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Há uns anos atrás, li o livro "Estranhas Emoções" desta autora e lembro-me de que gostei bastante. Resolvi arriscar e trouxe-o da Feira do Livro de Lisboa já o ano passado (admito que ainda tenho bastantes dessa colheita). A sinopse foi a culpada (claro), pois cativou-me logo, quer pelo tema, quer pela ideia de podermos vir a ter vários recomeços alternativos na mesma vida. 

Quando surge o Hitller na história, achei que estava a tornar, digamos, surreal (Pensei: Okay, eu gosto de coisas diferentes e não é isso que me fará desistir). Já os numerosos avanços, recuos e recomeços, são interessantes porque podem levar-nos a perspetivar as numerosas alternativas na vida de Úrsula (embora ela própria não saiba definir se são um déjà vu ou fruto da sua imaginação). É, sem dúvida, uma oportunidade de descobrir uma história completamente fora do normal e, tendo isso em perspetiva, no meu pensamento, a história até é credível se nos lembrarmos de que existem muitos "Se" na vida de uma pessoa. Geralmente, é o que pensamos quando poderiamos ter feito desta ou daquela maneira e se o fizessemos se poderiamos estar melhor (ou não).

A estrutura da história é original e, às vezes, estranha. Assim, quando aparece o Hitler, fiquei a pensar qual seria a mensagem que a escritora quereria fazer passar. Acham que é a ideia de que não podemos mudar o passado, mas que podemos mudar o futuro? Será? Contudo, sabemos que a nossa história é cíclica e ficamos com uma certeza:o Homem vai repetir sempre os mesmos erros.

O pequeno coração. Um coração indefeso a bater desesperadamente.Subitamente travado, como uma ave caída do céu. Um único tiro. Caiu a escuridão.

 

Sinopse:Em 1910, durante uma tempestade de neve em Inglaterra, um bebé nasce e morre sem que tenha tempo de respirar. Em 1910, durante uma tempestade de neve em Inglaterra, o mesmo bebé nasce e vive para poder contar a aventura. E se existissem segundas oportunidades? E terceiras? E se tivéssemos um número infinito de possibilidades para viver? «Vida após Vida, de Kate Atkinson, é um romance de absoluta beleza, e a sua estrutura é das mais originais e subtis que li em muitos anos. Um romance brilhante, afável e audacioso, cujo futuro, suspeito, inclui palavras como acessível e clássico. (...)» Ali Smith, The Observer «Best Books of 2013»

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Autora: Elisabeth Strout

Ano:2016
N.º de Páginas: 173
Editora: Alfaguara
 
SinopseLucy Barton está numa cama de hospital, a recuperar lentamente de uma cirurgia que deveria ter sido simples. As visitas do marido e das filhas são escassas e pouco aproveitadas por Lucy. A monotonia dos dias de hospital é quebrada pela inesperada visita da mãe, que fica cinco dias sentada à sua cabeceira. Mãe e filha já não se falavam há anos, tantos quantos os que Lucy passou sem visitar a casa onde cresceu e os que a mãe passou sem a visitar em Nova Iorque, nem sequer para conhecer as netas. Reunidas, as duas trocam novidades e cochichos sobre os vizinhos de infância de Lucy, mas por baixo da superfícies plácida da conversa de circunstância pulsam a tensão e a carência que marcaram a vida de Lucy: a infância de pobreza e privação no Illinois, a vontade de ser escritora e a desconfortável sensação de não pertencer a lado nenhum, a fuga para Nova Iorque e a desintegração silenciosa do casamento, apesar da presença luminosa das filhas. Com um passado que ainda a atormenta e o presente em risco iminente de implosão, Lucy Barton tem de focar para ver mais longe e para voltar a pôr-se de pé. Mais do que uma história de mãe e filha, este é um romance sobre as distâncias por vezes insuperáveis entre pessoas que deveriam estar próximas, sobre o peso dos não-ditos no seio das relações mais íntimas e sobre a solidão que todos sentimos alguma vez na vida. A entrelaçar esta narrativa está a voz da própria Lucy: tão observadora, sábia e profundamente humana como a da escritora que lhe dá forma.
 

Opinião : Este livro foi-me oferecido pela Marta como prenda de aniversário. Fiquei em pulgas e muito feliz. Quem é que não gosta de receber um livro? A justificação para esta oferta foi a de que se tratava de uma história da relação entre uma mãe e a filha, o que, quando se tem uma filha adolescente, é relativamente conturbada. Mas quando comecei a ler, verifiquei que a relação de Lucy com a mãe é algo diferente. Não trata da adolescência, mas da filha já adulta e da mãe que não vê desde o seu casamento. No entanto, ela volta a estar com ela ali no hospital, muitos anos depois . É uma conversa entre as duas mas ambas escondem os sentimentos e os pensamentos. Ainda assim, a Lucy fica contente só de poder conversar com a mãe, mesmo sobre pessoas que não voltou a ver. E, nestas conversas, achei muito divertido os nomes que elas colocam nas enfermeiras, tais como a Tosta (magrinha e de seco trato), a Dor de Dentes (sempre desolada) e a Criança Séria (uma índia que ambas gostaram).

Lucy ora conversa com a mãe, ora pensa no seu casamento, nas filhas, e depois volta às memórias do passado, do tempo em que tinha 5 anos e ficava trancada na carrinha, para os pais irem trabalhar e os irmãos estudar. Nesta parte, não sei se compreendi bem ou se a Lucy terá imaginado, há um grande trauma e um segredo que ela não ousa revelar. 

Este livro prende. É preciso ler com calma, pois a escrita é simples mas os avanços e recuos na história podem prejudicar a compreensão das memórias de Lucy, umas reais, outras não sabemos se imaginárias, mas que são reveladores de um sofrimento que admite ter sido necessário para se tornar no que é.

 

Mas quando vejo outras pessoas andarem com autoconfiança pela rua, como se estivessem completamente livres de terror, percebo que não sei como são os outros. Uma grande parte da vida parece especulação (pág. 17).

 

 





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