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Terra Ferida, de Clare Leslie Hall

por editepf, em 17.09.25

20250908_092051 (1).pngAo ler Terra Ferida, senti-me completamente envolvida pela história de Beth e Frank. À primeira vista, parece um casamento perfeito, mas rapidamente percebi que segredos do passado estão prestes a abalar tudo. Quando Jimmy dispara contra o cão que invade a quinta — o mesmo que pertencia a Gabriel Wolfe, o primeiro amor de Beth — percebi que a vida de todos mudaria para sempre.

O regresso de Gabriel, acompanhado pelo filho Leo, trouxe à tona memórias e dores que pensei que Beth já tivesse superado. Foi impossível não sentir o peso das antigas paixões, ciúmes e escolhas que moldaram o presente da protagonista. Cada capítulo fez-me refletir sobre como os segredos e decisões do passado nos acompanham e influenciam quem nos tornamos.

Adorei a forma como Clare Leslie Hall equilibra emoção, tensão e introspeção. Senti cada personagem de forma real e intensa, e a narrativa fez-me questionar escolhas e arrependimentos que, muitas vezes, nos definem.

Recomendo este livro a quem gosta de romances que exploram profundamente as emoções humanas, os segredos do passado e as consequências das nossas decisões.

E tu, se estivesses no lugar de Beth, que caminho escolherias?

A palavra que morde

por editepf, em 15.09.25

Escrevi porque me estava a desfazer por dentro. Não em poesia, mas em cortes cegos.Cada parágrafo era um soco, cada frase uma acusação. Chamaram-me agressiva. Não sabiam que aquilo era o que restava quando se arranca a pele e se escreve com os nervos.

Coisas ruins, de João Zamith

por editepf, em 08.09.25

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Este livro surpreendeu-me.

A morte do patriarca Henrique Viaforte abala a família, mas rapidamente percebemos que o enredo vai muito além do drama familiar. O autor constrói uma narrativa onde o sobrenatural português se cruza com uma forte crítica social: a forma como os ricos acumulam poder e fortuna, à custa da obediência e subserviência dos mais pobres.

A escrita é intensa e profundamente enraizada na nossa cultura, com referências a tradições e crenças que lhe dão autenticidade. Não o senti como um livro de horror, mas como uma reflexão sobre o peso da fé, do misticismo e da desigualdade social. A leitura foi ainda mais rica porque já tinha lido Memórias de um Exorcista do padre Gabriel Amorth - a quem o autor faz uma breve referência nesta história. 

O final foi intenso e coerente, fechando a narrativa de forma a dar sentido a todo o percurso. 

É sem dúvida uma estreia sólida, que está ao nível de qualquer autor estrangeiro, e que desperta a curiosidade sobre o que mais este autor tem para nos contar.

Gostei muito e recomendo a quem aprecia histórias que combinam mistério, sobrenatural, tradição popular e reflexão social.

 E tu, já leste Coisas Ruins? 

Entrada 2— O Aspirador que é uma autêntica fada do lar

Diário de um gato cínico que pergunta tudo à IA

por editepf, em 29.08.25

Gato: “IA, como desativar o aspirador robô que me persegue?”
IA: “Carrega no botão OFF.”
Gato: “Obrigada, génio. Agora explica-me como se não tenho polegares.”

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Uma Árvore no Céu de Brooklyn, de Betty Smith, é um daqueles romances que nos tocam pela simplicidade e, ao mesmo tempo, pela profundidade. Transporta-nos para o início do século XX, no bairro de Williamsburg, em Brooklyn, onde a vida é marcada pela pobreza, mas também pela persistência e pela esperança.

Acompanhamos Francie Nolan, uma jovem sensível, sonhadora e atenta ao que a rodeia. É através dos livros e da imaginação que encontra refúgio para escapar às dificuldades do quotidiano, alimentando a sua vontade de aprender e de sonhar com um futuro melhor. Francie não é apenas uma personagem, é quase um espelho de todas as crianças que crescem em ambientes duros, mas que, ainda assim, conseguem ver beleza e possibilidade no mundo.

Ao seu lado, estão figuras que enriquecem a narrativa e lhe dão profundidade emocional: Katie, a mãe prática e determinada, que carrega nos ombros o peso da sobrevivência da família; Johnny, o pai encantador e sonhador, mas fragilizado pelas suas próprias limitações; e Neeley, o irmão, que partilha com Francie tanto os desafios como os pequenos momentos de ternura. Juntos, constroem um retrato vivo de como a família, apesar de todas as adversidades, é um pilar essencial de força e esperança.

O que torna este romance inesquecível é a forma como nos mostra que, mesmo nos cenários mais difíceis, existe sempre espaço para acreditar, para sonhar e para criar um caminho diferente. O desfecho, longe de ser um ponto final, abre uma janela para o futuro de Francie e deixa-nos com a vontade de continuar a acompanhá-la, de saber para onde a levarão os seus sonhos e a sua resiliência.

Gostei imenso desta leitura e recomendo vivamente. Tal como a árvore que cresce entre o cimento, também Francie nos prova que é possível resistir e acreditar.

E vocês, já leram? Que impressões vos deixou a história de Francie Nolan?

 

 

Summer moods # 6- Brisa

por editepf, em 28.08.25

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Ir ler para um banco de jardim? Claro, parece saído de Pinterest: sol a bater na perfeição, passarinhos a ensaiar ópera e aquela brisa digna de anúncio de televisão.
A realidade? Sentei-me num bloco de cimento gelado, com o vento a tentar colar o cabelo à cara como se isso fosse ajudar o meu mood de leitura.E a cereja no topo do bolo? O banco exibia orgulhosamente uma palavra obscena, pintada a spray em letras gordas, como quem diz: “Bem-vindo à experiência literária hardcore.”
Conclusão: Ler no jardim? Só se for versão extrema — vento, cimento e palavrões incluídos.
E vocês, arriscavam-se a ler assim ou ficam pelo sofá seguro de casa?

Entrada 1 — O Gato vs a IA

Diário de um gato cínico que pergunta tudo à IA

por editepf, em 27.08.25

Hoje ouvi os humanos falar da tal “IA” e do tal "ChatGPT." Eu também sou uma espécie de ChatGPT — Gato Pessoal e Teimoso.

Diferenças?

  • Responde em segundos. Eu só quando quero.
  • Muitas opções? Eu dou duas: “ignorar” ou “arranhar”.
  • Sempre online? Eu durmo 16 horas por dia.

A IA pode fazer muito… mas nunca me vai dominar!

 

O diário do gato está de volta...

e chama-se «O diário de um gato cínico que pergunta tudo à IA»

por editepf, em 27.08.25

Às vezes as ideias são recicláveis e não há mal nenhum nisso. Hoje posso perfeitamente ir buscar uma ideia às antigas Línguas de Gato  e fazer com que surja uma nova versão: mais cínica, mais atual e (espero) ainda mais divertida.

Se não gostarem, comentem.
Se gostarem… comentem também.

 

Manifesto da vida de uma mulher

por editepf, em 26.08.25

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Criaram-me um guião de vida: sorrir, ser útil, engolir. Como resposta, resolvi escrever um conto que era sobre uma mulher e esta explodia numa repartição pública e ninguém reparava. Depois explodia outra, e outra. A cidade seguia igual, como se corpos não tivessem caído. Chamaram-lhe distópico. Eu chamei-lhe realista. 

 

 

Os Bastardos de Hitler, de Francisco Ramalheira, não é apenas sobre a guerra. É sobre o que veio depois: crianças órfãs, memórias dolorosas e a luta por reconstruir vidas. Falamos tanto do Holocausto e da crueldade nazi, mas raramente olhamos para o que veio depois, especialmente para as crianças órfãs. 

Confesso que desconhecia muitos destes pormenores; a leitura começou por ser difícil, mas não conseguia parar de avançar. O autor revela histórias que merecem ser lembradas.

No Covil, encontramos Hanna, Lewi, Wa, Gábor, Abi, Marianne… e até o Ranhoso. Crianças marcadas pelo trauma, mas também capazes de ternura, amizade e resiliência. São personagens tão reais que nos apetece abraçá-las e proteger cada uma. A cena de Waclaw ficará comigo durante muito tempo.

A escrita equilibra história e emoção, transportando-nos para uma época sombria com uma leveza inesperada. Aqui não há necessidade de grandes vilões: a guerra e a sobrevivência já são cruéis o suficiente. O foco está na bondade que persiste, no amor fraterno como salvação e na esperança que insiste em florescer.

O final é comovente e vem lembrar-nos que, mesmo após a maior tragédia, há espaço para o amor e para a vida.

Uma leitura dura, mas cheia de amor e bondade. Um livro que nos faz refletir e, sobretudo, sentir.

Já conhecias este lado menos explorado da Segunda Guerra Mundial?  


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