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Este tema vem a propósito do último livro que acabei de ler. É um tema que dá para refletir e poderia abordar aqui vários assuntos, no entanto, resolvi particulizar um pouco quando fiz esta pergunta: Não teremos todos um Frankenstein nas nossas vidas? Um monstro que se vinga e nos persegue? Intuitivamente respondo que sim. Eu chamo-lhe realidade consubstanciado num constante Sentir. Pensar. Viver. É quase como o bater ritmado do coração, que funciona perfeitamente e que, ao mesmo tempo, passa despercebido. Sentir. Pensar. Viver. E um dia quem sabe nos assombre e consuma de medos quando tomamos consciência da dimensão que implica esse esforço diário. Mas  o meu FranKenstein é diferente, é algo que nasceu comigo. Ele alimenta-se de pensamentos. Tal como no livro, ele é gigante, por vezes feio, e considera-se uma criação aberrante da natureza. Tem vida própria, acreditem. Eu cá experimentei correr com ele, persegui-lo com pensamentos de beleza e até com produtos químicos da farmácia, mas o mais saudável é abrir um livro e começar a ler. 

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Hoje é sexta e aproxima-se o fim-de-semana. Tempo para uma pausa necessária. Altura para descontrair, planear uma saída ou fazer umas compras para o resto da semana.

Desta vez não vou escrever muito, porque já partilhei convosco a aventura vivida nas palavras d´ Flores, de Afonso Cruz

Espero que gostem da sugestão e que comentem. Podem usar e abusar das palavras. Elas enriqueçem-me a memória.

 

Bom fim-de-semana e boas leituras!

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Sinopseaqui.

Opinião: A narrativa é feita por Balram. Ele conta a história da sua vida («A autobiografia dum Indiano Mal Amanhado»). Neste tom irónico e crítico, Balram descreve o seu país, a Índia, e conta que antes de se chamar Balram era Munna. No entanto, Munna significa apenas rapaz, ou seja, quando nasceu os pais não lhe deram um nome. 

Mas afinal que espécie de lugar é aquele em que os pais se esquecem de dar o nome aos filhos?

 

É só na escola que o professor o "batiza" de Balram e eu achei isto táo triste que senti uma enorme compaixão pelo personagem, mas aviso já: não se iludam. 

«O Tigre Branco» contem sete cartas escritas por Balram ao primeiro-ministro Chinês, que visitará a Índia, onde conta a sua história e faz uma crítica social algo arrojada. 

 

A propósito senhor primeiro-ministro: já reparou que os quatro maiores poetas do mundo são todos muçulmanos? E que, apesar disto, todos os muçulmanos com que nos cruzamos são ou analfabetos, ou andam tapados dos pés à cabeça com burcas pretas, ou à procura de prédios para explodir? É um enigma, não lhe parece? Se algum dia conseguir perceber esta gente, então mande-me um e-mail.

 

Nesta sátira, temos: pobreza, ambição, ganância, corrupção, crime, cenas ["nojentas"], desigualdade social e injustiça q.b.. Porém, aquele sentimento de pena que Balram inspira, ao início, vai-se dissipando à medida que a história se desenrola. A própria narrativa começa por ser leve e divertida mas descreve uma realidade "quase medieval", que é o sistema de castas. Vindo do lado pobre, escuro e sujo, Balram quer subir na vida, mas a sua casta, Halwai, tem de vender doces (Cada casta tem um nome que se relaciona com uma profissão) e Balram não quer essa profissão de "pobre" e sim ter uma bela farda e ser motorista (No fundo, quer passar para o lado da luz e da riqueza).

Gostei deste livro porque acho que é uma história que dá para refletir sobre a realidade na Índia e conhecer um pouco mais desse país. 

Gostei ainda porque o livro é pequeno, lê-se rapidamente e não é nada maçudo.

Mas o que mais gostei foi da construção e caraterização psicológica do personagem Balram (Brutal!).

Espero ler mais deste autor.

 

Classificação: 5/5.

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No dia 1 de maio, recebi um convite do Blogs Portugal para o desafio 7 dias com os media 2018 que consiste num desafio para que diferentes pessoas desenvolvam os seus projetos e iniciativas relacionados com os media.

Os bloggers podem participar (e quem quiser ainda pode fazê-lo), bastando fazer o registo na plataforma digital www.7diascomosmedia.pt com uma proposta ou uma ideia para um post.

Nós (eu, a Fátima, a Mariana, a Helena, a Roberta  e a Vanessa), na última reunião do Clube de Leitura Conversas Livrásticas, resolvemos aceitar este desafio, uma vez que seria muito interessante descobrir o que pensam a respeito do impacto que os blogs e os clubes de leitura têm para a literacia. 

Cada vez mais  se fala nos media, bem como na importância dos bloggers na partilha e promoção do conhecimento. Para comprovar  esta realidade precisavamos de algo que permitisse recolher a vossa opinião e, nessa senda, elaboramos um inquérito. 

 

A resposta é anónima, a vossa colaboração preciosíssima e o nosso prémio são as vossa respostas.

 

Vá lá, participem e deixem a vossa opinião!

 

 

 

 

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Para este fim-de-semana recomendo que relaxem e que aproveitem para viajar para Guernsey, uma ilha perto de França (era bom, não era?). Então, convido todos os leitores a visitar um local que, aquando da minha visita [literária], me pareceu familiar. Talvez seja apenas um sentimento, uma vontade de conhecer as pessoas ou um desejo de participar nas conversa sobre os livros. Seja o que for, é envolvente e diferente.

Sabiam que na segunda Guerra Mundial as tropas alemães ocuparam Guernsey? E que estes exigiam que os habitantes lhe fornecessem toda a comida? E que é por causa de um jantar de porco que surgiu a Sociedade Literária da Tarte de Casca Batata?

Podem ficar a saber as respostas se lerem o livro, claro. Os leitores que têm paixão por livros vão de certeza ficar com a "pulga atrás da orelha". Olhem, eu fiquei. O título despertou-me a atenção. Mais. Fui à biblioteca e durante a leitura as pessoas pareceram-me reais. Depois, cheguei a desejar receber uma cartinha igual. Só uma! (bem posso sonhar). E resumindo a história, gostei tanto que já adquiri o livro.

Para vos aguçar mais a curiosidade, e a propósito da familía Brontë, deixo-vos um excerto de uma das cartas cujo sentido de humor considero delicioso:

 

"Cara Miss Ashton

Oh, meu Deus. A Juliet escreveu um livro sobre a Anne Brontë, irmã de Charlotte e da Emily. A Amelie Maugery diz que mo vai emprestar, porque ela sabe que tenho uma predilecção pelas irmãs Brontë - coitadinhas. Só de pensar que as cinco tinham pulmões tão fraquinhos e morreram tão novas! Que tristeza.

O pai delas era um homem muito egoísta, não acha? Não se preocupava nem um pouco com as filhas - sempre sentado no escritório, a gritar que lhe levassem o xaile. Nunca se levantou para se servir sozinho, pois não? Limitava-se a ficar ali no escritório, isolado, enquanto as filhas caiam para o lado que nem moscas.

E o irmão, o Branwell, também não era lá grande coisa. Sempre a beber e a vomitar nos tapetes. Elas tinham de andar a limpar o que ele sujava. Era um rico trabalho para as senhoras Autoras!

Acredito piamente que com dois homens daqueles em casa e sem grandes possibilidades de conhecerem outros homens, a Emily só podia inventar o Heathcliff! E que excelente trabalho ela fez. Os homens são mais interessantes nos livros do que na vida real (...)".

 

Este livro, que está no Plano Nacional de Leitura, é um livro que todos devem ler.

Eu já li e vocês?

 

Bom fim-de-semana e boas leituras.

 

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 *Livro lido sem opinião escrita (ainda) aqui no blog

 

 

 

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Mais uma sugestão para o fim-de-semana. 

No Dia Mundial do Livro, a coolbooks ofereceu um ebook à escolha bastando aceder à página da Wook e fazer o dowload do livro que queriamos ler. Na altura, não tinha a menor ideia de qual livro escolher, mas li a sugestão de alguém no facebook e a sinopse, e depois a curiosidade fez o resto (já vos contei que sou muito curiosa?).

Foi o primeiro livro que li em ebook, o que nunca esperei vir a fazer, e tive um sentimento estranho, pois fez-me falta folhear o livro e colocá-lo na estante - o que para nós, livrólicos, é o nosso templo. Mas este meu handicap (não estar habituada à leitura em formato digital) vem a propósito de quê, perguntam vocês? Pois bem, o "Maresia e Fortuna" é um daqueles livros em que nos esquecemos completamente de nós. A história é viciante e aparentemente simples. Existem muitos segredos bem guardados. E quando esperamos que se resolvam os amores de Júlia, Vanessa, Bianca, Eduardo e Simão, ou quando pensamos que os entendemos, descobrimos que não sabemos nada (ainda)?! 

Afinal, o que é o verdadeiro amor? Uma das questões que vão surgindo assim como um certo "nervoso miudinho" que nos faz duvidar de tudo e de todos.

Eu acreditei no impossível e no final descobri que estava certa. O amor transforma. O amor baralha. O amor pode salvar ou deitar tudo a perder. O amor não é nada simples, sabiam?

Um thriller psicológico que gostei e que recomendo.

 

Bom fim-de-semana e boas leituras, em boa companhia.

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*Livro sem opinião escrita (ainda) aqui no blogue. 

 

 

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Sinopse: Num mundo rural em decomposição acelerada, minado pela poluição física e mental, pelos media e pelas arremetidas da "Aldeia Global", um homem de setenta anos e um adolescente aliam-se para construir um pequeno universo privado, fantástico, parado no tempo, onde vivem os velhos ritos e as superstições do passado.
Porém, esse universo, frágil e vulnerável, não poderá resistir durante muito tempo à sociedade hostil que o cerca. Então, é preciso encontrar uma saída...

Opinião: Neste pequeno livro, encontramos D. Gonçalo Nuno, um homem de idade, rico, dono de empresas, que se recusa a fazer a vontade aos filhos e ir para um lar, e o Zé da Pinta, um rapaz de 17 anos, considerado o "apoucadinho", o "tolo" ou o "idiota" da terra. Estes personagens encontram-se em Poais de Santa Cruz e aos poucos encontram um mundo especial, longe de supermercados e de reality shows, e, no fundo, vivem à parte num mundo que se distancia da realidade social, no qual há lobisomens, mouras encantadas, almas do outro mundo e Nuvens Seculares. 

Este autor foi uma estreia. Não tinha lido nada nem conhecia o escritor (e fiquei triste quando soube que morreu em 2010). Além de ser uma estreia, foi uma enorme surpresa. Gostei muito da escrita, da história, dos personagens e sobretudo do final, que foi brutal !!! (quem já leu sabe a que me refiro e ao empregar esta expressão com duplo sentido apenas quero dizer que gostei muito mesmo).

Agradeço à pessoa que enviou o livro, porque vale mesmo a pena ler.

 

Classificação: 4/5.

 

 

 

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Onde estavas no 25 de abril de 1974? Ouvimos esta pergunta todos os anos e tenho sempre vontade de responder: Eu, eu estava, com quase 99, 9% de certeza, a dormir no berço. É, portanto, uma pergunta para a qual a resposta óbvia não serve, dado que era uma cidadã de fraldas que comia e dormia (e não contribuiu em nada para a liberdade deste país). Sem pensar muito, acho que atualmente poucos se lembram de ter desfilado pelas ruas de Lisboa na euforia da Liberdade recentemente adquirida. Aqui em casa, apenas o meu marido participou nessa marcha, mas era pequeno. Lembra-se apenas do que lhe contaram. E lá foi no meio da multidão, às cavalitas do avô, com os deditos em V e a gritar «Fachistas».  

Na minha terrinha, ninguém presenciou nada, ainda não existiam televisões, nem estradas alcatroadas, nem eletricidade, já agora. Quarenta e quatro anos depois, poucos se lembram desse dia. Bem, tenho a certeza de que restam dois ou três que podem contar os tempos que viveram na guerra. Para esses fará sentido relembrar este dia. Para a nossa geração, ouvimos contar a história . Para os mais jovens, restam os livros.

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Não sei porquê há livros que demoro mais tempo a ler. Há outros que deixo ficar para o fim porque penso, precisamente, que vou levar uma eternidade para terminar. E depois tenho os que sei que não é pelo tamanho que me intimidam mas pela escrita. É por isso que ler é um desafio.

Na última reunião do Clube de Leitura Conversas Livrásticas, o tema sorteado foi (adivinhem)...livros que intimidam. Então, resolvi pegar da minha estante da vergonha [de livros não lidos] "O Jogo do Mundo", de Júlio Cortázar. E não podia ter ficado mais... desiludida. 

O livro tem duas formas de ser lido: a primeira termina no capítulo 56 e a segunda basta seguir as indicações que vão sendo dadas pelo autor. Optei por seguir por esta última e facilmente me aborreci, porque remete para capítulos que estão no fim e que me pareceram uma espécie de reflexões ou pedaços dispersos de histórias que, no fundo, não fazem falta nenhuma para a história principal. De seguida, fiz a leitura «normal», mas nem assim resultou. Não gostei. O romance de Maga e de Oliveira é estranho, os amigos estão para ali a beber, a discutir a música que hão-de ouvir e o Oliveira anda pelas ruas de Paris. Interesssante? Nã, desisti. É provável que a culpa seja minha, mas já não tenho idade para perder o meu tempo a insistir com uma leitura que não ata nem desata.

O que eu mais gostaria depois disto? Algo que me fizesse sentir melhor, claro. Estou assim entre triste e meio desorientada. Todos gostam menos eu? Será?

Vá lá, digam qualquer coisa.

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A recomendação para este fim-de-semana tem muito que se lhe diga. Hoje em dia, são cada vez mais as notícias de pessoas de idade que morrem sozinhas e, pior, só são descobertas vários anos depois. É uma realidade aterradora. Por outro lado, há vizinhos com um feitiozinho e que não são pessoas fáceis de lidar. O Sr. Ove é um deles. Mas... como nem tudo é o que parece e nem tudo o que parece é, vão por mim [e pela Magda que sugeriu e emprestou este livro ao grupo do livro secreto], há livros que nos ensinam a ver as coisas de maneira diferente. 

Depois de lerem este livro fantástico, e se tiverem oportunidade, não deixem de assistir ao filme. Na minha opinião, são duas experiências diferentes, pois ao ler o livro apercebi-me de todos os pensamentos de Ove (e andei entretida com várias opiniões divertidas dele) enquanto o filme apelou mais aos sentimentos (pela lágrimazita ao canto do olho, vá, tenho de admitir). 

Acredito na importância que podemos ter a vida dos outros, tal como hoje quando vi vários jovens a passar por um ceguinho que só foi ajudado por uma senhora com idade para ser avó.

Acredito ainda que não se deve julgar ninguém pelo seu mau feitio, porque o que é verdadeiramente importante são as (boas) acções.

Isto diz muito, não acham?

 

Bom fim-de-semana e boas leituras.

 

 

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* Livro já lido, sem opinião escrita (ainda) aqui no blogue.

 

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Jane Eye, numa tarde fria e húmida de novembro, lê no assento da janela por detrás das cortinas vermelhas em Gateshead, a casa dos seus parentes, os Reeds. É assim que o romance começa, ou seja, com esta cena e com o conflito provocatório do primo, John Reed. John é a imagem do filho mimado, violento e malcriado. Jane é  a orfã pobre, de aparência modesta, que não se intimida perante as ameças de John e os castigos da tia. Perante isto, com 10 anos de idade, Jane não tem amigos. Os livros são o seu único refúgio e alimentam a sua imaginação. Desde o início do romance até ao final, Jane lê vários livros. Ela acredita que isso lhe trará a educação que permitirá a independência e uma melhoria da sua posição na sociedade. E com toda a razão. Será em Lowood que ela aprenderá a desenhar e uma profissão que lhe permitirá ganhar o seu sustento sem ajudas de ninguém. É ou não uma mulher insubmissa e muito à frente do seu tempo?

Ao contrário da vida calma de Jane, Edward Farfaix Rochester teve uma vida desregrada, apaixonando-se por várias mulheres. Assim, quando ele conhece Jane, planea mudar o seu estilo de vida, mas terá muito que penar até conseguir os seus intentos.

Embora já conhecesse a história voltei a ficar surpreendida, sobretudo com a resiliência de Jane, uma simples mulher, que acaba por aceitar o amor na adversidade, mais uma vez demonstrando a sua coragem e determinação.

Esta leitura despertou alguns sentimentos novos. Lembro-me da primeira leitura, de sentir indignação com as atitudes da tia e do primo e de sentir muita tristeza pela maneira como ocorreu a morte da sua melhor amiga [quem leu sabe a que me estou a referir]. Já na releitura, senti várias vezes um sentimento de irritação. Na verdade, já não me recordava bem de Mr. Rochester e não o achei lá muito romântico.

Jane é, para mim, uma personagem que fica na memória. O que a torna forte são os seus princípios e, embora ela não se considere bonita, são estes, as suas qualidades inteletuais e a força interior que a tornam encantadora ao longo de toda a história.
E vocês, qual foi a personagem que gostaram mais?

 

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A partir de hoje (à sexta-feira), publicarei uma sugestão de leitura para o fim-de-semana, altura em que terão algum tempo livre. Peço que não levem a mal este meu atrevimento ao dizer como podem ou não gastar os poucos momentos de lazer, porque já vos vou explicar o motivo para fazer esta conversa toda. 

Sei muito bem que esta ideia não é das mais originais, mas julgo que poderá, a seu tempo, funcionar. Espero.

Assim, e fazendo juz à expressão "grão a grão enche a galinha o papo", pretendo que a sugestão de leitura funcione como o grão que pouco a pouco irá fazer a diferença. Ler é muito importante, não se esqueçam disso, e há tantos géneros e tantos livros que é impossível que não encontrarem nada que vos agrade.

Então o que esta cabecinha pensadora andou para aqui a congeminar relaciona-se com uma das minhas leituras. No "Fahreheit 451", de Ray Bradbury, que se passa no futuro, os livros são proibidos e quem os possui é queimado juntamente com eles. As opiniões são consideradas antissociais e o pensamento crítico é eliminado.Ora, este romance distópico teve várias interpretações, mas Bradbury declarou que "Fahreinht 451" não é sobre a censura mas sobre a forma como a televisão destrói o interesse pela leitura.

Chegados aqui, já devem ter percebido todo o meu arrazoado inicial, tudo se resume ao seguinte: deixem a televisão, as novas tecncologias e leiam; é necessário aumentar a criatividade e promover a capacidade de crítica.

Pensar de forma diferente faz parte do ser humano, caso contrário seremos, como no romance, suprimidos.

Quereis que a inteligência artificial vença? Ou que uma Sophia vos substitua um dia? [e já agora, vocês já reparam que o nome significa Sabedoria?!].

 

Pensem nisto e comentem aqui.

 

Bom fim-de-semana e boas leituras.

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 * Livro já lido, sem opinião escrita (ainda) aqui no blogue.

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Andei desaparecida do mundo dos blogs por uma razão muito forte, uma vez que sentia uma vontade enorme de voltar ao entusiasmo inicial. Reinventar, como escrevi neste post, não é, a meu ver, escrever sobre o mesmo, é começar de novo e voltar a fazer tudo o que tem sentido, para mim, e, sobretudo, respeitar a minha individualidade.

Estive perdida. Refugiei-me nos livros. Sim, é já um hábito. Entretanto, o tempo em que estive ausente permitiu-me refletir sobre o que me leva a manter por aqui. Tive assim uma espécie de flashback em que percebi que o problema não é o blog. Estive quase para desistir e depois quase para começar outro blog. Todos os dias pensava, desisto, começo ou mudo o ritmo dos post´s ! Mas a conclusão era sempre a mesma: tenho de continuar a escrever sobre livros. 

Para entenderem o meu dilema preciso de vos contar a história desde o início. Então é assim: a ideia de criar um blog partiu de uma conversa com uma colega de trabalho. A meio dessa conversa ela disse: Se gostas tanto de ler e falar sobre livros porque é que não crias um blog? Não me lembro exatamente qual foi a minha resposta, porém, encarei esta pergunta/observação com apreensão. Enquanto capricorniana com os pés assentes na terra, pareceu-me que existiria, na pergunta, um duplo sentido, qualquer coisa entre "é para me calar" e "julgam que não sou capaz". Eu, dada a verdadeiras prédicas sobre o livro A ou B, não podia desistir de falar sobre o que mais gosto, ora essa! Nem podia dar o braço a torcer quanto ao facto de que blogs percebia népias!!! Agora, o que foi decisivo, e que funcionou como uma espécie de ignição, foi ouvir que "isso é para jovens e que uma mãe não escreve em blogs"!!! Eu, Edite Maria, virei uma espécie de defensora da causa das mulheres que não se ficam atrás só porque sim. Isso é que era bom de ver! Posso errar e aprender com isso. Toda a minha vida foi assim - e está para nascer quem me diga o que posso ou não fazer. 

Portanto, voltando ao que me trouxe aqui inicialmente, gostaria de continuar a escrever sobre livros e sobre os meus pensamentos. Foram eles que me guiaram. São eles que demonstram quem sou e a minha vontade resiliente de aprender. Li algures que "Diz o que lês e dir-te-ei quem és", o que é certo, mas eu contraponho "Diz o que dizem os teus livros e encontrarás um sentido para um pensamento igual a ti próprio ".

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Quem nunca se esqueceu de um determinado livro que despertou a atenção e apenas se lembra da cor da capa?

É precisamente a pensar nos leitores mais "distraídos" que, na Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, se encontram expostos vários livros de acordo com a cor da capa.

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Não acham uma ideia fantástica? E não são tão coloridas?

Por acaso, só mesmo por acaso, querem saber quem é que é distraído? Acho que não são nada os leitores (que até se lembram da cor da capa) e sim o senhor que se segue.... 

 

 

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Como sabem, as crianças são muito curiosas. E quando surge a fase dos porquês, oh, lá, lá? É um sem fim de perguntas, não é? Essa fase ocorre por volta dos 2-3 anos, dizem os pediatras, mas aqui em casa já dura há nove anos (seis para ser mais precisa) e chego a pensar que preciso de ter um dicionário à mão (ou o telemóvel ligado para ir discretamente ao google, vá). As mães não sabem tudo e quem acha que sabe não se deparou com perguntas difíceis ou com reações inesperadas. Não sei se concordam comigo ou se já tiveram dias menos bons, mas peço que compreendam o meu sentimento de frustração quando ao fim do dia, por vezes já totalmente de rastos, oiço perguntas atrás de perguntas ao inves do tão desejado silêncio. 

Como já referi, o meu filho ainda está na idade dos porquês. Tudo lhe desperta a atenção, pelo que anda sempre à procura de situações ou de contextos para mais uma revoada de perguntas. Garanto-vos que nem sempre consigo ter a resposta certa na ponta da língua e que, geralmente, fico com a impressão de que poderia ter dado uma explicação melhor.

Para ilustrar a nossa última conversa, arranjei uma pequena BD com a pergunta que ele me fez, com a minha resposta e com a confusão que se gerou.  Desta vez, chorei de tanto rir.

Ai, a inocência das crianças...

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[Agradeço o enorme privilégio que o autor me concedeu através da generosa oferta do livro]

 

 

Desde miúda que oiço falar de histórias sobre África e lembro-me perfeitamente das conversas do meu pai e do meu tio quando recordam o tempo da guerra colonial e de quando estiveram em Angola e Moçambique. De tanto os ouvir, acho que se agarrou à minha alma o espanto por essa terra de contrastes. E este livro recordou-me um pouco essas histórias e sobretudo esse mundo de mistérios, crenças, cores, cheiros e sons da fauna, que têm tanto de terrível como de maravilhoso.

 

Em "O Perfume da Savana", o autor conta-nos uma história de um grande amor, "um amor incomensurável só comparado à vastidão que o rodeia", numa época em que África era ainda uma colónia portuguesa e em que a falta de chuva afetava (e afeta) a terra, as pessoas e os animais.

 

Para Daniel, não foi o feitiçeiro nem a chuva e sim o destino que lhe trouxe um perfume irresistível na mulher perfeita: Isabel. Ela é casada e tem uma filha, mas só com Daniel descobre o amor, algo que ainda não tinha conhecido antes. 

 

Acompanhei esta história de amor com algum receio, não só pela trama, mas também pelo facto de a ação se desenrolar na savana cheia de vida. À noite ouvem-se os leões, o casquinar das hienas, e de dia veêm-se os leões, os jacarés e as pacaças [que desconhecia].

 

Adorei a envolvência da natureza e da fauna, bem como de todos personagens, incluindo o Dibó, a Clarinha e a Zeza. Ademais, a escrita é cheia de pormenores e proporciona uma "viagem" a um tempo em que "não há televisão, fax, computador, vídeo, DVD, telemóvel, nada". Já se imaginaram no meio da selva sem nenhum tipo de tecnologia? 

 

Eis mais uma história de África que me fica na memória!

 

Classificação: 4/5

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Opinião:Ultimamente, ando sem inspiração e isso reflete-se aqui no blogue. Na realidade, gostaria que os post´s que escrevo fossem diferentes e, de tanto tentar que assim seja, acabo por falhar miseravelmente.

A indecisão é um bicho que come as palavras. Ler deveria bastar-me e as letras não deveriam fugir. Ao contrário, vivo isolada e prisioneira de ideias sem filtros. Vivo e leio. Acordo e sonho. E é este o dualismo que me prende as mãos e que não me deixa  teclar livremente as ideias! Raios.

 

Depois deste desabafo, nada melhor do que falar de um escritor talentoso. A minha disposição melhora consideravelmente sempre que indico a leitura d´" A verdade sobre o caso Harry Quebert", pois é o meu livro preferido de Joël Dicker. Gostei tanto do escritor que resolvi que tinha de ler mais e avancei com "O Livro dos Baltimore" e depois para  "Os Últimos Dias dos Nossos Pais".

 

"Os últimos dias dos nossos pais" é sobre uma história de agentes secretos. Paul-Émile, Pal, é um jovem que decide partir para Londres a fim de ingressar na Resistência. Aí, torna-se membro das Forças Especiais, numa espécie de agente secreto e é impedido de ver o pai, a quem é tão dedicado.

 

Um romance que se passa na Segunda Guerra Mundial e que prima por ser diferente, pois destaca os sentimentos das personagens e as relações de amizade (e amor)  entre eles. Apelando ao que faz de nós seres humanos, o autor revela de forma exímia os defeitos e as qualidades numa época em que o mais pequeno erro pode custar a vida de alguém que é muito próximo.

Classificação: 4/5

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Sinopse:aqui.

Opinião:  Quando soube que a Magda me ia enviar este livro, pelo correio, fiquei em polvorosa. As leis fazem parte do meu trabalho, do meu dia-a-dia e as expetativas eram mais do que muitas. 

 

Então, começando pelo Mike Papantonio, o autor é advogado num dos maiores escritórios de advocacia da América (o Levin Papantónio) e resolveu escrever este livro inspirando-se em factos verídicos. É desse conhecimento que surge a história do advogado Nicholas Deketomis. O primeiro caso é o de Annica, uma jovem de de 19 anos que sofreu um acidente vascular cerebral após tomar uma pílula contracetiva. Inicia-se um medir de forças entre uma grande farmacêutica e um advogado que quer defender a vida de inocentes. Evitar novas vítimas é a sua prioridade máxima, porém terá de lidar com forças poderosas que não olham a meios, os chamados "danos colaterais", para atingir os seus fins lucrativos.


Os julgamentos de crimes (contra a vida, o ambiente e saúde pública) e os meandros do próprio sistema judicial americano são assuntos que me prendem a atenção. Já vi vários filmes (tratando-se do tema ambiente veio-me logo à cabeça o filme «Erin Brokovitch»), já li vários livros com julgamentos (ainda não vos disse que o meu preferido é o «Sete Minutos», de Irving Wallace?) e vou continuar a ver e a ler, mais e mais.
 
No início, referi que as expetativas eram altas. E eram. Porém, ter um termo de comparação também não ajuda - e eleva a fasquia. Esperava ação, muita ação, e debates, arrebatadores, entre a acusação e a defesa. Não esperava, de todo, ficar a saber a facilidade com que, no sistema judicial americano, se iliba alguém da morte de uma pessoa através do descrédito "moral" da testemunha chave, sem direito a novo julgamento.
Lei & Corrupção possui uma escrita simples, algo "cinematográfica", que se lê rapidamente. Eu esperava mais dos personagens e da história, o que não quer dizer que não venham a ler e a gostar (como a Magda ).
 
Classificação: 3/5

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Este é um daqueles livros que ou se gosta ou se detesta, e digo isto porque fiquei com essa percepção depois de ter lido as críticas no goodreads. Mas adiante.

 

Quando requisitei este livro, na biblioteca, não sabia quem era a jornalista Anabela Natário, mas já tinha ouvido falar da história de Diogo Alves, do assassino do Aqueduto das Águas Livres, e da sua cabeça decepada guardada em formol para futuros estudos. Pareceu-me interessante e trouxe-o convencida de que o assunto eram as mortes ocorridas no Aqueduto. Mas Diogo Alves além de assassino era ainda ladrão e aterrorizou Lisboa da primeira metade do século XIX . Ao seu lado, tinha um bando de ladrões que vivam de assaltos, roubos, bebida e mulheres, e a sua amante, a Parreirinha (Gertrudes Maria), que era uma mulher que o apoiava em tudo. 

 

Voltando ao que referi anteriormente, uma das críticas apontadas à escritora no goodreads prende-se com o estilo de escrita da autora, porém, tenho de discordar dessa opinião, uma vez que algumas das expressões são as usadas naquela época. Talvez por já ter lido vários clássicos não estranhei a escrita e a leitura fluiu muito naturalmente.

 

O romance tem mistério e intriga q.b. e a jornalista fez um óptimo trabalho de pesquisa, consultando os jornais da época e os processos judiciais. 

Acho que é um romance histórico fora do habitual e o facto de ser baseado em factos verídicos é a minha cereja no topo do bolo. Eu adorei.

 
 
Classificação: 5/5
 
 

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