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Opinião: Este livro foi mencionado pela Maria do Rosário no Clube de Leitura Conversas Livrásticas. O tema, se a memória não me falha, era saúde mental. Achei o máximo a descrição da história e fiquei muito curiosa quando a certa altura ouvi que os loucos estavam todos no manicómio. A este propósito, lembro-me da minha professora de filosofia quando lançava a pergunta: Quem são os loucos? Serão todos os outros, aqueles que vivem no manicómio, ou os que ficam de fora?

 

Entretanto, numa ida à biblioteca, trouxe este livrinho que me fez recordar essas aulas de filosofia e uma constante necessidade de questionar o mundo em redor. Por vezes esqueço-me de o fazer. Outras, ouso  refletir bem sobre o que estou a ver ou a ler. Acho que é preciso usar os olhos da alma e não os nossos sentidos, uma vez que estes não conseguem apreender essa dimensão reflexiva.


Resumindo um pouco a história, o Dr. Simão Bacamarte, médico psiquiatra ou alienista, depois de andar pela Europa vai para a cidade de Itaguí, no Brasil, onde acaba por se casar com uma viúva, que não era bonita, mas que lhe poderia vir a dar os filhos que desejava. Algum tempo depois, constroi um manicómio ou asilo na cidade. Chamou-lhe Casa Verde. A obsessão pelo trabalho é tão grande que aos seus olhos todos evidenciam sinais perante os quais o médico resolve internar um a um. Todos os  que se vão cruzando o caminho são objeto de um teste para comprovar a sua teoria (completamente aleatória).

 

"A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente". 

 

Este conto é uma forma muito "lúdica" de abordar um tema sensível: a forma como os médicos analisam os distúrbios psicológicos através das atitudes e comportamentos das pessoas.

 

"Simão Bacamarte refletiu ainda um instante, e disse:
- Suponho o espírito humano uma vasta concha, o meu fim, Sr. Soares, é ver se posso extrair a pérola, que é a razão; por outros termos, demarquemos definitivamente os limites da razão e da loucura. A razão é o perfeito equilíbrio de todas as faculdades; fora daí insânia, insânia e insânia".

 

 

Por outro lado, é utilizada uma dose de ironia na crítica a pessoas oportunistas, com o botânico Crispim Soares, bem como aos próprios políticos, com o barbeiro Porfírio. Numa sociedade de loucos, os poucos que se governam são os que têm interesses próprios (e nem esses serão poupados).

 

O primeiro contato que tive com o escritor foi com o livro D. Casmurro, uma leitura que partilhei convosco aqui. Tive uma boa impressão do autor e firmei a convição de que os seus livros não devem ser lidos "aos bocadinhos".Acho que desta feita aprendi bem a lição, pois li O alienista de uma assentada.

 

Um livro para ler e pensar. Uma alegoria ao ser humano e, sobretudo, ao que ele acredita ser a realidade.

 

 

Classificação:

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Sinopseaqui.

Opinião: A narrativa é feita por Balram. Ele conta a história da sua vida («A autobiografia dum Indiano Mal Amanhado»). Neste tom irónico e crítico, Balram descreve o seu país, a Índia, e conta que antes de se chamar Balram era Munna. No entanto, Munna significa apenas rapaz, ou seja, quando nasceu os pais não lhe deram um nome. 

Mas afinal que espécie de lugar é aquele em que os pais se esquecem de dar o nome aos filhos?

 

É só na escola que o professor o "batiza" de Balram e eu achei isto táo triste que senti uma enorme compaixão pelo personagem, mas aviso já: não se iludam. 

«O Tigre Branco» contem sete cartas escritas por Balram ao primeiro-ministro Chinês, que visitará a Índia, onde conta a sua história e faz uma crítica social algo arrojada. 

 

A propósito senhor primeiro-ministro: já reparou que os quatro maiores poetas do mundo são todos muçulmanos? E que, apesar disto, todos os muçulmanos com que nos cruzamos são ou analfabetos, ou andam tapados dos pés à cabeça com burcas pretas, ou à procura de prédios para explodir? É um enigma, não lhe parece? Se algum dia conseguir perceber esta gente, então mande-me um e-mail.

 

Nesta sátira, temos: pobreza, ambição, ganância, corrupção, crime, cenas ["nojentas"], desigualdade social e injustiça q.b.. Porém, aquele sentimento de pena que Balram inspira, ao início, vai-se dissipando à medida que a história se desenrola. A própria narrativa começa por ser leve e divertida mas descreve uma realidade "quase medieval", que é o sistema de castas. Vindo do lado pobre, escuro e sujo, Balram quer subir na vida, mas a sua casta, Halwai, tem de vender doces (Cada casta tem um nome que se relaciona com uma profissão) e Balram não quer essa profissão de "pobre" e sim ter uma bela farda e ser motorista (No fundo, quer passar para o lado da luz e da riqueza).

Gostei deste livro porque acho que é uma história que dá para refletir sobre a realidade na Índia e conhecer um pouco mais desse país. 

Gostei ainda porque o livro é pequeno, lê-se rapidamente e não é nada maçudo.

Mas o que mais gostei foi da construção e caraterização psicológica do personagem Balram (Brutal!).

Espero ler mais deste autor.

 

 

 

 

 

Classificação: 5/5.

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Sinopse: Aqui:

 

Opinião: Depois de ler "Quando o Cuco Chama", fiquei curiosa para ler os dois livros seguintes. Infelizmente, na minha Biblioteca, apenas tinham o segundo livro, "O Bicho-da-Seda",  e não me souberam dizer quando vão adquirir o terceiro. 

Li o "Bicho-da-Seda" há vários meses atrás, pelo que resolvi escrever aqui o quanto antes. Lembro-me que a leitura foi compulsiva, dado o entusiamo com que fiquei depois de ler o primeiro. Depois ainda tenho presente que as expetativas eram elevadas.

Cormoran Strike e Robin Ellacott voltaram a preencher os meus serões com uma história de um desaparecimento de um escritor chamado Quine. Quine tinha escrito o romance "Bombyx Mori"(o bicho da seda em latim), que contem informações nada abonatórias de pessoas que lhe são próximas, desde escritores a editores. Quando Quine surge brutalmente assassinado, tudo aponta que os suspeitos serão os que se sentiram "ofendidos" com o livro. E Quine não tem amigos.

Não gostei tanto deste livro como do anterior, uma vez que Cormoram continua a lamentar-se da sua vida, da sua perna e a mencionar o sofrimento. Já a personagem Robin tem um maior destaque, porém, algumas partes do livro tornaram-se um pouco irritantes. Acho que isso aconteceu quando ficamos sem saber se Robin vai ou não terminar o relacionamento com o noivo. Afinal, Robin poderia ser mais decidida e determinada, ou não? Sinceramente, para uma "quase detetive" fugir à verdade (ou ao noivo) não me pareceu uma atitude correta.

Outra coisa que me maçou foi a referência constante ao "Bombyx Mori", que no fundo foi um mau livro. Quine não era bom escritor. Percebo que se fale nele por ser o último romance escrito por Quine, mas não entendo a tão elevada relevência que lhe é dada. Se calhar deveria ter percebido... mas "Bombyx Mori" não me impressionou. 

Por último, há um pormenor que me deixa com "urticária" e que se relaciona com a subtileza com a escritora induz a ideia de um possível romance entre Robin e Cormoram. Funciona nas séries televisivas, mas aqui, please, don´t! 

Estes foram os motivos para não gostar tanto deste livro, mas a escrita é ótima e o final é surpreendente.

Será que vou ler o próximo?

 

Classificação: 4/5

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[Agradeço o enorme privilégio que o autor me concedeu através da generosa oferta do livro]

 

 

Desde miúda que oiço falar de histórias sobre África e lembro-me perfeitamente das conversas do meu pai e do meu tio quando recordam o tempo da guerra colonial e de quando estiveram em Angola e Moçambique. De tanto os ouvir, acho que se agarrou à minha alma o espanto por essa terra de contrastes. E este livro recordou-me um pouco essas histórias e sobretudo esse mundo de mistérios, crenças, cores, cheiros e sons da fauna, que têm tanto de terrível como de maravilhoso.

 

Em "O Perfume da Savana", o autor conta-nos uma história de um grande amor, "um amor incomensurável só comparado à vastidão que o rodeia", numa época em que África era ainda uma colónia portuguesa e em que a falta de chuva afetava (e afeta) a terra, as pessoas e os animais.

 

Para Daniel, não foi o feitiçeiro nem a chuva e sim o destino que lhe trouxe um perfume irresistível na mulher perfeita: Isabel. Ela é casada e tem uma filha, mas só com Daniel descobre o amor, algo que ainda não tinha conhecido antes. 

 

Acompanhei esta história de amor com algum receio, não só pela trama, mas também pelo facto de a ação se desenrolar na savana cheia de vida. À noite ouvem-se os leões, o casquinar das hienas, e de dia veêm-se os leões, os jacarés e as pacaças [que desconhecia].

 

Adorei a envolvência da natureza e da fauna, bem como de todos personagens, incluindo o Dibó, a Clarinha e a Zeza. Ademais, a escrita é cheia de pormenores e proporciona uma "viagem" a um tempo em que "não há televisão, fax, computador, vídeo, DVD, telemóvel, nada". Já se imaginaram no meio da selva sem nenhum tipo de tecnologia? 

 

Eis mais uma história de África que me fica na memória!

 

Classificação: 4/5

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Opinião:Ultimamente, ando sem inspiração e isso reflete-se aqui no blogue. Na realidade, gostaria que os post´s que escrevo fossem diferentes e, de tanto tentar que assim seja, acabo por falhar miseravelmente.

A indecisão é um bicho que come as palavras. Ler deveria bastar-me e as letras não deveriam fugir. Ao contrário, vivo isolada e prisioneira de ideias sem filtros. Vivo e leio. Acordo e sonho. E é este o dualismo que me prende as mãos e que não me deixa  teclar livremente as ideias! Raios.

 

Depois deste desabafo, nada melhor do que falar de um escritor talentoso. A minha disposição melhora consideravelmente sempre que indico a leitura d´" A verdade sobre o caso Harry Quebert", pois é o meu livro preferido de Joël Dicker. Gostei tanto do escritor que resolvi que tinha de ler mais e avancei com "O Livro dos Baltimore" e depois para  "Os Últimos Dias dos Nossos Pais".

 

"Os últimos dias dos nossos pais" é sobre uma história de agentes secretos. Paul-Émile, Pal, é um jovem que decide partir para Londres a fim de ingressar na Resistência. Aí, torna-se membro das Forças Especiais, numa espécie de agente secreto e é impedido de ver o pai, a quem é tão dedicado.

 

Um romance que se passa na Segunda Guerra Mundial e que prima por ser diferente, pois destaca os sentimentos das personagens e as relações de amizade (e amor)  entre eles. Apelando ao que faz de nós seres humanos, o autor revela de forma exímia os defeitos e as qualidades numa época em que o mais pequeno erro pode custar a vida de alguém que é muito próximo.

Classificação: 4/5

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Sinopse:aqui.

Opinião:  Quando soube que a Magda me ia enviar este livro, pelo correio, fiquei em polvorosa. As leis fazem parte do meu trabalho, do meu dia-a-dia e as expetativas eram mais do que muitas. 

 

Então, começando pelo Mike Papantonio, o autor é advogado num dos maiores escritórios de advocacia da América (o Levin Papantónio) e resolveu escrever este livro inspirando-se em factos verídicos. É desse conhecimento que surge a história do advogado Nicholas Deketomis. O primeiro caso é o de Annica, uma jovem de de 19 anos que sofreu um acidente vascular cerebral após tomar uma pílula contracetiva. Inicia-se um medir de forças entre uma grande farmacêutica e um advogado que quer defender a vida de inocentes. Evitar novas vítimas é a sua prioridade máxima, porém terá de lidar com forças poderosas que não olham a meios, os chamados "danos colaterais", para atingir os seus fins lucrativos.


Os julgamentos de crimes (contra a vida, o ambiente e saúde pública) e os meandros do próprio sistema judicial americano são assuntos que me prendem a atenção. Já vi vários filmes (tratando-se do tema ambiente veio-me logo à cabeça o filme «Erin Brokovitch»), já li vários livros com julgamentos (ainda não vos disse que o meu preferido é o «Sete Minutos», de Irving Wallace?) e vou continuar a ver e a ler, mais e mais.
 
No início, referi que as expetativas eram altas. E eram. Porém, ter um termo de comparação também não ajuda - e eleva a fasquia. Esperava ação, muita ação, e debates, arrebatadores, entre a acusação e a defesa. Não esperava, de todo, ficar a saber a facilidade com que, no sistema judicial americano, se iliba alguém da morte de uma pessoa através do descrédito "moral" da testemunha chave, sem direito a novo julgamento.
Lei & Corrupção possui uma escrita simples, algo "cinematográfica", que se lê rapidamente. Eu esperava mais dos personagens e da história, o que não quer dizer que não venham a ler e a gostar (como a Magda ).
 
Classificação: 3/5

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Este é um daqueles livros que ou se gosta ou se detesta, e digo isto porque fiquei com essa percepção depois de ter lido as críticas no goodreads. Mas adiante.

 

Quando requisitei este livro, na biblioteca, não sabia quem era a jornalista Anabela Natário, mas já tinha ouvido falar da história de Diogo Alves, do assassino do Aqueduto das Águas Livres, e da sua cabeça decepada guardada em formol para futuros estudos. Pareceu-me interessante e trouxe-o convencida de que o assunto eram as mortes ocorridas no Aqueduto. Mas Diogo Alves além de assassino era ainda ladrão e aterrorizou Lisboa da primeira metade do século XIX . Ao seu lado, tinha um bando de ladrões que vivam de assaltos, roubos, bebida e mulheres, e a sua amante, a Parreirinha (Gertrudes Maria), que era uma mulher que o apoiava em tudo. 

 

Voltando ao que referi anteriormente, uma das críticas apontadas à escritora no goodreads prende-se com o estilo de escrita da autora, porém, tenho de discordar dessa opinião, uma vez que algumas das expressões são as usadas naquela época. Talvez por já ter lido vários clássicos não estranhei a escrita e a leitura fluiu muito naturalmente.

 

O romance tem mistério e intriga q.b. e a jornalista fez um óptimo trabalho de pesquisa, consultando os jornais da época e os processos judiciais. 

Acho que é um romance histórico fora do habitual e o facto de ser baseado em factos verídicos é a minha cereja no topo do bolo. Eu adorei.

 
 
Classificação: 5/5
 
 

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Começando pelo início, pelo prefácio, Miguel Torga dirige-se ao leitor:

 

São horas de te receber no portaló da minha pequena Arca de Noé. Tens sido de uma constância tão espontânea e tão pura a visitá-la, que é preciso que me liberte do medo de parecer ufano da obra, e venha delicadamente cumprimentar-te uma vez ao menos. Não se pagam gentilezas com descortesias, e eu sou instintivamente grato e correcto (...).

 

És, pois, dono como eu deste livro, e, ao cumprimentar-te à entrada dele, nem pretendo sugerir-te que o leias com a luz da imaginação acesa, nem atrair o teu olhar para a penumbra da sua simbologia. Isso não é comigo, porque nenhuma árvore explica os seus frutos, embora goste que lhos comam.

 

Com estas palavras, Miguel Torga dá a conhecer a Arca de Noé, na qual o leitor irá embarcar. A leitura, essa é da total responsabilidade do leitor que é tão dono do livro como o autor. Vocês concordam?

 

Publicado em 1940, cada um dos catorze contos tem ou um animal ou um humano. Durante a leitura isso deixou-me bastante surpreendida, pois achei que as caraterísticas dos animais estavam bem próximas dos humanos. Já a história da mulher, a Madalena, é tão crua e realista!

 

O conto que mais gostei, tudo por culpa d´ A rapariga do autocarro, foi o do galo Tenório que: "Era um galo, e não cuidasse lá o senhor borra-botas do lado que, por ser novo, lhe havia de andar ao beija-mão toda a vida". Ai, o Tenório, fica na minha memória como sendo uma expressão para mais tarde lançar a alguém desprevenido (ahahah).

 

E vamos às curiosidades. Miguel Torga nasceu em Trás-os-Montes em 12 de Agosto de 1907 com o nome Adolfo Correia da Rocha e, em 1934, adoptou o pseudónimo Miguel Torga. Sabiam que “Torga” é uma urze, uma raiz que sobrevive e contribui para a sobrevivência das gentes nas serras transmontanas? E sabiam que Miguel Torga foi nomeado para o Prémio Nobel da Literatura?

 

Os “Bichos” é um livro secreto e tem feito uma viagem pelas casas e pelos correios deste país, mas espero que tenham gostado desta apresentação e espero ainda não ter revelado muito do seu conteúdo.

 

Classificação: 4/5.

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Sinopse: aqui.

 

Opinião: Lembro-me bem de ter lido "Rosa, minha irmã Rosa", "Chocolate à Chuva", "A Espada do Rei Afonso" e "Águas de Verão". Alice Vieira escreveu estas e outras histórias infanto-juvenis que faziam as minhas delícias. 

 

"Os Olhos de Ana Marta" é classificado como o melhor romance de Alice Vieira, pela construção das personagens, a estrutura narrativa e a conceção da história. Sem dúvida uma grande escritora cujas obras foram traduzidas para várias línguas e que merece um carinho especial por me ter "acompanhado" na infância. Mas vamos à história.

 

Marta é uma menina de 11 anos com muita imaginação. Ela acha que foi trocada no hospital e que a mãe, Flávia, não é a sua verdadeira mãe. A sua imensa imaginação, instigada por Leonor, a governanta que lhe conta histórias, não consegue descortinar a razão desse sentimento de rejeição, o qual não é de todo infundado-é que a mãe nunca pronuncia o seu nome e mal olha para ela. Já o pai, só tem se interessa por Flávia. Fecham-se quartos na casa de Marta assim como se fecharam as portas do coração daquela mãe. 

 

O livro tem, obviamente, um mistério, um segredo de família, que deveria ter despertado uma vontade enorme de descobrir toda a verdade. Infelizmente, desta vez, não funcionou comigo. Não sei bem o que aconteceu durante a leitura, mas não consegui agarrar a história, senti-la em todas as suas palavras nem imaginar o sofrimento de Marta. Na verdade, não senti nada. Foi mesmo muito estranho.

 

Mais tarde, refleti um pouco e entendi este distanciamento ou esta aparente falta de ligação com a personagem. De forma inconsciente, o meu objetivo foi voltar à infância e sentir o desprendimento total das férias de Verão. Através desta leitura, isso falhou e, como não encontrei o que procurava, facilmente perceberão o motivo de ter sido uma leitura demasiado rápida e sem grandes emoções. Mea culpa, assumo.

 

Portanto, aconselho o livro a quem procura encontrar uma lição de vida, mas desaconselho a quem procura uma forma de voltar atrás no tempo como foi o meu caso.

 

E vocês, já leram? Comentem, pois gostaria muito que partilhassem aqui a vossa opinião. 

 

Classificação: 3/5

 

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 Sinopse: aqui.

 

Opinião: O livro começa por um testamento e pela descoberta de uma filha desconhecida. Solange de Valney não conhece Eleanor Kirwan e o facto de ficar a saber que o seu pai não é o pai biológico deixa-a desvastada ao ponto de não querer nada, nem dinheiro, nem bens.

 

A ação desenrola-se nas Irlanda e na França e leva-nos a viajar no espaço e no tempo, entre o presente e o passado, num tempo de guerra (Segunda Guerra Mundial). Já quanto à narrativa, considero que é muito levezinha quando volta ao presente e se centra na espécie de «obstinação» de Solange, uma vez que não quer acreditar que o pai, Henry Valney, que sempre conheceu como pai a vida toda, afinal não é o verdadeiro pai. Claro que percebo a sua posição, pois é terrível desconhecer a verdade e não ter a mãe para a ajudar a esclarecer a história!

 

Na minha opinião, é um livro interessante, mas as suas quatrocentas e trinta e duas páginas retiraram à leitura um pouco do entusiasmo inicial. Também retirou o entusiasmo verificar que certas situações são previsiveis, o que, no caso sou suspeita, ou não fosse uma grande admiradora de mistérios por desvendar. 

Gostei, apesar dos aspetos que já referi, da história de Seamus e Leah e do triângulo amoros de Helena, Richard e Celine. 

 

Um livro escrito por duas irmãs, Barbara e Stephanie, e uma história sobre duas irmãs, julgo que são fatores suficientes para suscitar o bichinho da curiosidade.

Aos editores, deixo a pergunta óbvia: não acham que o livro merecia uma capa mais bonita?!

 

Classificação: 4/5

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Sinopse: aqui.

Opinião: Já li este livro há algum tempo. A história prometia ser lida com bastante curiosidade, só que não foi o caso. 

 

Basicamente, temos um lago, o lago  Kleifarvan, que está a descer drasticamente, e uma hidróloga estuda o fenómeno da descida das águas, quando esta descobre uma ossada e um crânio. O polícia Erlendur vai ao local e inicia-se uma investigação que nos leva ao tempo em que jovens estudantes islandeses iam para Leipzig estudar os grandes ideais do socialismo (Alemanha do Leste).

 
Entre avanços e recuos na história (mais recuos do que avanços), o agente da polícia terá de percorrer um longo caminho para perceber de quem era o esqueleto encontrado e, antes disso, os motivos que levaram a que fosse cometido um homicídio sem que ninguém desse pela falta de uma pessoa numa ilha tão pequena como a Islândia.
 
Achei isto verdadeiramente estranho e não fiquei confiante de que fosse uma boa história. Na verdade, depois percebe-se o porquê e de como aconteceu, mas foi uma leitura que me saiu a ferros, uma vez que não simpatizei com nenhum dos personagens. Portanto, não sei se foi a falta de não ter lido os livros anteriores ou se pelo facto de a descrição dos factos históricos se ter tornado maçadora, o que é certo, e sabido, é que não fiquei, para já, fã do Arnaldur. 
 
Classificação: 3/5

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Sinopse: aqui.

 

Opinião: Jeanne Kalogridis nasceu em 1954 na Florida, nos EUA. É conhecida pelos vários romances históricos e fantásticos.  A autora costuma escrever, também, sob o pseudónimo J. M. Dillard e das suas obras mais conhecidas destacam-se a série Star Trek e o Fugitivo (https://en.wikipedia.org/wiki/Jeanne_Kalogridis).

 

Quando resolvi trazer este livro da biblioteca não fazia ideia nenhuma sobre quem era a escritora nem sobre se o livro era bom ou não. Lembro-me de ter pensado que a capa era familiar e que o assunto parecia ser interessante ou não fosse sobre a família Bórgia conhecida pelas atrocidades e escândalos sexuais. Quem nunca ouviu falar no nome de Lucrécia Bórgia? Eu já e pelos piores motivos, claro.

 

Resumindo, a história passa-se no século XV. Sancha de Aragão casa com Jofre, um dos dos membros da família Bórgia. Ela é a personagem central da história, pelo que a narrativa é feita sob a sua perspetiva. Quando chega a Roma conhece Rodrigo (o Papa Alexandre VI), César, Juan e Lucrécia.

 

Tanta crueldade junta até parece mentira, no entanto, Kalogridis apresenta-nos o "terror Bórgia" e descreve-o ao mais ínfimo pormenor desde o incesto, adultério, assassínio, envenenamento, violação, etc. Nada os detém. 

Quanto às mulheres neste enredo, Sancha e Lucrécia, são ambas interessantes e completamente diferentes, porque enquanto uma é vítima dos homens a outra serve-se deles para atingir os seus objetivos. 

 

A narrativa prende, mas a história desta família é tão terrível que acho que não vai sair tão depressa da minha memória. Gostaria de ter gostado mais, mas, na minha opinião, o Papa deveria ser um representante do bem e não ser mau e depravado. Isto é tão válido para essa época como na atualidade, pelo que certo tipo de situações relacionadas com a Igreja continuam a ser vistas com o meu total desagrado.

 

Posto isto, aconselho a leitura para quem goste de ação, emoções fortes e de "vivenciar" certos factos da história, embora em parte ficionados pela escritora.

 
Classificação: 3/5

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Sinopse: aqui.

Opinião: Encontrando-me eu num “mundo entediante, chato, plano aborrecido, cheio de papéis, papeladas e outras burocracias…”, sinto que a ideia mágica de viver nos livros é a melhor de todas. Mas vamos primeiro a um breve resumo da história.

 

Neste pequeno conto, Afonso Cruz exibe uma escrita simples e ao mesmo tempo plena de significados na enternecedora história de Elias Bonfim, um jovem de 12 anos, que perdeu o pai, supostamente de um ataque cardíaco. Porém, Elias desconfia que o pai ficou preso num dos livros e que irá encontrá-lo. Depois de obter a  autorização da sua avó, Elias vai à biblioteca no sótão e permandece tardes inteiras embrenhado na leitura. Ele lê e segue as pistas nas anotações que o pai foi fazendo. 

 

Sabia que ali dentro, naquele sótão, estava tudo cheio de letras a fingirem-se de mortas, mas - sei muito bem- basta que passemos os olhos por elas para saltarem cheias de vida. 

 

Livro após livro cruzam-se histórias, reais e fictícias, e personagens onde todos se conhecem. Aqui somos agarrados pela ideia de que vivemos nos livros e tanto podemos visitar a A Ilha do Doutor Moreau de H. G. Wells, Fahrenheit 451 de Ray Bradbury, Crime e Castigo de Fiodor Dostoyevsky ou O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde de Robert Louis Stevenson. 

 

Há inúmeros lugares onde um ser humano se pode perder, mas não há nenhum tão complexo como uma biblioteca. Mesmo um livro solitário é um local capaz de nos fazer errar, capaz de nos fazer perder. Era nisto que eu pensava enquanto me sentava no sótão entre tantos livros.

 

 

A realidade e a ficção podem ser as melhores aliadas e é por isso que quando um livro termina sentimos um certo desapontamento. Queremos mais.E quando damos por ela estamos a reler o livro que acabamos na expetativa de prolongar o sentimento de bem estar. Passamos a pertencer à história e quase somos devorados por ela. 

 

Afonso Cruz é um homem feito de histórias e cativa-nos através das palavras.

Que pena que este livro não tenha tido outro desenvolvimento! 

 

 

Classificação: 4/5

 

 

 

Para quem quiser ouvir o escritor:

 

 

 

 

 

 

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Sinopse: aqui.

Opinião: Quando chegou ao meu conhecimento que um leitor considerou este livro indigno e escandaloso, nada mais havia a fazer contra a minha enorme curiosidade.Tendo como ponto de partida este ponto de vista, procurei ler mais e mais, sempre à procura do tal pecadilho escondido que poderia ter suscitado tamanha mossa na honra e moral deste leitor desprevenido.

 

Na narrativa simples, clara e direta, nada há a apontar, exceto os diálogos de vernáculo ou palavrão. Depois, se tomarmos como exemplo a frase "Não passa de hoje vais dizer onde mora esse filho da puta", talvez isso fira a sensibilidade de algum leitor eclético habituado a outro género de literatura. Então e se lermos a frase "Os médicos não percebem um caralho de medicina", será que poderá ter causado tamanha comoção? Talvez. Creio eu. Talvez devido a um certo engulho. Parece-me mau assim à partida, porém, a frase está descontextualizada, até porque é proferida por um médico numa situação de stress. Caramba, estava num dia mau e todos temos os nossos dias. Faz sentido falar assim, não faz? Para o pessoal do Norte, então nem se fala (que me desculpem, apenas estou a tentar apresentar uma linha de argumentação).

 

Quanto ao romance em si, encontrei situações sobre a vida, sobre os problemas da solidão e da perda. Depois há ainda umas cenas de sexo, a homossexualidade, a violência e os problemas do foro médico-hospitalar (isto para simplificar). Nada que não se passe na vida real.


Os personagens são: Maria Luísa (empregada de mesa), Saúl Samuel (homossexual e amigo de Maria Luísa), Luís Gustavo (enfermeiro que gostaria de ter sido médico), Pedro Gouveia (médico desencantado com a profissão), Maria Manuela (mãe de Maria Luísa) e Maria Amélia (psiquiatra e lésbica). Todos eles tinham sonhos que não se concretizaram. No fundo, lendo esta história, percebemos o desencanto na vida, os sonhos desfeitos e a solidão. A música dá-lhes algum sentido à existência.

 

O que gostei menos foi o desencontro constante de Maria Luísa e Luís Gustavo e da mãe de Maria Luísa, que nem depois de morta deixa de "assombrar" a filha.

Já a alusão constante à música, como uma espécie de linha invisível da história, poderia, na minha opinião, ter "alinhavado" um final merecido para alguns personagens, pelo que, ao contrário do leitor desprevenido, fiquei à espera de algo mais.

 

Posto isto, considero que é uma história que cativa e que merece ser lida por qualquer leitor de mente aberta.

Que tipo de leitores são vocês? Alguém já leu? (estou curiosa).

 

Classificação: 4/5

 

 

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Sinopse:aqui.

 

Opinião: Vou começar este post de uma forma pouco habitual, ou seja, por falar na capa: simples, bonita e em tons de vermelho sangue, uma alusão à pintura de papoilas que é referida na própria história. 

"A outra metade de mim" é  o título em português. Mischling, no original, provavelmente seria um título com um maior impacto se o mesmo pudesse ser traduzido para a nossa língua, uma vez que a palavra "Mischling" era o termo usado para caraterizar aqueles que possuíam sangue ariano e judeu. 

 

A escritora americana, Affinity Konar, tem 40 anos e não possui familiares que lhe tivessem relatado a experiência durante o Holocausto, mas ao que tudo indica ela inspirou-se em testemunhos reais relatados nos livros.

 

A história é contada por duas crianças: Pearl e Stasha. Pearl, sonhadora,  e Stasha, adora música,  são gémeas idênticas. Quando são enviadas para Auschwitz vão parar às mãos do "Anjo da Morte",  o médico Josef Mengele. Ele realiza experiências no seu "Zoo". São experiências estranhas, sem objetivos e com total desprezo pelo ser humano. As crianças são meros objetos. 

 

Como podemos ler na sinopse: "É um livro que desafia todas as expectativas, atravessando um dos momentos mais negros da história da humanidade para nos mostrar o caminho para a beleza, a ética e a esperança". 

 

Este livro é uma surpresa. Além de a história ser contada por duas crianças inocentes que ainda não compreendem o que lhes está a acontecer, a utilização de palavras poéticas faz com que a escrita quase que se distancie da cruel realidade.

No final, entendemos a mensagem de perdão e de esperança na sobrevivência da raça humana.  

O meu perdão foi uma repetição constante, o reconhecimento de que continuava viva, a prova de que as experiências deles, os seus números, as suas amostras, tudo isso falhou – eu continuei a viver, um tributo aos seus erros de cálculo, pois subestimaram o que uma rapariga consegue suportar. O meu perdão deixou claro o seu fracasso em aniquilar-me.

 

 

Classificação: 4/5

 

Para quem quiser conhecer mais sobre a escritora e sobre a obra: 

https://www.youtube.com/watch?time_continue=451&v=TAiryXRYNUw

 

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Sinopse: aqui.

Opinião: A minha estreia com Machado de Assis. Este clássico da literatura brasileira foi publicado em 1899 e é uma das suas grandes obras. Existem vários estudos e análises ao livro "Dom Casmurro", mas isso não me vai impedir de partilhar a minha experiência enquanto leitora. Nessa qualidade, e nessa apenas, confesso que comecei a ler o início do livro com pouco entusiasmo. Cada folha corresponde a um capítulo, num total de 148, e temos de dar um passinho de cada vez para conhecer todo o enredo. Uma técnica de escrita para a qual não estava preparada.

 

A história começa pela revelação do porquê do nome Dom Casmurro e dos motivos para escrever um livro na velhice.

Enfim, agora, como outrora, há aqui o mesmo contraste da vida interior, que é pacata, com a exterior, que é ruidosa.

 

Deste modo, viverei o que vivi, e assentarei a mão para alguma obra de maior tomo.

 

Bento Santiago (Bentinho), Dom Casmurro, é apaixonado pela vizinha Capitolina (Capitu), a primeira amada do seu coração. Com ela desabafa muitas das suas angústias, incluindo a que se refere à promessa de D. Glória, mãe de Bentinho, de tornar o filho padre. Depois de abandonar o seminário, ele casa com Capitu e a sua felicidade aumenta com o nascimento do filho. Porém, um evento irá mudar o rumo dos dois.

 

Todas as noites li um capítulo desta história, que parecia não ter fim à vista, até que acordei de repente e li compulsivamente até ao final. Voltei atrás, li novamente alguns capítulos, e percebi que o que não foi um amor à primeira vista tornou-se em enorme admiração. Adorei. No final,  compreendi que as pistas estão todas lá, e vão sendo dadas aos poucos de uma forma velada, como quem não quer a coisa, para depois se dar a apoteose com a revelação de uma verdade dolorosa - ou mentira, consoante a opinião.

 

Se querem ler este clássico, o que recomendo vivamente, comecem por reservar um tempinho nas férias ou num fim-de-semana de forma a poderem sentir cada palavra e a extraiar o seu pleno significado. Não considero que a escrita de Machado de Assis seja difícil, mas a sua aparente simplicidade tem artifícios de um verdadeiro mestre. 

Preparem-se.

 

Classificação: 4/5

 

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Sinopse: aqui.

Opinião: A premissa desta história parte de uma "estranha" ligação entre Joyce e Justin, após de uma transfusão de sangue. Já foram reportados casos semelhantes de pessoas que adquiriram novos gostos e memórias após o transplante de órgãos, mas para isso ser comprovado cientificamente ainda há um longo caminho a percorrer. Eu, que sou leiga nesta matéria, fiquei muito curiosa (e sempre pronta para mais um mistério).

Joyce Conway cai das escadas, acorda no hospital e, de repente, disserta sobre arte e arquitetura europeias, fala fluentemente línguas estrangeiras que desconhecia e sobre lugares onde nunca esteve. Há uma espécie de transferência dos conhecimentos do professor Justin quando ele doa sangue a Joyce. 

Embora exista drama nesta história, o único personagem que merece destaque é o pai de Joyce, Henry, um senhor de idade, reformado, que dá azo a situações bem caricatas.

A história de Joyce e Justin não me seduziu nada. Há um "ata não desata" que parece fazer render o "peixe" ou o romance. Isso prejudicou a história e fez com que diminuísse o interesse no desenvolvimento da mesma. 

"Obrigada pelas Recordações" é um livro que se lê bem, mas a história não chega a ser conclusiva. Apesar disso, gostei muito de Henry e vale a pena rir um pouco com ele, porque rir é sempre o melhor remédio. Ah, e ler também!

 

Classificação: 4/5

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Opinião: [Buuu!!!]

Fabuloso. Um triunfo. É o que diz Stephen King.

Uma história apropriada ao Halloween e ao tema de terror do mês?

Para quem gosta de terror e de Stephen King estava firmado o entendimento de que iria adorar a história desta graphic novel. Por acaso até gosto muito de histórias sobre o sobrenatural e de terror, porém, este "Darkside book", não me chegou a assustar nem um bocadinho. Fiquei confusa e não percebi o desenvolvimento da história. Mais tarde vim a descobrir que se trata do primeiro volume. Pelo menos explica o porquê da confusão, pois a história tem uma continuação...

A introdução adensa o mistério. A trama começa com uma morte, no ano de 1919. So far so good.

 

A família Rooks constituída por mãe, pai e filha adolescente vão viver para uma vila rural de Litchfield para  recomeçar uma vida nova. Há algo misterioso nesta família. Há algo muito mau na floresta da vila. Existem bruxas. Cuidado. Quem é prometido tem o destino traçado e os habitantes cumprem a Promessa.

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 Não percebi o porquê de as bruxas fazerem o barulho "Chit, Chit, Chit". Para mim, não é nada assustador e é até  muito engraçado (eheheh,  mais não digo). 

Com uma morte no início, o que suscita logo um certo interesse, a história desenrola-se numa sequência temporal  que salta, repentinamente, entre o presente e o passado. No passado vamos descobrindo que há um trauma vivido pela filha adolescente e um segredo relacionado com a mãe.

Fiquei triste. Não consegui gostar. Talvez numa próxima.

 

Classificação: 2/5.

 

 

 

 

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Sinopse: aqui.

Opinião: Este livro é daqueles em que "primeiro estranha-se, depois entranha-se" . Acho que não estava à espera que uma história, que decorre no Portugal provinciano, pudesse revelar particularidades divertidas versus uma história estranhamente cruel. Eu explico. Achei divertidas algumas expressões, como "Se as orações dos cães chegassem aos céus choviam ossos", "noiva serôdia, nem miolo nem côdea" ou, ainda, "burro morto, cevada ao rabo". Mas também achei a história cruel, porém,não posso divulgar mais pormenores, sob pena de conter spoilers, estragar a surpresa, ou contar a história toda, Whatever!

O primeiro capítulo começa por descrever o ambiente escuro, que ameaça chuva, e um homem que vai ao café e pede um brandy e bebe tudo de uma só vez. Não sabemos mais nada. É o mês de outubro, o tempo é invernoso e o homem aparece, entra no café, bebe três copos a penalty e sai. Tudo pausadamente. Percebi no capítulo a seguir que era para descrever Álvaro Silvestre e que este estava a tomar coragem para entrar no Jornal da terra (Montouro, em Cantanhede). O que Silvestre prentende é ver a sua confissão de culpa publicada no jornal da terra para que todos saibam que tem uma mulher que o obriga a desviar dinheiro ou a roubar.

No capítulo seguinte, surge a D. Maria dos Prazeres que veio à procura do marido. Entretanto, na charrete, ela reflete sobre o seu casamento infeliz  (ela, fidalga, foi obrigada a casar com Álvaro Silvestre, um lavrador "boçal" e "rico"). Permeando os seus pensamentos de "sangue por dinheiro", Maria dos Prazeres (uma ironia?) observa o cocheiro, Jacinto.

A leitura das 132 páginas deste livro foi demasiado rápida, pelo que tive de voltar a ler segunda vez. O significado das palavras que nos preparam para as cenas seguintes não é apreendido de imediato. Álvaro, que gera simpatia, torna-se odioso e Maria dos Prazeres, altiva e fidalga, não é o que parece. Já Jacinto e Clara, que se amam, que simbolizam o amor verdadeiro, são a antítese, um casal que se atreve a sonhar, neste ambiente de infelicidade, pautado pelos interesses económicos, e de onde nada pode surgir de bom.

A acção decorre em três dias durante o mês de outubro. Chove imenso e o tempo é "invernoso".  Fiquei triste como o tempo. Pensei. Pesquisei. No fundo, não queria acreditar que um livro tão pequeno podesse dizer tanto.

Deixo-vos o link do excerto do filme de Fernando Lopes (1968-1971), o qual demonstra o casamento infeliz de D. Maria dos Prazeres Pessoa de Alva Sancho Silvestre:https://www.youtube.com/watch?v=pqsxxusO-ms.

 

 Classificação: 5/5 - Adorei

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Sinopse: aqui.

Opinião: A escolha de tema para leitura durante o mês de agosto, para o Clube de Leitura Conversas Livrásticas, recaiu sobre "um livro com cheiro". Houve quem dissesse: pode cheirar a bolor? É um cheiro, não é?  Por acaso, achei graça ao comentário, mas, na verdade, o papel sorteado foi escrito por mim e lembro-me que quando escrevi esse tema pensei logo em "Julie & Júlia". Adorei o filme e a interpretação da Meryl Streep (Alguém já viu o filme?).

Essa era a ideia inicial, mas acabei por ler "Comer e amar em Paris", uma história de amor com receitas. O que é que me atraiu neste livro? Um dois em um: uma história de amor real e as receitas de culinária. Ainda por cima tudo se passa em Paris!

De facto, tem todos os "ingredientes para ser uma boa história" e dá para sentir uma certa inveja da Elisabeth a passear pelos mercados de Paris. Senti na imaginação os sabores e cheiros das ervas aromáticas, da canela e, oh-la-la, da comida!

O conceito é interessante e apreciei ler as receitas e a história de Elisabeth e Gwendal, ela americana e ele francês, e como se conheceram, o que comeram e, depois, quando casaram. 

"Tudo regado com molho de vieiras e champanhe, muito gengibre, e, claro, no final, uma sobremesa de soufflé de chocolate",  é como quem diz, o livro tem muito mais para mal dos leitores que pretendem manter a dieta. Portanto, se é o vosso caso, é melhor fazerem como eu, serem fortes e manterem o pensamento focado (só que não!).

Dito isto, as inevitáveis comparações com o "Julie & Júlia", com as suas 365 receitas (uma por dia durante um ano), fizeram-me pensar num concurso de talentos culinários, em que "Comer e amar em Paris" receberia uma nota menos favorável.

Classificação: 3/5.

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