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A minha opinião: Clara Sánchez foi professora de literatura, colaboradora do jornal El País e publicou o seu primeiro livro em 1989. Em 2000 recebeu o Prémio Nadal, o prémio mais antigo de Espanha, pelo romance “Lo que esconde tu nombre”, ou, na versão portuguesa, “Os Monstros Também Amam”.  

Este livro é um claro exemplo de que nada o que parece é - uma alusão à vida, à morte e aos nossos medos mais secretos, aqueles que se encontram aprisionados (ou não) nas nossas mentes. Esse facto leva-me a deduzir que o arame farpado, que surge na capa, não estará ali por mero acaso. Toda a realidade é apenas o que nós procuramos ver e por detrás dela escondem-se até os mais ignóbeis criminosos (os quais já deixaram de existir na face da terra, espero).  

"A solidão também é liberdade"

"Na minha balança, o ódio pesava muito, mas, graças a Deus, o amor também pesava; embora, lamentavelmente, e tenho de o confessar, o ódio tivesse roubado muito espaço ao amor".

"A inocência era um milagre mais frágil do que a neve"

No que diz respeito à história, os dois personagens principais, que vão, alternadamente, narrando os acontecimentos, são totalmente opostos. Temos Júlian, octogenário e doente, que viaja de Buenos Aires para El Tosalet, em Alicante, após receber uma carta do seu amigo, Salva, na qual relata que aí se encontra um casal de noruegueses nazis. Ambos estiveram no campo de concentração Mauthausen e dedicaram-se à caça de oficiais nazis, no pós guerra. Sandra, jovem e grávida, deixou o namorado, Santi, para ficar sozinha na casa da irmã a pensar na sua vida e, após se sentir mal na praia, ela é socorrida pelo tal casal de noruegueses de que Júlian anda à procura. A certa altura conhecem-se e esta dupla irá investigar esse casal, o Fred e a Karin, surgindo ainda mais figuras ligadas a esse passado e às atrocidades, eles que “vivem, e bem que vivem”. A certa altura também é explorada a possibilidade de existir um elixir da juventude, um segredo que os nazis sempre procuraram e que Alice esconde.

Em poucas palavras é o que se nos oferece revelar sobre o enredo. A destacar a relação de amizade entre Júlian e Sandra como uma amizade improvável entre quem teve a experiência de passar pelos campos de concentração e quer justiça e quem parece ingénua e algo superficial, especialmente quando pensa no dinheiro e na possibilidade de vir a herdar os bens do casal que a acolhe, sem descortinar as segundas intenções daqueles. Na realidade sabemos que muitos dos criminosos nazis se esconderam e viveram até à velhice sem que tenham sido punidos pelos seus atos atrozes contra seres humanos. E estou-me a lembrar, por exemplo, do Anjo da Morte, o nazista e médico Joseph Mengele, que fez experiências médicas hediondas e que, segundo consta, após a guerra, viveu na Argentina, no Paraguai e no Brasil.

Houve alturas que não consegui parar de ler e, talvez por procurar que ninguém saisse impune, a única coisa que me desapontou foi mesmo o final. É que tenho um sentido de justiça muito apurado, entendem, embora saiba de antemão que esse sentimento não se coaduna com a prática corrente.

Em suma, quem procura um thriller não se irá rever nesta história, não é disso que se trata, mas o leitor mais atento descobrirá que vale a pena ler (e pensar) sobre a forma como viveram os nazis no pós-guerra. Fala-se muito do holocausto. Pouco no que se passou a seguir. E esta história revela um pouco dessa realidade. Mas mais importante ainda é a história de uma amizade improvável forjada por ironia do destino; muito bem escrita e diferente do habitual. Eu adorei e recomendo.

 

Classificação: 4,5 /5*

 

 

livro oferecido pela matéria prima edições para opinião

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ResumoMais do que querer provar que a vida continua depois da morte, o objectivo é explorar como se estabelece a comunicação ente os vivos e os mortos. Este livro mudou a vida do autor. Talvez também mude a sua.

Opinião: Este livro é sobre um tema que muitos procuram esquecer e poucos ousam refletir, não sei se por desconhecimento ou se por receio. Como leitora ávida de assuntos relacionados com a religião e de histórias sobre quem comunica com o além, ou não tivesse lido Alan Kardec e outros livros que abordam o tema da espiritualidade, embarquei, com alguma bagagem, numa experiência única. 

Lê-lo é como dar pequenos passos e percorrer um caminho de espanto perante as experiências de vida dos médiuns, os sentimentos, impressões e imagens que lhes são transmitidas, a eles, sem que, no caso, tenham sido feito leituras corporais ou fornecidas quaisquer pistas.

O autor, Stéphane Allix, deixou de ser repórter de guerra após a morte do irmão num acidente de carro. Cerca de 12 anos depois, coloca cinco objetos no caixão do pai e, um ano depois, interrogará seis médiuns de forma a que o pai comunique com ele e lhe diga quais são.

"Cada um dos seis médiuns descreveu-me a mesma pessoa, porque esta pessoa está viva (…). Estamos eternamente ligados".

Este teste ou experiência revela-se um verdadeiro jogo de pictonary, uma vez que os médiuns desconhecem completamente qual o objetivo, possuem pouca informação e, nas sessões, aparecem o avô, o irmão e um irmão do avô, que é desconhecido na família do autor.  

Já todos sentimos arrepios inexplicáveis, uma sensação que nos deixa desconfortáveis. Geralmente, o assunto da vida depois da morte poderá ter esse efeito. Mas já pensaram que não sabemos as respostas a todas as perguntas nem o que estamos a fazer neste planeta? Não gostariam de saber? As nossas crenças, ou a ausência delas, não impedem que cada um de nós desenvolva a capacidade para percecionar o que permanece inacessível aos nossos sentidos?  A esta última pergunta respondo com um sim. Vivemos presos ao que acreditamos e ao que nos foi transmitido.

Nesta leitura, gostei muito da médium Christelle, a qual conseguiu conjugar o seu dom com a sua profissão de auxiliar de enfermagem. Ela ouve os mortos e ajuda-os, indo ao encontro do que eles lhe pedem para fazer e ou transmitir. Fascinou-me conhecer a vida destes seis médiuns, desde o momento em que tomam consciência das suas capacidades, geralmente em crianças, até a altura em que abandonam as suas profissões (com exceção da Christelle) para se dedicarem inteiramente à sua missão.

Depois de ter lido vários livros sobre o tema sinto que cada vez mais não podemos ignorar algo que faz parte da nossa essência. No entanto, A Prova não fornece detalhes sobre o Além. Fala antes dos espíritos, daqueles que geralmente permanecem num determinado lugar junto dos vivos, enquanto almas que precisam de ajuda, de luz e de amor. E relata  bem a necessidade de compreender melhor a partida dos que nos são queridos.

"Desde a morte do meu irmão – seu filho -, o meu pai pensava nisso constantemente e oscilava entre esperança e resignação. Não dizia muito, mas, durante os momentos que falávamos, sentia o sofrimento, a dor e a tristeza que a dúvida que o habitava a cada segundo representava. Parecia prisioneiro, dilacerado entre sensações contrárias. E os livros cuja leitura eu lhe sugeria não demonstravam fazer vacilar de forma duradoura a que ele chamava, com uma triste coragem, a «muralha imensa da bruma»".

Este livro ajuda a libertarem-se das amarras do materialismo e da «muralha imensa da bruma», e a compreenderem a capacidade de comunicação dos mortos, bem como a importância da mediunidade no processo de luto. 

Quer sejam meros curiosos ou realmente interessados no tema, recomendo esta leitura para que não sejam enganados, nem apanhados desprevenidos. A sério. Este livro é fascinante.

 

Classificação: 5/5*

Livro oferecido pelo clube do autor para opinião,

 

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SINOPSE: Quando o meu pai morreu, coloquei quatro objetos no seu caixão. Não falei do assunto a ninguém. Depois interroguei médiuns que dizem comunicar com os mortos. Irão eles descobrir de que objetos se trata? 
 
Cerca de um ano depois, o autor contactou vários médiuns a quem propôs que participassem numa experiência. Stéphane Allix queria saber se o pai lhe falava dos objetos escondidos. O resultado deste teste é extraordinário. Seja cético ou crente, ninguém ficará indiferente ao testemunho deste jornalista. 
 
Várias investigações científicas permitem afirmar que a existência depois da morte é hoje mais do que uma hipótese sólida. Este livro pretende contribuir para o debate, trazendo resultados indiscutíveis. Apesar de se centrar no relato de experiências com médiuns, Allix faz um alerta importante a todos os que enfrentam uma perda: é preciso deixar os mortos seguir o seu caminho. O sofrimento atenua-se quando fazemos o luto, que consiste em aprender a viver com a ausência. 
 
Mais do que querer provar que a vida continua depois da morte, o objetivo é explorar como se estabelece a comunicação entre os vivos e os mortos. Stéphane Allix é claro: este livro mudou a sua vida. Talvez mude a sua também.
 
 
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