Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



 

 

livro 2.jpg

 

Jane Eye, numa tarde fria e húmida de novembro, lê no assento da janela por detrás das cortinas vermelhas em Gateshead, a casa dos seus parentes, os Reeds. É assim que o romance começa, ou seja, com esta cena e com o conflito provocatório do primo, John Reed. John é a imagem do filho mimado, violento e malcriado. Jane é  a orfã pobre, de aparência modesta, que não se intimida perante as ameças de John e os castigos da tia. Perante isto, com 10 anos de idade, Jane não tem amigos. Os livros são o seu único refúgio e alimentam a sua imaginação. Desde o início do romance até ao final, Jane lê vários livros. Ela acredita que isso lhe trará a educação que permitirá a independência e uma melhoria da sua posição na sociedade. E com toda a razão. Será em Lowood que ela aprenderá a desenhar e uma profissão que lhe permitirá ganhar o seu sustento sem ajudas de ninguém. É ou não uma mulher insubmissa e muito à frente do seu tempo?

Ao contrário da vida calma de Jane, Edward Farfaix Rochester teve uma vida desregrada, apaixonando-se por várias mulheres. Assim, quando ele conhece Jane, planea mudar o seu estilo de vida, mas terá muito que penar até conseguir os seus intentos.

Embora já conhecesse a história voltei a ficar surpreendida, sobretudo com a resiliência de Jane, uma simples mulher, que acaba por aceitar o amor na adversidade, mais uma vez demonstrando a sua coragem e determinação.

Esta leitura despertou alguns sentimentos novos. Lembro-me da primeira leitura, de sentir indignação com as atitudes da tia e do primo e de sentir muita tristeza pela maneira como ocorreu a morte da sua melhor amiga [quem leu sabe a que me estou a referir]. Já na releitura, senti várias vezes um sentimento de irritação. Na verdade, já não me recordava bem de Mr. Rochester e não o achei lá muito romântico.

Jane é, para mim, uma personagem que fica na memória. O que a torna forte são os seus princípios e, embora ela não se considere bonita, são estes, as suas qualidades inteletuais e a força interior que a tornam encantadora ao longo de toda a história.
E vocês, qual foi a personagem que gostaram mais?

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ao contrário do provérbio original, durante o mês de março não existiram tardes de Verão. A chuva tão necessária começou a aborrecer e só apetecia sair e andar a passear por aí. Paciência (de jovem, como dizia a minha filha quando era pequena). Enfim, já que não podemos regular o tempo, podemos ao menos escolher a companhia. E almoçar com pessoas. E comer comidinha saudável. E ficar a olhar para duas fatias enormes de bolo, um de chocolate e outro igualmente apetitoso (não é Claúdia?), e sentir um enorme desconsolo. Pois. Não estão a perceber nada. Eh, eis o senão desse dia. Já vou contar.

20960669_gvDC7.jpeg

 

Esta fotografiia foi tirada pela Sandra, do blog Say Hello To My Books, no último  encontro do Clube dos Clássicos Vivos, que se realizou no passado dia 17 de março, no Forúm Tivoli. Somos giras, não acham?

Como o encontro era de tarde, almoçamos primeiro num restaurante vegetariano, pequeno e muito simpático, chamado "Arco Íris", que fica na Avenida da Liberdade (não se fiem pois o meu sentido de orientação não é grande coisa). Durante o almoço a conversa foi animada (e não falamos só de livros, okay?),porém nada faria prever o meu "desgosto". O drama e o horror apossaram-se de mim quando pensei que tinha acabado de trincar uma pedra. O que é que se tinha passado? Pois. O que se passou foi que a prótese dentária provisória caiu...Entretanto, disfarcei o máximo que consegui e perdi o apetite (até para comer bolo, o que não é normal em mim). Nesse momento, não sabia qual seria o aspeto, que julguei que estaria muito próximo de uma bruxa desdentada com uma cratera, e permaneci em silêncio.Lá me refiz do choque inicial e pensei: deixo isto aqui ou levo à dentista??? Acho que fiquei catatónica perante o dilema pertinente (e que fez a minha dentista rir com gosto) e encerrei o assunto da melhor forma que soube, dizendo para mim própria: deixa lá isso, se ninguém disser nada é porque não é tão mau como pensas (e não era!).

O resto do dia correu muito bem e em ótima companhia. Rimos, falamos, fizemos barulho.

Mas perguntam vocês: e o livro, não falaram do livro? Pois falamos bastante sobre a Jane Eyre e o Mr. Rochester, essa paixão que dividiu opiniões. Será que Mr. Rochester era o mau da "fita"?

 Hum. Acho que vou ter de deixar para um post sobre o livro...  

 

Já agora uma curiosidade: Vocês sabiam que Charlotte Brontë gastou o primeiro dinheiro que recebeu com o livro "Jane Eyre" no dentista? 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)





Mensagens