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Pensamentos - 2

31.01.19

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- Em tempos de incerteza, todos precisamos de orientação - expliquei, sentido-me muito sábia, nesse momento. Depois argumentei que a autoajuda era a filosofia dos tempos modernos, mencionando Aristóteles e Sócrates, apesar de não ter lido nada deles.

 

Help me! - Marianne Power

Chove.

30.01.19

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Chove. Que fiz eu da vida?

Fiz o que ela fez de mim...

De pensada, mal vivida...

Triste de quem é assim!




Numa angústia sem remédio

Tenho febre na alma, e, ao ser,

Tenho saudade, entre o tédio,

Só do que nunca quis ter...




Quem eu pudera ter sido,

Que é dele? Entre ódios pequenos

De mim, estou de mim partido.

Se ao menos chovesse menos!

 

 

Fernando Pessoa.

Poesias Inéditas (1930-1935). 

 

Imagem retirada da net.

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Este mês comprei três livros com 50 % desconto. Por coincidência (ou não) são livros escritos por mulheres e a única que conheço é Nicole Krauss, em "A História do Amor".  Quando li este livro fiquei encantada com a sua escrita e, depois de uma pesquisa, surpreendou-me o facto de esta ser casada com Jonathan Safran Foer, escritor de "Extraordinariamente Alto Incrivelmente Perto", que tinha lido algum tempo antes. Recordo-me que na altura me interroguei como seria a vida de um casal de escritores, se seriam felizes com os sucessos de cada um ou se isso não traria alguns atritos, tal como acontece com os atores e as atrizes, aliás como acontece em qualquer profissão em que ambos os conjugues trabalhem no mesmo ou lado a lado. São coisas que me passam pela cabeça, é certo, porque a vida é a vida e, quer se queira quer ou não, acontece a todos nós, e também a grandes escritores. 

 

Relativamente aos outros dois livros, não pesquisei nada, mas ouvi falar neles em blogs e nas redes sociais, pelo que espero que não me desapontem. Ainda que assim seja, vale sempre a pena conhecer novas escritoras.

 

Já me disseram que compro livros por comprar, que tenho muitos livros para ler e ainda que, a continuar assim, não vou conseguir ler tudo. Eu sorrio e não respondo.Contudo penso, que os livros e os pensamentos andam sempre juntos, e o que penso é muito simples:

Compro porque sim, porque posso e porque me apetece e sobretudo porque os livros não são interesseiros nem nos abandonam quando mais precisamos.

#livrosamaisnaoexiste

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Sempre fui muito observadora. Em miúda diziam que tinha olhos grandes, o que nem sempre era um elogio. Talvez por ser muito tímida e calada os meus olhos fossem intimidantes, não sei, o que me recordo foi que tinha uma enorme curiosidade por tudo o que me rodeava. E assim que tive a minha primeira máquina fotográfica comecei logo a tirar imensas fotografias. Infelizmente, os rolos e a revelação eram muito caros, pelo que tive de conter (e muito) os meus dotes artísticos recém descobertos. Eram tempos diferentes, sem tecnologias. Podia gostar de fotografia, mas depressa comprendi que tinha livros para ler e matérias para estudar e fui esquecendo o assunto.

 

Tanto a fotografia como os livros ficaram uns tempos relegados para segundo plano. Os estudos avançaram e na faculdade não tinha tempo para mais nada. Depois vieram os tempos em que, apesar de licenciada, era difícil arranjar trabalho, e depois ainda os filhos. Feitas as contas, demorei cerca de 15 anos a retomar onde tinha ficado.

 

Esta introdução já vai longa e o que eu quero transmitir é que de futuro vou fazer o que gosto e sempre com a mente aberta a novas descobertas, seja de uma fotografia a um livro ou a uma paisagem, seja ao que for. Claro que há sempre uma história por detrás, pois sou apenas uma mera amadora e isso nota-se.

 

Por exemplo, quando estava a tirar fotografias ao livro "A Grande Solidão" estava um senhor a fumar um cigarro eletrónico e a olhar para mim. Deve ter pensado que eu era uma maluquinha dos livros, o que até nem é descabido, mas ignorei e continuei.

[Os meus olhos grandes continuam muito ativos].

 

No fim de contas, vamos lá a raciocinar sobre o assunto, é estranho tirar fotografias ou fumar um cigarro eletrónico? O que acham?

 

 

 

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1974, Alasca.
Uma família decide um novo começo.
O pai, Ernest Allbright regressa da Guerra do Vietnam, mas é um homem diferente.
Com apenas 13 anos, a filha, Leni ou Lenora, está ansiosa por encontrar o seu lugar no mundo.
A mãe, Cora, está disposta a tudo pelo homem que ama, mesmo que isso signifique segui-lo numa aventura no desconhecido. 
 

Kristian Hannah já me consquistou, primeiro com O Rouxinol, agora com esta grande história. As personagens e o cenário estão tão bem construidos que consegui visualizar e sentir tudo.

Na minha humilde opinião, esta capacidade de escrita de Kristin não é fácil de encontrar, uma vez que só alguns conseguem gerar uma envolvência tal que queremos ler tudo de uma assentada. E li - de manhã no carro, antes de ir para o trabalho, depois do almoço, antes de voltar para o trabalho, à tarde, depois de regressar do trabalho, e à noite, depois do jantar feito pelo marido.

Estive totalmente ausente para a vida, alheada de tudo e de todos e, para ser sincera, foi difícil, em certos momentos, deixar o livro fechado. É este o poder das grandes histórias, não acham?

 

É certo que é mais uma história, mas está tão bem contada que demorei algum tempo a pegar noutro livro. Não é que sentisse que precisava de saber mais sobre as personagens, nada disso, apenas fiquei completamente agarrada à Leni. Estive do lado dela, desde os 13 anos até à idade adulta, e entendi todas as dores de crescimento e todos os sentimentos relativamente ao que se passava à sua volta.

 

Leni tinha medo de ficar e tinha medo de sair. Era estranho - estúpido até -, mas muitas vezes sentia-se a única adulta da família, como se fosse o lastro que mantinha o instável barco Albright equilibrado.

 

A Grande Solidão é como chamam ao Alasca, esse lugar que tem tanto de belo como de selvagem e perigoso, e onde as noites não têm fim durante o Inverno.

Sobreviver ao  Inverno é importante e Leni e Cora têm de aprender a viver e a serem fortes, unindo-as o amor incondicional entre mãe e filha. E os verdadeiros amigos alasquianos vão ajudar e trocam bens e alimentos de forma a terem comida suficiente.

 

Este estado, este lugar, não tem igual. É beleza e horror; salvador e destruidor. Aqui, onde a sobrevivência é uma escolha que tem de ser feita e refeita, no lugar mais selvagem da América, na fronteira da civilização, onde a água, em todas as suas formas nos pode matar, aprendemos quem somos. Não quem sonhamos ser, não quem imaginamos ser; não quem fomos criados para ser. Tudo isso será desvastado nos meses de escuridão gelada, quando o gelo nas janelas nos turva a vista, o mundo fica mais pequeno e tropeçamos na verdade da nossa existência. Aprendemos o que devemos fazer para sobreviver.

 

O maior perigo está perto delas e é irritante (muito) e é assustador.

Há paixões que fazem mal.  

Espero que gostem de ler. Histórias como esta são um vício. Que livro, que livro!

Acho que vou querer ler todos os livros desta autora. 

 

 

CLASSIFICAÇÃO:

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Pensamentos - 1

23.01.19

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Os psicólogos evolucionistas são capazes de ter razão: se calhar os humanos desenvolveram-se demasiado. E o preço a pagar por sermos a primeira espécie com inteligência suficiente para ter plena consciência do cosmos pode muito bem ser a capacidade de sentirmos um universo inteiro de trevas a pesar sobre nós.

 

Razões para viver - Matt Haig

 

 

 

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O blog Livros de Vidro  nomeou-me para responder a uma TAG, portanto, esta nomeação deveria ter um nome, mas, como não sei a palavra correta, entre ser "tagada" e "etiquetada" optei pela primeira por ser a mais usada na blogosfera. Se por acaso conhecerem outra digam.

A finalidade da TAG é ficarmos conhecer melhor a blogger (outra palavra que veio para ficar), mas o melhor é lerem as minhas respostas e comentarem, se assim o entenderem. 

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1.Disciplina favorita no secundário?

Oh, meu Deus! Trinta e tal anos depois, será que me lembro disso? Acho que não tive nenhuma e se tive fui mudando de ideias consoante o professor que lecionava a disciplina. Portanto, lembro-me dos professores favoritos.

 

2.Consegues tocar com a língua no nariz?

Que raio de pergunta! Será que com isto pretende-se saber o tamanho da língua ou do nariz?! Ficou a ideia, no entanto, tenho de responder que é uma façanha que não me assiste, felizmente.

 

3.Rede social favorita?

Instagram e Facebook. Ambas têm vantagens e desvantagens, mas cada vez mais prefiro o Instagram.

 

4.O melhor da tua vida neste momento?

Saúde, família e livros. 

 

5.Cantas no chuveiro?

Não nem tenho tempo para isso. Depois há a questão de poupar na água.

 

6.Tens tatuagens?

Não. Não gosto.

 

7.Quantos países já visitaste?

Seis. Antes de morrer, gostava de ir a Itália, ao Brasil e a Inglaterra. Se for visitar só estes já posso morrer feliz.

 

8.Tens alguma alergia?

Tenho e não sei porquê surgem sempre na pele, desde manchas, borbulhas, pele seca, etc. Tudo o que é desagradável.

 

9.O que te assusta ao envelhecer?

Ir parar ao hospital e já não voltar a casa.

 

10.Gostavas de viver fora?

Adorava viver num país quente.

 

11.Quantos dias aguentarias em solitária?

Se tivesse livros comigo, acho que aguentaria muitos dias sem me chatear nadinha. 

 

12.Sabor preferido de chá?

Chá vermelho. 

 

13.O que está debaixo da tua cama?

Mais uma pergunta estranha. Nunca guardo nada debaixo da cama.

 

14.Algo que gostavas de ser dotado a fazer?

Saber o futuro.

 

15.Qual a primeira app que abres quando acordas?

O relógio do telemóvel para o desligar.

 

16.Tens medo de alturas?

Um bocado, sim.

 

17.És boa cozinheira?

No que aos bolos diz respeito, sim. Noutros cozinhados às vezes as coisas não correm tão bem.

 

18.Qual a tua forma favorita de passar o tempo?

Ler.

 

19.Tipo favorito de roupa?

Roupa simples, uma vez que não sou adepta de marcas.

 

20.Cor favorita?

Preto.

 

21.Atriz favorita?

Não tenho.

 

22.Os teus avós ainda estão casados?

Não tenho avós vivos.

 

23.Programa de televisão favorito.

Não tenho. Vejo televisão muito raramente.

 

24.Tipo de música favorita?

Não tenho. Gosto de quase todo o tipo de músicas.

 

25.Se pudesses fazer voluntariado o que farias?

No hospital.

 

26.Que problemas, hoje em dia, achas que são mais graves?

Os jovens não lerem livros. As livrarias fecharem. Os políticos. Os salários. A pobreza no mundo. A corrupção. E acho que poderia continuar a enumerar, mas fico por aqui.

 

27.De 1 a 10 como avalias a tua condução?

Um 9. 

 

28.Cardio ou pesos?

Zumba.

 

29.Se tivesses 1 ano de vida o que farias?

Talvez viajasse à procura de uma cura.

 

30.Se pudesses dar um conselho ao teu “eu mais novo” qual seria?

Para ter Calma.

 

31.Se pudesses salvar apenas um qual seria – Humanidade ou Planeta Terra?

Esta pergunta é ilógica. A humanidade irá destruir o Planeta Terra. Como humana nada posso fazer. A Humanidade junta, sim, poderá salvar o Planeta Terra.

 

32.Pepsi ou Coca-Cola?

Coca-cola zero. Mas bebo raramente.

 

33.Preferias ser um génio ou rico?

Se fosse um génio gostaria de descobrir a cura para o cancro. Se fosse rica gostaria de viajar e de conhecer o mundo. Portanto, não tenho preferência, porque são as duas válidas.

 

34.Skydive ou bungee jumping?

Nenhum. Tenho medo.

 

35.És uma pessoa de manhãs ou noites?

De manhã tenho sono e à noite também, logo, sou pessoa para gostar mais da parte da tarde.

 

E depois de responder a 35 perguntas, vou "tagar" alguém, mas sintam-se convidados a responder também. Portanto, nomeio: 

Magda Pais

Mula

Sofia

 

 

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Feliz dia de Reis!

Imagem daqui.

De acordo com o relatório anual do SAPO BLOGS, em 2018, os post´s mais visitados foram os seguintes:

 

História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar, de Luis Sepúlveda

O Vendedor de Passados, de José Eduardo Agualusa | Livro secreto # 2 |

O vermelho e o negro, de Stendhal

O gato preto, de Edgar Allan Poe

Um sentido para o blog.

15 livros para ler em 15 dias.

Anne dos Cabelos Ruivos, Lucy Maud Montgomery #5

1001 livros para ler antes de morrer, de Peter Boxall # Parte 1 - antes de 1800

A curiosidade literária...é muito forte!

Paris é uma festa, de Ernest Hemingway

 

Já agora, aproveito a oportunidade para agradecer aos comentadores mais assíduos, incluíndo a mim própria [I´m the number one, ahahah].

 

  1. Edite
  2. HD
  3. A rapariga do autocarro
  4. Chic'Ana
  5. Existe um Olhar
  6. Bruxa Mimi
  7. Fátima Bento
  8. Magda L Pais
  9. Sofia
  10. Maria Araújo

 

Muito obrigada, a todos, pelas palavras de incentivo e pelas visitas ao meu blog. Vocês são muito importantes para mim:).

 

As pessoas da equipa SAPO BLOGS e o seu trabalho também tem de ser reconhecido, mas, sinceramente, fiquei bastante tempo a olhar para esta imagem e a pensar no que querem dizer com esta estatística.

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Acho que os quilos ganhos pela equipa a ler posts sobre brunchs é a frase humorística mais acertada, porque os olhos também comem, não é?

 

E tiro outras ilações por demais evidentes de tão interessantes: além dos quilos a mais, vigiam-nos o tempo todo, tipo timeline do google maps, em que verificam se o blogger X ou y está acordado e de pijama enquanto passa horas a ler blogs e a olhar para o instagram. 

 

[Ok. Estou a exagerar, como sempre. Se alguém me conhece sabe bem que adoro tirar conclusões sui generis].

 

Portanto, a conclusão óbvia que retiro da estatística contida na imagem do relatório anual do Sapo blogs é a de que os bloggers passam a vida noite de pijama. 

 

 

À Nossa!

02.01.19

O Sapo destacou o post sobre Uma história com os livros lidos em 2018.

Para começar o ano estou inchada, literalmente, e nos dois sentidos possíveis:).

Sabem bem que foi um tempo de festas intermináveis e de conviver com os amigos e a família. 

Portanto, brindemos ao sapo e a mim, que faço anos hoje, com um chazinho.

À nossa!

Um Feliz 2019.

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Todos os anos faço um desafio que consiste em escrever uma história com os livros lidos durante o ano. Trata-se de um exercício que, pelo menos para mim, se tem revelado cada vez mais dificíl, porque depende, e muito, da quantidade e dos próprios títulos dos livros que li durante o ano inteiro.

 

Em 2016, escrevi sobre a avó Maria e, mesmo sendo uma história fictícia, houve quem perguntasse se o meu bisavô era farmacêutico.  No ano seguinte, em 2017, foi mais complicado delinear uma história com algum sentido, no entanto, ultrapassei o desafio com recurso a diálogos entre a Lucy e o João .

 

Durante o ano de 2018, não publiquei uma série de opiniões e, por isso, não há link´s associados aos livros lidos em 2018, como é habitual fazer. 

 

E lembrem-se do seguinte: difícil, difícil, é começar :)

 

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Naquele tempo distante, algures entre um monte e uma planície, a escuridão permitia esconder muita coisa. Sem eletricidade, sem todas as comodidades a que hoje estamos habituados, a vida corria ao sabor dos dias e da luz solar. O tempo era importante. A Noite era assustadora.E não só. As trovoadas eram medonhas. A chuva, essa, fazia fervilhar toda a vida na selva e exudava sons e cheiros por todo o lado. Assim que chovia sentia-se O Perfume da Savana.

 

Após uma noite dessas, de enorme tempestade, surgiu  O Tigre Branco e, à distância, numa pequena aldeia, julgaram ver um pedaço de Terra de Neve, tal era a sua brancura imaculada. Era um facto inusitado e de grande admiração. Todos os que residiam na aldeia se reuniram e pediram A Encomendação das Almas. Um dos habitantes tinha os olhos em bico (afinal, era de Kyoto) e confirmou que via exatamente a mesma coisa. Entretanto, os anciãos mais experientes foram ao Cemitério de Elefantes buscar a arma secreta, uma espécie de cruz em marfim a que atribuiam grande poder. Era apenas uma forma de acalmar os ânimos, porque, na realidade, eles sabiam que se tratava de um objeto que descobriram, após A Morte de Ivan Ilitch, junto dos pertences do estrangeiro que falava uma língua estranha. Era um sujeito, muito pálido e magro, que chegou à aldeia apenas com uma cruz em marfim e dois livros: Os livros do final da tua vida e A Paixão de Jaine Eyre

 

As mulheres da aldeia tinham segredos que nunca ousariam revelar, por medo de serem mortas assim que pronunciassem as primeiras palavras. Ocultaram vários Pecados Santos no seu seio, incluindo os de uma jovem. Ela era filha do chefe e o seu pai mandou-a estudar na cidade. Foi aí que ela soube o que era o mundo e como eram os homens. Soube tudo, até demais, e apaixonou-se por um jovem que aderira à Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata. Mas logo, logo, tudo mudou, porque o jovem mentiu acerca das suas atividades. E foi a droga que transformou a história dessa jovem n´A História de uma Serva. Se o seu pai a visse agora não a reconheceria, pensava desesperada. Mas quis o destino que Um Homem Chamado Ove lhe estendesse a mão e a encaminhasse para um grupo de apoio, o qual usava uma terapia inspirada n´A vida secreta das abelhas. Essa terapia não era agressiva e possuia um procedimento baseado no Código D´Avintes que consistia em reunir várias terapeutas especializadas.

 

Quando se sentiu melhor e longe da escravidão da droga, a jovem, Verónica, pensou que estava na altura de regressar e embarcou no navio Maresia e Fortuna, levando consigo O Alienista do grupo. Ove, assim se chamava ele, estava farto do seu trabalho e ávido para descobrir outros continentes, mas nunca imaginou que teria de atravessar um Vasto Mar de Sargaços. Foi uma viagem difícil para ambos e quando desembarcaram cada um seguiu o seu caminho: a jovem em direção à terra natal e o alienista em direção ao hospital numa maca improvisada.

 

O pai viu Verónica chegar sozinha, sem bagagem, e questionou-a de imediato se já tinha terminado os estudos. Ela, coitada, disse que não, e o pai, furioso, respondeu Quero-te morta e enterrada no local onde foram sepultados os soldados d´O exército perdido. A filha ouviu tudo muito calada. Sentiu cada palavra como sendo justa, uma vez que desperdiçou todas as oportunidades de um futuro melhor. Ficou só. 

 

A Livraria Noite e Dia do Senhor Penumbra ficava perto do hospital e o Ove, quando se sentiu  melhor, resolveu passear. Quando ia a passar pela livraria olhou para a montra e viu um anúncio de oferta de emprego que veio mesmo a calhar. Não tinha lido muitos livros e estava longe de ser o emprego dos seus sonhos, porém, não podia desdenhar a hipótese de ganhar dinheiro para se poder sustentar. Depressa verificou que podia ler todo o santo dia, porque não havia clientes. Quanto ao Senhor Penumbra, nunca o chegou a ver pessoalmente e corria um boato de que ele era como o Frankenstein.

 

Na aldeia, os dias eram iguais, exceto para a Verónica. Ela limpava, fazia as camas, acendia o lume e todas as tarefas que pudessem ser úteis. Também cozinhou o seu famoso Arroz de Palma, que era muito apreciado. O seu pai nem tocou no prato, teimosamente convencido de que seria mais Um Castigo Exemplar. Acabou por sobrar para o Tim, um cãozinho vadio que apareceu a tempo de tal manjar. 

 

Já o Ove, enquanto lia À Espera no Centeio, de J. Sallinger, foi interrompido em plena luz do dia. Era o carteiro que veio entregar várias encomendas de clientes e uma carta misteriosa para si. Assim que ele saiu, Ove, não aguentando a curiosidade, abriu a carta de um tal Dr. Abelardo da Silva. Quase que caia e teve de se sentar. Na carta A avó pede desculpa por tudo o que o fez passar, principalmente na altura em que os seus pais faleceram, uma vez que foi habituada a não revelar os seus sentimentos em público. Ove continuou a ler a estranha carta lembrando-se que a sua avó costumava dizer muitas vezes que Uma mulher não chora. A avó tinha escrito aquela carta como uma espécie de Carta de amor aos mortos ou assim parecia, dado que falava muito do seu falecido avô, do tempo em que se conheceram, do primeiro beijo (com o qual se sentiu estar envolvida Nas Asas do Amor), bem como d´O Processo de divórcio, ocorrido anos mais tarde, quando ele a acusou de levar um´A vida secreta de uma mãe desmazelada.

Ele estava era cansado da vida de casado e queria dar A volta ao mundo em 80 dias, pensou Ove. Nada o fez demover dessa ideia.

 

Verónica continuava a ser desprezada pelo seu pai, mas ela decidiu que ele não a ia impedir de viver o que ela chamou de O meu ano mágico.

Verónica disse para os seus botões: Não vou ligar Às m#rdas que o meu pai diz.

O Despertar para o que a esperava nesse ano era  bem mais importante. 

 

Na livraria, Ove continuava sentado e  a reler a carta da avó. Aquele dia começava a parecer Uma Conspiração de Estúpidos.

Entretanto, entrou um senhor, alto e magro, de chapéu, que se identificou como sendo detetive. Estava a investigar O desaparecimento de Stephanie Mailer e, depois de mostrar uma fotografia, mencionou uma peça de teatro de Adão e Eva e ainda falou d´O Rouxinol. Não encontrando nenhuma pista, o detetive foi-se embora.

Ove tinha ouvido vagamente o detetive e nem deu conta da saída daquele. Ainda não estava em si. A carta de amor da avó possuia palavras poderosas e o estilo Contigo para Sempre pejado de Observações intímas permanecia uma revelação que abalou o mundo tal como ele o conhecia. O seu verdadeiro pai, o pai biológico, vivia num Arquipélago não muito longe dali. Era um chefe muito respeitado e possuia uma ascendência muito antiga. Era O filho de mil homens, considerad´O Estrangeiro .

Agora ele começava a perceber o porquê do seu avô ter abandonado a família e a avó. As Pequenas Grandes Mentiras são como novelos de lã, é só puxar por uma ponta que descobre-se tudo. Afinal, a avó mentiu?!

 

O poder ancestral de Shantaram influenciou geração após geração. As primeiras quinze vidas de Harry August, assim se chamava o pai de Ove, foram muito importantes para Ove descobrir a sua verdadeira vocação. Sempre gostara da agricultura e de um´A quinta dos animais, mas também se sentia fascinado pelas lendas de um tesouro n´O deserto dos Tártaros, mas, como o leitor sabe, acabou por ser alienista quando descobriu que tinha jeito para lidar com pessoas problemáticas.

A dúvida instalou-se nos seus pensamentos. O avô tinha razão para viajar pelo mundo fora e a avó não passava de uma mentirosa? Porque é que a avó não desfez todas as dúvidas na sua carta? Ao invés disso deixou um post scriptum enigmático: «P.S, Um de nós mente»?

 

Verónica decide Morrer, ou melhor fingir a sua morte. Estando à espera de um filho de Gaudi, um romance secreto que manteve com o seu professor de espanhol, surgiu como Pequenos fogos em todo o lado, no corpo, nas mãos e no seu peito, a ideia de fugir. Agarrou nos livros A Boneca Kokoschka, Ensina-me a voar sobre os telhados e Uma Senhora Nunca, e deles retirou várias notas em dinheiro, que tinha escondido entre as páginas.

 

Ove trabalhou durante 7 meses na livraria, mas desde a carta da avó nunca mais foi o mesmo. Ainda leu vários livros, leu O Fogo Será a Tua Casa, Os bebés de Auschwitz, O Canto das Sereias, porém, Help me!continha uma mensagem que lhe deixou o coração nas mãos. A mensagem iniciava com «Confesso ao Spark que o dinheiro para comprar a Livraria Noite e Dia foi roubado ao chefe da aldeia. Confesso ainda que na livraria existe dinheiro escondido num sítio secreto».

Ove tinha lido tudo o que havia para ler e nunca descobriu nada que pudesse conter dinheiro escondido. Que cena de doidos, pensou ele, primeiro a carta da avó, agora a mensagem misteriosa?!

 

Entretanto, a Verónica tinha saído da aldeia e foi para a cidade à procura do seu amigo Ove. Fingiu a sua morte com a ajuda das mulheres da aldeia, pois elas saberiam guardar o segredo. Não lhe faltavam agora Razões para viver uma vida nova. O seu filho iria nascer. Tinha poupado. Tinha trabalhado muito.

Na livraria, O carteiro de Pablo Neruda entrou com mais correio e, novamente, uma carta da avó de Ove vinda d´A ilha das Garças. Será que era desta que Ove iria saber a verdade?

 

Nesse preciso instante tocou a campainha e Ove olhou para ver quem seria aquela hora. Era Verónica. Com um bebé nos braços e um olhar determinado, Verónica encarou-o e disse:

-Olá, Ove. Sou a tua irmã e precisamos da tua ajuda!

 

FIM

 

 





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