmente em Dezembro, por causa do frio do Inverno" e"As coincidências não são mais do que o destino disfarçado de inocência".

Apesar de me sentir um pouco perdida no início, dado os saltos temporais, mudança entre personagens e de histórias, continuei agarrada ao livro à espera de descobrir em que fase a história se iria interligar - o que acabou por vir a acontecer. O que gostei mais e realmente me prendeu atenção foi o mistério nebuloso e um certo misticismo por detrás da personagem Carla.

Apesar de a história ter sido, para mim, previsível, no final o autor conseguiu surpreender-me. Outro aspeto positivo é a sua escrita leve, o que contribui para uma leitura rápida em que não damos conta do tempo passar.

Gostei muito e espero ler mais deste autor.

 

CLASSIFICAÇÃO: 4/5*

oferta da editora para opinião 

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Sinopse: aqui.

Frank Lundquist é psiquiatra na prisão de Milford Basin, Nova York, e desenvolve uma obsessão pela Reclusa Miranda Greene, uma vez que é apaixonado por ela desde os tempos do liceu. Como esta parece não o reconhecer, ele decide continuar a acompanhá-la como paciente, indo contra os princípios que regem a sua profissão. Depois temos Miranda Greene, a cumprir uma pena de 52 anos de prisão, que planeia morrer e recorre a Frank alegando uma depressão. Estes dois personagens vivem "assombrados" por um mistério no passado e têm problemas psicológicos que não conseguem ultrapassar.

Eu achei que a premissa da história é interessante, no entanto, os capítulos alternados do ponto de vista de Frank e Miranda, tornam o desenvolvimento da história muito lento. Também me pareceu igualmente lenta, com recuos e avanços, a descoberta de acontecimentos do passado em relação aos dois personagens. Além disso, a história entre Frank e Miranda deixou-me um pouco confusa e à espera de uma reviravolta qualquer. 

Para ser honesta não sei se foi do livro ou se este livro não é para mim, mas, como gosto de personagens intrincados, esperei sentir empatia por algum dos personagens, o que acabou por não acontecer. 

No entanto, como não podia deixar de ser, esta história fez-me pensar. E a este propósito lembrei-me da frase de Mahatma Gandhi, a qual refere que “Uma prisão não são grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência”. Assim, refletindo um pouco sobre o sentido desta frase e sobre a história d´A Reclusa, considero que a própria mente dos personagens acabou por constituir a sua própria prisão, embora o livro nos traga outra prisão com a descrição do ambiente prisional numa prisão de mulheres e os problemas que surgem entre Miranda e as outras reclusas.

Classificação: 3,5/5*

Oferta da editora

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Sinopse: Aqui.

Opinião: Depois de P.S - eu amo-te, fiquei curiosa para ler este livro, porque queria muito saber como prosseguiu a vida de Holly sete anos após a última carta de Gerry. Tenho de admitir que na minha cabeça surgiram vários planos para a vida dela. Por exemplo, esperei voltar a encontrá-la casada e já com filhos. No entanto, já devia ter aprendido que nos livros, tal como na vida real, há mudanças e reviravoltas inesperadas.

Holly Kennedy tem 37 anos, está mais velha, tem um namorado, chamado Gabriel, e abriu uma loja de coisas vintagem em segunda mão com a irmã Ciara.

Este é o começo do livro e para ser sincera não estava à espera de uma mudança tão grande ao nível da vida profissional de Holly, uma vez que em P.S. ela trabalhava numa revista. Via ali um futuro promissor e esperava outro rumo na história. Tenho de admitir que (por ser verdade) quase passei a fazer parte da família e, claro, a família tem o direito a ter uma opinião e sabe sempre o que é melhor (só que não).

Quando Holly faz um podcast sobre o seu processo de luto e fala nas cartas do marido, Ângela Carberry fica interessada na sua história e quer que Holly a ajude. Falar de mágoa e desgosto afeta a todos, mas Holly não quer repisar o que passou e praticamente foge de Ângela. Quando esta morre, Holly sente-se culpada e é obrigada a repensar uma forma de ajudar os outros. É, então, que começa a relacionar-se com os membros do clube P. S.- eu amo-te e a ajudar a escrever as suas próprias mensagens aos entes queridos. 

"Talvez não seja a morte que nos revolta ou assusta, mas o facto de não a podermos controlar".

Contrariamente a P.S.- eu amo-te, não dei por mim a sorrir mas a sentir emoções com mais intensidade, tanto que chorei com Ginika. E, talvez por ter lido os dois livros de enfiada, nunca desejei tanto que o final correspondesse aos meus desejos, numa espécie de pedido à lua quando se tem as estrelas.

Cecelia Ahern voltou a surpreender-me, mais uma vez, através desta história, sentida e cheia de emoções, cujo desenvolvimento acarretou um maior envolvimento na missão em torno de vários personagens que nos comovem e nos prendem até à última página. 
Gostei bastante.

Classificação: 4/5*

Oferta da editora

 

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Sinopse: aqui.

Opinião: Li este livro para a leitura conjunta no grupo da Isabel Caldeira, do blog Manta de Histórias. Eu nunca tinha feito a experiência e espero voltar a repetir.

Depois de ler Ensina-me a voar sobre os telhados, o tamanho deste livro intimidou-me um pouco, mas assim que comecei a ler passou a ser insignificante. Além disso, o facto de ler 50 páginas por dia, para a leitura conjunta, tornou tudo ainda mais interessante.

A história inicia-se no verão de 1987, quando o adolescente Pedro Taborda apaixona-se por Laura Walsh, filha mais velha de Noah Walsh, um nova-iorquino, muito rico, com negócios de caráter duvidoso. 

Laura empresta um livro a Pedro e ele decide que um dia se tornará escritor, tal como Gary List. Dez anos depois, Pedro, decidido a tornar-se escritor, vai estudar para Nova-Iorque.O professor,  Gary List, acaba por se tornar seu amigo, apesar de uma mentira que o levou ao seu curso de literatura. Gostei bastante deste personagem, especialmente pela sua excentricidade, não deixando de concordar quando diz o seguinte:

"Nos policiais aprendemos muito sobre a arte de contar, confirmou ele. «Todas as narrativas, até mesmo as que foram escritas pelos génios da literatura, labutam na mesma matéria. Sexo, ambição e inveja. Senão, veja: Madame Bovary; Moby Dick; Crime e Castigo; Hamelet; Cervantes; Shakespeare e Conrad; Roth, Dostoievsky e Nabakov. Depois chegou a modernidade e deu cabo destes princípios".

"A partir de meados do século XX, muitos escritores decidiram sacrificar o ofício em favor do significado e começaram a debruçar-se sobre o absurdo da existência humana, culminado nestas coisas intragáveis  que abundam nas livrarias e recebem críticas elogiosas do The New York Times, cujos escribas não conseguem evitar repetir-se e usam sempre os mesmos epítetos. Um livro que espelha a condição humana. Profundamente original. Uma nova voz"

Acredito que este livro poderá ser adaptado ao cinema, uma vez que tem todos os ingredientes necessários, desde romance a investigação criminal e, ainda, um mistério em torno não de um mas de dois homicídios. E foi este mistério que me manteve presa e com vontade de descobrir o final, porque, embora ao longo da leitura fossem dadas algumas pistas, é totalmente inesperado e surpreendente. 

O thrilher é um género em que o autor se estreou e que recomendo sem hesitar.

 

Classificação: 5/5*

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Sinopse: Aqui.

Opinião: «Há livros que devemos evitar, e este é um deles?!». Se pensam assim é porque acham que o livro é apenas mais uma história lamechas que não merece uma oportunidade, ou então viram o filme e julgam que não vale a pena ler o livro. Não podiam estar mais enganados. Nem eu.Tenho de admitir que parti para esta leitura com essa ideia em mente, no entanto, o filme é diferente, confirmando-se que a minha regra atual - primeiro leio o livro e depois vejo o filme - é a que permite formar uma opinião fundamentada sobre uma história baseada num livro.

Depois deste enquadramento, julgo ser chegado o momento de apresentar os personagens principais. Holly e Gerry formam um casal feliz, que vive em Dublin. Eles têm discussões e  defeitos como qualquer outro casal. Eles são um casal muito apaixonado, que se conhece  desde a adolescência, Mas, então, esta história não é sobre «apaixonaram-se e viveram felizes para sempre?». De facto, não é. É antes sobre a fase de superação da morte de alguém querido e sobre a forma como se vive com as recordações (neste caso, mantidas por Gerry através de cartas que deixou para Holly).

«Os amigos e a família iam e vinham, ajudando-a umas vezes com as lágrimas, outras vezes fazendo-a rir. Mas, mesmo no seu riso faltava algo. Nunca parecia verdadeiramente feliz; parecia apenas estar a passar o tempo enquanto esperava por outra coisa qualquer. Estava cansada de simplesmente existir; queria viver».

A escritora Irlandesa Cecelia Ahern surpreendeu-me uma vez mais, pois nos seus livros há sempre um tema delicado, e neste conseguiu abordar o processo de luto, introduzindo certos acontecimentos cómicos através das amigas de Holly, Denise e Sharon.

«A câmara apontou nessa direção. Por baixo dos lençois de seda dourada pareciam três porquinhos a digladiar-se debaixo de um cobertor. Sharon, Denise e Holly rebolavam, aos gritos umas com as outras,  tentando passar o mais despercebidas possível, para que ninguém desse por elas».

«Denise e Sharon uivaram de riso pela maravilhosa escolha musical e fizeram-lhe uma grande festa».

Posto isto, reforço a ideia de que quem viu o filme não pode deixar de ler o livro, mas, se este conselho ainda for a tempo, não o façam por essa ordem. Primeiro o livro. Sempre. 

Enquanto leitora, apreciei muito mais o livro, porque este romance é triste, comovente e  divertido, mas é, sobretudo, uma lição de vida e de esperança.

Leiam porque vale a pena. 

 

Classificação: 4/5*

 

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