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A Roberta dispensa apresentações, pois esteve connosco há muito pouco tempo (aqui). Já sabíamos que adora ler, mas não conhecíamos, ainda, o Poirot (o seu cão) nem o Graffio (o seu gato).  Ah, e temos mais para contar...

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Qual o livro que foi publicado na tua data de nascimento? 

R: O Alquimista do Paulo Coelho. Escolhi este porque, segundo o Goodreads, é o livro mais “popular” publicado em 1988. Por acaso já o li e está longe de ser o meu favorito.

 

Fala sobre alguma situação em que achas que foste vítima de Bullying na escola. 

R: Eu fui vítima de bullying no secundário e lembro-me perfeitamente da primeira vez que ouvi essa expressão. Eu entrei na escola e duas raparigas (que gostavam de me incomodar) passaram por mim com força de forma a conseguirem bater com o ombro delas em mim. Primeiro uma e depois outra. Fizeram-no com tanta força que me desequilibrei. Nesse momento uma colega minha virou-se e disse-me: Roberta, eu acho que sofres de Bullying por parte delas. Eu respondi: Sim talvez. Mas na verdade não sabia o que ela estava a dizer. Fui para casa e pesquisei e percebi que era verdade. Este episódio ficou-me marcado não por ter sido o pior, mas por ter sido aquele que me despertou para o que se estava a passar.

 

Conheceste alguém especial que gostasse tanto de livros como tu? Quem e quando.

R: Esta pergunta é complicada para mim... Já conheci algumas sim, mas vou fazer batota e responder desta forma: todas as pessoas que participam no grupo de leitura “Conversas Livrásticas” são especiais e gostam tanto de livros quanto eu.

 

Qual o livro que achas que descreve melhor a tua personalidade. 

R: Esta pergunta é tão difícil… pode haver personagens que tenham uma personalidade parecida com a minha, mas um livro? Hum… se tivesse de escolher um livro talvez seria o Orgulho e Preconceito… O livro tem critica social, tem uma personagem parecida comigo (a Elizabeth), e também tem assim uma veia romântica (que eu também tenho) 

 

Escolhe uma citação do(a) autor(a) preferido(a) e explica-a. 

R:“I declare after all there is no enjoyment like reading! How much sooner one tires of any thing than of a book! - When I have a house of my own, I shall be miserable if I have not an excellent library.” ― Jane Austen, Pride and Prejudice – Acho que nem é preciso explicar. A citação fala por cima. Neste caso trata-se de uma frase que aparece no Orgulho e Preconceito onde a Elizabeth (se não me engano era ela) dizia que não há nada melhor (nada dá mais prazer) do que ler. E eu concordo 100% :P E tal como ela, também eu serei miserável se não tiver uma excelente biblioteca na minha futura casa.

 

Qual é a música popular portuguesa que mais odiaste até hoje.

R: "O Bacalhau Quer Alho" do Saul. Acho a música abominável, a letra horrível, e o facto de usarem uma criança para a cantar. Execrável.

 

Qual é a situação mais absurda que te aconteceu a ti ou a alguém num local público. 

R: Não é bem absurda (se calhar é lol), mas eu adoro este episódio, por isso lembrei-me. Quando eu era pequena queria imenso aprender a ler e a escrever, mas os meus pais diziam-me que eu ía aprender só quando fosse para a escola. Finalmente chegou o dia. E eu fui à escola 1 dia, 2 dias, 3 dias… aguentei um tempo. Um dia não aguentei mais. Levantei-me e disse “Professora, ou me ensina a ler e a escrever, ou então vou-me embora!” Mais do que absurdo, é embaraçoso 

 

Comenta esta frase retirada do Público: “O autor morre quando põe um ponto final. O leitor nasce a seguir”.

R:Tem piada, porque quando entrevisto escritores para o FLAMES, muitos dizem-me isto mesmo, que assim que o livro está editado e sai cá para foram, o livro deixa de ser deles e passa a ser do leitor. A primeira escritora que me disse isso foi a Maria Teresa Maia Gonzalez. Lembro-me que pensei imenso nisso e acabei por perceber o que ela queria dizer. O autor escreve, coloca as suas perspetivas, conta a sua história e depois lança o livro. Quando o leitor pega no livro e o lê dá-lhe uma nova vida e, graças à sua perspetiva, personalidade e vivências, lê uma história que pode ser ligeiramente diferente daquela expressa pelo autor. Não fui muito original, mas a ideia parece-me ser esta 

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Autor: Derek B. Miller

Ano:2014
N.º de Páginas: 303
Editora: Asa
 
Sinopse: Sheldon, um judeu americano, parece ter chegado ao fim da linha. É viúvo, tem 80 anos, e revela sinais de demência. A filha, preocupada, decide levá-lo para Oslo, onde vive com o marido. Um dia, quando o deixa sozinho no apartamento, Sheldon ouve ruídos na escada. Percebe que é uma vizinha a ser perseguida, a tentar proteger desesperadamente um filho pequeno. A mulher acaba por ser morta selvaticamente. Mas o octogenário consegue, in extremis, esconder a criança dos perseguidores. É o ponto de partida de um romance onde tudo nos surpreende. Aos poucos, juntamos as peças do puzzle. Sheldon é afinal um exveterano da Guerra da Coreia, que há décadas vive num secreto inferno, a tentar expiar um crime involuntário. Num último esforço para se redimir, assume como missão salvar o filho da vizinha. Numa terra desconhecida para ambos, começa uma fuga épica, que os levará aos confins da Noruega – e uma perseguição implacável,movida por um gangue kosovar. Um estranho lugar para morrer, considerado o melhor romance do ano por uma série de publicações, desafia qualquer definição. O ritmo e a tensão absolutamente sufocantes remetem para o thriller moderno, do mais fino recorte escandinavo. Mas o autor, um ativista do desarmamento e dos direitos humanos, usa a dramática epopeia de Sheldon para pôr a nu a violência latente na cultura ocidental.
 
Opinião: Li este livro com muita expetativa, afinal foi considerado o melhor thriller moderno, e fiquei à espera da minha cenoura. O Sheldon é um personagem interessante, tem 80 anos, é viúvo, revela sinais de demência e ajuda uma criança a fugir dos assassinos da mãe, que é sua vizinha. Depois acompanhamos esta fuga e a sua história nos tempos da guerra na Coreia, com crimes por desvendar, com conversas com pessoas que afinal já morreram.
Gostei das críticas às políticas de emigração e à sociedade norueguesa. Gostei da descrição do gangue Kosovar, da chefe da polícia local e do próprio Sheldon. Os personagens estão muito bem caraterizados, contudo, a cenoura não apareceu. Onde está o mistério?! No final da história fiquei triste, pois acho que um bocadinho de Agatha Christie seria essencial.
 
Não era hora para estar a pensar naquilo, mas como é que as autoridades podiam pôr a segurança e o bem-estar do povo norueguês -os que são cidadãos e votam e lutaram pela democracia- a seguir ao dos estrangeiros? Uma vida pacífica não devia ser conseguida à custa dos emigrantes, claro, mas também não devia ser relegada para segundo plano.(...) Como é que podemos ser tão totalmente otimistas em relação ao mundo, apenas sessenta anos depois de termos sido ocupados pelos nazis? (pág.144).

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Autora: Elisabeth Strout

Ano:2016
N.º de Páginas: 173
Editora: Alfaguara
 
SinopseLucy Barton está numa cama de hospital, a recuperar lentamente de uma cirurgia que deveria ter sido simples. As visitas do marido e das filhas são escassas e pouco aproveitadas por Lucy. A monotonia dos dias de hospital é quebrada pela inesperada visita da mãe, que fica cinco dias sentada à sua cabeceira. Mãe e filha já não se falavam há anos, tantos quantos os que Lucy passou sem visitar a casa onde cresceu e os que a mãe passou sem a visitar em Nova Iorque, nem sequer para conhecer as netas. Reunidas, as duas trocam novidades e cochichos sobre os vizinhos de infância de Lucy, mas por baixo da superfícies plácida da conversa de circunstância pulsam a tensão e a carência que marcaram a vida de Lucy: a infância de pobreza e privação no Illinois, a vontade de ser escritora e a desconfortável sensação de não pertencer a lado nenhum, a fuga para Nova Iorque e a desintegração silenciosa do casamento, apesar da presença luminosa das filhas. Com um passado que ainda a atormenta e o presente em risco iminente de implosão, Lucy Barton tem de focar para ver mais longe e para voltar a pôr-se de pé. Mais do que uma história de mãe e filha, este é um romance sobre as distâncias por vezes insuperáveis entre pessoas que deveriam estar próximas, sobre o peso dos não-ditos no seio das relações mais íntimas e sobre a solidão que todos sentimos alguma vez na vida. A entrelaçar esta narrativa está a voz da própria Lucy: tão observadora, sábia e profundamente humana como a da escritora que lhe dá forma.
 

Opinião : Este livro foi-me oferecido pela Marta como prenda de aniversário. Fiquei em pulgas e muito feliz. Quem é que não gosta de receber um livro? A justificação para esta oferta foi a de que se tratava de uma história da relação entre uma mãe e a filha, o que, quando se tem uma filha adolescente, é relativamente conturbada. Mas quando comecei a ler, verifiquei que a relação de Lucy com a mãe é algo diferente. Não trata da adolescência, mas da filha já adulta e da mãe que não vê desde o seu casamento. No entanto, ela volta a estar com ela ali no hospital, muitos anos depois . É uma conversa entre as duas mas ambas escondem os sentimentos e os pensamentos. Ainda assim, a Lucy fica contente só de poder conversar com a mãe, mesmo sobre pessoas que não voltou a ver. E, nestas conversas, achei muito divertido os nomes que elas colocam nas enfermeiras, tais como a Tosta (magrinha e de seco trato), a Dor de Dentes (sempre desolada) e a Criança Séria (uma índia que ambas gostaram).

Lucy ora conversa com a mãe, ora pensa no seu casamento, nas filhas, e depois volta às memórias do passado, do tempo em que tinha 5 anos e ficava trancada na carrinha, para os pais irem trabalhar e os irmãos estudar. Nesta parte, não sei se compreendi bem ou se a Lucy terá imaginado, há um grande trauma e um segredo que ela não ousa revelar. 

Este livro prende. É preciso ler com calma, pois a escrita é simples mas os avanços e recuos na história podem prejudicar a compreensão das memórias de Lucy, umas reais, outras não sabemos se imaginárias, mas que são reveladores de um sofrimento que admite ter sido necessário para se tornar no que é.

 

Mas quando vejo outras pessoas andarem com autoconfiança pela rua, como se estivessem completamente livres de terror, percebo que não sei como são os outros. Uma grande parte da vida parece especulação (pág. 17).

 

 

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Entre dores e agonias, a minha dona precisa muito de mim. Dou-lhe o conforto necessário com a minha presença e ela dá-me miminhos com muita paciência. Sou um gato de estimação, mas poderia ser livre. A recompensa reside nestes momentos, em que os humanos sentem um calor, uma amizade e um carinho especial. Nada mal para um gato, não é? Pois, a minha dona tem andado um bocadinho mal. Diz que é um problema nas costas. Não sei muito bem, mas a mim quando estico todo o meu corpo sabe mesmo  bem. Já a minha dona, não. Começa logo a gemer e deita-se com uma cara triste. Eu mio e enrosco-me perto dos pés dela, procurando dar-lhe algum tipo de conforto. Porém, não tem sido fácil. Será que o fim está próximo e encaro o desafio final? my way, é uma forma de dizer que faço à minha maneira, e faço tudo direitinho sem "trampa". Com algum cuidado, procuro sempre estar por perto. Aninhado. Sentado. Acordado ou a dormir. Passo às vezes ao largo, como a esquadra russa navega ao largo de Leixões. Mas sempre imprimindo a convicção de que aqui há gato, que sou eu ou talvez não!

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Ainda não sei bem o que me espera... É tudo novo para mim, mas nem tudo é o que parece e sem tentar é que não sabemos, certo?! Em todo caso, nada como experimentar coisas novas e novos desafios. Estou, por isso, entusiasmada nas iniciativas/projetos de outros blogues, tais como:

2017 Reading Challenge

Clube dos Clássicos Vivos

Projeto Poupança 2017

Livro Secreto

Conversas Livrásticas

 

Desejem-me boa sorte!

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Passaram, apenas, sete dias desde a última entrevista e já estou a sentir saudades de compilar todas as respostas desformatadas, de alterar os meus acentos e vírgulas, e até dos malfadados gif´s (que demoram eternidades a abrir!). Parece estranho o que estou a dizer, não é? Eu explico. O trabalho em causa, foi amplamente compensado pelo entusiasmo, pelo imediato acolhimento e pela enorme simpatia. Todos os participantes estão de parabéns, em especial por me aturarem durante cerca de dois meses. O meu muito e muito obrigada MalikSandraAna, Maria, Sara, MartaMagdaCláudiaPatríciaRoberta e Rui. Foram todos maravilhosos. 

 

Como já referi anteriormente, o leitor é muito importante e, com esta rubrica, pretendia provar que as experiências e vivências influenciam sempre a leitura, senão vejam estas respostas:

 

- Um leitor pega num livro como quem entra num quarto de solteiro e fecha a porta;

- Há muito mais vida do que o que me rodeia;

- O laço que se cria entre o leitor e o livro é algo único;

- Quando entramos num livro o resto do mundo cai na ravina;

- Sempre quis livros mais do que qualquer brinquedo;

- Já me aconteceu ler um livro porque ele me "chama";

- O sentimento de perda quando se temina um bom livro;

- Gosto de encontrar-me nas palavras dos outros;

- Oferecer um livro a um leitor é uma prova de amor;

- A leitura é a única coisa que me faz fugir da realidade e esquecer os problemas;

- Ler é viajar e perder-se no nosso labirinto de emoções.

 

Os teus livros dizem afinal que é bom sentir-se transportado para um outro mundo (6*), onde não faz mal chorar (9*) e em que é sempre bom rir (8*), e sentir o cheiro do papel (3*). Dizem que gostam de seguir as recomendações de alguém ou de amigos (6*) e de olhar primeiro para a sinopse (7*). Dizem que preferem que o livro "agarre" (7*), que faça refletir (5*) e entrar nesse mundo (5*), diferente e tão cheio de imaginação (9*). Dizem que há muito mais, porque desde a infância (11*) que essa paixão vos motiva e leva a que leiam, em média, cinquenta livros por ano. Se uns preferem comprar (9*), outros preferem pedir emprestado (6*) ou ir à biblioteca (2*). Dizem ainda que possuem gostos variados (3*), mas que, em geral, preferem os romances, os policiais ou os clássicos, sobretudo de Eça de Queirós (2*). 

Tirando os que nada revelam e os mais tímidos (2*), os livros dizem muito. Assim, na estante ou não, eles revelam um pouco de nós. Escrever em blogues (11*) ou escrever livros (3*) é dar uso à imaginação transmitida pela leitura. É o que dizem os teus livros...

 

(*entre parêntesis o número de entrevistados que fez a referência)

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Já vos tinha dito que nem sempre corre tudo a bom vento felino e não estava a mentir. Aliás, a vida de um gato só é aparentemente muito pacífica. Ou então não. Li no outro dia que o gato riscas é mais para o bipolar. Na realidade, já fui assim e todos os gatos jovens passam por fases menos agradáveis para os humanos. Mas, neste momento, estou a miar, precisamente, a propósito da Pipoca. É que a minha dona anda fascinada com ela. É Pipoca isto, Pipoca aquilo, enfim, só fala na Pipoca. Hum...agora ía uma pipoca ou duas e, se forem docinhas, bem que marchavam agora num instantinho! Onde é que eu ía? Ah, a Pipoca tem dado que falar a propósito de uma separação. Ups, estou a ficar velho, baralhado e corrigo. A nossa Pipoca tem dado que falar a propósito de uma operação. O  raio da gaiata resolveu dar um passeiozito em cima da grade da varanda e caiu de uma altura de dois andares. Acho que partiu uma pata em dois sítios e agora está na clínica veterinária.  Eh, eu não sei se foi bem assim; se calhar estão a fazer um filme e a  Pipoca ainda está inteira, sã e salva. E por falar em filme, no outro dia fiquei a pensar no pobre Mr. No Ears. Coitadinho. Ficou deficiente. Sem ninguém. E alguém resolveu raptá-lo!!! E, como se isso não bastasse, todo o julgamento descambou numa conversa de doidos.Pena que o Sherlookgato more em Inglaterra! Se bem que se o mandassem para cá... tenho a certeza que a barreira da língua seria um impedimento, porque os humanos não percebem nada de gatês! Ou mesmo que percebessem, poderia muito bem acontecer a dita conversa de doidos passar a uma conversa à la  Marcelo. Hello?!... Mr. President.... Congratulations... Base das Lajes.??? Yes. Very good!!!  Fly, Mr. Presidente? Yes you Trump! E Pronto! Do síndrome de "Peter Pan" cairiamos na conversa maliciosa, inteligente e divertida.... 

 

 

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Autor: Afonso Cruz
Ano:2015
N.º de Páginas: 275
Editora: Companhia das Letras
 
Sinopse: Um homem sofre desmesuradamente com as notícias que lê nos jornais, com todas as tragédias humanas a que assiste. Um dia depara-se com o facto de não se lembrar do seu primeiro beijo, dos jogos de bola nas ruas da aldeia ou de ver uma mulher nua. Outro homem, seu vizinho, passa bem com as desgraças do mundo, mas perde a cabeça quando vê um chapéu pousado no lugar errado. Contudo, talvez por se lembrar bem da magia do primeiro beijo - e constatar o quanto a sua vida se afastou dela - decide ajudar o vizinho a recuperar todas as memórias perdidas. Uma história inquietante sobre a memória e o que resta de nós quando a perdemos. 

Opinião: "Viver não tem nada a ver com isso que as pessoas fazem todos os dias, viver é precisamente o oposto, é aquilo que não fazemos todos os dias", eis uma citação que diz muito com tão pouco. Para começar, já passaram alguns anos (não sei quantos) desde que li um livro que me tocasse. Mas aconteceu com esta leitura. A riqueza das palavras é temperada pela sua súbtil simplicidade e, talvez por ser possível "tocar" cada uma dessa palavras, sentimos algo especial.
"Altitude", a meu ver, é aquela em que  sabemos que as nuvens estão lá mas não as podemos apalpar; em que sonhamos mas a realidade esmaga o peito como pedras. Assim sendo, numa história que começa com a morte do pai do narrador, em que se fale em separação e em perda da memória do vizinho, a maestria nas palavras arrebata-nos por completo. Ou seja, comentar muito mais seria estragar o que está muito bem feito.

 

Fui presa três vezes por causa das palavras. Podia esconder coisas incríveis em palavras tão banais que até me dava dores de estômago. Dizer sapatos ou pão ou sol poderia conter tantos significados. Ou simplesmente sardinha. Um peixe tem muitos nutrientes, não sei nomeá-los a todos, mas com as palavras acontece o mesmo. Têm óleos, vitaminas, proteínas, são a sua maneira de ser muito mais do que aquilo que são. Têm espinhas, quem é que nunca encontrou palavras com espinhas? Nadam, todas elas. Podemos olhar para uma frase e percebemos que aquilo é um mar, uma maneira de ser feroz, de navegar, de viajar, de ter peixes, de ter lágrimas. Eu acreditava que as frases eram armas capazes de mudar, de lutar, de resistir. Armas capazes de disparar um futuro (pág. 90).

 

 

 

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Hoje, vamos terminar a rubrica "O que dizem os teus livros" com o Rui Sousa. Convicto de que os seus sonhos se irão realizar, ele é escritor, nas horas vagas, e no facebook, na página Onemanbook, vende o que escreve. É, leram bem. Os livros são escritos, colados, cortados, cozidos e vendidos pelo próprio.A paixão pela escrita, aliada ao gosto pela leitura, é a sua forma de estar e demonstrar uma certa rebeldia perante as regras impostas pela sociedade. Sem amarras, e de livre e espontânea vontade, aceitou responder às perguntas, que se seguem: 

 

Desde que idade tens uma paixão por livros? 

R:Desde muito novo. Apaixonei-me por eles quando descobri que eles eram capazes de me entender, o que na altura era coisa rara pois nem eu me entendia a mim próprio.

 

Qual o tipo de livro que costumas ler?

R: Gosto de livros que me empurrem, que me provoquem e me obriguem a lutar ou a dançar ou a amar com eles. Preciso de me sentir desafiado. 

 

O que gostas mais durante  a leitura? 

R:Quando o livro me transporta para bem longe da banalidade e dos lugares comuns do meu dia-a-dia.

 

Quais os fatores que influenciam a escolha de um livro? 

R: Normalmente escolho um livro baseado no livro anterior que li. Procuro um autor com referências semelhantes ao anterior. Não ligo a capas nem a top's nem a toda essa teia de enganos que apenas serve para manter o sistema a funcionar.

 

Descreve sentimentos que só um leitor entende. 

 R: Para mim um bom livro é um espelho. Não me refiro ao espelho no sentido narcisista, refiro-me ao facto de nós nunca sermos capazes de nos olharmos a nós próprios nos olhos. É algo que me obriga a encarar a minha realidade através das palavras e a ver para além dos muros da minha ignorância. Ler é viajar e perder-se no nosso labirinto de emoções.

 

As histórias, por vezes, têm uma enorme carga emocional. Já alguma vez choraste ou riste? Se sim, quais foram os livros em que isso aconteceu? 

R: Se isso não acontece durante a leitura então não vale a pena ler nada.A primeira vez que chorei foi a ler o Fernando Pessoa, na minha adolescência, e isso, para o bem e para o mal, fez de mim aquilo   que hoje sou.

 

O que dizem os teus livros? 

R:Os meus livros, aqueles que mexem mesmo comigo, tal como as pessoas que realmente admiro, dizem sempre aquilo que lhes apetece.

 

 

 

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Olá, sou nova por aqui. Isto é giro!!! Olá!!! Hãaaa, Olá!!! Está aí alguém? Miau?! Talvez se clicar deste lado. Tac Tac Tac...Olá!!! Aiiii, depressa. Tenho de desligar. Onde é que é? Vem aí o gato mal disposto e não posso falar mais. Adeus, gostei de falar um pouco (desliga).

Rsrsrsrsfufufufufufufufuuuuu. Desanda daqui, Pororoca! Já não há respeito nenhum! Quem te disse que podias usar este computador? Mau, miau!!! Chispa daqui!!! Esta gata está louca. Não se pode dar confiança. A mexer nas coisas da minha dona?! Bem, vamos ao que interessa verdadeiramente. Esta semana, passou muito rapidamente. Os humanos têm andado com muito trabalho e não tem parado nem para acender a lareira. Gosto tanto de estar deitadinho no sofá e olhar para o fogo. E só com a sua companhia sinto aquela paz caseira e leve. Por outro lado, eu não quero partilhar um momento desses com a intrometida da gaiata... Acho até que as línguas-de-gato não serão as mesmas! Há sempre uma presença (lá está ela, rsrsrsrsfufu) e fico nervoso e mal disposto! Não consigo dormir, sem ser com um olho aberto e outro fechado. Mas a minha cama, o meu prato e o cantinho no sofá são o meu território! Sem dúvida que tenho de ensinar as regras da casa e é uma pena eu não poder fazer um chichizito (já tentei mas a dona ficou muito aborrecida). É que não estou para ter surpresas tipo ovos kinder que aparecem não se sabe de onde e, embora com brindes, não arrisco a que me saia a fava. Oh, não!  Para cair em erro, como aquela senhora que rezava à estátua do senhor dos aneis julgando tratar-se de Santo António, teria que ser um santo gato. É, não gosto nada nem surpresas nem enganos, mau miau!

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A citação  "Nada é por acaso", que a Roberta do blogue Flames utiliza numa das redes sociais, é a prova real de que a distância só não é curta para quem não está destinado a cruzar-se. E, neste caso, o destino assim o quis e decidiu apresentá-la ao Mundo como: metade italiana e metade portuguesa. Por esse motivo (ou porque os seus olhos estão treinados para uma análise psicológica), não me atrevo a descrevê-la através de palavras comuns. Teria de a caraterizar como a pessoa mais próxima de um ser etéreo e delicado, dotado de um encantamento qualquer, o que, pela razão atrás invocada, poderá vir a ser mal interpretado... Adiante, "entremos na espessura", ou melhor na conversa:

 

Desde que idade tens uma paixão por livros? 

R:Não sei. Desde cedo. Os meus pais liam-me histórias quando era pequena, depois a minha tia começou a ler-me os livros de “Uma Aventura”. Sempre li, mas é uma paixão que aumenta de ano para ano.

 

Qual o tipo de livro que costumas ler?

R: É mais fácil dizer o que não gosto de ler. Confesso que os meus géneros preferidos são os policiais, os romances históricos e os clássicos da literatura inglesa, mas por causa do blogue e do canal cada vez leio mais coisas diversificadas.

 

O que gostas mais durante  a leitura? 

R:A leitura é a única coisa que me faz fugir da realidade e esquecer os problemas. Essa é a coisa de que mais gosto: o facto de entrarmos num outro “mundo”. Consigo embrenhar-me e esquecer tudo à minha volta. Recentemente descobri que o desporto tem o mesmo efeito em mim, mas a leitura continua a ser a minha maior paixão.

 

Quais os fatores que influenciam a escolha de um livro? 

R: Hoje é mais difícil porque felizmente, graças ao FLAMES e ao canal, acabo por ler imensos livros e conhecer autores que se calhar nunca me chamariam a atenção. Por isso mesmo, neste momento, o que me influencia mais na escolha de um livro é o autor. Tento ir “atrás” de autores que já conheço e que sei que não me irão desiludir.

 

Descreve sentimentos que só um leitor entende. 

R: Não sei… talvez aquela sensação de querer muito chegar ao fim de um bom livro para saber o final, mas ao mesmo tempo não querer continuar porque senão acaba... acho que é daquelas sensações que a maioria dos leitores sente…

 

As histórias, por vezes, têm uma enorme carga emocional. Já alguma vez choraste ou riste? Se sim, quais foram os livros em que isso aconteceu? 

R:Sim já. Estranhamente é mais fácil eu rir do que chorar com um livro. Lembro-me que chorei imenso com o livro “A Monster Calls”. Ri bastante sempre que apareceria o Fermin no livro “A sombra do vento” e também ri em algumas partes de “A amiga genial”. Não tem nada de extraordinário, mas houve uma parte em que desatei às gargalhadas.

 

O que dizem os teus livros? 

R: Dizem que sou uma pessoa que gosta de explorar vários géneros, mas que tem claramente os seus autores preferidos que se repetem e que gosto de manter. E dizem também que devia gastar menos dinheiro a comprar livros

 

 

 

 

 

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Acho que descobri o início da história e como esta surgiu n´ As crónicas de um café mal tirado. Tudo começou(nevoeiro)... num dia frio de Inverno, o primeiro dia do ano de 2017. Os donos do café estavam sentados à lareira e resolveram celebrar o segundo aniversário do seu estaminé. No entanto, tiveram de pedir opinião à mula, porque esta tinha sempre ideias muito originais e divertidas! E ela aceitou, toda feliz, mas, quando pensou melhor, sentiu um frio que a impediu de continuar. Teve, portanto, de pedir ajuda à Magda e, com pena dela, disse-lhe: "Coragem m´lher"; e, ao mesmo tempo, entregou um papel cheio de rabiscos, no qual se lia:

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Estas eram as regras para ganhar um café grátis, o que, com o frio, iria cair mesmo bem, pensou a Magda. Mas, 81 livros depois, como tinha tido muito trabalho durante o ano todo, visitou a nova vizinha no bairro, a Edite, e entregou-lhe o papel, como se de uma missão se tratasse, e esboçou o seu melhor sorriso maquiavélico: ahahahah!!!

Mas a história continua....

 

A pobre da Edite, que escrevia muito sobre um gato, andava preocupada com os ciúmes evidenciados pelo bichano, pelo que disse mal da sua vida. Nada corria bem! Não podia desvendar o plano meticuloso que traçara para  a viagem de Théo. E, embora considerasse que os gatos são muito bons para afastar energias negativas, lembrou-se que já não podia fazer férias, em Setembro, na quinta da avó por esta estar amaldiçoada. Era amaldiçoada porque nesse local, onde  as luzes de setembro pairavam, brilhava toda a luz que não podemos ver. Bem, a avó Maria nunca se importou com essa situação. Fosse o que fosse, para ela era tudo muito bonito! Era admirável esta sua capacidade de ver tudo de uma forma positiva, tal qual a Pollyanna ! E era ainda mais impressionante as palavras que utilizava. Dizia que a luz tingia de verde a quinta e que a Anne dos cabelos ruivos pedia à cerejeira, chamada princesa da neve, que na primavera explodisse em flor.

A avó Maria era ainda louca por compras e estava sempre pronta a regatear um bom desconto. Uma vez até dissera: "ai, os filhos da mãe , usurários, mesquinhos e somíticos!",  quando se zangara por não descontarem nem um cêntimo.Nunca a tinha ouvido praguejar. Ela era doce e simpática e costumava repetir a felicidade é um chá contigo. E  era!!! Com saudades a cair no rosto, a neta lembrava-se de todos os detalhes e de todos os verões em que, na quinta da avó Maria, foi furiosamente feliz. Ali respirava-se o ar puro e a agitação dos aldeãos, cujos rostos enrugados mantinham estampada a expressão de como é bom trabalhar! Era, no entanto, uma vida demasiado dura, tão dura que o centenário que fugiu pela janela e desapareceu nunca mais apareceu! Deve ter imaginado que somos todos idiotas! Mas não a avó Maria, porque na sua sabedoria, algo pontiguada, dissera que o sino da islândia estaria escondido no campanário da igreja! Era mais um dos mitos urbanos e boatos! Que triste cena, e pensar que a avó Maria sabia mais do que dizia e que o centenário possuía mesmo esse sino, porém, era apenas uma cópia do simbolo tradicional da Islândia! Oh, meu Deus, onde será que ele estará? Era tão velhinho e deveria ter cem anos ou mesmo mais.Toda a gente sabia que a avó Maria não correspondia à sua paixão assolapada e, se a tivessem obrigado a casar, era mulher para entrar n´a loja dos suicídios. Não que ela se fosse matar, credo! Era o nome que dava à farmácia do bisavó, dado que, segundo ela, os remédios criavam mais doenças do que as que curavam.

A avó Maria tinha destas singularidades e um sentido crítico apurado. Costumava, ainda, criticar os jovens estudantes que passeavam os livros, só porque tinham juventude e esperança  de vir a ter um emprego bem remunerado. Referindo-se a eles como a geração mil euros da preguiça, nunca aceitou o destino da neta, nem a submissão às letras por causa de um gato. Ainda se escrevesses o livro dos baltimore!, dizia ela já perto do fim, agora só pensas em ser a miúda online como se isso pusesse pão na mesa! 

Logo, logo, não se lembrava do que tinha dito. A sua memória estava já a falhar e a neta folheava o álbum de verão para avivar as memórias da avó, um autêntico manifesto de como ser interessante. Numa das fotos, viam-se homens, em trajes de caça, todos contentes porque mataram a cotovia. Nessa época soou como mau presságio, mas estavam enganados, porque a minha mãe já estava em teu ventre

A desumanização só ocorreu depois, quando as pessoas de idade ficaram sozinhas. Os mais novos emigraram ou foram para as cidades. 

Nesse álbum, existiam, ainda, fotografias do bisavô, farmacêutico de profissão, e a avó Maria contava que ele gostava de criar remédios especiais e que acreditava na fórmula eu sou deus; e nem o projeto rosie o convenceu que procedia como um autêntico louco! Toda a sua vida procurou curar a avó Maria da sua doença de pele, em forma de rosácea, e fazia-a experimentar tudo e mais alguma coisa.

Estou para aqui a narrar tudo sobre a avó Maria mas o diário de edith tem o relato de tudo o que a avó lhe contou sobre o bisavó. Esse diário foi-lhe dado pela amiga genial e ela considerou essa dádiva como o melhor presente de todos. Nele escreveu a história de três gerações, com letra miúdinha, e na adolescência escreveu sobre o amor em tempos de cólera. Sentiu muita raiva da maestra por esta a impedir de namorar com o pianista mais lindo à face da terra, porém, encarou esse maldito karma como se fosse a avó Maria e acredita que ela agora sorri algures, superando qualquer sorriso maléfico da Magda...

Quem é que vinga quem?! Buahahahahahah...

 

Bem, agora é a minha vez de passar o papel à: 

Sara, se bem que, em jeito de desabafo, poderá não aceitar;

Patrícia, que irá dedicar toda a sua atenção aos melhores livros;

Ana, pelo sorriso que consegue arrancar;

Sandra dado que gosta de desafios;

Maria cujas memórias são baseadas na vida.

 

A todas muito obrigada, e espero que aceitem o repto !

 

 

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 Hoje, vamos conhecer a Patrícia do blogue Ler por aí. É um blogue que acompanho e fiquei surpreendida, porque não é fácil descobrir muito mais sobre a Patrícia.Enigmática e com um sentido crítico apurado diz não querer parcerias, uma vez que gosta de dar opinião apenas sobre aquilo que gosta.No último post deixa "votos de fantásticas leituras em 2017 e um pedido especial: Leiam escritores portugueses, desafiem-se, leiam livros diferentes dos que fazem parte da vossa estante, arrisquem. Ou então não. Mas leiam. Leiam sempre".

 

Desde que idade tens uma paixão por livros? 

P:Desde sempre. Não me conheço sem esta paixão, e a verdade é que aprendi a ler pela pura vontade de mergulhar nos livros. Os meus pais sempre estimularam este vício bom e relembro com alguma saudade os Natais da minha infância e a pilha de livros que, no final do dia 25, prometia muitos dias de felicidade. 

 

Qual o tipo de livro que costumas ler?

P:Leio (quase) tudo. Tenho um fraquinho pela fantasia, para dizer a verdade, mas cada vez mais gosto de variar o tipo de livro que leio. Gosto de livros que me desafiem de alguma forma, seja pela imaginação ou pela crueza da realidade. Gosto de livros que obriguem a pensar, que me façam questionar o que me rodeia.

 

O que gostas mais durante  a leitura? 

P:Da promessa que cada livro não lido contém. Da fuga que proporcionam e de que tanto necessito às vezes. Da sabedoria. Das possibilidades. Durante as horas que mergulho num livro posso ser tudo. Acima de tudo isso, ser diferente.

 

Quais os fatores que influenciam a escolha de um livro? 

P:Já escolhi livros pelo título, pela capa, pela sinopse, porque me recomendaram, porque é de um autor que já li, porque é de um autor que nunca li.  Enfim, não sou muito leal às razões que me levam a escolher um livro.

Mas nos últimos anos o facto de ser um livro de escritor Português é decisivo.  Comecei a descobrir o quão bem se escreve por cá muito tarde e sinto que tenho que ganhar terreno ao tempo que não tenho. Para mim é importante ler os nossos escritores, conhecer a nossa literatura. E tenho-me divertido imenso à conta desta decisão.

 

Descreve sentimentos que só um leitor entende. 

P:O Natal está a aproximar-se e já estou a preparar-me para a desilusão de abrir um presente e não ser um livro. Todas as pessoas que dizem que não nos oferecem livros porque “já tens muitos” ou “Não sei qual te hei-de dar, tens tudo” não têm a noção, pois não? Nunca teremos demasiados livros (se há conceito que não existe é este “demasiados livros”), não temos nem perto de todos os livros que gostávamos de ter e há algo maravilhosos chamado “talão de troca”. E oferecer um livro (pode ser de bolso ou em segunda mão, ficam ao mesmo preço da caixa de chocolates) a um leitor é uma prova de amor. 

 

As histórias, por vezes, têm uma enorme carga emocional. Já alguma vez choraste ou riste? Se sim, quais foram os livros em que isso aconteceu? 

P:Sou um bocado pedra, confesso. Mas já chorei e já me ri no mesmo livro até. Aconteceu, por exemplo no “A máquina de fazer espanhóis” do Valter Hugo Mãe. E ri imenso no “As viúvas de dom Rufia” ou no “Os demónios de Álvaro Cobra” ambos do Carlos Campaniço.

 

O que dizem os teus livros? 

P:Alguns perguntam porque estão esquecidos na estante J, outros porque estão tão riscados, com as páginas dobradas (a esses digo-lhes que isso são provas de amor) e outros reclamam pelos vizinhos que têm. Mas no fim de contas, a minha estante é uma festa, com toda a gente misturada

 

 

 

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Tenho 70 anos, em anos de gato, e começo o ano de 2017 a desesperar com a nova habitante cá de casa. A dona nada faz, nada diz e eu é que tenho de dar o exemplo?! A gaiata Pipoca é de uma infantilidade brutal, mas todos gostam do seu ar fofinho. Ela entrou em alta no ano 2017 e eu não! Fujo? Não fujo? Estou aqui a delinear uma estratégia e a melhor forma de me evadir quando a porta for aberta. Ainda me lembro que, na véspera de Ano Novo, a Pipoca fez cocó na sala! Zangaram-se (a meu ver, muito pouco) e ela ficou na varanda. Estava prestes a celebrar a minha vitória com um miau especial, quando começaram a falar em formação latrinária. Bem, isso não é tudo. Foram mais longe. Demasiado. Porque vão colocar a gaiata na minha salinha?! Parece que irá aprender comigo (rsrsrsrsrsfufufufu).Humpf, não concordo nada. É que isto da literatura em tenra idade tem de ser gradual. O poucochinho crescimento inteletual da gaiata Pipoca é apenas equiparado ao comentário do PM: nem faz nem aumenta um poucochinho?! Raios e coriscos, o meu país é um cubículo sanitário partilhado?!

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