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Quando era pequena adorava coser a roupa para as minhas bonecas e tinha a secreta aspiração de vir a tornar-me estilista. Eram tempos em que tudo parecia possível de alcançar, mas, a realidade era outra. Nunca aprendi costura a sério, nem tinha jeitinho nenhum para isso. Cheguei a pedir a uma tia, que fazia costura para fora, para  me ensinar. Ela procurava pequenos pedaços de tecido para eu aprender a cozer à máquina, mas não sei porquê aquela porcaria encravava sempre. Embora contrariada, por ser vencida pela agulha apressada da máquina, tive de desistir. Mas com uma agulha na mão lá conseguia fazer vários pontos e até ponto de cruz, o que me entretinha durante horas!

 

Já Sira Quiroga aprende desde cedo (e bem) o que são prespontos, a alinhavar e tudo o que se relaciona com a costura. A sua mãe trabalha no atelier da D. Manuela e é modista. Embora sejam pobres existe uma ligação especial entre mãe e filha.

Sira apercebe-se da riqueza existente nas casa das clientes onde vai fazer as entregas e, ao sentir-se deslumbrada por uma vida boémia e desafogada, irá envolver-se com a pessoa errada. É nesta parte da história que fiquei dececionada com Sira. Julguei que era mais esperta e perspicaz. Julguei que ninguém a conseguiria enganar ou que pelo menos ouvisse a mãe.

 

Repreedeu-me com as censuras mais contudentes que conseguiu trazer à boca. Chamou aos céus, suplicando  a intervenção de todos os santos, e tentou convencer-me com dezenas de argumentos a fazer marcha atrás nos meus propósitos. Quando verificou que nada daquilo servia, sentou-se na cadeira de baloiço ao lado da do meu avô, tapou a cara e pôs-se a chorar.

 

O livro «O tempo entre costuras», de 620 páginas, tem um pouco de história (da guerra civil espanhola e da Segunda Guerra Mundial), locais interessantes, espionagem, personagens bem construídos e momentos de mistério, como este:

 

Um homem. Sozinho. Um homem sozinho cujo rosto não consegui distinguir entre as sombras. Um homem qualquer que nunca me teria chamado a atenção se não tivesse vestida uma gabardina clara com a gola levantada, idêntica à do indivíduo que me seguia havia mais de uma semana. Um homem de gabardina de gola levantada que, a julgar pela direção do seu olhar, mais do que no enredo cinematográfico, estava interessado em mim.

 

 Este livro tem ainda mulheres fortes. As várias personagens femininas são diferentes e interessantes. Gostei da Dolores, da Candelaria, da Jamila, da Rosalinda Fox, da Beatriz Oliveira, de todas elas, porque resistem às adversidades à sua maneira. 

 

CLASSIFICAÇÃO:

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O que é que não gostei, perguntam vocês, para dar 4 estrelas? Eu não gostei do final.

O que foi aquilo?!

 

 

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14 comentários

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De A rapariga do autocarro a 04.02.2019 às 10:05

Adoro estes livros que retratam épocas históricas!
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De Edite a 04.02.2019 às 21:38

Também gosto muito. Dentro deste tema, o da espionagem na Segunda Guerra Mundial , "O Diz-me quem tu és",  da Júlia Navarro, é o meu preferido. Já leste esse?



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De A rapariga do autocarro a 05.02.2019 às 10:44

Ainda não, mas não é que está na estante das lamentações à espera duma oportunidade!!! Assim que acabar Jane Eyre vou-me a ele.
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De Sofia Gonçalves a 04.02.2019 às 13:50

Eu tenho este por ler mas tenho a série da Netflix a meio. E por acaso a mim também foi mesmo isso que me desilidiu, como ela facilmente ficou viciada na pessoa errada e vendeu a sua alma por assim dizer.
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De Edite a 04.02.2019 às 21:33

Nessa parte foi uma grande desilusão. 
Depois torci por ela e para que tudo corresse bem.
Beijinhos e obrigada pela visita. 
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De Os Piruças a 04.02.2019 às 16:12

Recebi este livro no natal por parte de uma grande amiga minha que é professora de espanhol. Disse-me que tem a minha cara para além de ser de uma autora espanhola. Confesso que não me chamou ainda muito a atenção para ler, mas depois da tua partilha senti-me tentada! hehe 
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De Edite a 04.02.2019 às 21:11

Olá.


A sua amiga tem toda a razão, especialmente se gostar de romances históricos. Espero que goste e que partilhe a sua opinião. 



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De Bárbara Ferreira a 05.02.2019 às 10:25

Comprei este à minha mãe no natal e também o quero ler :) a minha avó era costureira e ensinou-me algumas coisas em pequena... mas também nunca tive grande jeito.
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De Edite a 06.02.2019 às 20:10

Somos duas
Estas memórias da infância são sempre tesourinhos que lembramos de vez em quando.
O livro é bom, se puderes lê. É um romance histórico com mulheres fortes, algumas um bocadinho peculiares, mas, para mim, é  isso que o torna interessante; isso, a espionagem, o momento histórico e o facto de uma parte se passar em Portugal, no tempo de Salazar. 
Lisboa era um verdadeiro antro de espiões nessa época


Beijinhos
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De HD a 05.02.2019 às 21:20

620 páginas... malibre!!! :-D
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De Edite a 06.02.2019 às 20:03

Com medo de calhamaços, HD?
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De HD a 06.02.2019 às 20:23

Sempre :-D
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De Fernanda Barbosa a 10.03.2019 às 11:37

Olá, bom dia, é primeira vez que visito o blog e achei-o bastante interessante. Ler multiplica a vida por mil... Apenas um reparo: coser roupa; cozer batatas. Votos de muito sucesso e boas leituras.
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De Edite a 10.03.2019 às 23:13

Obrigada. É bom saber que gosta do blog. 
Agradeço ainda o reparo, uma vez que não tinha dado conta (e já alterei).
Boas leituras.



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