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SINOPSE: aqui.
OPINIÃO: Depois de ter lido o livro "A Marca de Todas as Coisas" fiquei com boa impressão da escrita desta autora e convencida de que ela sabe retratar bem personagens femininas. Com base nesta experiência de leitura assumo que as minhas expetativas relativamente "A cidade das mulheres" eram elevadas, no entanto Gilbert veio provar a minha opinião inicial.
A história inicia-se em abril de 2010, quando Vivian recebe uma carta de Ângela (que só se descobrirá quem é mais para o final), na qual esta pede a Vivian que conte o que foi para o pai dela. E Vivian, assumindo a qualidade de narradora, conta a sua vida a Ângela (ou ao leitor) recuando até o verão de 1940, altura em que tinha apenas 19 anos.
Vivian, a estudar na Faculdade de Vassar, é mandada de volta para casa dos pais, uma vez que ela não obteve aproveitamento nos exames. Apesar do prestígio da faculdade, Vivian não manifestou qualquer interesse em frequentar as aulas, preferindo costurar vestidos a estudar. Os pais, por vergonha ou por não saberem lidar com a filha, resolvem "despacha-la" no comboio para ir morar em Manhattam com a tia Peg (dona do teatro Lily Playhouse). De jovem inexperiente, rica e sem rumo, a vida de Vivian muda radicalmente quando trava conhecimento com várias personagens que a fascinam. É assim que na companhia de Celia Ray, corista no teatro da tia, embarca na aventura ("La vida Louca") madrugada fora, aproveitando ao máximo a vida e o divertimento noturno, em modo desbragado. Porém, essa alegria e vivacidade é ameaçada por problemas relacionados com ampla liberdade da jovem, embora esta continue a desempenhar, competentemente, a tarefa de figurinista do teatro da tia Peg, gerido com mão de ferro por Olive, caraterizada como implicativa mas de grande coração conforme se verificará ao longo da história.
O título "A cidade das mulheres" é o nome da peça de teatro que o tio de Vivian, Billy, escreve para a grande atriz Edna Parker Watson. O título alude a isso e a mais, porque conhecemos e acompanhamos várias personagens femininas interessantes que residem todas no Lily Playhouse.
A meio do livro, o ritmo da história diminuiu um pouco, porém, quando julguei que não ia acontecer nada de novo, Gilbert conseguiu dar um novo folgo e apanhar-me desprevenida e bem desperta para o que se segue. 
"A cidade das mulheres" é uma história absorvente sobre liberdade, paixão, romance, descoberta, erros e crescimento pessoal, em que o fascínio reside na narrativa simples e direta alicerçada na construção de personagens quase reais. Gostei muito e aconselho vivamente.
 
 
Classificação: 4, 5/5*
 

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SINOPSE: aqui.
 

OPINIÃO: Este livro é o segundo livro do autor. Eu nunca tinha lido nada dele anterirmente mas, tratando-se de um policial/thriller, parti para a sua leitura com um certo espírito detetivesco. Embora sabendo que este livro é a continuação do primeiro, “O dia em que perdemos a cabeça”, e que possui alguns elos de ligação com este, creio que o livro pode ser lido em separado sem que isso afete o interesse em acompanhar uma investigação criminal como esta (confesso que gosto particularmente de policiais).

Em 14 de dezembro de 2014, uma jovem mulher aparece, numa rua de Nova Iorque, uma jovem nua e suja. A polícia leva a jovem  para o escritório do FBI e esta traz consigo umas notas amareladas com nomes. O inspetor Bowring e o seu assistente irão investigar o caso e logo surge uma ligação a uma mulher que surge decapitada num campo.

Esta mulher é estranha e chama logo à atenção quando profere frases enigmáticas como: "Odeio vestidos de flores,, inspetor Bowring especialmente em Dezembro, por causa do frio do Inverno" e"As coincidências não são mais do que o destino disfarçado de inocência".

Apesar de me sentir um pouco perdida no início, dado os saltos temporais, mudança entre personagens e de histórias, continuei agarrada ao livro à espera de descobrir em que fase a história se iria interligar - o que acabou por vir a acontecer. O que gostei mais e realmente me prendeu atenção foi o mistério nebuloso e um certo misticismo por detrás da personagem Carla.

Apesar de a história ter sido, para mim, previsível, no final o autor conseguiu surpreender-me. Outro aspeto positivo é a sua escrita leve, o que contribui para uma leitura rápida em que não damos conta do tempo passar.

Gostei muito e espero ler mais deste autor.

 

CLASSIFICAÇÃO: 4/5*

oferta da editora para opinião 

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Sinopse: aqui.

Frank Lundquist é psiquiatra na prisão de Milford Basin, Nova York, e desenvolve uma obsessão pela Reclusa Miranda Greene, uma vez que é apaixonado por ela desde os tempos do liceu. Como esta parece não o reconhecer, ele decide continuar a acompanhá-la como paciente, indo contra os princípios que regem a sua profissão. Depois temos Miranda Greene, a cumprir uma pena de 52 anos de prisão, que planeia morrer e recorre a Frank alegando uma depressão. Estes dois personagens vivem "assombrados" por um mistério no passado e têm problemas psicológicos que não conseguem ultrapassar.

Eu achei que a premissa da história é interessante, no entanto, os capítulos alternados do ponto de vista de Frank e Miranda, tornam o desenvolvimento da história muito lento. Também me pareceu igualmente lenta, com recuos e avanços, a descoberta de acontecimentos do passado em relação aos dois personagens. Além disso, a história entre Frank e Miranda deixou-me um pouco confusa e à espera de uma reviravolta qualquer. 

Para ser honesta não sei se foi do livro ou se este livro não é para mim, mas, como gosto de personagens intrincados, esperei sentir empatia por algum dos personagens, o que acabou por não acontecer. 

No entanto, como não podia deixar de ser, esta história fez-me pensar. E a este propósito lembrei-me da frase de Mahatma Gandhi, a qual refere que “Uma prisão não são grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência”. Assim, refletindo um pouco sobre o sentido desta frase e sobre a história d´A Reclusa, considero que a própria mente dos personagens acabou por constituir a sua própria prisão, embora o livro nos traga outra prisão com a descrição do ambiente prisional numa prisão de mulheres e os problemas que surgem entre Miranda e as outras reclusas.

Classificação: 3,5/5*

Oferta da editora

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Sinopse: Aqui.

Opinião: Depois de P.S - eu amo-te, fiquei curiosa para ler este livro, porque queria muito saber como prosseguiu a vida de Holly sete anos após a última carta de Gerry. Tenho de admitir que na minha cabeça surgiram vários planos para a vida dela. Por exemplo, esperei voltar a encontrá-la casada e já com filhos. No entanto, já devia ter aprendido que nos livros, tal como na vida real, há mudanças e reviravoltas inesperadas.

Holly Kennedy tem 37 anos, está mais velha, tem um namorado, chamado Gabriel, e abriu uma loja de coisas vintagem em segunda mão com a irmã Ciara.

Este é o começo do livro e para ser sincera não estava à espera de uma mudança tão grande ao nível da vida profissional de Holly, uma vez que em P.S. ela trabalhava numa revista. Via ali um futuro promissor e esperava outro rumo na história. Tenho de admitir que (por ser verdade) quase passei a fazer parte da família e, claro, a família tem o direito a ter uma opinião e sabe sempre o que é melhor (só que não).

Quando Holly faz um podcast sobre o seu processo de luto e fala nas cartas do marido, Ângela Carberry fica interessada na sua história e quer que Holly a ajude. Falar de mágoa e desgosto afeta a todos, mas Holly não quer repisar o que passou e praticamente foge de Ângela. Quando esta morre, Holly sente-se culpada e é obrigada a repensar uma forma de ajudar os outros. É, então, que começa a relacionar-se com os membros do clube P. S.- eu amo-te e a ajudar a escrever as suas próprias mensagens aos entes queridos. 

"Talvez não seja a morte que nos revolta ou assusta, mas o facto de não a podermos controlar".

Contrariamente a P.S.- eu amo-te, não dei por mim a sorrir mas a sentir emoções com mais intensidade, tanto que chorei com Ginika. E, talvez por ter lido os dois livros de enfiada, nunca desejei tanto que o final correspondesse aos meus desejos, numa espécie de pedido à lua quando se tem as estrelas.

Cecelia Ahern voltou a surpreender-me, mais uma vez, através desta história, sentida e cheia de emoções, cujo desenvolvimento acarretou um maior envolvimento na missão em torno de vários personagens que nos comovem e nos prendem até à última página. 
Gostei bastante.

Classificação: 4/5*

Oferta da editora

 

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Sinopse: aqui.

Opinião: Li este livro para a leitura conjunta no grupo da Isabel Caldeira, do blog Manta de Histórias. Eu nunca tinha feito a experiência e espero voltar a repetir.

Depois de ler Ensina-me a voar sobre os telhados, o tamanho deste livro intimidou-me um pouco, mas assim que comecei a ler passou a ser insignificante. Além disso, o facto de ler 50 páginas por dia, para a leitura conjunta, tornou tudo ainda mais interessante.

A história inicia-se no verão de 1987, quando o adolescente Pedro Taborda apaixona-se por Laura Walsh, filha mais velha de Noah Walsh, um nova-iorquino, muito rico, com negócios de caráter duvidoso. 

Laura empresta um livro a Pedro e ele decide que um dia se tornará escritor, tal como Gary List. Dez anos depois, Pedro, decidido a tornar-se escritor, vai estudar para Nova-Iorque.O professor,  Gary List, acaba por se tornar seu amigo, apesar de uma mentira que o levou ao seu curso de literatura. Gostei bastante deste personagem, especialmente pela sua excentricidade, não deixando de concordar quando diz o seguinte:

"Nos policiais aprendemos muito sobre a arte de contar, confirmou ele. «Todas as narrativas, até mesmo as que foram escritas pelos génios da literatura, labutam na mesma matéria. Sexo, ambição e inveja. Senão, veja: Madame Bovary; Moby Dick; Crime e Castigo; Hamelet; Cervantes; Shakespeare e Conrad; Roth, Dostoievsky e Nabakov. Depois chegou a modernidade e deu cabo destes princípios".

"A partir de meados do século XX, muitos escritores decidiram sacrificar o ofício em favor do significado e começaram a debruçar-se sobre o absurdo da existência humana, culminado nestas coisas intragáveis  que abundam nas livrarias e recebem críticas elogiosas do The New York Times, cujos escribas não conseguem evitar repetir-se e usam sempre os mesmos epítetos. Um livro que espelha a condição humana. Profundamente original. Uma nova voz"

Acredito que este livro poderá ser adaptado ao cinema, uma vez que tem todos os ingredientes necessários, desde romance a investigação criminal e, ainda, um mistério em torno não de um mas de dois homicídios. E foi este mistério que me manteve presa e com vontade de descobrir o final, porque, embora ao longo da leitura fossem dadas algumas pistas, é totalmente inesperado e surpreendente. 

O thrilher é um género em que o autor se estreou e que recomendo sem hesitar.

 

Classificação: 5/5*

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Sinopse: Aqui.

Opinião: «Há livros que devemos evitar, e este é um deles?!». Se pensam assim é porque acham que o livro é apenas mais uma história lamechas que não merece uma oportunidade, ou então viram o filme e julgam que não vale a pena ler o livro. Não podiam estar mais enganados. Nem eu.Tenho de admitir que parti para esta leitura com essa ideia em mente, no entanto, o filme é diferente, confirmando-se que a minha regra atual - primeiro leio o livro e depois vejo o filme - é a que permite formar uma opinião fundamentada sobre uma história baseada num livro.

Depois deste enquadramento, julgo ser chegado o momento de apresentar os personagens principais. Holly e Gerry formam um casal feliz, que vive em Dublin. Eles têm discussões e  defeitos como qualquer outro casal. Eles são um casal muito apaixonado, que se conhece  desde a adolescência, Mas, então, esta história não é sobre «apaixonaram-se e viveram felizes para sempre?». De facto, não é. É antes sobre a fase de superação da morte de alguém querido e sobre a forma como se vive com as recordações (neste caso, mantidas por Gerry através de cartas que deixou para Holly).

«Os amigos e a família iam e vinham, ajudando-a umas vezes com as lágrimas, outras vezes fazendo-a rir. Mas, mesmo no seu riso faltava algo. Nunca parecia verdadeiramente feliz; parecia apenas estar a passar o tempo enquanto esperava por outra coisa qualquer. Estava cansada de simplesmente existir; queria viver».

A escritora Irlandesa Cecelia Ahern surpreendeu-me uma vez mais, pois nos seus livros há sempre um tema delicado, e neste conseguiu abordar o processo de luto, introduzindo certos acontecimentos cómicos através das amigas de Holly, Denise e Sharon.

«A câmara apontou nessa direção. Por baixo dos lençois de seda dourada pareciam três porquinhos a digladiar-se debaixo de um cobertor. Sharon, Denise e Holly rebolavam, aos gritos umas com as outras,  tentando passar o mais despercebidas possível, para que ninguém desse por elas».

«Denise e Sharon uivaram de riso pela maravilhosa escolha musical e fizeram-lhe uma grande festa».

Posto isto, reforço a ideia de que quem viu o filme não pode deixar de ler o livro, mas, se este conselho ainda for a tempo, não o façam por essa ordem. Primeiro o livro. Sempre. 

Enquanto leitora, apreciei muito mais o livro, porque este romance é triste, comovente e  divertido, mas é, sobretudo, uma lição de vida e de esperança.

Leiam porque vale a pena. 

 

Classificação: 4/5*

 

Oferta da editora

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Sinopse: "Stella é uma adolescente comum, de uma família honesta. O pai, Adam, é pastor da Igreja da Suécia, respeitado e de uma moral irrepreensível, casado com Ulrika, advogada de defesa. Os Sandell são a família perfeita, até que Stella é acusada do assassinato brutal de um homem muito mais velho, Christopher Olsen. Mas que motivo poderia ela ter para conhecer um homem de negócios obscuro, quanto mais para o matar? Tudo deve não deve passar de um erro terrível".

 

Opinião: Este thriller psicológico é sobre uma família e sobre Stella, uma rapariga de 18 anos, acusada de homicídio e todas as provas apontam para que tenha sido ela. Os pais, claro, acreditam na sua inocência e, uma vez que a mãe, advogada, não a pode representar, arranjam um advogado. No entanto, Stella recusa-se a contar o que se passou e não quer receber a visita dos pais.

Nesta história, aparentemente simples, fui "entrando" na cabeça dos personangens e aos poucos fui percebendo o que as move, primeiro na perspetiva do pai, depois da filha e, por último, da mãe. De facto, a narrativa é dividida em três partes e o leitor vai acompanhando a história de uma forma sequencial. Não há quebras e o facto de ser contado na primeira pessoa torna tudo real, pois é como se fossem eles a contar os seus segredos. 

Esta estrutura tripartida da história permitiu o adensar do mistério em torno da morte e, ao mesmo tempo, desvendar as falhas, segredos, dúvidas e certos acontecimentos do passado, o que tornou tudo muito mais interessante. Revela ainda que o escritor pensou muito na forma de "humanizar" as personagens.

Acho que Adam, o pai, pastor, religioso, defensor da verdade, é um personagem ambíguo pois preocupa-se com a filha e ao mesmo tempo com a forma como os outros os julgam. Já Ulrika, a mãe, defende a filha a todo o custo, embora confesse que gostava que ela fosse como a melhor amiga da filha, Amina.

" A minha menina assustada. Levanto-me ligeiramente do lugar, equilibro-me nos bicos dos pés e estendo o braço. Não estar ali para ajudar a nossa própria filha. Não há maior traição"

Stella tem sonhos e tem problemas psicológicos, que nenhum psicólogo conseguiu entender, mas é muito inteligente (mas será que foi capaz de  de matar?).

"O trabalho de qualquer psicólogo é basicamente inserir as outras pessoas numa das matrizes que aprendeu. Sugestão: deviam fazer exactamente o contrário! Razão: cada pessoa é um ser único".

Este livro lê-se tão facilmente que não descansei enquanto não o terminei de ler. Fiquei totalmente presa à teia de acontecimentos que se vão sucedendo rapidamente, mas o que realmente me conquistou foi a densidade psicológica de cada um dos personagens.

Classificação: 5/5*

Oferta da editora

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Sinopse: Aqui

Opinião:  Neste livro, Diana Marcum fala-nos dos Açores, das suas gentes, das comidas, da fome, da emigração, da saudade, da pobreza, sempre maravilhada com o que vai descobrindo. 

Num tom intimista, uma vezes, noutras mais objetivo, até porque é jornalista, Diana experimenta realizar uma entrevista a um grupo de emigrantes açorianos, que vivem na zona rural da Califórnia. Uma terra árida, quente e difícil, mas em que os emigrantes conseguiram prosperar à custa do seu trabalho e esforço, continuando a manter as suas tradições e a  produzir o queijo dos açores. Mas nem tudo foi fácil para eles.

Como apaixonada por histórias, Diana rapidamente simpatiza e faz amizade com os açorianos que aí vivem, contando as suas particularidades com sentido de humor.  

"Perguntei ao rapaz porque estavam todas vestidas de preto. Ele disse-me que eram viúvas, mas que a mais recente perdera o marido há vinte anos e nem sequer gostava dele. Perguntei então ao nosso tradutor qual das viúvas tinha mais namorados. Todos se riram e apontaram para a que era de longe a mais velha"

"A primeira vez que vi um mapa do lugar que viria a ter tanta importância na minha vida foi em toalhas de piquenique. A ilha de Morais era São Jorge, um longo e estreito retângulo no centro da toalha-mapa, a flutuar entre um ananás, um moinho de vento e uma baleia".

Enquanto leitora, senti que fiz uma viagem pelas ilhas dos Açores, ao mesmo tempo que acompanhei a autora enquanto esta faz uma espécie de viagem interior em busca do seu verdadeiro amor. A certa altura alguém diz acertadamente que: "A décima ilha é o que temos dentro da gente. É o que nos resta enquanto tudo desaparece". É isto que o povo pensa. E é isto que Diana tem pela frente.

A Décima Ilha, levou-me a refletir sobre a ida dos emigrantes açorianos para Califórnia, sobre as suas raízes e sobre as suas histórias. Levou-me ainda a gostar do tom intimista, utilizado pela jornalista quando conta as histórias do foro privado e nos brinda com descrições que nos fazem "viajar" num ambiente familiar e calmo. O que fica? A descrição pouco palpável do sentimento de saudade, explicado pela ligação que sentem os emigrantes e também por quem visita um lugar tão bonito como os Açores. Eu, como gosto de viagens, achei fascinante.

Muito obrigada à Cultura Editora por esta viagem inesperada!

 

Classificação: 4/5*

 

 

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Opinião: Esta história incrível, linda e invulgar, revela um grande conhecimento da natureza, e é fruto da experiência de Delia Owens enquanto zoóloga e cientista da vida selvagem, em África. A autora, habituada a escrever para revistas da especialidade, designadamente na área de ecologia e vida selvagem, conseguiu surpreender-me neste seu romance de estreia. A sua escrita é fluída e ritmada, e transmite uma calma visual e uma melancolia que se adequa ao espaço envolvente. E foi com essa leveza de espírito que encetei a leitura do primeiro capítulo, que descreve uma manhã de agosto quente, em que estava tudo invulgarmente silencioso, até que se ouve a porta da cabana a bater, e Kia, com seis anos de idade, vê a mãe sair com os sapatos altos de imitação de crocodilo e a mala azul na mão.

Kya é a mais nova de cinco irmãos, vive com os pais numa cabana tosca no pantanal, perto de Barkley Cove, uma pequena cidade fictícia da Carolina do Norte, mas aos poucos, a mãe, os irmãos e, por fim, o próprio pai, vão saindo e partindo deixando a pequena Kia para trás.

“E finalmente, num momento inesperado, a dor que sentia no coração desapareceu como água na areia. Continuava presente, mas a grande profundidade. Kya poisou a mão sobre a terra viva e morna, e o pantanal passou a ser a sua mãe”

Para Kia o pantanal é tudo a partir do momento que é abandonada e "ninguém" quer saber dela. Ela aprende a observar com atenção tudo o que a rodeia e torna-se desconfiada, ou um verdadeiro “bichinho do mato, preferindo estar numa cabana desolada no pântano e longe do contato de qualquer ser humano. Kia irá crescer sozinha, na companhia das suas amigas gaivotas, e do seu amigo Tate, que a ensina a ler.

“Talvez fosse uma forma de comunicar, uma forma de expressar as suas emoções a alguém que não apenas as gaivotas, para dar um destino às suas palavras”.

Este livro, possui descrições que revelam toda beleza natural do pântano e maravilha-nos com as várias espécies que aí habitam - numa verdadeira ode à natureza em que prevalece a lei do mais forte no recesso esconso do próprio ser humano. E será com este pano de fundo que o ritmo de escrita da autora nos vai fornecendo uma visão quase cinematográfica, quer da natureza selvagem, quer da natureza humana, contribuindo para que, enquanto leitora, saboreasse cada imagem com deleite. Este é, sem dúvida, o melhor livro que li este ano. Adorei cada página e aconselho vivamente a leitura.

 

Classificação: 5/5*

 

livro oferecido pela Porto Editora para opinião

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A minha opinião: Clare Mackintosh trabalhou doze anos na polícia, alguns deles no Departamento de Investigação Criminal, porém, abandonou essa carreira para se dedicar ao jornalismo e à escrita. E ainda bem que assim foi porque agora podemos ler os seus livros, os quais, provavelmente, serão inspirados em algum dos casos que investigou. Curiosos? Eu fiquei.

No livro, a história é contada sob várias perspetivas; uma delas, a de alguém que não percebemos se morreu, as outras duas, são identificadas como sendo a de Anna Johnson e a de Murray Mackenzie, um polícia aposentado. Anna é uma jovem mãe e sente saudades dos pais, os quais, ao que tudo indica, se suicidaram no mesmo sítio, com um intervalo de 7 meses entre eles. Primeiro o pai, depois a mãe. Anna não consegue compreender e sente que foi abandonada pela mãe quando mais precisava dela. Eis senão quando ela recebe um postal de aniversário com a mensagem «Suícidio? Pensa melhor» e decide ir à polícia. 

Enquanto leitora senti-me atraída pela sinopse, mas não estava nada à espera de que o ritmo da investigação fosse lento e que só surgissem novidades a mais de metade do livro. Não obstante, a escrita é simples, a leitura é agradável e tudo flui com naturalidade, pelo que o desenrolar dos acontecimentos em nada perturbou a minha leitura. Curiosamente, constatei que são fornecidos muitos pormenores que nada têm a ver com a investigação criminal e que se relacionam com a maternidade recente de Anna e com a saúde mental da esposa do polícia, Murray. Confesso que não percebi a importância desses detalhes para a história em si, se bem que permitem o adensamento ao nível da caraterização psicológica destas duas personagens. A autora entendeu que isso era relevante e resolveu realçar aspetos talvez como forma de desviar a atenção do leitor.

O que não será tão linear quanto isso, nesta história, são as mentiras. Os mentirosos têm tendência a acrescentar factos e situações e acabam, no final de contas, por ser descobertos. Basta um pequeno pormenor para se descobrir toda uma história. Mas, no livro, isso não acontece. Fui iludida pela autora, quando aparentemente tudo se resolve, e surpreendida pela seu engenho quando conseguiu acrescentar uma mentira a outra mentira. E foi precisamente isso que, na minha opinão, tornou tudo tão interessante ao ponto de já não conseguir parar de ler até ao fim. 

"Deixa-me mentir" parte de uma premissa simples [um suicídio/homicídio] para entrar em algo bem mais arrojado e interessante. A história lê-se rapidamente, mas é um intricado novelo, em que puxamos um fio e este vai-se desenrolando aos poucos, muito devagarinho, podendo, num ápice, dar uma grande reviravolta. Se julgam que já não conseguem ser surpreendidos, pensem melhor. Leiam, porque vale a pena. Gostei muito.

 

Classificação: 4/5*

 

oferecido pela editora cultura para opinião







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