Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Questão atroz

21.10.16
 


Quando, na força das palavras não ditas, surge a insatisfação inútil?

 Eis a desdita tristeza que se apressa numa lágrima fútil.

Já nada ocupa o seu ser, a não ser uma espécie de doença,
cinzenta, em forma de questão. Quan-do,
nestas sílabas silencia a atenção
que dedica à lembrança das noites com voz ciciada em macia tentação.
Vira o mundo e desmaia
a expressão (do rosto), mas esforça
a mente na procura de um resquício da noite inconfidente
e agora atravessa demente
a desabitada areia da praia,
onde as ondas engomaram e enrolaram a escravidão.
O mar, traiçoeiro, havia chegado perto da areia e baralhado em água a emoção.
Havia chegado, ainda, o vento desleal e, bem veloz, O momento atroz.
Acorda  para o tempo verbal das palavras e contempla
as suas pegadas cinzentas demarcadas,
entretanto,arrastadas
pelo Mar, pela Vida epela insidiosa Pergunta:
QUANDO?
 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Quando não encontro inspiração, procuro viver um dia de cada vez.

Sem pressa. Apenas um dia de cada vez.

Mais rapidamente morria o vento que tentou soprar a fugaz

Dificuldade de concentração. Procuro sonhar um pouco.

Sem pressa. Apenas um sonho de cada vez.

Um dia alcançarei a palavra mais longínqua da memória.

Sem pressa. Apenas uma palavra de cada vez.

Um dia voarei para o mais recôndito infinito do tempo.

Sem pressa. Apenas um voo de cada vez.

Desaparecerei e rastejarei a ilusão daquilo que fui.

Sem pressa. Apenas uma ilusão de cada vez.

 

Procurei viver sem inspiração, desde quando?!

Autoria e outros dados (tags, etc)

O tempo

03.10.16

Este tempo (in)certo
pode provocar (in)certezas.
É que não podemos perder tempo
ou ter tempo para surpresas.

É que não podemos
ganhar tempo ou perder .
É que não há tempo,
sem tempo para viver.

Algum tempo,
é viver um pouco.
Não aproveitar o tempo,
é ser louco.

Mas o meu
tempo é teu,
Como o teu,
É meu também...

Não, não é de mais ninguém.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Controlamos a energia e moldamos um instante,
um minuto descontrolado do pensador, do ser pensante.
Não há alternativa.
Questiona a realidade.
Nesse momento, sério, descarnado e sem piedade,
amassa a persistência insistente sem idade.
NADA nos surpreende,
NADA  acalma a imensidão
da imaginação
apressada e sem saída.
Questiona tudo.
Questionar é procurar,
É sentir sempre mais,
com força, apesar
de acordar
no lugar errado.
Questiona sempre e
nada fará parar
o pensamento.
NADA, e vence,
e sente o descontentamento,
NADA, e forma as frases de amor. 
Procuramos viver em função de
ser e não ser,
alegre e infeliz,
só e apaixonado.
Dicotomia à altura das palavras,
que são como sementes
que temos de sabercultivar,
que são como plantas
que temos de saber regar.
Exacerba o sentimento
e nada, nada em palavras;
NADA  na merujinha de ideias parvas;
NADA na chuva molha-tolos;
e origina uma morrinha ocular. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quase Nada

25.09.16

O amor
é a vida frágil, sensível,
de um coração palpitante
cheio de  palavras sentimentais.

É a doce fantasia
do Eterno,
é Tudo,
mas efémero.

Em cinzas,
sem chama ou
sem felicidade.

Pode reacender
Um pouco, mas
Às vezes,
Quase Nada.




Autoria e outros dados (tags, etc)

Pontuar
Faz pensar
e paralisar
a criatividade
Ser livre e
Escrever sem forma
como entender
Sem stress
sem pausas
Quereis respirar
Respirai quando vos apetecer
Sou livre de pontuar
O que quiser
mesmo sem ar
Quero saramagar
um pouco mais
A felicidade de saber
que posso pontuar
as palavras
mais tarde
agora
ou nunca
Sim NUNCA

Autoria e outros dados (tags, etc)

Não és do Bem

21.09.16
Sempre sorrindo,
Escondes a avareza.
Sempre polida,
pela grandeza.
Sempre sorrindo,
escondes a tristeza.
Mal de nós
Ter tal exemplo.
Não és do Bem,
Nem por dentro.

Imagem do Codex Seraphinianus



Autoria e outros dados (tags, etc)

Acorda

20.09.16

Acorda, desse sonho.
Força a alma que,
entre o céu e a terra,
estremece,
desacerta,
e projeta
o nosso corpo.
Força o ser
Que não sabe ser
mas precisa de
Viver e...
ups,
estou aqui
de novo.


Autoria e outros dados (tags, etc)

In memorium

16.09.16
O sorriso sincero,
aberto,
desperto,
com humor
 no olhar.
Alma pura,
é certo, e com
amor
para dar.

És a estrela:

Brilhante,
Rica,
Una,
Nobre e
Ofuscante.


Autoria e outros dados (tags, etc)

Adagio

13.09.16

Ela viu o seu semblante,
Ficou a pensar um pouco.
Às vezes, é enervante
Olhar para o outro.

Não compreender,
Não entender,
Os sentimentos
Despertos.

À flor da pele.
Fica sem perceber
Que os olhos abertos
Estão a perder
O sentimento.

Profundo,
É o momento,
É a imensidão,
È a velocidade...

do bater do coração
livre para amar.


Autoria e outros dados (tags, etc)

Canção

12.09.16
Na canção dos meus sonhos
Vela a alegria de uma suave melodia,
sincera, destemida e pura,
e em harmonia.
Embalada pelas notas,
espanto as mágoas
e a alma fria em mim.

Na canção dos meus sonhos,
a ausência é preenchida
por cada uma das palavras,
mornas e distantes.
Adormeço ao som da vida,
apenas e só.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um novo dia

08.09.16
O piano toca uma melodia límpida .
Ouço, à distância, junto de mim.
Para me acordar, para me levar além.
Todos os dias recomeço e morro um pouco.
Para me acordar, para me levar além.
O mundo está nas minhas mãos
como o nascer de um novo dia.

Autoria e outros dados (tags, etc)

promessas

07.09.16

palavra ocas e sem discernimento
palavras vãs e sem entendimento
nada mais do que palavras
correntes inexoráveis
de ar ao vento
correntes a mais
no pensamento.

penso em promessas
como palavras
idóneas e libertas
penso no ideal
e quando serão (re)descobertas.


Autoria e outros dados (tags, etc)

No computador

02.09.16
As horas lentas passam ao lado do meu computador
Teclo, furiosamente, à espera de uma novidade
Novas horas, desalento, à espera da verdade
Em ansiedade sacrifico o coração e sinto dor.
Não sem antes pensar na vida com criatividade.
Saltos, pulos, danças, rodopios, fico tonta, não tenhoidade.
O tempo arrasta-se pela casa e pela cidade.
Automóveis, autocarros, bicicletas, em velocidade.
A força das palavras à espera de uma oportunidade.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Evidência

01.09.16
É por demais evidente
A evidência do prazer
das compras, do ócio ou do lazer.
Ou do exibicionismo na internet.
É por demais evidente
Quem vive contente
A evidência do prazer
De evidenciar e comentar.
Dizer mal ou dizer bem.
Ser ingénuo a esse ponto
é um prazer.
Nós somos o prato e a
Sobremesa de quem gere milhões
e que vive com prazer
à custa de quem conta os tostões.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Poema avariado

29.08.16
Algo se passa neste lugar
hilariante
Ah, quem disse que não gosto do riso
contagiante?
A frescura nas palavras
inquietante?
Ou que alcança um significado
hesitante?
Algo se passa neste lugar
O poema avariado revela num
instante:
Riso.


Autoria e outros dados (tags, etc)

O que pesa em mim?
Serão as esmagadoras toneladas opressoras
e agressivas incertezas sobre o peito?
Sem o ar, o que respiro?
Numa amálgama de preces conjuntas
Com o tempo no altar
Ouso, na tempestade das emoções,
Pedir um sacrifício:
O sossego de livremente
respirar com calma.
Quando não desejo
Viver na turbulência
da alma
Sem o ar, o que respiro?
Embotado ensejo
Com falta de oxigenação
Questiono as singulares
circunstâncias
Em que o calor queimou
A possibilidade de qualquer meditação
Circunspecta providência
Teimosia aleivosia
Desígnio absoluto
Sempre em contradição.
Só que não posso viver sem ar
Nem alimentar a fogueira
Que queima a possibilidade
De obter alguma serenidade.



Imagem do Codex Seraphinianus

Autoria e outros dados (tags, etc)

Voa bem alto!

22.08.16
Tudo o que te ensinaram, acreditas,
Não duvidas e aceitas.
O dogma..
Não ousas contrariar e desesperas.
Nas palavras escritas pelo homem
Desesperas e aceitas em contradição.
Lutar com todas as forças
Desde o berço a ouvir a palavra não
Implica desesperar e chorar de frustação.
O espírito é energia sem limites
É alma e sangue
É tudo o que precisas.
Transcende o corpo e voa bem alto!
Nem a sabedoria milenar chinesa
Acata outra solução.


Autoria e outros dados (tags, etc)


Estrada abaixo
Sempre a descer
Equilibrando
O corpo
Sem saber.
O vento na cara
Na roupa um vendaval
Segue desabrida,
A bicicleta.
Segue perdida,
A rapariga.
Esquece a liberdade,
Esquece a vida
Ou que muitas mulheres
Sofrem
Em cárceres, 
Em chagas,
Em ferida,
Na alma e no corpo.
Já a rapariga leve, leviana e livre
Seguia perdida
Equilibrando a bicicleta 
E a doce ilusão.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Num Verão já longínquo
Esperava o passar do tempo
Calmo e sereno
Cheio de suavidade.
Não pesavam os anos
Nem a idade.
Nessas tardes idílicas
Vivia aventuras cheias de ação
Mergulhada nos livros
Num bater lento
mas acelerado do coração.
Que saudades dos cheiros
Do calor no chão
Pois, na braseira intensa
Cheia de emoção
Mergulhava nos cheiros,
nos livros e no Verão.
Propositadamente (ou não)
Apenas volta o calor
Num bater acelerado
Da razão.
Não penses voltar
O tempo gira
Tu não!

Autoria e outros dados (tags, etc)


foto do autor



Arquivo



Mensagens