Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



clube.jpg

Quantos livros podemos ler durante a vida inteira? Muito poucos. Se fizermos uma média de um livro por semana, durante 70 anos, dá uma média de 3.640 livros numa vida. Se calhar quase ninguém consegue ler tanto. E se da próxima vez ficarem chocados ao saber que alguém não leu um determinado livro, lembrem-se disto: a maioria dos livros no mundo nunca será lido, incluindo alguns dos melhores livros de sempre. É por isso que é importante ler sempre o que gostamos. 

 

No clube de leitura Livros & Ca, que se reuniu, no dia 13 de julho, na Biblioteca Municipal de Leiria, esta breve introdução serviu de mote ao tema das listas literárias. Assim, além das nossas leituras (na fotografia), o tema das listas literárias deu azo a uma reflexão importante e que é do agrado a qualquer bibliófilo.

 

Se seguirmos as indicações, por exemplo, da lista 1001 livros para ler antes de morrer e, tendo em conta o número de livros que podemos vir a ler durante a toda uma vida, os 1001 livros parecem-nos um número mais razoável e até exequível. 

 

Ora, as listas servem como mera indicação de livros eleitos por alguém e que merecem (ou não) ser lidos. Contudo, não podemos desanimar se não conseguirmos ler tudo, porque, como vimos, isso é completamente impossível. Acresce que cada vez mais se publicam mais e mais livros. Só em Portugal, se não estou em erro, são publicadas cerca de 15.000 novas edições por ano. Conseguem imaginar?! São muuuuiiiitos!!!

 

A propósito de ler muito, vocês perguntam: mas qual é a relação com a temática das listas literárias???

Tendo em conta que a lista dos 1001 livros para ler antes de morrer é extensíssima, proponho-vos que procurem a resposta através de uma outra lista. A BBC já fez a experiência há uns anos atrás, mas não deixa de ser interessante verificar quantos livros já leram, o que, segundo a BBC, difilmente, somará mais de 6 livros.

 

Para descobrirem a resposta, à vossa pergunta, basta sublinharem e contabilizarem os livros que já leram. No nosso clube de leitura chegamos à conclusão de que lemos muito mais do que 6 livros, o que é a  prova de que a BBC está redondamente enganada [ou então os ingleses andam a ler muito pouco:)].

 

E vocês, quantos livros já leram desta lista? 

1 — Orgulho e Preconceito (1813), Jane Austen

2 — O Senhor dos Anéis (1954), J. R. R. Tolkien

3 — Jane Eyre (1847), Charlotte Brontë

4 — Harry Potter e a Pedra Filosofal (1997), J. K. Rowling

5 — Mataram a Cotovia (1960), Harper Lee

6 — Bíblia Sagrada

7 — O Monte dos Ventos Uivantes (1847), Emily Brontë

8 — 1984 (1949), George Orwell

9 — Trilogia Mundos Paralelos, Philip Pullman (1995-2000)

10 — Grandes Esperanças (1861), Charles Dickens

11 — Mulherzinhas (1869), Louisa May Alcott

12 — Tess dos D’Urbervilles (1892), Thomas Hardy

13 — Catch-22 (1961), Joseph Heller

14 — A Peste (1947), Albert Camus

15 — Rebecca (1938), Daphne du Maurier

16 — O Hobbit (1937), J. R. R. Tolkien

17 — O Canto do Pássaro (1993), Sebastian Faulks

18 — À espera no Centeio (1951), J. D. Salinger

19 — A Mulher do Viajante no Tempo (2003), Audrey Niffenegger

20 — Middlemarch: Um Estudo da Vida na Província (1871), George Eliot

21 — E Tudo o Vento Levou (1936), Margaret Mitchell

22 — O Grande Gatsby (1925), F. Scott Fitzgerald

23 — A Casa Soturna (1853), Charles Dickens

24 — Guerra e Paz (1867), Lev Tolstói

25 — À Boleia Pela Galáxia (1979), Douglas Adams

26 — Reviver o Passado em Brideshead (1945), Evelyn Waugh

27 — Crime e Castigo (1866), Fiódor Dostoiévski

28 — As Vinhas da Ira (1939), John Steinbeck

29 — Alice no País das Maravilhas (1865), Lewis Carroll

30 — O Vento nos Salgueiros (1908), Kenneth Grahame

31 — Anna Karénina (1877), Lev Tolstói

32 — David Copperfield (1850), Charles Dickens

33 — A Oeste Nada de Novo (1929), Erich Maria Remarque

34 — Emma (1815), Jane Austen

35 — Persuasão (1817), Jane Austen

36 — O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (1950), C. S Lewis

37 — O Menino de Cabul (2003), Khaled Hosseini

38 — O Bandolim do Capitão Corelli (1994), Louis de Bernières

39 — Memórias de uma Gueixa (1997), Arthur Golden

40 — Ursinho Pooh (1921), Alan Alexander Milne

41 — A quinta dos animais (1945), George Orwell

42 — O Código Da Vinci (2006), Dan Brown

43 — Cem Anos de Solidão (1967), Gabriel García Márquez

44 — Folhas de Erva (1855), Walt Whitman

45 — A Mulher de Branco (1860), Wilkie Collins

46 — Anne de Green Gables (1908), Lucy Maud Montgomery

47 — Longe da Multidão (1874), Thomas Hardy

48 — A história de Uma Serva (1985), Margaret Atwood

49 — O Deus das Moscas (1954), William Golding

50 — Expiação (2001), Ian McEwan

51 — A Vida de Pi (2001), Yann Martel

52 — Duna (1965), Frank Herbert

53 — Cold Comfort Farm (1932), Stella Gibbons

54 — Sensibilidade e Bom senso (1811), Jane Austen

55 — Um Bom Partido (1993), Vikram Seth

56 — A Sombra do Vento (2001), Carlos Ruiz Zafón

57 — Um Conto de Duas Cidades (1859), Charles Dickens

58 — Admirável Mundo Novo (1932), Aldous Huxley

59 — O Estranho Caso do Cão Morto (2003), Mark Haddon

60 — O Amor nos Tempos do Cólera (1985), Gabriel García Márquez

61 — Ratos e Homens (1937), John Steinbeck

62 — Lolita (1955), Vladimir Nabokov

63 — A História Secreta (1992), Donna Tartt

64 — Rumo ao Farol (1927) Virginia Woolf

65 — O Conde de Monte Cristo (1845), Alexandre Dumas

66 — Pela Estrada Fora (1957), Jack Kerouac

67 — Jude the Obscure (1895), Thomas Hardy

68 — O Diário de Bridget Jones (1996), Helen Fielding

69 — Os Filhos da Meia-Noite (1981), Salman Rushdie

70 — Moby Dick (1851), Herman Melville

71 — Oliver Twist (1838), Charles Dickens

72 — Drácula (1897), Bram Stoker

73 — O Jardim Secreto (1911), Frances Hodgson Burnett

74 — Crónicas de Uma Pequena Ilha (1995), Bill Bryson

75 — Ulisses (1922), James Joyce

76 — A Campânula de Vidro (1963), Sylvia Plath

77 — Pergunte ao Pó (1939), John Fante

78 — Germinal (1885), Émile Zola

79 — A Feira das Vaidades (1847), William Makepeace Thackeray

80 — Possessão (1992), Antonia Susan Byatt

81 — Um Conto de Natal (1843), Charles Dickens

82 — Atlas das Nuvens (2004), David Mitchell

83 — A Cor Púrpura (1982), Alice Walker

84 — Os Vestígios do Dia (1989), Kazuo Ishiguro

85 — Madame Bovary (1856), Gustave Flaubert

86 — Memórias de Adriano (1951), Marguerite Yourcenar

87 — A Teia de Charlotte (1952), Elwyn Brooks White

88 — As Cinco Pessoas que Encontramos no Céu (2003), Mitch Albom

89 — As Aventuras de Sherlock Holmes (1892), Arthur Conan Doyle

90 — A Casa na Árvore (1939-1951), Enid Blyton

91 — Coração das Trevas (1899) Joseph Conrad

92 — O Pequeno Príncipe (1943), Antoine de Saint-Exupéry

93 — Fábrica das Vespas (1984), Iain M. Banks

94 — Era uma vez em Wtership Down (1972), Richard Adams

95 — Uma Conspiração de Estúpidos (1980), John Kennedy Toole

96 — A Náusea (1938), Jean-Paul Sartre

97 — Os Três Mosqueteiros (1844), Alexandre Dumas

98 — Hamlet (1609), William Shakespeare

99 — A Fantástica Fábrica de Chocolate (1964), Roald Dahl

100 — Os Miseráveis (1962), Victor Hugo 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

1793-b.JPG

Opinião: Este livro suscitou-me de imediato a atenção, porque a capa se destaca em termos de design gráfico (como podem ver na fotografia) e porque tenho lido alguns autores suecos que me brindaram com histórias de pôr os nervos em franja - o que adoro, devo confessar.

Nicklas Natt Och Dag, neste livro de estreia, recebeu um prémio da Academia Sueca de Escritores de Crime e recebeu vários elogios por esse feito. Num deles, o de Erik Axl Sund, é referido que se trata de «Um thriller histórico sem paralelo e de grande qualidade literária. É cru, elegante, comovente e extremamente cativante até à última página». Existem outros, mas acho que este comentário resume muito bem todas as qualidades do livro 1793.

Quando iniciei a leitura, estranhei logo o facto de a polícia parecer actual, com relatórios e comissários, o que me deixou um pouco de pé atrás no que ao rigor histórico diz respeito. Não obstante essa “ligeireza” histórica, acabei por gostar da narrativa  sem quaisquer subterfúgios.

Mas vamos à história. Em Estocolmo, no Outono de 1793, um cadáver flutua no lago Fatburen. Dois pequenos vagabundos dão o alerta. E o guarda Mickel Cardell, sem o braço esquerdo, despe o casaco com dificuldade e nada em direção ao que julga ser uma carcaça de um animal. Mas então vê o corpo desfigurado, com a duas órbitas oculares vazias e, na boca, não vê um único dente. Entra depois em cena Cecil Winge, advogado, que trabalha com a polícia, que irá trabalhar no caso com o guarda Cardell e os dois irão procurar o assassino, começando por tentar descobrir qual a identidade do homem desfigurado e desmembrado. Para Winge é urgente encontrar esse assassino cruel, uma vez que está doente e sabe que não viverá muito mais tempo.

«Winge combate a morte com a mesma bússola que o guiou toda a vida – a razão. Esta diz-lhe que todos temos de morrer e que todos estamos a morrer. Ajuda. Mas, quando os suores nocturnos chegam e a mente vagueia livremente, é a sua morte em particular que o atormenta, não a ideia de morte em geral. Contempla todos os pormenores. A infecção irá espalhar-se pelas articulações e pelo esqueleto, como o que acontece a muitos dos que sofrem desta doença? Irá morrer no sono ou em agonia e paroxismo? Que tormentos sofrerá? Quando mais nada ajuda, tenta convencer-se de que a maior parte de si morreu da última vez que viu a mulher. Mas é um fraco consolo quando a parte de si que ainda vive é aquela que consegue sentir dor».

 

Winge, que é justo, racional e inteligente, bebe para esquecer. Achei impressionante a forma como os personagens masculinos tentam resolver os problemas recorrendo à bebida, mas, no século XVIII, era um hábito muito comum.  Penso que seria uma forma de sobreviverem à realidade, à miséria e às injustiças e agruras da vida. Curiosamente, Kristofer Blix é um cobarde que, surpresa, também bebe, e nós vamos ficar a conhecer a sua história através de cartas que ele escreve à sua irmã, já falecida. Uma narrativa diferente da anterior, mas que resultou muito bem, uma vez que aí é relatada toda a vida deste personagem.

Depois de ter ultrapassado a reacção de estranheza inicial, comecei a questionar, ainda, o facto de este livro não ter a presença de uma personagem feminina forte e corajosa. De facto, até à terceira parte (o livro tem quatro partes), apenas é feita uma breve menção à mulher do Winge e à prostituta Johanna, sendo que, quando surge a Anna Stina, quase a meio de livro, esta personagem feminina introduz um novo folgo ao enredo. Ela é surpreendente e muito diferente dos outros personagens, o que torna tudo mais interessante.

No livro, 1973, existem muito personagens, os quais vão surgindo e desaparecendo de seguida. Mickel Cardell, Cecil Winge, Kristofer Blix e Anna Stina, são os que se destacam e, embora, no decurso da história, tenha gostado mais de uns do que outros, todos tiveram um final que foi do meu agrado.

O escritor conseguiu dar uma nova voz à ficção histórica. A narrativa é dura, crua e sem qualquer tipo de enfeites linguísticos. As personagens são interessantes e bem desenvolvidas. E a história é intensa, invulgar e muito bem escrita. Gostei muito. Vale a pena ler.

Classificação: 5/5*

Este livro foi oferecido pela Editora Suma para opinião.

Autoria e outros dados (tags, etc)

20190710180647_IMG_1599.JPG

Um especial agradecimento à Magda do blogue Stone Art Books por me ter convidado para o grupo do Livro Secreto e por ter aguentado todos os meus pensamentos, bons e maus. 

Em fevereiro de 2017, iniciou-se a 2.ª edição do Livro Secreto, uma iniciativa da Maria João e da Magda, e terminou, em julho de 2019, quase dois anos e meio depois, altura em que recebi, em casa, o livro mais viajado que possuo, uma vez que percorreu, via CTT, o Norte a Sul do País, num total de 5.810 Km. Achei que este facto é simplesmente uma curiosidade que causa espanto, assim como o facto de a distância maior alcançada, entre cidades, ter sido entre Faro e Sabrosa,  num total de 621 Km.

Para esta peregrinação livresca, elegi o livro "Em teu ventre", de José Luís Peixoto (podem ler mais aqui), porque foi um livro que me marcou especialmente e porque é sobre as aparições de Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos.

Ora, desde pequena que oiço esta história, mas, com o passar dos anos, passei de crente rendida a cética assumida. Porém, "Em teu ventre", há uma abordagem diferente.

O autor, com as suas palavras, reinventou e desmitificou o assunto. Já ninguém mete medo com o inferno, nem obriga a rezar Padres Nossos nem Avés Marias infindáveis. E as suas palavras levam-nos a refletir sobre a fragilidade daquelas três crianças, sobre a maternidade, e sobre a mentira e a verdade.

O livro é, para mim, muito especial e nesta viagem trouxe marcas que o tornaram único e inegualável.

20190710181316_IMG_1624.JPG

Nas páginas deste livro, encontrei frases que suscitaram mais a atenção, sublinhadas a lápis, e alguns comentários, simples e sinceros:

«Antigamente não havia grande espaço para se ser criança...começava a envelhecer-se depressa (Fabiana)»

«A maternidade é um campo de críticas (Alexandra)»

«Nós com a nossa mania que entendemos os outros e entendemos aquilo porque eles passam, onde estão e como estão. Ilusão. Vai ser sempre apenas e só uma tentativa (Silvina)».

 

E esta foi a peregrinação secreta do meu livro... e as palavras dele voaram, de casa em casa, nas asas de uma história feita de pedaços de memória e de vidas passadas.

Palavras, onde estão quando preciso delas? 

Será que um simples obrigada bastará? !

20190710181154_IMG_1619.JPG

Autoria e outros dados (tags, etc)

20190623_203623.jpg

A Mafalda recomendou-me este livro e agradeço-lhe imenso por isso. Obrigada, Mafalda, este livro deixo-me com vontade de ler mais desta autora, embora não existam ainda muito livros dela traduzidos em Portugal (e não me apetece lê-los em inglês:))

 

Opinião: Vou começar por vos deixar uma pequena nota em relação à obra, uma vez que não se trata de uma biografia e sim de uma obra de ficção baseada em factos reais. Isto deixou-me muito surpreendida, porque, quando leio um livro, não procuro saber a vida do autor. Aliás, não o faço para não ser influenciada. Só depois, e antes de escrever a minhas ideias, é que que faço alguma pesquisa. Eis senão quando me deparo com a informação de que este romance é baseado na história da avó de autora, conforme se comprova através da dedicatória:

Para Blanche Morgenstern, a «filha do coveiro».

É verdade que passei os olhos pela dedicatória, mas não prestei muita atenção, pois não entendi o seu significado. Mas vamos aos factos reais nesta história.

 

O pai de Joyce Carol Oates, já com 70 anos, resolveu contar o segredo de família relativamente ao avô Morgenstern. Este, depois de ter morto a mulher, matou-se com um tiro. A filha, Blanche Morgenstern, sobreviveu. A autora além de desconhecer esta história também não sabia que a avó era de ascendência judia. 

Nada mais é biográfico, o resto é imaginação de Oates, segundo julgo.

 

Portanto, o romance inicia-se em 1959 com a jovem mãe, Rebeca Schwart, que trabalha numa fábrica. No regresso a casa, num percurso que faz diariamente junto a um canal, ela é abordada por um homem que a confunde com Hazel Jones. Rebeca desconfia e consegue fugir ilesa.

No capítulo seguinte, a história volta atrás, para 1936, ano em que, depois da fuga da Alemanha nazi, Anna, a mãe de Rebeca, dá à luz, no porto de Nova Iorque, no meio da imundice. O pai, Jacob, antigo professor de matemática, é forçado a aceitar o emprego de Coveiro em Milburn, facto que nunca irá aceitar e que o levará a sentir-se discriminado e a um estado de verdadeira paranoia. Passam então a morar numa casa velha no interior do cemitério. Jacob transforma-se num tirano e isola a família. Proíbe a mulher de falar alemão e os filhos Herschel e Gus de terem amigos. Mas quando estes saiem de casa o pai mata Anna e suicida-se de seguida. Rebeca sai ilesa, embora assista a toda a cena.  A sua professora Rose Lutter toma conta dela, por ser menor, porém, esta sai de casa sem qualquer consideração ou atenção pela tutora. É então que conhece Niles Tignor e cometerá o maior erro da sua vida. 

 

Senti muita apreensão pelo futuro de Rebeca. Muitas das vezes não concordei com as suas decisões, embora ela lute por aquilo que acredita. Acho que é uma personagem muito bem construída, percebemos tudo o que se passa com ela, exceto mais no final da história em que parece que se transforma numa pessoa hermética, cheia de segredos. Desagradou-me esta faceta dela e esperei que, com todas as desgraças que ocorreram, no final se revelasse uma pessoa melhor. Na minha opinião, isso não aconteceu. Será que o dinheiro passou a ser mais importante?!

 

Posto isto, neste livro, um retrato cru da sociedade americana, o tema predominante é a violência, psicológica e física. É um retrato duro e visceral. A escrita, por vezes, também é dura:

A história não tem existência. Tudo o que existe são indivíduos, e, destes, só existem momentos singulares separados uns dos outros, como vértebras partidas.

 

No barco, tínhamos de comer o que nos davam. Comida estragada com bolor e baratas. Pegava nelas e esmagava-as com o pé e continuava a comer, a fome era muita. Ou isso ou morrer à fome. Quando atracámos, já tinhamos as tripas carcomidas e toda a gente cagava sangue e pus (...)

 

 

 

Numa linguagem simples, direta e realista, Joyce Carol Oates entrega-nos uma imagem de Rebeca (baseada na sua avó Blanche) como se tratasse do seu testemunho real, não deixando de lado nada, nem os seus defeitos. 

Gostei muito da escrita, com frases curtas, e da história inquietante. Recomendo.

 

Classificação: 4/5* (Só não dou 5* por culpa da Rebeca. O dinheiro muda muito as pessoas e gostaria de que a mensagem fosse outra).

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

A palavra pedestrianismo significa a atividade desportiva praticada em ambientes naturais. É um bocado difícil de pronunciar e não gosto particularmente dela. Ora, tendo em conta que sou uma simples iniciante nesta prática, não a vou utilizar de todo e, tal como outras palavras do dicionário, ficará apenas nas suas páginas inquientantes até que o abra de novo.

Esta atividade física ao ar livre permite aliviar o stess do dia-a-dia e é uma forma de combater o sedentarismo. Além disso, proprociona a observação da natureza, da flora, de algumas aves e funciona como aromaterapia. Sim, leram bem. Aromaterapia porque o cheiro do mato, das flores, ou da natureza, em geral, é salutar e agradável - longe da confusão e dos cheiros da cidade.

Neste post, como já perceberam, não venho falar de livros. Claro que podemos viajar através das leituras. Mas a proximidade com a natureza, os cheiros e os sons aguçam os sentidos e revigoram a alma.

A minha cruzada/caminhada no Vale do Lapedo durou duas horas e meia e foi uma verdadeira descoberta. É que o Vale do Lapedo, aqui perto da cidade de Leiria, é um local lindíssimo. As encostas são íngremes e existem declives acentuados aos quais devemos estar atentos - para não cair ribanceira à baixo.

O mais difícil foi iniciar esta caminhada (cerca de 45 minutos à espera), dado que os trilhos eram muito estreitos e, nesse dia, compareceram 670 participantes ( o que, embora longe da cidade, é muito trânsito engarrafado, como devem calcular). Enquanto esperavamos fui observando as pessoas (também fazem parte da natureza, a humana)  e alguns levavam mochilas enormes com uma caneca pendurada, outros estavam acompanhados dos filhos e conhecidos, e outros, ainda, levaram o cão (o que me fez recordar o livro d´Os Cinco, logo quando não era suposto pensar em livros!). Travei conhecimento com o Trincas, um cão preto e branco, que foi o participante percorreu os trilhos diversas vezes, porque o seu entusiasmo o levava a correr e a voltar para trás a correr e a voltar para trás. A certa altura tomou banho e o seu corricar animado passou a molhar as nossas pernas. 

No Abrigo do Lagar Velho, situado no extremo oeste do vale, na margem esquerda da ribeira, foram feitas descobertas arqueológicas importantes. Estudos apontam que o Abrigo tem entre 20 000 e 30 000 anos. A descoberta da primeira pintura rupestre, em 1998, levou a que os arquólogos explorassem o local, tendo sido descoberto o menino do Lapedo. Com cerca de 24 500 anos, o fóssil terá pertencido a uma criança que teria nascido do cruzamento de um Homo neanderthalensis e um Homo sapiens. 

Num percurso de 6 km, íngreme e atribulado, adorei conhecer o Vale do Lapedo, a sua história, enquanto fui observando tudo e todos. Claro que encontrei muitos motivos para tirar fotografias. Espero que gostem.

20190630093829_IMG_1450.JPG

20190630101951_IMG_1458.JPG

20190630105113_IMG_1479.JPG

20190630103853_IMG_1474.JPG

20190630100124_IMG_1455.JPG

20190630102339_IMG_1466.JPG

20190630111559_IMG_1495.JPG

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

20190704_205000.jpg

A wook fez 20 anos no passado dia 1 de julho e lançou a loucura nas redes sociais com um sorteio, em dois momentos do dia, um de manhã e outro à tarde. Na primeira tentativa, de manhã, não cheguei sequer a conseguir entrar no site e este encerrou em menos de 5 minutos depois. E assim de repente puff, já tinham sido oferecidos 1.000 livros.

Mas, apesar dos comentários negativos, designamente que se trataria de um embuste, que era uma treta e que era impossível alguém ter sido agraciado com a prenda prometida e muito menos terem sido oferecidos 1.000 livros, resolvi voltar a tentar da parte da tarde, até porque não tinha nada a perder - e um livrólico que se prese tenta sempre aumentar o espólio de leituras. 

Então, retomando a história do dia em que fui bafejada pela sorte e consegui o maior feito livresco ao arrebanhar o verdadeiro tesouro de natal (porque este é quando nós quisermos, vá), na segunda tentativa consegui entrar no site da Wook e ganhar o livro A Rapariga Sem Nome.

E como é que foi isso???

Cliquei furiosamente no ecrã do telemóvel. Só isto. Não há mistério nenhum. Fui atualizando e olhando para o número correspondente aos livros que iam sendo oferecidos. 2, 6, 10, e por aí fora. Depois de entrar no site foi tudo muito rápido e, numa questão de segundos, escolhi uma novidade, coloquei no carrinho e conclui a compra a custo zero. E então respirei finalmente, dado que respirar poderia fazer cair a ligação. Ou terá sido os nervos???

Não sei bem o que se passou.

A conclusão óbvia que retiro é a de que a lei da oferta não é igual à da procura, tal como a velocidade da procura, neste caso, não é igual à velocidade com que a oferta foi encerrada.  

conclusão.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

20190627214312_IMG_1432.JPG

ResumoMais do que querer provar que a vida continua depois da morte, o objectivo é explorar como se estabelece a comunicação ente os vivos e os mortos. Este livro mudou a vida do autor. Talvez também mude a sua.

Opinião: Este livro é sobre um tema que muitos procuram esquecer e poucos ousam refletir, não sei se por desconhecimento ou se por receio. Como leitora ávida de assuntos relacionados com a religião e de histórias sobre quem comunica com o além, ou não tivesse lido Alan Kardec e outros livros que abordam o tema da espiritualidade, embarquei, com alguma bagagem, numa experiência única. 

Lê-lo é como dar pequenos passos e percorrer um caminho de espanto perante as experiências de vida dos médiuns, os sentimentos, impressões e imagens que lhes são transmitidas, a eles, sem que, no caso, tenham sido feito leituras corporais ou fornecidas quaisquer pistas.

O autor, Stéphane Allix, deixou de ser repórter de guerra após a morte do irmão num acidente de carro. Cerca de 12 anos depois, coloca cinco objetos no caixão do pai e, um ano depois, interrogará seis médiuns de forma a que o pai comunique com ele e lhe diga quais são.

"Cada um dos seis médiuns descreveu-me a mesma pessoa, porque esta pessoa está viva (…). Estamos eternamente ligados".

Este teste ou experiência revela-se um verdadeiro jogo de pictonary, uma vez que os médiuns desconhecem completamente qual o objetivo, possuem pouca informação e, nas sessões, aparecem o avô, o irmão e um irmão do avô, que é desconhecido na família do autor.  

Já todos sentimos arrepios inexplicáveis, uma sensação que nos deixa desconfortáveis. Geralmente, o assunto da vida depois da morte poderá ter esse efeito. Mas já pensaram que não sabemos as respostas a todas as perguntas nem o que estamos a fazer neste planeta? Não gostariam de saber? As nossas crenças, ou a ausência delas, não impedem que cada um de nós desenvolva a capacidade para percecionar o que permanece inacessível aos nossos sentidos?  A esta última pergunta respondo com um sim. Vivemos presos ao que acreditamos e ao que nos foi transmitido.

Nesta leitura, gostei muito da médium Christelle, a qual conseguiu conjugar o seu dom com a sua profissão de auxiliar de enfermagem. Ela ouve os mortos e ajuda-os, indo ao encontro do que eles lhe pedem para fazer e ou transmitir. Fascinou-me conhecer a vida destes seis médiuns, desde o momento em que tomam consciência das suas capacidades, geralmente em crianças, até a altura em que abandonam as suas profissões (com exceção da Christelle) para se dedicarem inteiramente à sua missão.

Depois de ter lido vários livros sobre o tema sinto que cada vez mais não podemos ignorar algo que faz parte da nossa essência. No entanto, A Prova não fornece detalhes sobre o Além. Fala antes dos espíritos, daqueles que geralmente permanecem num determinado lugar junto dos vivos, enquanto almas que precisam de ajuda, de luz e de amor. E relata  bem a necessidade de compreender melhor a partida dos que nos são queridos.

"Desde a morte do meu irmão – seu filho -, o meu pai pensava nisso constantemente e oscilava entre esperança e resignação. Não dizia muito, mas, durante os momentos que falávamos, sentia o sofrimento, a dor e a tristeza que a dúvida que o habitava a cada segundo representava. Parecia prisioneiro, dilacerado entre sensações contrárias. E os livros cuja leitura eu lhe sugeria não demonstravam fazer vacilar de forma duradoura a que ele chamava, com uma triste coragem, a «muralha imensa da bruma»".

Este livro ajuda a libertarem-se das amarras do materialismo e da «muralha imensa da bruma», e a compreenderem a capacidade de comunicação dos mortos, bem como a importância da mediunidade no processo de luto. 

Quer sejam meros curiosos ou realmente interessados no tema, recomendo esta leitura para que não sejam enganados, nem apanhados desprevenidos. A sério. Este livro é fascinante.

 

Classificação: 5/5*

Livro oferecido pelo clube do autor para opinião,

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fui desafiada pela Isabel Caldeira do blogue "Manta de Histórias" para um desafio de leitura referente ao ano de 2019.

Lembram-se do desafio Book Bingo Leituras ao Sol? Sim, esse mesmo. Neste momento, não vejo que possa existir qualquer incompatibilidade entre os desafios, pelo que resolvi aceitar e fazer a experiência.

Muitos dos livros que já li este ano encaixam-se perfeitamente e, por isso, embora já tenham passado 6 meses, não parece que esteja muito atrasada. Aliás, de 32 livros no total, li 22.

Desafio manta de histórias_ 30.06.2019.jpg

 

Livros lidos :

1-Um clássico- Admiável Mundo Novo, de Aldoux Huxley- 5*

2-Livro com um título longo - O miúdo que pregava pregro numa tábua, de Manuel Alegre-1*

3-Um calhamaço (+ de 600 págs) - Servidão Humana , de Somerset Maugham-5*

4-Livro com um número no título - 39+1, de Sílvia Soler-1*

5-Autor português nunca lido- Estar Vivo Aleija, de Ricardo Araújo Pereira-3*

6-Qualquer livro à tua escolha - A prova, de Stéphane Allix-5*

7-Livro escrito por dois autores - 28 livros para te encontrar, de Ali Berg e Michelle Kalus-3*

8-Livro com o nome de uma cidade no título - Uma praça em Antuérpia, de Luize Valente-4*

9-Livro que escolhestes pela capa- A Persuasão Feminina, de Meg Holitzer-5*

10-Um Ya - A química dos nossos corações, de Crystal Sutherland-3*

11-Livro há muitos anos na estante- A sombra do vento, de Carlos Ruiz Záfon-4*

12-Um romance - A imperatriz da lua brilhante, de Weine Dei Randel-4*

13-Um livro sobre a 2.ª guerra mundial-O Tempo entre Costuras - Maria Dueñas-4*

14-Um policial - A última ceia, de Nuno Nepomuceno-4*

15-Um livro cuja ação tem lugar em Portugal - Mau-Mau, de Filipe Nunes Vicente-2*

16-Um livro com capa vermelha - A grande solidão, de Kristin Hannah-5*

17-Protagonista é um homem - A história do Sr. Sommer, de Patrick Suskind-4*

18-Livro infantil- Lobos nas paredes, de Neil Gaiman-2*

19-Livro que tenha a palavra livro no título - Escondida entre os livros, de Setephanie Butland-4*

20-Livro escrito por uma mulher - Retrato de família - Jojo Moyes-3,5*

21-Livro publicado em 2018 - Assimetria, de Lisa Halliday-4*

22-Uma novidade- As flores perdidas de Alice Hart, de Holly Ringland-5*

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

20190627_224542.jpg

SINOPSE: Quando o meu pai morreu, coloquei quatro objetos no seu caixão. Não falei do assunto a ninguém. Depois interroguei médiuns que dizem comunicar com os mortos. Irão eles descobrir de que objetos se trata? 
 
Cerca de um ano depois, o autor contactou vários médiuns a quem propôs que participassem numa experiência. Stéphane Allix queria saber se o pai lhe falava dos objetos escondidos. O resultado deste teste é extraordinário. Seja cético ou crente, ninguém ficará indiferente ao testemunho deste jornalista. 
 
Várias investigações científicas permitem afirmar que a existência depois da morte é hoje mais do que uma hipótese sólida. Este livro pretende contribuir para o debate, trazendo resultados indiscutíveis. Apesar de se centrar no relato de experiências com médiuns, Allix faz um alerta importante a todos os que enfrentam uma perda: é preciso deixar os mortos seguir o seu caminho. O sofrimento atenua-se quando fazemos o luto, que consiste em aprender a viver com a ausência. 
 
Mais do que querer provar que a vida continua depois da morte, o objetivo é explorar como se estabelece a comunicação entre os vivos e os mortos. Stéphane Allix é claro: este livro mudou a sua vida. Talvez mude a sua também.
 
 
Podes ler tudo aqui
 

Autoria e outros dados (tags, etc)

A porta na Rua Direita não é uma porta qualquer ou poderia ser já que existem muitas, algumas degradadas como a da casa onde viveu Eça de Queirós.

A tudo assistem, desgastadas, as pedras negras da estreita rua mais conhecida da cidade de Leiria, em direção à porta do "Espaço Eça", da porta centenária da chapelaria "Liz" e até da porta do hostel "Atlas", num edifício antigo renovado.

Mas a porta não é uma porta qualquer, embora os visitantes sigam encautos e encantados pelo visual colorido. 

Esta Porta, não abre nem fecha, dá antes vida e alegria àquela rua empedrada e ladeada por edifícios desgatados pelo tempo; e a tudo empresta a cor vívida dos sonhos, refulgindo de sons e fervilhando de atividades e Workshops para os mais pequenos.

Já as pinturas e artesanato saltam à vista de todos, pois saem das mãos de quem tem rosto cansado e se alimenta de esperança.

Para mim, não é uma porta qualquer, é caminho que se percorre reavivando a força dos sonhos para que não sejamos passado em ruína.

 

Sem Título.jpg

20190622173225_IMG_1325.JPG

 

20190622173000_IMG_1324.JPG

20190622173802_IMG_1331.JPG

20190622173630_IMG_1330.JPG

20190622180516_IMG_1338.JPG

20190622180733_IMG_1344.JPG

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

20190623_203514.jpg

SINOPSE: Aqui

OPINIÃO: Este livro tem tudo para nos conquistar de imediato, exceto a forma como está escrito. Para mim, foi difícil acompanhar o desenvolvimento desta história, muito por culpa da escrita do autor, com parágrafos gigantescos, com frases longas e, por vezes, com ideias contraditórias.

Mas já lá vamos.

A história começa de uma forma que nos choca, pois a jovem Teresa, que acaba de regressar da lua de mel, mata-se com um tiro no coração durante um almoço de família. Na verdade, foi este segredo que agarrou e fez com que não desistisse logo nas primeiras 30 páginas, tal como já havia acontecido com outro livro do mesmo autor, "Os Enamoramentos".

Depois da cena inicial, aparece Juan, sobrinho de Teresa, também jovem, casado, e tradutor de profissão. Enquanto Luísa, a sua esposa, está doente na cama de hotel, Juan observa pela janela uma mulher que o confunde com outro homem. Ao mesmo tempo que descreve o que se passa numa rua, em Havana, verifica como está Luísa e vai partilhando os seus pensamentos, receios e pressentimentos em relação ao seu próprio casamento.  

Tal como uma doença por vezes altera o nosso estado ao ponto de nos obrigar a interromper tudo e a ficar de cama durante dias a fio e a ver o mundo apenas a partir da almofada, o meu casamento veio interromper os meus hábitos e as minhas convições e também, o que é mais decisivo, também a minha forma de ver o mundo.

 

Juan sente-se perseguido pelos próprios pensamentos. Enquanto tradutor está habituado a observar e a refletir sobre o que ouve, especialmente se for na língua que entenda. Mas Juan, a meu ver, pensa demasiado.

 

O que se dá é idêntico ao que não se dá, o que desejamos ou deixamos passar, idêntico ao que tomamos e agarramos , o que vivenciamos, idêntico ao que não experimentamos e, não obstante levamos a vida e damos a vida a escolher, rejeitar e seleccionar, a traçar uma linha que separa as coisas que são idênticas e faça a nossa história uma história única que possamos recordar e se possa contar.

 

Esta e outras frases demasiado longas foram, na minha opinião, o verdadeiro entrave para que este livro não proporcionasse uma leitura mais aprazível. No entanto, gostei especialmente da utilização da citação da obra de Shakespeare [ "As minhas mãos são da tua cor; mas envergonho-me de trazer em mim um coração tão branco"]  no título, bem como desta constituir um elo de ligação entre o início e o fim da história.

 

Um livro para se gostar (ou odiar), mas que merece ser lido atendendo ao estilo original narrativo a que chamarei de "pensamentos em modo saramago".

 

Assim sendo, deixo-vos esta frase:

Não há nada que não se possa contar, até o que não queremos saber e não perguntamos e, não obstante, nos dizem e nós ouvimos.

 

CLASSIFICAÇÃO: 4/5

(lê aqui as primeiras páginas)

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

"A Isaura Pereira e a Patricia Rodrigues estão a organizar mais um desafio do "Book Bingo Leituras ao Sol", que decorre entre 21 de junho e 23 de setembro de 2019.

O objetivo é completar leituras de uma linha ou coluna, na horizontal, vertical ou diagonal, tal como no cartão de bingo (Link de download).

 

Livros que vou ler (e que espero não mudar):

Book Bingo.png

categorias.png

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ir à feira do livro de Lisboa é sempre um passeio que adoro. O facto de morar longe impede-me de ir todos os dias, mas, uma vez por ano, rumo a Lisboa e aproveito para ir ao encontro do Clube dos Clássicos Vivos. São duas experiências que me ficam na memória e o ambiente é, simplesmente, fantástico. Como não gostar de estar rodeado por livros e com pessoas que adoram falar sobre eles?

 

No passado sábado, dia 15, assim fiz. Não levei qualquer lista e comecei por procurar apenas os livros do dia, com preços mais simpáticos e convidativos. Porém, acabo sempre por não resistir a outros livros que me saltam à vista, penchinchas, uns, por indicação, outros. 

 

O encontro correu bem.  Conheci o Filipe e a Lia e voltei a encontrar a Claúdia (A mulher que ama livros), a Carolina (Holly reader), a Sandra (Say hello to my books), a Mafalda (A outra Mafalda), a Cristina (Books, Less Beer & a baby), a Jessica (Cia  Literária) e a Inês (Books4everyone).  Nem todos leram Fundação, mas todos adoraram a Quinta dos Animais. Este clássico é para ler e retirar ilações bem interessantes. Acho que não é só uma crítica ao regime de Estaline, embora fosse escrito entre 1943 e 1944, porque é uma história que mantem a atualidade. Mais. Eu consegui retirar outra interpretação, quando pensamos mundo laboral. Muitas das vezes quem chega a chefe acontece mudar, o que, na minha opinião, me leva a concluir que o Poder é que transforma as pessoas.

 

Mas voltemos à feira. Se ao início esta estava vazia, depois, a seguir ao almoço, encheu-se de tal forma que mal se rompia junto de algumas bancas, como a da tinta-da-china que, com pena minha, não consegui nem chegar perto. 

Comprei dez livros, ou seja, menos quatro do que o ano passado, talvez por já estar tudo muito escolhido e a Relógio de Água não me ter convencido nada este ano. 

Quase no final da feira encontrei a Elisa Santos (A miúda geek ) e, como só a conhecia das redes sociais, estivemos um pouco à conversa.

 

Muito bom e a repetir. Até para o ano!

Ficam as imagens para recordar.

feira.jpg

Participantes.jpeg

Livros clube.jpeg

20190616_095018.jpg

ofertas.jpg

saco1.jpg

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

62265320_2441158135923757_4003159147666210816_o.jp

No dia 8 de junho, realizou-se o primeiro encontro do "Clube de Leitura Livros & C.a"., pelas 15h:00, na Biblioteca Municipal Afonso Lopes de Vieira, em Leiria.

Conversamos sobre os livros que lemos (na fotografia) e sobre biblioterapia. 

Os livros são remédios para a alma, não acham?

Em geral, todos lemos porque nos dá prazer.

Podemos, então, referir várias formas de prazer, nomeadamente:

Estético -quando o livro está bem escrito;

Inteletual - quando adquirimos conhecimentos e aprendemos algo;

Emocional - quando sentimos que somos envolvidos pela história e pelos personagens;

Ético ou moral -quando o autor coloca assuntos que são do nosso interesse.

 

Todos já tivemos a experiência de, num determinado livro muito conceituado, não conseguirmos ler ou terminar a história. E não gostamos porque não nos dá prazer. No entanto, através do texto literário poderá processar-se um libertar de emoções, pela identificação com as personagens. Este processo realizado através da leitura favorece a reflexão e um maior autoconhecimento.Inconscientemente, os leitores poderão ser biblioterapeutas de si próprios.

 

Mas de onde surgiu o termo biblioterapia?

Surgiu do idioma grego, Biblion, que se refere a qualquer material que possibilita o ato da leitura; Therapien, algo que lembra terapia, a qual envolve processos de cura e recuperação.

Resulta, deste modo, a ideia de que a biblioterapia se trata de uma terapia através dos livros.

A biblioterapia começou no século XIX. Porém, desde a Idade Média e Medieval que as bibliotecas tinham inscrições de estímulo à leitura, uma vez que eram considerados como remédios para a alma.

 

A biblioterapia consiste na atividade que, através da leitura de livros, individualmente ou em grupo, tem o objetivo (preventivo e terapêutico) de ajudar o leitor (em qualquer idade) ao nível da saúde mental, bem como no desenvolvimento pessoal.

 

A biblioterapia implica quatro fases:

1) Identificação - as pessoas de todas as idades estabelecem ligações com as personagens;

2) Catarse – o leitor acompanha o personagem num desafio ou situação complexa que posteriormente se resolve;

3) Discernimento – nesta fase é aplicada a experiência da personagem à experiência de cada leitor;

4) Universalização – os leitores poderão ainda experimentar uma quarta fase, em que se estabelece uma ligação entre o que aconteceu no livro e a vida.

 

“Seja qual for a forma como os leitores fazem seu um livro, o resultado é que esse livro e o leitor se tornam um só. O mundo que o livro é, devora-o o leitor, que é uma letra no texto do mundo; assim se cria uma metáfora circular para o caráter interminável da leitura. Nós somos aquilo que lemos. O processo através do qual o círculo se completa não é, como defendeu Whitman, apenas intelectual; lemos intelectualmente a um nível superficial, apreendendo certos sentidos e conscientes de certos factos, mas, ao mesmo tempo, invisível e inconscientemente, o texto e o leitor entrelaçam-se, criando novos níveis de sentido, de forma que, de cada vez que extraímos alguma coisa do texto ao ingeri-lo, nasce simultaneamente algo nele que ainda não apreendemos”.

 

Alberto Manguel (In: Uma História da Leitura, 1996)

 

Ler contribui para que sejamos, sem dúvida, mais felizes; basta encontrar o livro certo para cada leitor.

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

62458108_2444258902280347_2823383248371974144_n.jp

Como o tempo passa. Três anos de blogue!

Ao mesmo tempo sinto-me contente e um pouco triste. É que tenho pena de não ter mais tempo para o meu blogue, e para visitar e comentar os blogues que sigo. Acumular as tarefas de mãe, esposa, dona de casa, trabalhadora e blogger, nem sempre é fácil...mas o "bichinho" está sempre a inquietar-me e a lembrar-me que deveria voltar a escrever. É por isso que não deixo de comemorar a data. Embora sinta um sabor agridoce comemoro porque, para mim, continua a fazer sentido fazê-lo. 

 

Escrevo então o seguinte:

este é o espaço e o tempo 

lugar que a vida ultrapassou

ideia que não morreu

palavras que brotou

o silêncio 

marcha 

e segue

sempre!

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Reflexão

01.04.19

00.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

IMG_1147 (2).JPG

Resposta:
 
Os meus livros são um pouco bipolares, uns são calminhos, outros uns brutos, também os há muito apaixonados, tenho uns que vivem num mundo imaginário, a bem dizer é preciso ser muito compreensivo para lidar com eles.
 
 
Muitos parabéns, Célia !!! Os teus livros são bastante diversificados e creio que este livro irá ficar em ótima companhia!
 
Boas leituras!
 
 

Autoria e outros dados (tags, etc)

O livro "A Viagem de Théo" encontra-se esgotado ou indisponível em todo o lado.

A pergunta que coloco é a seguinte: não está na altura de fazer nova edição?  

Pensem nisso.

 

viagem de theo 001.jpg

SINOPSE

De Jerusalém a Benares, passando por Roma e Istambul, por Praga e pela Baía, por Moscovo e por Jacarta, através da Europa, da Ásia, da América e da África, o jovem Théo e a sua tia Martha vão dar a volta ao mundo das religiões para encontrar as respostas a essa questão fundamental.
Odisseia espiritual, a viagem de Théo leva-o ao encontro de homens sábios capazes de lhe iluminar o espírito e acalmar o coração. Porque Théo tem catorze anos e está muito doente...

A Viagem de Théo, o grande romance das religiões e provavelmente a obra-prima de Catherine Clément, tem conhecido em todos os países um sucesso só comparável ao que acolheu O Mundo de Sofia ou O Diabo dos Números, romances que se lhe aparentam no propósito de abordar pela ficção grandes temas do pensamento humano.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pensamentos - 4

01.03.19

21308590_RKbGQ.png

Acreditara que talvez já não existisse Queijo no Labirinto, ou, pelo contrário, se existisse era possível que ele nunca viesse a encontrá-lo. Estes pensamentos estavam a imobilizá-lo e a matá-lo.

 

Dr. Spencer Johnson - Quem Mexeu no Meu Queijo?

 

 

As pessoas têm medo da mudança e do desconhecido. Mudar de relacionamento amoroso, de vida, de amigos, de casa, ou até de profissão, é algo que preocupa, inquieta e paralisa. Por vezes, é mesmo necessário sair da zona de conforto e aceitar novas oportunidades para ser FELIZ. É preciso arriscar e deixar para trás o que nos prende e tolhe o pensamento. Seguir em frente é sempre o caminho.

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

IMG_1147 (2).JPG

O Passarempo continua a decorrer até ao dia 07 de março de 2019, inclusive, não se esqueçam. 

Para se habilitarem e ganharem o livro, terão de:
-Enviar uma resposta original à pergunta "O que dizem os teus livros?" para olivropensamento@gmail.com, ou uma fotografia de um livro que tenhas escolhido, principalmente, pela sinopse, mencionando se gostastes ou não;

- Seguir o perfil na página do blog (https://olivropensamento.blogs.sapo.pt/);

- Ou seguir o perfil na página do Instagram(https://www.instagram.com/blogolivropensamento/);

-Ou seguir o perfil na página do facebook(https://www.facebook.com/livropensamento/?ref=bookmarks).

 

Autoria e outros dados (tags, etc)





Mensagens


O que estou a ler...

Uma-Historia-de-Amor-e-Trevas.jpg

1507-1.jpg

 

 




image_6_1542295800600_1542993699397.jpg