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Este é um daqueles livros que ou se gosta ou se detesta, e digo isto porque fiquei com essa percepção depois de ter lido as críticas no goodreads. Mas adiante.

 

Quando requisitei este livro, na biblioteca, não sabia quem era a jornalista Anabela Natário, mas já tinha ouvido falar da história de Diogo Alves, do assassino do Aqueduto das Águas Livres, e da sua cabeça decepada guardada em formol para futuros estudos. Pareceu-me interessante e trouxe-o convencida de que o assunto eram as mortes ocorridas no Aqueduto. Mas Diogo Alves além de assassino era ainda ladrão e aterrorizou Lisboa da primeira metade do século XIX . Ao seu lado, tinha um bando de ladrões que vivam de assaltos, roubos, bebida e mulheres, e a sua amante, a Parreirinha (Gertrudes Maria), que era uma mulher que o apoiava em tudo. 

 

Voltando ao que referi anteriormente, uma das críticas apontadas à escritora no goodreads prende-se com o estilo de escrita da autora, porém, tenho de discordar dessa opinião, uma vez que algumas das expressões são as usadas naquela época. Talvez por já ter lido vários clássicos não estranhei a escrita e a leitura fluiu muito naturalmente.

 

O romance tem mistério e intriga q.b. e a jornalista fez um óptimo trabalho de pesquisa, consultando os jornais da época e os processos judiciais. 

Acho que é um romance histórico fora do habitual e o facto de ser baseado em factos verídicos é a minha cereja no topo do bolo. Eu adorei.

 
 
Classificação: 5/5
 
 

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Começando pelo início, pelo prefácio, Miguel Torga dirige-se ao leitor:

 

São horas de te receber no portaló da minha pequena Arca de Noé. Tens sido de uma constância tão espontânea e tão pura a visitá-la, que é preciso que me liberte do medo de parecer ufano da obra, e venha delicadamente cumprimentar-te uma vez ao menos. Não se pagam gentilezas com descortesias, e eu sou instintivamente grato e correcto (...).

 

És, pois, dono como eu deste livro, e, ao cumprimentar-te à entrada dele, nem pretendo sugerir-te que o leias com a luz da imaginação acesa, nem atrair o teu olhar para a penumbra da sua simbologia. Isso não é comigo, porque nenhuma árvore explica os seus frutos, embora goste que lhos comam.

 

Com estas palavras, Miguel Torga dá a conhecer a Arca de Noé, na qual o leitor irá embarcar. A leitura, essa é da total responsabilidade do leitor que é tão dono do livro como o autor. Vocês concordam?

 

Publicado em 1940, cada um dos catorze contos tem ou um animal ou um humano. Durante a leitura isso deixou-me bastante surpreendida, pois achei que as caraterísticas dos animais estavam bem próximas dos humanos. Já a história da mulher, a Madalena, é tão crua e realista!

 

O conto que mais gostei, tudo por culpa d´ A rapariga do autocarro, foi o do galo Tenório que: "Era um galo, e não cuidasse lá o senhor borra-botas do lado que, por ser novo, lhe havia de andar ao beija-mão toda a vida". Ai, o Tenório, fica na minha memória como sendo uma expressão para mais tarde lançar a alguém desprevenido (ahahah).

 

E vamos às curiosidades. Miguel Torga nasceu em Trás-os-Montes em 12 de Agosto de 1907 com o nome Adolfo Correia da Rocha e, em 1934, adoptou o pseudónimo Miguel Torga. Sabiam que “Torga” é uma urze, uma raiz que sobrevive e contribui para a sobrevivência das gentes nas serras transmontanas? E sabiam que Miguel Torga foi nomeado para o Prémio Nobel da Literatura?

 

Os “Bichos” é um livro secreto e tem feito uma viagem pelas casas e pelos correios deste país, mas espero que tenham gostado desta apresentação e espero ainda não ter revelado muito do seu conteúdo.

 

Classificação: 4/5.





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