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Opinião: Este livro foi mencionado pela Maria do Rosário no Clube de Leitura Conversas Livrásticas. O tema, se a memória não me falha, era saúde mental. Achei o máximo a descrição da história e fiquei muito curiosa quando a certa altura ouvi que os loucos estavam todos no manicómio. A este propósito, lembro-me da minha professora de filosofia quando lançava a pergunta: Quem são os loucos? Serão todos os outros, aqueles que vivem no manicómio, ou os que ficam de fora?

 

Entretanto, numa ida à biblioteca, trouxe este livrinho que me fez recordar essas aulas de filosofia e uma constante necessidade de questionar o mundo em redor. Por vezes esqueço-me de o fazer. Outras, ouso  refletir bem sobre o que estou a ver ou a ler. Acho que é preciso usar os olhos da alma e não os nossos sentidos, uma vez que estes não conseguem apreender essa dimensão reflexiva.


Resumindo um pouco a história, o Dr. Simão Bacamarte, médico psiquiatra ou alienista, depois de andar pela Europa vai para a cidade de Itaguí, no Brasil, onde acaba por se casar com uma viúva, que não era bonita, mas que lhe poderia vir a dar os filhos que desejava. Algum tempo depois, constroi um manicómio ou asilo na cidade. Chamou-lhe Casa Verde. A obsessão pelo trabalho é tão grande que aos seus olhos todos evidenciam sinais perante os quais o médico resolve internar um a um. Todos os  que se vão cruzando o caminho são objeto de um teste para comprovar a sua teoria (completamente aleatória).

 

"A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente". 

 

Este conto é uma forma muito "lúdica" de abordar um tema sensível: a forma como os médicos analisam os distúrbios psicológicos através das atitudes e comportamentos das pessoas.

 

"Simão Bacamarte refletiu ainda um instante, e disse:
- Suponho o espírito humano uma vasta concha, o meu fim, Sr. Soares, é ver se posso extrair a pérola, que é a razão; por outros termos, demarquemos definitivamente os limites da razão e da loucura. A razão é o perfeito equilíbrio de todas as faculdades; fora daí insânia, insânia e insânia".

 

 

Por outro lado, é utilizada uma dose de ironia na crítica a pessoas oportunistas, com o botânico Crispim Soares, bem como aos próprios políticos, com o barbeiro Porfírio. Numa sociedade de loucos, os poucos que se governam são os que têm interesses próprios (e nem esses serão poupados).

 

O primeiro contato que tive com o escritor foi com o livro D. Casmurro, uma leitura que partilhei convosco aqui. Tive uma boa impressão do autor e firmei a convição de que os seus livros não devem ser lidos "aos bocadinhos".Acho que desta feita aprendi bem a lição, pois li O alienista de uma assentada.

 

Um livro para ler e pensar. Uma alegoria ao ser humano e, sobretudo, ao que ele acredita ser a realidade.

 

CLASSIFICAÇÃO:

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Sinopse: aqui.

Opinião: A minha estreia com Machado de Assis. Este clássico da literatura brasileira foi publicado em 1899 e é uma das suas grandes obras. Existem vários estudos e análises ao livro "Dom Casmurro", mas isso não me vai impedir de partilhar a minha experiência enquanto leitora. Nessa qualidade, e nessa apenas, confesso que comecei a ler o início do livro com pouco entusiasmo. Cada folha corresponde a um capítulo, num total de 148, e temos de dar um passinho de cada vez para conhecer todo o enredo. Uma técnica de escrita para a qual não estava preparada.

 

A história começa pela revelação do porquê do nome Dom Casmurro e dos motivos para escrever um livro na velhice.

Enfim, agora, como outrora, há aqui o mesmo contraste da vida interior, que é pacata, com a exterior, que é ruidosa.

 

Deste modo, viverei o que vivi, e assentarei a mão para alguma obra de maior tomo.

 

Bento Santiago (Bentinho), Dom Casmurro, é apaixonado pela vizinha Capitolina (Capitu), a primeira amada do seu coração. Com ela desabafa muitas das suas angústias, incluindo a que se refere à promessa de D. Glória, mãe de Bentinho, de tornar o filho padre. Depois de abandonar o seminário, ele casa com Capitu e a sua felicidade aumenta com o nascimento do filho. Porém, um evento irá mudar o rumo dos dois.

 

Todas as noites li um capítulo desta história, que parecia não ter fim à vista, até que acordei de repente e li compulsivamente até ao final. Voltei atrás, li novamente alguns capítulos, e percebi que o que não foi um amor à primeira vista tornou-se em enorme admiração. Adorei. No final,  compreendi que as pistas estão todas lá, e vão sendo dadas aos poucos de uma forma velada, como quem não quer a coisa, para depois se dar a apoteose com a revelação de uma verdade dolorosa - ou mentira, consoante a opinião.

 

Se querem ler este clássico, o que recomendo vivamente, comecem por reservar um tempinho nas férias ou num fim-de-semana de forma a poderem sentir cada palavra e a extraiar o seu pleno significado. Não considero que a escrita de Machado de Assis seja difícil, mas a sua aparente simplicidade tem artifícios de um verdadeiro mestre. 

Preparem-se.

 

Classificação: 4/5

 

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