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Estou um pouco atrasada nos post´s aqui no blogue, mas não quero iniciar este ano sem deixar de falar nas leituras que fiz no âmbito do Clube dos Clássicos Vivos e do Livro Secreto.

Aderi ao CLUBE DOS CLÁSSICOS VIVOS em dezembro de 2016 e, durante o ano 2017, foram votados vários títulos pelos membros. O período de votação é sempre de dois em dois meses de forma a dar tempo de ler e discutir as obras escolhidas. 

Tenho acompanhado esta iniciativa da Cláudia (a mulher que ama livros) e da Carolina (Hollyreader) com entusiasmo. 

 O que mais gosto neste grupo ou clube tem sido o incentivo à leitura de clássicos.

Durante o ano, li 5 clássicos (li mais mas estes foram os escolhidos pelos membros do Clube no goodreads).

A leitura que mais me surpreendeu foi a de Dom Casmurro.

A que mais me desiludiu foi O vermelho e o Negro.

Apenas houve uma releitura com O crime do padre amaro

Paris é uma festa e uma  Boneca de Luxo foram os que gostei menos, mas considero que são importantes para conhecer os respetivos autores.

 

Curiosamente, no LIVRO SECRETO do eagora?sei lá, li mais 3 clássicos que me surpreenderam. Estou a referir-me a EmigrantesO velho e o mar e a Bichos. Fantásticos, mesmo, têm de ler. 

Desde Fevereiro de 2017, altura em que aderi ao grupo, li 10 livros.

Nuns chorei (Às terças com Morrie) e noutros ri a bom rir ( Obrigada pelas recordações).

Gostei muito de uns, outros nem tanto. Todos foram importantes à sua maneira e por isso nunca desisti nem deixei de ler nenhum.

O que mais gosto neste grupo é da surpresa no correio, pois não sabemos o livro que vamos ler nesse mês, nem o autor que vamos conhecer.

Posto isto, atendendo a que li bastante mais clássicos e livros que sairam da minha zona de conforto do que em anos anteriores, considero que o balanço geral não poderia ser mais positivo.

Resta desejar que o 2018 traga, igualmente, muitas e boas leituras.

 

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Sinopse: aqui.

 

Opinião: Lembro-me bem de ter lido "Rosa, minha irmã Rosa", "Chocolate à Chuva", "A Espada do Rei Afonso" e "Águas de Verão". Alice Vieira escreveu estas e outras histórias infanto-juvenis que faziam as minhas delícias. 

 

"Os Olhos de Ana Marta" é classificado como o melhor romance de Alice Vieira, pela construção das personagens, a estrutura narrativa e a conceção da história. Sem dúvida uma grande escritora cujas obras foram traduzidas para várias línguas e que merece um carinho especial por me ter "acompanhado" na infância. Mas vamos à história.

 

Marta é uma menina de 11 anos com muita imaginação. Ela acha que foi trocada no hospital e que a mãe, Flávia, não é a sua verdadeira mãe. A sua imensa imaginação, instigada por Leonor, a governanta que lhe conta histórias, não consegue descortinar a razão desse sentimento de rejeição, o qual não é de todo infundado-é que a mãe nunca pronuncia o seu nome e mal olha para ela. Já o pai, só tem se interessa por Flávia. Fecham-se quartos na casa de Marta assim como se fecharam as portas do coração daquela mãe. 

 

O livro tem, obviamente, um mistério, um segredo de família, que deveria ter despertado uma vontade enorme de descobrir toda a verdade. Infelizmente, desta vez, não funcionou comigo. Não sei bem o que aconteceu durante a leitura, mas não consegui agarrar a história, senti-la em todas as suas palavras nem imaginar o sofrimento de Marta. Na verdade, não senti nada. Foi mesmo muito estranho.

 

Mais tarde, refleti um pouco e entendi este distanciamento ou esta aparente falta de ligação com a personagem. De forma inconsciente, o meu objetivo foi voltar à infância e sentir o desprendimento total das férias de Verão. Através desta leitura, isso falhou e, como não encontrei o que procurava, facilmente perceberão o motivo de ter sido uma leitura demasiado rápida e sem grandes emoções. Mea culpa, assumo.

 

Portanto, aconselho o livro a quem procura encontrar uma lição de vida, mas desaconselho a quem procura uma forma de voltar atrás no tempo como foi o meu caso.

 

E vocês, já leram? Comentem, pois gostaria muito que partilhassem aqui a vossa opinião. 

 

Classificação: 3/5

 

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Demorei um pouco mais a colocar as minhas leituras em dia no blogue e por isso só agora consegui fazer um balanço do ano de 2017 em relação ao Livro Secreto do blogue da MJ . Tem sido uma iniciativa fantástica e em que todos os meses tenho a sensação que vou receber um presente.

 

Em fevereiro de 2017, iniciou-se a 2.ª edição desta inciativa, estamos quase a fazer um ano desta troca de livros, e verifico que o tempo tem passado muito rápido! 

 

O meu livro Em teu ventre, de José Luís Peixoto, não tem tido muita adesão. Acredito que gostos são gostos e que, além disso, não é fácil ler sempre com a mesma disposição, especialmente quando a temática é forte ou algo aborrecida. Mas não tem mal nenhum. A troca de livros é, precisamente, para conhecer livros que de outra forma não iriamos ler. Soa um pouco a cliché mas é bem verdade!

 

Já li 8 livros: O Diário Oculto de Nora Rute, O vendedor de passadosPalestinaO velho e o marEmigrantesObrigada pelas recordaçõesA outra metade de mim e Os Olhos de Ana Marta. Gostei de ler todos e não desisti de leitura de nenhum. Estou surpreendida comigo própria e satisfeita com os resultados positivos.No entanto, os meus preferidos foram O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway, e Emigrantes, de Ferreira de Castro. 

 

Boas leituras a todos. 

 

 

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Sinopse:aqui.

 

Opinião: Vou começar este post de uma forma pouco habitual, ou seja, por falar na capa: simples, bonita e em tons de vermelho sangue, uma alusão à pintura de papoilas que é referida na própria história. 

"A outra metade de mim" é  o título em português. Mischling, no original, provavelmente seria um título com um maior impacto se o mesmo pudesse ser traduzido para a nossa língua, uma vez que a palavra "Mischling" era o termo usado para caraterizar aqueles que possuíam sangue ariano e judeu. 

 

A escritora americana, Affinity Konar, tem 40 anos e não possui familiares que lhe tivessem relatado a experiência durante o Holocausto, mas ao que tudo indica ela inspirou-se em testemunhos reais relatados nos livros.

 

A história é contada por duas crianças: Pearl e Stasha. Pearl, sonhadora,  e Stasha, adora música,  são gémeas idênticas. Quando são enviadas para Auschwitz vão parar às mãos do "Anjo da Morte",  o médico Josef Mengele. Ele realiza experiências no seu "Zoo". São experiências estranhas, sem objetivos e com total desprezo pelo ser humano. As crianças são meros objetos. 

 

Como podemos ler na sinopse: "É um livro que desafia todas as expectativas, atravessando um dos momentos mais negros da história da humanidade para nos mostrar o caminho para a beleza, a ética e a esperança". 

 

Este livro é uma surpresa. Além de a história ser contada por duas crianças inocentes que ainda não compreendem o que lhes está a acontecer, a utilização de palavras poéticas faz com que a escrita quase que se distancie da cruel realidade.

No final, entendemos a mensagem de perdão e de esperança na sobrevivência da raça humana.  

O meu perdão foi uma repetição constante, o reconhecimento de que continuava viva, a prova de que as experiências deles, os seus números, as suas amostras, tudo isso falhou – eu continuei a viver, um tributo aos seus erros de cálculo, pois subestimaram o que uma rapariga consegue suportar. O meu perdão deixou claro o seu fracasso em aniquilar-me.

 

 

Classificação: 4/5

 

Para quem quiser conhecer mais sobre a escritora e sobre a obra: 

https://www.youtube.com/watch?time_continue=451&v=TAiryXRYNUw

 

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Sinopse: aqui.

Opinião: A premissa desta história parte de uma "estranha" ligação entre Joyce e Justin, após de uma transfusão de sangue. Já foram reportados casos semelhantes de pessoas que adquiriram novos gostos e memórias após o transplante de órgãos, mas para isso ser comprovado cientificamente ainda há um longo caminho a percorrer. Eu, que sou leiga nesta matéria, fiquei muito curiosa (e sempre pronta para mais um mistério).

Joyce Conway cai das escadas, acorda no hospital e, de repente, disserta sobre arte e arquitetura europeias, fala fluentemente línguas estrangeiras que desconhecia e sobre lugares onde nunca esteve. Há uma espécie de transferência dos conhecimentos do professor Justin quando ele doa sangue a Joyce. 

Embora exista drama nesta história, o único personagem que merece destaque é o pai de Joyce, Henry, um senhor de idade, reformado, que dá azo a situações bem caricatas.

A história de Joyce e Justin não me seduziu nada. Há um "ata não desata" que parece fazer render o "peixe" ou o romance. Isso prejudicou a história e fez com que diminuísse o interesse no desenvolvimento da mesma. 

"Obrigada pelas Recordações" é um livro que se lê bem, mas a história não chega a ser conclusiva. Apesar disso, gostei muito de Henry e vale a pena rir um pouco com ele, porque rir é sempre o melhor remédio. Ah, e ler também!

 

Classificação: 4/5

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Opinião: Começo por avisar: nunca se deve julgar um livro pela capa porque o que conta é o conteúdo. Este livro é um livro secreto e veio parar a minha casa há uns meses atrás. Abri muito rapidamente o embrulho que continha o livro, porém, a ilustração na capa desiludiu-me logo e, naquele instante, pensei: é um livro da escola! Esta foi a primeira impressão. Quando comecei a ler o primeiro capítulo,com a descrição de uma aldeia pobre algures no interior de Portugal, ela voltou. Na minha perspetiva, estava a ler para a disciplina de português. Mas fui resistente e avancei. À medida que fui lendo comecei a apreciar a escrita de Ferreira de Castro. Aliás, acho que as descrições são necessárias e muito realistas. Embrenhei-me então na história do Manuel da Bouça, na pobreza da sua aldeia e no seu sonho. Emigrar representaria uma forma fácil de ganhar dinheiro. Ingenuamente Manuel da Bouça pede dinheiro emprestado e compra a viagem, deixando a mulher e a filha. Com isso lucraram e enriqueceram os "vendedores de sonhos" lá da aldeia. Já o pobre desgraçado do Manuel da Bouça, cheio de receio de viajar de barco, embarcou numa ilusão. 

No geral, uma história para pensar e refletir pela atualidade do tema da experiência emigração. Em particular, uma menção especial para escrita que nos emociona (o próprio Ferreira de Castro emigrou e passou por dificuldades) levando-nos a "sentir" todas as sensações, pensamentos e emoções de Manuel da Bouça. Coitado do homem, só lido. 

 
 
Em todas as aldeias próximas, em todas as freguesias das redondezas, havia o mesmo anseio de emigrar, de ir em busca de riqueza a continentes longínquos. Era um sonho denso, uma ambição profunda que cavava nas almas, desde a infância à velhice. O oiro do Brasil fazia parte da tradição e tinha o prestígio duma lenda entre os espíritos rudes e simples. Viam-no reflorir nas igrejas, nos palacetes, nas escolas, nas pontes e nas estradas novas que os homens enriquecidos na outra margem do Atlântico mandavam executar.
 
 
Classificação: 5/5 - Gostei bastante.
 
 

 

 

 

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"O Velho e o Mar" foi escrito em 1951, em Cuba, mereceu o Prémio Nobel da Literatura no ano de 1954, e eis senão quando este livrinho chegou ao meu correio (não, não recebi de nenhuma editora e, sim, recebi do grupo do livro secreto. O meu eterno agradecimento).

Em "Paris é uma Festa" fiquei com a ideia de que seria um livro de memórias do próprio escritor e n´" O Velho e o Mar" julguei que se trataria de uma metáfora utilizada para descrever as dificuldades da vida bem como a resiliência imprescindível para as vivenciar e ultrapassar. Mas depois conto melhor o que se passou.

 

O personagem principal é um velho pescador cubano, chamado Santiago, que ficou sem conseguir pescar um peixe durante 3 meses. Santiago tem a ajuda e apoio do jovem Manolin. Já em mar alto, lembra-se constantemente do jovem, pois já é velho e sente que já não tem a força de antes. Quando finalmente apanha um peixe enorme, trava uma luta, com o peixe, durante 3 dias e 3 noites, acabando cercado por tubarões. Com dores e feridas nas mãos, com fome e sede, sente que vai morrer ali, mas aguenta todos os "golpes" para levar o grande peixe consigo.

Durante esse tempo, o velho Santiago dialoga consigo mesmo, com o mar, com as aves, com o peixe, e sente a falta do seu jovem amigo Manolim, o qual lhe devota um grande respeito e lhe alivia o sofrimento imposto pela idade.

 

É, portanto, num estilo simples que é narrada esta história, cheia de termos ligados à pesca e à vida em alto mar. A narrativa é sobre o velho e sobre a vida no mar e é, a meu ver, muito convicente, direi antes um retrato fiel de alguém com quem Hemingway constumava pescar o peixe Marlim azul, alguém que se chamava Gregório Fuentes e que morreu 40 anos depois do escritor.

Portanto, nada mais lógico do que associar a história à própria vida difícil dos pescadores, bem como de todos os que precisam de coragem para enfrentar e superar as dificuldades. 

 

Mas há quem entenda as palavras de outra forma, associando: Hemingway ao velho pescador, o peixe ao seu talento literário e os tubarões aos críticos do seu trabalho; ou, ainda, à fé e à religião.

O que é certo é que o próprio Hemingway negou a existência de qualquer simbolismo quando afirmou que: "O mar é o mar. O velho é um velho. Os tubarões são tubarões, nem melhores nem piores".

 

Em "Paris é uma Festa" descreveu a obra como uma fição e em  "O Velho e o Mar" refere que não há simbolismo nenhum? Acham que voltou a baralhar os leitores?

A minha interpretação é a de que não. Para o escritor não há simbolismo para a Vida, ela é, e sempre foi, exatamente assim, tal como na história.  

As aves têm uma vida mais dura que a nossa, à excepção das de rapina e das muito fortes. Porque há passaros tão delicados e finos como essas andorinhas quando o oceano pode ser tão cruel? É gentil e muito belo. Mas sabe ser tão cruel e sê-lo tão de súbito que tais pássaros que voam e mergulham à caça, com as suas vozinhas tristes, são demasiado delicados para o amor.

 

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O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway

Editado em 1952

Editora Livros do Brasil

 

 

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Eis um livro que estranhei e adorei: estranhei a história, porque, embora conheça o conflito entre palestinianos e isrealitas, não é fácil entrar nela; adorei a Falastin, a sua personalidade e a forma como ela supera as adversidades, porque é uma mulher marcada e de grandes convições. É admirável um escritor escrever um romance em que a personagem feminina principal ultrapassa tudo e todos, sem o esteriótipo de mulher existente no mundo árabe.

Todas as palavras empregues, neste pequeno livro, servem para descrever uma situação sem fim à vista, muito difícil e dura. Não é um tema nada fácil. A guerrilha é uma constante, mas, mesmo sem saber se a vida continua no dia a seguir, Nessim apaixona-se por Falastin.

Já quanto ao desfecho final, penso que foi coerente com a realidade do conflito, quer exterior quer interior.

Mais não posso dizer. 

Um ligeiro ruído nas suas costas fá-la reter o fôlego. Não é que se sinta apreensiva, o medo não a atinge; mas a tristeza invade-a, semelhante a um desejo de destruição, a um gosto brusco pela queda, sempre que sujeita a qualquer ameaça, física ou moral. Apesar disso, recompõe-se e demonstra indiferença. Nada se pode contra o verdadeiro desprendimento. 

Nada viria jamais a salvá-la neste mundo. Fora distinguida com uma ferida demasiado íntima, privada, na imaterialidade da sua carne e também fora dela, na estranha desumanidade das coisas.

 

Sinopse: Algures na Cisjordânia entre a Linha Verde e o «muro de segurança», uma patrulha israelita é atacada por um comando palestiniano. No confronto, um dos soldados é abatido, o outro feito prisioneiro pelo comando que depressa se põe em debandada... Ferido, em estado de choque,  o refém perde todas as referências, esquece como se chama. Para ele, é a passagem para o outro lado do espelho. Único sobrevivente, sem documentos, vestido à civil e de keffieh, o jovem militar é recolhido, tratado e depois adoptado por duas palestinianas. É nessa condição que Nessim descobre e experimenta os sofrimentos e tensões de uma Cisjordânia ocupada. Neste comovente romance, através da personagem de Falastìn, Hubert Haddad converte todo o horror do conflito numa alegoria trágica de grande beleza. 

 

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 Achei a escrita brilhante, algo poética, e muito original, mas isso não aconteceu logo, nem foi "amor" à primeira vista. Aprendi a gostar quando "digeri" a história e, a certa altura, percebi a estrutura da narrativa. Portanto, no início, estranhei e não conseguia perceber bem quem, onde e porquê, nem a razão de estranhar tanto as palavras. Na leitura, andei como se estivesse perdida à procura da rua certa e a navegar na incerteza (Será bom? Será mau?). No entanto, mantive a mente aberta e embarquei no desconhecido (ainda não tinha lido nada deste autor).

Félix Ventura, um albino angolano, vende passados, e a osga, que assume o papel de narradora participante, narra e percebe tudo o que se passa. Mas embora se perceba logo quem é Félix, o mesmo não acontece com a osga. Só lá mais para o meio do livro é captei que o narrador era uma osga e que esta tinha sido, numa reencarnação anterior, um humano chamado Eulálio.Enfim, mais vale tarde do que nunca, lá diz o ditado popular.

O Félix constrói histórias e árvores genealógicas fantásticas para figuras importantes da sociedade cujo passado é duvidoso mas que saem como se fossem descendentes de "sangue azul".  Podemos "ver" aqui uma crítica à sociedade angolana e aos valores presentes na mesma e, na minha opinião, essa capacidade crítica é camuflada pela forma de escrever do autor. Tanto assim é que só depois de a história avançar, se percebe o alcance de certas frases (e quem concordar que ponha a mão no ar ou escreva um comentário).

Também eu crio enredos, invento personagens, mas em vez de os deixar presos dentro de um livro dou-lhes vida e atiro-as para a realidade.

 

Sinopse: Félix Ventura. Assegure aos seus filhos um passado melhor. É a partir deste cartão-de-visita que se desenrolam os capítulos de "O Vendedor de Passados", novo romance de José Eduardo Agualusa. A mentira e a verdade, o(s) homem(s) e o(s) seu(s) duplo(s), a memória e a memória da memória, a ficção e a realidade. Angola ("é importante ironizar com a sociedade angolana, que é uma sociedade que se construiu e se continua a construir assente em muitas ficções" - o autor ao Público, 19/06/04). Tudo poderia acontecer. Tudo poderia ter acontecido. «A determinada altura a osga recorda a mãe num momento da sua vida passada: "Nos livros está tudo o que existe, muitas vezes em cores mais autênticas, e sem a dor verídica de tudo o que realmente existe. Entre a vida e os livros, meu filho, escolhe os livros" (p.122). José Eduardo Agualusa provavelmente escolhe a vida.

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nora rute.jpgEste foi o primeiro Livro Secreto que chegou à minha caixa de correio. Trata-se de o diário de uma jovem que, no ano de 1969, vai relatando os seus segredos escândalos, bem como alguns acontecimentos. A ida do homem à lua é um deles e penso que, mesmo quem não viveu naquele período, pelo menos já ouviu falar de algumas coisas. Lembro-me especialmente de uma professora contar situações relacionadas com a minissaia e com as calças à boca de sino. Era comum as jovens serem castigadas pelos pais ou expulsas das escolas se aparecessem com os trajes da moda revolucionários . Apesar disso Nora é, a meu ver, uma exceção pois pertence a uma classe social superior. Ela tem uma rebeldia (própria dos anos 60) e, apesar do pai "torcer o nariz", usa a minissaia sem qualquer pudor ou vergonha. 

O que gostei menos no livro? A  parcimónia nas palavras, os capítulos pequenos e a rapidez com que se lê a história. Parece positivo (e é de certa forma) mas não me fez sentir especialmente desafiada.  

 

Sinopse: Nora Rute é uma personagem de romance e, ao escrever o seu diário, vai escrevendo, no desconhecimento do que virá a seguir, o seu próprio romance. Ao mesmo tempo, acrescenta-lhe o registo de acontecimentos e usos que marcaram um ano (1969) desde a chegada do Homem à Lua à moda da minissaia, das manifestações estudantis a guerras em África, aos bares e cafés de Lisboa.

Narrativa de marcada originalidade, O Diário Oculto de Nora Rute coloca os leitores no caminho irrequieto de uma jovem que desafia as regras, as de uma sociedade machista de um pai austero. Predominam as personagens que são membros da família, não só uma misteriosa tia Nanda, a prima Mé mas um quase desconhecido que parece ter conquistado, em definitivo, o amor de Nora Rute. E um primo ribatejano que lhe revelará o reverso das luzes e sombras da cidade.
Ao colocar-se na sua mente de uma forma travessa, Mário Zambujal, sem abandonar o seu estilo próprio de escrita, incorpora-o no espírito e na conduta de uma jovem que descreve no seu diário a agitação dos seus dias.

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