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Juntei-me à Magda, à Just  e à Alexandra  no desafio que consiste em responder a 25 perguntas entre o dia 1 e 25 de dezembro, às 10h15, em cada um dos nossos blogs.

 

As perguntas:

  1. Que livro gostarias de ganhar no Natal.
  2. Um livro bastante desejado, e que superou todas as expectativas.
  3. Um livro com personagens com quem gostarias de passar a noite de Ano Novo.
  4. O livro que escolheste para ser a primeira leitura do próximo ano.
  5. Um livro onde adorarias passar o Natal
  6. Um livro com uma capa tão bonita que merecia estar exposto junto com a decoração de Natal
  7. O livro perfeito para ofereceres de presente a quem gostas, sem medo.
  8. Um livro que odiaste e que oferecerias para alguém de quem não gostas.
  9. A capa mais natalícia dos teus livros
  10. Escolhe três personagens que convidarias para passar a Consoada em tua casa. 
  11. Qual a personagem que, idealmente, cozinharia a ceia no dia 24 de Dezembro?
  12. Que personagem literária poderia ser o Pai Natal?
  13. Que livro não é de Natal mas achas que tem um clima natalício.
  14. Que livro é tão importante que gostarias de o colocar no lugar da estrela na árvore do natal.
  15. Está imenso frio. Que livro colocarias na fogueira para arder?
  16. Ofereceram-te um livro que odeias. Que livro é esse?
  17. Na TV só passam filmes de natal com cenas e mais cenas de casas debaixo da neve. A que personagem literária atirarias com uma bola de Neve?
  18. Que livro pretendes ler na época festiva?
  19. Com base na longa viagem que os reis magos fizeram sem saber o que iam encontrar pelo caminho, indica um livro leste sem saber a sinopse ou do que se tratava mas que adoraste
  20. A Árvore de Natal, antes de o ser, era também um símbolo do renascimento Indica-nos que livro, não importa o tempo quanto tempo passou, é teu preferido e que merece ser lido e relido.
  21. Que personagem merece ficar fora da lista de presentes do pai Natal porque se portou muito mal?
  22. Quero passar o natal com... Escolha o local fictício perfeito para passar essa época natalícia com o personagem perfeito.
  23. Natal tem tudo haver com nostalgia e sentimentos, qual é aquele livro que lhe traz todas essas sensações?
  24. Depois da ceia, estás com sono mas apetece-te ler.. que livro levezinho escolhes reler?
  25. Durante a noite escutas barulhos estranhos vindos da sala. Será o Pai Natal? O melhor é não arriscar e escondeste debaixo dos lençóis. Que livro também te dá arrepios?

 

Vamos espalhar o espírito do Natal a partir de amanhã?

Quem se junta a nós?

 

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Ao ler o título, a minha primeira impressão é a de que na palavra «tenho de» se retira uma obrigação. Por acaso, já me perguntei se «tenho de ler» e cheguei à conclusão que sim, pois é a ler que me conheço, é a ler que encontro as maravilhas musicais na conjugação das palavras, e é a ler que os pensamentos fluem constantemente entre as sinapses abandonadas pelas obrigações do trabalho e da rotina do dia-a-dia. Porém, hoje, enchi o peito de corajoso ar e expirei a vontade necessária para me preparar para esta pergunta difícil.

 

Ao desafio da Catarina Duarte do blogue (In)sensatez, respondo de forma imediata: «tenho de» escrever porque sim. [Claro que já estou de nervos em franja e a pensar em como seria melhor não pensar no assunto, até porque ninguém me pediu nada nem eu quero incomodar as pessoas quando ainda estou a dar pequenos passinhos de criança no que à escrita diz respeito].

 

No meu pensamento, surgiu um monólogo interior que troca impressões.

É muito estranho. Ora leiam:

 

Tenho de escrever, então?

Ah, pois, tenho de escrever porque senão não sabem a «resposta».

 

E faz sentido escrever e colocar por escrito os pensamentos que vivem fechados?

Sim, muito. Há o perigo de curto circuito no cérebro assim sobrecarregado.

 

Quando começaste a escrever?

Não me lembro do momento exato em que comecei a escrever estórias, mas recordo-me de as contar usando a minha imaginação. No sotão da minha infância tudo aparecia misturado, magia, princesas, tesouros escondidos, mistérios por desvendar e fantasmas. Tinha muito medo de fantasmas e dos quarenta ladrões de Ali baba!

 

Escrever afasta o medo, sentimentos e emoções?

Não creio. Acho que os ajuda a expulsar ou minimizar, dimuindo a sua intensidade. Colocar por palavras ajuda a clarificar as ideias e a colocar sob outra perspetiva algo que não vimos ou não refletimos.

 

É preciso ter imaginação para escrever?

Sem sombra de dúvida. Imaginação, criatividade e muita persistência, porque só a vontade não é suficiente. 

 

Achas que consegues escrever sempre que te apetece?

Quase sempre. Basta estar em silêncio. Sucede, porém, que o comando cerebral nem sempre tem pilhas e às vezes não dá. É normal e é aqui que entra a persistência. Nunca podemos desistir.

 

 

Este brainstorm interior levou-me à conclusão mais brilhante à face das terras lusitanas e que é esta:

Ao «tenho de escrever» acrescento o «sim» que, tal como num casamento, são os votos apropriados para quem quer ter a vida de escritor, e atendendo a que escrevo para me divertir acho que vou prolongar a fase do namoro por mais uns anos.

 

 

 

 

 

 

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Sinopse: aqui.

 

Opinião: Jeanne Kalogridis nasceu em 1954 na Florida, nos EUA. É conhecida pelos vários romances históricos e fantásticos.  A autora costuma escrever, também, sob o pseudónimo J. M. Dillard e das suas obras mais conhecidas destacam-se a série Star Trek e o Fugitivo (https://en.wikipedia.org/wiki/Jeanne_Kalogridis).

 

Quando resolvi trazer este livro da biblioteca não fazia ideia nenhuma sobre quem era a escritora nem sobre se o livro era bom ou não. Lembro-me de ter pensado que a capa era familiar e que o assunto parecia ser interessante ou não fosse sobre a família Bórgia conhecida pelas atrocidades e escândalos sexuais. Quem nunca ouviu falar no nome de Lucrécia Bórgia? Eu já e pelos piores motivos, claro.

 

Resumindo, a história passa-se no século XV. Sancha de Aragão casa com Jofre, um dos dos membros da família Bórgia. Ela é a personagem central da história, pelo que a narrativa é feita sob a sua perspetiva. Quando chega a Roma conhece Rodrigo (o Papa Alexandre VI), César, Juan e Lucrécia.

 

Tanta crueldade junta até parece mentira, no entanto, Kalogridis apresenta-nos o "terror Bórgia" e descreve-o ao mais ínfimo pormenor desde o incesto, adultério, assassínio, envenenamento, violação, etc. Nada os detém. 

Quanto às mulheres neste enredo, Sancha e Lucrécia, são ambas interessantes e completamente diferentes, porque enquanto uma é vítima dos homens a outra serve-se deles para atingir os seus objetivos. 

 

A narrativa prende, mas a história desta família é tão terrível que acho que não vai sair tão depressa da minha memória. Gostaria de ter gostado mais, mas, na minha opinião, o Papa deveria ser um representante do bem e não ser mau e depravado. Isto é tão válido para essa época como na atualidade, pelo que certo tipo de situações relacionadas com a Igreja continuam a ser vistas com o meu total desagrado.

 

Posto isto, aconselho a leitura para quem goste de ação, emoções fortes e de "vivenciar" certos factos da história, embora em parte ficionados pela escritora.

 
Classificação: 3/5

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Sinopse: aqui.

Opinião: Encontrando-me eu num “mundo entediante, chato, plano aborrecido, cheio de papéis, papeladas e outras burocracias…”, sinto que a ideia mágica de viver nos livros é a melhor de todas. Mas vamos primeiro a um breve resumo da história.

 

Neste pequeno conto, Afonso Cruz exibe uma escrita simples e ao mesmo tempo plena de significados na enternecedora história de Elias Bonfim, um jovem de 12 anos, que perdeu o pai, supostamente de um ataque cardíaco. Porém, Elias desconfia que o pai ficou preso num dos livros e que irá encontrá-lo. Depois de obter a  autorização da sua avó, Elias vai à biblioteca no sótão e permandece tardes inteiras embrenhado na leitura. Ele lê e segue as pistas nas anotações que o pai foi fazendo. 

 

Sabia que ali dentro, naquele sótão, estava tudo cheio de letras a fingirem-se de mortas, mas - sei muito bem- basta que passemos os olhos por elas para saltarem cheias de vida. 

 

Livro após livro cruzam-se histórias, reais e fictícias, e personagens onde todos se conhecem. Aqui somos agarrados pela ideia de que vivemos nos livros e tanto podemos visitar a A Ilha do Doutor Moreau de H. G. Wells, Fahrenheit 451 de Ray Bradbury, Crime e Castigo de Fiodor Dostoyevsky ou O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde de Robert Louis Stevenson. 

 

Há inúmeros lugares onde um ser humano se pode perder, mas não há nenhum tão complexo como uma biblioteca. Mesmo um livro solitário é um local capaz de nos fazer errar, capaz de nos fazer perder. Era nisto que eu pensava enquanto me sentava no sótão entre tantos livros.

 

 

A realidade e a ficção podem ser as melhores aliadas e é por isso que quando um livro termina sentimos um certo desapontamento. Queremos mais.E quando damos por ela estamos a reler o livro que acabamos na expetativa de prolongar o sentimento de bem estar. Passamos a pertencer à história e quase somos devorados por ela. 

 

Afonso Cruz é um homem feito de histórias e cativa-nos através das palavras.

Que pena que este livro não tenha tido outro desenvolvimento! 

 

 

Classificação: 4/5

 

 

 

Para quem quiser ouvir o escritor:

 

 

 

 

 

 

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Na vida há momentos, bons e maus, e silêncios significativos. E a propósito disto e da dieta de livros (aqui) entendo que podemos escolher os livros de acordo com o nosso estado de espírito, embora surjam alguns por acaso (oferta ou empréstimo).  Acabei mesmo agora de ler um livro secreto que me fez chorar. Sabendo que a vida é muito curta e que o nosso corpo é muito frágil, aconteceu devorar, por acaso, um livro com uma história triste quando me sentia triste. Acho que estraguei a minha dieta e já vos explico porquê.

 

O peso da leitura fez com que o meu corpo pesasse com quilos de emoções. Perdi algum líquido pelos cantos dos olhos, mas o espírito disse-me que continuasse a leitura para expurgar a massa gorda da vida. Tudo ao contrário. Ali fiquei prisioneira, e a vida continua igual assim como o índice de gordura visceral. Ai, estou gorda que nem um chícharo demolhado e pronto a ser cozinhado!

 

Apesar de parecer que toda esta história poderia ser evitada se escolhesse outro livro, desenganem-se. Às vezes é preciso escarafunchar a ferida para que esta cicatrize melhor. Às vezes a solidão permite viajar ao nosso interior e retirar o que é verdadeiramente importante. Às vezes os livros ajudam de formas estranhas e engordamos um pouco nas palavras cheias e nos pensamentos anafados de ideias novas.

 

Já não sei viver de outra forma e, em silêncio, oiço apenas o restolhar das folhas que vou virando, uma após outra. O silêncio. A vida. A tristeza e a solidão. Estão ali ao lado, mas digitalizo mentalmente para que a memória não seja denegrida.

 

A minha dieta é uma opção e deve ser seguida com moderação. Apenas recomendo que leiam o que sentem e sintam o que leem.

É essa a melhor experiência.

 

 

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Demorei um pouco mais a colocar as minhas leituras em dia no blogue e por isso só agora consegui fazer um balanço do ano de 2017 em relação ao Livro Secreto do blogue da MJ . Tem sido uma iniciativa fantástica e em que todos os meses tenho a sensação que vou receber um presente.

 

Em fevereiro de 2017, iniciou-se a 2.ª edição desta inciativa, estamos quase a fazer um ano desta troca de livros, e verifico que o tempo tem passado muito rápido! 

 

O meu livro Em teu ventre, de José Luís Peixoto, não tem tido muita adesão. Acredito que gostos são gostos e que, além disso, não é fácil ler sempre com a mesma disposição, especialmente quando a temática é forte ou algo aborrecida. Mas não tem mal nenhum. A troca de livros é, precisamente, para conhecer livros que de outra forma não iriamos ler. Soa um pouco a cliché mas é bem verdade!

 

Já li 8 livros: O Diário Oculto de Nora Rute, O vendedor de passadosPalestinaO velho e o marEmigrantesObrigada pelas recordaçõesA outra metade de mim e Os Olhos de Ana Marta. Gostei de ler todos e não desisti de leitura de nenhum. Estou surpreendida comigo própria e satisfeita com os resultados positivos.No entanto, os meus preferidos foram O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway, e Emigrantes, de Ferreira de Castro. 

 

Boas leituras a todos. 

 

 

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É já no próximo dia 25 de novembro que termina o concurso Sapos do ano 2017 idealizado pela Magda. Se querem saber mais têm de passar por lá, seguir as indicações e votar no vosso blogue favorito.

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Sinopse: aqui.

Opinião: Quando chegou ao meu conhecimento que um leitor considerou este livro indigno e escandaloso, nada mais havia a fazer contra a minha enorme curiosidade.Tendo como ponto de partida este ponto de vista, procurei ler mais e mais, sempre à procura do tal pecadilho escondido que poderia ter suscitado tamanha mossa na honra e moral deste leitor desprevenido.

 

Na narrativa simples, clara e direta, nada há a apontar, exceto os diálogos de vernáculo ou palavrão. Depois, se tomarmos como exemplo a frase "Não passa de hoje vais dizer onde mora esse filho da puta", talvez isso fira a sensibilidade de algum leitor eclético habituado a outro género de literatura. Então e se lermos a frase "Os médicos não percebem um caralho de medicina", será que poderá ter causado tamanha comoção? Talvez. Creio eu. Talvez devido a um certo engulho. Parece-me mau assim à partida, porém, a frase está descontextualizada, até porque é proferida por um médico numa situação de stress. Caramba, estava num dia mau e todos temos os nossos dias. Faz sentido falar assim, não faz? Para o pessoal do Norte, então nem se fala (que me desculpem, apenas estou a tentar apresentar uma linha de argumentação).

 

Quanto ao romance em si, encontrei situações sobre a vida, sobre os problemas da solidão e da perda. Depois há ainda umas cenas de sexo, a homossexualidade, a violência e os problemas do foro médico-hospitalar (isto para simplificar). Nada que não se passe na vida real.


Os personagens são: Maria Luísa (empregada de mesa), Saúl Samuel (homossexual e amigo de Maria Luísa), Luís Gustavo (enfermeiro que gostaria de ter sido médico), Pedro Gouveia (médico desencantado com a profissão), Maria Manuela (mãe de Maria Luísa) e Maria Amélia (psiquiatra e lésbica). Todos eles tinham sonhos que não se concretizaram. No fundo, lendo esta história, percebemos o desencanto na vida, os sonhos desfeitos e a solidão. A música dá-lhes algum sentido à existência.

 

O que gostei menos foi o desencontro constante de Maria Luísa e Luís Gustavo e da mãe de Maria Luísa, que nem depois de morta deixa de "assombrar" a filha.

Já a alusão constante à música, como uma espécie de linha invisível da história, poderia, na minha opinião, ter "alinhavado" um final merecido para alguns personagens, pelo que, ao contrário do leitor desprevenido, fiquei à espera de algo mais.

 

Posto isto, considero que é uma história que cativa e que merece ser lida por qualquer leitor de mente aberta.

Que tipo de leitores são vocês? Alguém já leu? (estou curiosa).

 

Classificação: 4/5

 

 

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Sinopse:aqui.

 

Opinião: Vou começar este post de uma forma pouco habitual, ou seja, por falar na capa: simples, bonita e em tons de vermelho sangue, uma alusão à pintura de papoilas que é referida na própria história. 

"A outra metade de mim" é  o título em português. Mischling, no original, provavelmente seria um título com um maior impacto se o mesmo pudesse ser traduzido para a nossa língua, uma vez que a palavra "Mischling" era o termo usado para caraterizar aqueles que possuíam sangue ariano e judeu. 

 

A escritora americana, Affinity Konar, tem 40 anos e não possui familiares que lhe tivessem relatado a experiência durante o Holocausto, mas ao que tudo indica ela inspirou-se em testemunhos reais relatados nos livros.

 

A história é contada por duas crianças: Pearl e Stasha. Pearl, sonhadora,  e Stasha, adora música,  são gémeas idênticas. Quando são enviadas para Auschwitz vão parar às mãos do "Anjo da Morte",  o médico Josef Mengele. Ele realiza experiências no seu "Zoo". São experiências estranhas, sem objetivos e com total desprezo pelo ser humano. As crianças são meros objetos. 

 

Como podemos ler na sinopse: "É um livro que desafia todas as expectativas, atravessando um dos momentos mais negros da história da humanidade para nos mostrar o caminho para a beleza, a ética e a esperança". 

 

Este livro é uma surpresa. Além de a história ser contada por duas crianças inocentes que ainda não compreendem o que lhes está a acontecer, a utilização de palavras poéticas faz com que a escrita quase que se distancie da cruel realidade.

No final, entendemos a mensagem de perdão e de esperança na sobrevivência da raça humana.  

O meu perdão foi uma repetição constante, o reconhecimento de que continuava viva, a prova de que as experiências deles, os seus números, as suas amostras, tudo isso falhou – eu continuei a viver, um tributo aos seus erros de cálculo, pois subestimaram o que uma rapariga consegue suportar. O meu perdão deixou claro o seu fracasso em aniquilar-me.

 

 

Classificação: 4/5

 

Para quem quiser conhecer mais sobre a escritora e sobre a obra: 

https://www.youtube.com/watch?time_continue=451&v=TAiryXRYNUw

 

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Sinopse: aqui.

Opinião: A minha estreia com Machado de Assis. Este clássico da literatura brasileira foi publicado em 1899 e é uma das suas grandes obras. Existem vários estudos e análises ao livro "Dom Casmurro", mas isso não me vai impedir de partilhar a minha experiência enquanto leitora. Nessa qualidade, e nessa apenas, confesso que comecei a ler o início do livro com pouco entusiasmo. Cada folha corresponde a um capítulo, num total de 148, e temos de dar um passinho de cada vez para conhecer todo o enredo. Uma técnica de escrita para a qual não estava preparada.

 

A história começa pela revelação do porquê do nome Dom Casmurro e dos motivos para escrever um livro na velhice.

Enfim, agora, como outrora, há aqui o mesmo contraste da vida interior, que é pacata, com a exterior, que é ruidosa.

 

Deste modo, viverei o que vivi, e assentarei a mão para alguma obra de maior tomo.

 

Bento Santiago (Bentinho), Dom Casmurro, é apaixonado pela vizinha Capitolina (Capitu), a primeira amada do seu coração. Com ela desabafa muitas das suas angústias, incluindo a que se refere à promessa de D. Glória, mãe de Bentinho, de tornar o filho padre. Depois de abandonar o seminário, ele casa com Capitu e a sua felicidade aumenta com o nascimento do filho. Porém, um evento irá mudar o rumo dos dois.

 

Todas as noites li um capítulo desta história, que parecia não ter fim à vista, até que acordei de repente e li compulsivamente até ao final. Voltei atrás, li novamente alguns capítulos, e percebi que o que não foi um amor à primeira vista tornou-se em enorme admiração. Adorei. No final,  compreendi que as pistas estão todas lá, e vão sendo dadas aos poucos de uma forma velada, como quem não quer a coisa, para depois se dar a apoteose com a revelação de uma verdade dolorosa - ou mentira, consoante a opinião.

 

Se querem ler este clássico, o que recomendo vivamente, comecem por reservar um tempinho nas férias ou num fim-de-semana de forma a poderem sentir cada palavra e a extraiar o seu pleno significado. Não considero que a escrita de Machado de Assis seja difícil, mas a sua aparente simplicidade tem artifícios de um verdadeiro mestre. 

Preparem-se.

 

Classificação: 4/5

 

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É por detrás do computador que me encontro a escrever, geralmente, num torvelinho de ideias que me atormentam. Presa às palavras? Não, porque as palavras podem libertar. Acredito piamente nisso e na ideia de libertar/escrever tudo o que nos vem à mente até num simples agradecimento.

 

Num local destinado às ideias, palavras e livros, que adquire significado quando encontra o reconhecimento e o carinho dos leitores, expresso, desde já, uma enorme admiração pelas pessoas que vou encontrando e que me levam a acreditar que vale mesmo a pena andar por aqui.

 

Hoje o meu enorme OBRIGADA é dirigido à A Gaffe e as Avenidas pelo seu trabalho e paciência na alteração do layout do meu blogue. Está lindo, lindooo! 

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Eis como o blogue surge vestido de novas vestes, suaves e diáfanas, contendo referências aos livros, aos pensamentos e ao equilíbrio, sob o qual devem ambos coexistir, usando ainda da criatividade, sofisticação e minimalismo.

Palavras para quê. MARAVILHOSO

E vocês o que acharam?

 

 

 

 

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Ao ler esta frase pensei, cá para com os meus botões, que o racicíonio lógico é simples e que nós é que complicamos tudo. Sem dúvida que existe uma tendência natural de procurar ler o que está nas entrelinhas, uma tendência que criou raízes nas aulas de filosofia.

 

Assim de repente, ao olhar para esta frase e para esta imagem, veio-me à cabeça o seguinte:os livros pequenos e os pequenos mundos foram abduzidos pelos grandes livros e pelos grandes mundos? Isto será discriminação, rapto ou alienação? 

 

Creio que pensar faz mal quando estamos a tentar escrever algo de jeito para colocar no blogue...e ainda vou presa por descobrir uma nova teoria da conspiração editorial:).

 

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Sinopse: aqui.

Opinião: A premissa desta história parte de uma "estranha" ligação entre Joyce e Justin, após de uma transfusão de sangue. Já foram reportados casos semelhantes de pessoas que adquiriram novos gostos e memórias após o transplante de órgãos, mas para isso ser comprovado cientificamente ainda há um longo caminho a percorrer. Eu, que sou leiga nesta matéria, fiquei muito curiosa (e sempre pronta para mais um mistério).

Joyce Conway cai das escadas, acorda no hospital e, de repente, disserta sobre arte e arquitetura europeias, fala fluentemente línguas estrangeiras que desconhecia e sobre lugares onde nunca esteve. Há uma espécie de transferência dos conhecimentos do professor Justin quando ele doa sangue a Joyce. 

Embora exista drama nesta história, o único personagem que merece destaque é o pai de Joyce, Henry, um senhor de idade, reformado, que dá azo a situações bem caricatas.

A história de Joyce e Justin não me seduziu nada. Há um "ata não desata" que parece fazer render o "peixe" ou o romance. Isso prejudicou a história e fez com que diminuísse o interesse no desenvolvimento da mesma. 

"Obrigada pelas Recordações" é um livro que se lê bem, mas a história não chega a ser conclusiva. Apesar disso, gostei muito de Henry e vale a pena rir um pouco com ele, porque rir é sempre o melhor remédio. Ah, e ler também!

 

Classificação: 4/5

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Muito se escreve sobre blogues literários e sobre o que devem abordar. Será que existe uma forma certa ou errada para falar de livros? Talvez, mas n´"O Livro Pensamento" existe uma certa liberdade Aliás, não conheço uma fórmula mágica, única e infalível, para falar de livros. A leitura é uma experiência única e compete ao leitor, aí desse lado, fazer as melhores escolhas.
Diz-se por  que um blogue literário deve possuir uma identidade própria, cumprir prazos, ter um conteúdo que se destaque, publicar com regularidade, realizar parcerias, usar da sinceridade, ser criativo... . Analisando esta panóplia de informação, não sendo contra, apenas tenho a adiantar que a paixão pela leitura, pela descoberta e pelas aventuras, que os livros proporcionam, levou-me a criar o blogue. Ponto final. Gosto de livros, de falar sobre eles, de pensar sobre o que leio e, sobretudo, de ser livre para me divertir. 

As filhas da Madona aparecerem nas redes sociais a cantar "Olha a Explosão" de Mc Kevinho e vai daí  poderia desatar a escrever sobre a nova moda em terras lusas: o funk brasileiro. Sem que tenha qualquer afinidade por este estilo de música ou dança, fui investigar e o que oiço parece despertar a vontade de dançar. Se serve para as filhas da Madona aprenderem o português ou não, isso agora não interessa nada, vamos é exorcizar os demónios da rotina e pular um pouco.

 Bom fim-de-semana!

 

 

Um sinal

06.11.17

   Há dias em que não deveria sair de casa.

 

  -Declaração amigável? Não é preciso, foi um pequeno toque.

 - Fotografias? Pode tirar as que quiser.

 

   E é nessa altura que o cérebro para.

 

- Desculpe, estava a ver pelo espelho, mas não reparei que estava aí.

- É professora? Está atrasada? Trocamos o número de telemóvel e falamos depois.

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O sinal só o percebi mais tarde. Era a professora da minha filha. Ainda acham que não há coincidências? 

Começo este post por agradecer à equipa do Sapo pelos destaques, durante o mês de outubro, aos seguintes post´s:

 

Um acórdão e um desabafo mal amanhado;

Na biblioteca não se perca;

Quando o cuco chama, de Robert Galbraith. 

 

Já quanto às semelhanças, lamento mas vão ter de ler o post até ao fim. Combinado?

 *** 

Vocês sabem que os gatos são imprevisíveis e que os felinos fazem parte da vossa vida [para vos dominar]? Realmente, vocês humanos têm de se mentalizar que se trata de um compromisso para o bem e para o mal.

A minha dona, por exemplo, anda nesta dualidade incessante e tanto diz "gatinho fofo, meu bebé" como também grita "gato mau, andas a irritar-me!". Mas os humanos costumam derreter-se quando nos vêem.

Eu, gato de provecta idade, costumo miar a categoria de donos que podemos ter, desde amorosos, racionais, emocionais, otimistas e aos que não são carne nem peixe.

 

Os amorosos

São donos muito simpáticos e de bem com a vidinha. Passam a mão pelo nosso pêlo e brincam. Somos muito importantes para eles e metem-nos nas conversas dos amigos.

 

Os racionais

Deixam-nos correr atrás dos ratos, vocês acreditam? Apesar disso não simpatizo com estes donos. Só nos querem para este trabalho e não nos ligam nenhuma. Quando é para dizer mal, rsrsrs, só falam da despesa com a comida.

 

Os emocionais

Neste grupo estão as mulheres que vivem sozinhas e precisam da companhia de um gato. São donos execionais que nos tratam com muito carinho e preocupam-se muito com o nosso bem-estar.

 

Os otimistas

São os melhores donos do mundo! Gostam de nós, brincam e falam connosco. Podemos andar pela casa toda, sem problemas. 


Os que não são carne nem peixe

Neste grupo incluo os homens que são convencidos, pela mulher ou pelos filhos, a ter um gato. São donos muito distraídos e pouco preocupados, mas, por vezes, tornam-se otimistas.

 

[A minha dona é emocional, mas quando tem sono ninguém a atura].

 

Queria tanto agradar-lhe, falar a linguagem dos humanos e poder-lhe chamar ...

 

Voltando à semelhança dos donos de gatos com o Sapo. É assim. A semelhança reside na grande afinidade do SAPO com os donos otimistas porque:

 

"são os melhores donos do mundo! Gostam de nós, brincam e falam connosco e deixam andar pela casa toda, sem problemas". 

 

 

 

 





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