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No dia 8 de junho, realizou-se o primeiro encontro do "Clube de Leitura Livros & C.a"., pelas 15h:00, na Biblioteca Municipal Afonso Lopes de Vieira, em Leiria.

Conversamos sobre os livros que lemos (na fotografia) e sobre biblioterapia. 

Os livros são remédios para a alma, não acham?

Em geral, todos lemos porque nos dá prazer.

Podemos, então, referir várias formas de prazer, nomeadamente:

Estético -quando o livro está bem escrito;

Inteletual - quando adquirimos conhecimentos e aprendemos algo;

Emocional - quando sentimos que somos envolvidos pela história e pelos personagens;

Ético ou moral -quando o autor coloca assuntos que são do nosso interesse.

 

Todos já tivemos a experiência de, num determinado livro muito conceituado, não conseguirmos ler ou terminar a história. E não gostamos porque não nos dá prazer. No entanto, através do texto literário poderá processar-se um libertar de emoções, pela identificação com as personagens. Este processo realizado através da leitura favorece a reflexão e um maior autoconhecimento.Inconscientemente, os leitores poderão ser biblioterapeutas de si próprios.

 

Mas de onde surgiu o termo biblioterapia?

Surgiu do idioma grego, Biblion, que se refere a qualquer material que possibilita o ato da leitura; Therapien, algo que lembra terapia, a qual envolve processos de cura e recuperação.

Resulta, deste modo, a ideia de que a biblioterapia se trata de uma terapia através dos livros.

A biblioterapia começou no século XIX. Porém, desde a Idade Média e Medieval que as bibliotecas tinham inscrições de estímulo à leitura, uma vez que eram considerados como remédios para a alma.

 

A biblioterapia consiste na atividade que, através da leitura de livros, individualmente ou em grupo, tem o objetivo (preventivo e terapêutico) de ajudar o leitor (em qualquer idade) ao nível da saúde mental, bem como no desenvolvimento pessoal.

 

A biblioterapia implica quatro fases:

1) Identificação - as pessoas de todas as idades estabelecem ligações com as personagens;

2) Catarse – o leitor acompanha o personagem num desafio ou situação complexa que posteriormente se resolve;

3) Discernimento – nesta fase é aplicada a experiência da personagem à experiência de cada leitor;

4) Universalização – os leitores poderão ainda experimentar uma quarta fase, em que se estabelece uma ligação entre o que aconteceu no livro e a vida.

 

“Seja qual for a forma como os leitores fazem seu um livro, o resultado é que esse livro e o leitor se tornam um só. O mundo que o livro é, devora-o o leitor, que é uma letra no texto do mundo; assim se cria uma metáfora circular para o caráter interminável da leitura. Nós somos aquilo que lemos. O processo através do qual o círculo se completa não é, como defendeu Whitman, apenas intelectual; lemos intelectualmente a um nível superficial, apreendendo certos sentidos e conscientes de certos factos, mas, ao mesmo tempo, invisível e inconscientemente, o texto e o leitor entrelaçam-se, criando novos níveis de sentido, de forma que, de cada vez que extraímos alguma coisa do texto ao ingeri-lo, nasce simultaneamente algo nele que ainda não apreendemos”.

 

Alberto Manguel (In: Uma História da Leitura, 1996)

 

Ler contribui para que sejamos, sem dúvida, mais felizes; basta encontrar o livro certo para cada leitor.

 

 

 

 





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