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A recomendação para este fim-de-semana tem muito que se lhe diga. Hoje em dia, são cada vez mais as notícias de pessoas de idade que morrem sozinhas e, pior, só são descobertas vários anos depois. É uma realidade aterradora. Por outro lado, há vizinhos com um feitiozinho e que não são pessoas fáceis de lidar. O Sr. Ove é um deles. Mas... como nem tudo é o que parece e nem tudo o que parece é, vão por mim [e pela Magda que sugeriu e emprestou este livro ao grupo do livro secreto], há livros que nos ensinam a ver as coisas de maneira diferente. 

Depois de lerem este livro fantástico, e se tiverem oportunidade, não deixem de assistir ao filme. Na minha opinião, são duas experiências diferentes, pois ao ler o livro apercebi-me de todos os pensamentos de Ove (e andei entretida com várias opiniões divertidas dele) enquanto o filme apelou mais aos sentimentos (pela lágrimazita ao canto do olho, vá, tenho de admitir). 

Acredito na importância que podemos ter a vida dos outros, tal como hoje quando vi vários jovens a passar por um ceguinho que só foi ajudado por uma senhora com idade para ser avó.

Acredito ainda que não se deve julgar ninguém pelo seu mau feitio, porque o que é verdadeiramente importante são as (boas) acções.

Isto diz muito, não acham?

 

Bom fim-de-semana e boas leituras.

 

 

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* Livro já lido, sem opinião escrita (ainda) aqui no blogue.

 

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O livro recomendado na semana passada encontra-se esgotado (ou indisponível) em todo o lado (até no olx, custo justo e no coisas)

A pergunta que coloco é a seguinte: não está na altura de fazer nova edição?  

Pensem nisso.

 

 

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Atualização: no próximo dia 11 de maio vai sair uma nova edição pela Saída de Emergência (aqui). 

 

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Em 1842,  Charlotte Brontë foi trabalhar para Bruxelas num internato dirigido pelo professor Constatin Heger e pela sua esposa Claire Zoé Parent Heger. Dois anos depois regressou a Haworth. Iniciou-se então a troca de correspondência entre ambos, no entanto, quanto mais carentes e ardentes as suas cartas se tornavam, mais Heger recuava em longos silêncios.

 

Nas cartas românticas enviadas por Charlotte Brontë, uma em francês e a outra em inglês, ela dizia:

 

"Se o mestre me retira a sua amizade, não terei esperança";

 

"Gostaria de escrever-lhe cartas mais alegres porque quando as termino e as releio acho-as obscuras, mas perdoe-me, querido mestre - espero que não lhe irrite a minha tristeza - segundo as palavras da Bíblia: "A boca fala da abundância do coração", e realmente custa-me muito estar alegre desde que creio que nunca mais nos veremos".

 

A família de Heger doou as cartas à Biblioteca Britânica em 1913, altura em que se revelou esse amor proibido (não se sabe se era ou não correspondido).

 

Leio isto e fico muito triste.Mesmo muito. Tanto que escrevi ontem uma frase sem sentido, mas já retirei...

An Unrequited Love?

 

 

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Jane Eye, numa tarde fria e húmida de novembro, lê no assento da janela por detrás das cortinas vermelhas em Gateshead, a casa dos seus parentes, os Reeds. É assim que o romance começa, ou seja, com esta cena e com o conflito provocatório do primo, John Reed. John é a imagem do filho mimado, violento e malcriado. Jane é  a orfã pobre, de aparência modesta, que não se intimida perante as ameças de John e os castigos da tia. Perante isto, com 10 anos de idade, Jane não tem amigos. Os livros são o seu único refúgio e alimentam a sua imaginação. Desde o início do romance até ao final, Jane lê vários livros. Ela acredita que isso lhe trará a educação que permitirá a independência e uma melhoria da sua posição na sociedade. E com toda a razão. Será em Lowood que ela aprenderá a desenhar e uma profissão que lhe permitirá ganhar o seu sustento sem ajudas de ninguém. É ou não uma mulher insubmissa e muito à frente do seu tempo?

Ao contrário da vida calma de Jane, Edward Farfaix Rochester teve uma vida desregrada, apaixonando-se por várias mulheres. Assim, quando ele conhece Jane, planea mudar o seu estilo de vida, mas terá muito que penar até conseguir os seus intentos.

Embora já conhecesse a história voltei a ficar surpreendida, sobretudo com a resiliência de Jane, uma simples mulher, que acaba por aceitar o amor na adversidade, mais uma vez demonstrando a sua coragem e determinação.

Esta leitura despertou alguns sentimentos novos. Lembro-me da primeira leitura, de sentir indignação com as atitudes da tia e do primo e de sentir muita tristeza pela maneira como ocorreu a morte da sua melhor amiga [quem leu sabe a que me estou a referir]. Já na releitura, senti várias vezes um sentimento de irritação. Na verdade, já não me recordava bem de Mr. Rochester e não o achei lá muito romântico.

Jane é, para mim, uma personagem que fica na memória. O que a torna forte são os seus princípios e, embora ela não se considere bonita, são estes, as suas qualidades inteletuais e a força interior que a tornam encantadora ao longo de toda a história.
E vocês, qual foi a personagem que gostaram mais?

 

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Ao contrário do provérbio original, durante o mês de março não existiram tardes de Verão. A chuva tão necessária começou a aborrecer e só apetecia sair e andar a passear por aí. Paciência (de jovem, como dizia a minha filha quando era pequena). Enfim, já que não podemos regular o tempo, podemos ao menos escolher a companhia. E almoçar com pessoas. E comer comidinha saudável. E ficar a olhar para duas fatias enormes de bolo, um de chocolate e outro igualmente apetitoso (não é Claúdia?), e sentir um enorme desconsolo. Pois. Não estão a perceber nada. Eh, eis o senão desse dia. Já vou contar.

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Esta fotografiia foi tirada pela Sandra, do blog Say Hello To My Books, no último  encontro do Clube dos Clássicos Vivos, que se realizou no passado dia 17 de março, no Forúm Tivoli. Somos giras, não acham?

Como o encontro era de tarde, almoçamos primeiro num restaurante vegetariano, pequeno e muito simpático, chamado "Arco Íris", que fica na Avenida da Liberdade (não se fiem pois o meu sentido de orientação não é grande coisa). Durante o almoço a conversa foi animada (e não falamos só de livros, okay?),porém nada faria prever o meu "desgosto". O drama e o horror apossaram-se de mim quando pensei que tinha acabado de trincar uma pedra. O que é que se tinha passado? Pois. O que se passou foi que a prótese dentária provisória caiu...Entretanto, disfarcei o máximo que consegui e perdi o apetite (até para comer bolo, o que não é normal em mim). Nesse momento, não sabia qual seria o aspeto, que julguei que estaria muito próximo de uma bruxa desdentada com uma cratera, e permaneci em silêncio.Lá me refiz do choque inicial e pensei: deixo isto aqui ou levo à dentista??? Acho que fiquei catatónica perante o dilema pertinente (e que fez a minha dentista rir com gosto) e encerrei o assunto da melhor forma que soube, dizendo para mim própria: deixa lá isso, se ninguém disser nada é porque não é tão mau como pensas (e não era!).

O resto do dia correu muito bem e em ótima companhia. Rimos, falamos, fizemos barulho.

Mas perguntam vocês: e o livro, não falaram do livro? Pois falamos bastante sobre a Jane Eyre e o Mr. Rochester, essa paixão que dividiu opiniões. Será que Mr. Rochester era o mau da "fita"?

 Hum. Acho que vou ter de deixar para um post sobre o livro...  

 

Já agora uma curiosidade: Vocês sabiam que Charlotte Brontë gastou o primeiro dinheiro que recebeu com o livro "Jane Eyre" no dentista? 

 

 

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A partir de hoje (à sexta-feira), publicarei uma sugestão de leitura para o fim-de-semana, altura em que terão algum tempo livre. Peço que não levem a mal este meu atrevimento ao dizer como podem ou não gastar os poucos momentos de lazer, porque já vos vou explicar o motivo para fazer esta conversa toda. 

Sei muito bem que esta ideia não é das mais originais, mas julgo que poderá, a seu tempo, funcionar. Espero.

Assim, e fazendo juz à expressão "grão a grão enche a galinha o papo", pretendo que a sugestão de leitura funcione como o grão que pouco a pouco irá fazer a diferença. Ler é muito importante, não se esqueçam disso, e há tantos géneros e tantos livros que é impossível que não encontrarem nada que vos agrade.

Então o que esta cabecinha pensadora andou para aqui a congeminar relaciona-se com uma das minhas leituras. No "Fahreheit 451", de Ray Bradbury, que se passa no futuro, os livros são proibidos e quem os possui é queimado juntamente com eles. As opiniões são consideradas antissociais e o pensamento crítico é eliminado.Ora, este romance distópico teve várias interpretações, mas Bradbury declarou que "Fahreinht 451" não é sobre a censura mas sobre a forma como a televisão destrói o interesse pela leitura.

Chegados aqui, já devem ter percebido todo o meu arrazoado inicial, tudo se resume ao seguinte: deixem a televisão, as novas tecncologias e leiam; é necessário aumentar a criatividade e promover a capacidade de crítica.

Pensar de forma diferente faz parte do ser humano, caso contrário seremos, como no romance, suprimidos.

Quereis que a inteligência artificial vença? Ou que uma Sophia vos substitua um dia? [e já agora, vocês já reparam que o nome significa Sabedoria?!].

 

Pensem nisto e comentem aqui.

 

Bom fim-de-semana e boas leituras.

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 * Livro já lido, sem opinião escrita (ainda) aqui no blogue.

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Andei desaparecida do mundo dos blogs por uma razão muito forte, uma vez que sentia uma vontade enorme de voltar ao entusiasmo inicial. Reinventar, como escrevi neste post, não é, a meu ver, escrever sobre o mesmo, é começar de novo e voltar a fazer tudo o que tem sentido, para mim, e, sobretudo, respeitar a minha individualidade.

Estive perdida. Refugiei-me nos livros. Sim, é já um hábito. Entretanto, o tempo em que estive ausente permitiu-me refletir sobre o que me leva a manter por aqui. Tive assim uma espécie de flashback em que percebi que o problema não é o blog. Estive quase para desistir e depois quase para começar outro blog. Todos os dias pensava, desisto, começo ou mudo o ritmo dos post´s ! Mas a conclusão era sempre a mesma: tenho de continuar a escrever sobre livros. 

Para entenderem o meu dilema preciso de vos contar a história desde o início. Então é assim: a ideia de criar um blog partiu de uma conversa com uma colega de trabalho. A meio dessa conversa ela disse: Se gostas tanto de ler e falar sobre livros porque é que não crias um blog? Não me lembro exatamente qual foi a minha resposta, porém, encarei esta pergunta/observação com apreensão. Enquanto capricorniana com os pés assentes na terra, pareceu-me que existiria, na pergunta, um duplo sentido, qualquer coisa entre "é para me calar" e "julgam que não sou capaz". Eu, dada a verdadeiras prédicas sobre o livro A ou B, não podia desistir de falar sobre o que mais gosto, ora essa! Nem podia dar o braço a torcer quanto ao facto de que blogs percebia népias!!! Agora, o que foi decisivo, e que funcionou como uma espécie de ignição, foi ouvir que "isso é para jovens e que uma mãe não escreve em blogs"!!! Eu, Edite Maria, virei uma espécie de defensora da causa das mulheres que não se ficam atrás só porque sim. Isso é que era bom de ver! Posso errar e aprender com isso. Toda a minha vida foi assim - e está para nascer quem me diga o que posso ou não fazer. 

Portanto, voltando ao que me trouxe aqui inicialmente, gostaria de continuar a escrever sobre livros e sobre os meus pensamentos. Foram eles que me guiaram. São eles que demonstram quem sou e a minha vontade resiliente de aprender. Li algures que "Diz o que lês e dir-te-ei quem és", o que é certo, mas eu contraponho "Diz o que dizem os teus livros e encontrarás um sentido para um pensamento igual a ti próprio ".

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Quem nunca se esqueceu de um determinado livro que despertou a atenção e apenas se lembra da cor da capa?

É precisamente a pensar nos leitores mais "distraídos" que, na Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, se encontram expostos vários livros de acordo com a cor da capa.

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Não acham uma ideia fantástica? E não são tão coloridas?

Por acaso, só mesmo por acaso, querem saber quem é que é distraído? Acho que não são nada os leitores (que até se lembram da cor da capa) e sim o senhor que se segue.... 

 

 

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Como sabem, as crianças são muito curiosas. E quando surge a fase dos porquês, oh, lá, lá? É um sem fim de perguntas, não é? Essa fase ocorre por volta dos 2-3 anos, dizem os pediatras, mas aqui em casa já dura há nove anos (seis para ser mais precisa) e chego a pensar que preciso de ter um dicionário à mão (ou o telemóvel ligado para ir discretamente ao google, vá). As mães não sabem tudo e quem acha que sabe não se deparou com perguntas difíceis ou com reações inesperadas. Não sei se concordam comigo ou se já tiveram dias menos bons, mas peço que compreendam o meu sentimento de frustração quando ao fim do dia, por vezes já totalmente de rastos, oiço perguntas atrás de perguntas ao inves do tão desejado silêncio. 

Como já referi, o meu filho ainda está na idade dos porquês. Tudo lhe desperta a atenção, pelo que anda sempre à procura de situações ou de contextos para mais uma revoada de perguntas. Garanto-vos que nem sempre consigo ter a resposta certa na ponta da língua e que, geralmente, fico com a impressão de que poderia ter dado uma explicação melhor.

Para ilustrar a nossa última conversa, arranjei uma pequena BD com a pergunta que ele me fez, com a minha resposta e com a confusão que se gerou.  Desta vez, chorei de tanto rir.

Ai, a inocência das crianças...

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O outro lado

26.03.18

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Quando o que mais desejas é perder-te nos livros e esquecer o mundo real, esvazias os dias e procuras um ideal (rima e tudo!). Por vezes perco-me, assim, no outro lado. A vida é demasiado rotineira para ser preenchida da mesma forma, pelo que procuro nas leituras retirar o melhor dos meus dias. Acreditem ou não, ainda não desapareci, apenas sobrevivi.  Ler nunca é demais.

 

 

*Livros lidos em fevereiro e março.

 

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Reinventar-se.

04.02.18

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Reescrevo, aqui, aquilo que considero, aparentemente, indecifrável, e pinto a força interior num escudo de forma a impedir que  se sirvam de míseras psicologias beligerantes de submissão à vontade. A pele estranha em mim desenvolveu uma casca grossa de absurda honestidade e não acredita que possa algum dia vir a ser tatuada com letras estranhas de hipocrisia. Sem saber, sabendo, repito sempre o mesmo processo - mais um recomeço. Para tal amenizo o ego ou o consciente e liberto o momento. O cérebro, frágil, desobedeçe e regista tudo em segundo plano e nos pensamentos e nos sonhos não viajo à toa.Reescrevo um novo começo, mas com a consciência de que posso olhar o sol sem filtros. Sou justa e espero o mesmo dos outros.

 

 Imagem: daqui.

 

 

 

 

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[Agradeço o enorme privilégio que o autor me concedeu através da generosa oferta do livro]

 

 

Desde miúda que oiço falar de histórias sobre África e lembro-me perfeitamente das conversas do meu pai e do meu tio quando recordam o tempo da guerra colonial e de quando estiveram em Angola e Moçambique. De tanto os ouvir, acho que se agarrou à minha alma o espanto por essa terra de contrastes. E este livro recordou-me um pouco essas histórias e sobretudo esse mundo de mistérios, crenças, cores, cheiros e sons da fauna, que têm tanto de terrível como de maravilhoso.

 

Em "O Perfume da Savana", o autor conta-nos uma história de um grande amor, "um amor incomensurável só comparado à vastidão que o rodeia", numa época em que África era ainda uma colónia portuguesa e em que a falta de chuva afetava (e afeta) a terra, as pessoas e os animais.

 

Para Daniel, não foi o feitiçeiro nem a chuva e sim o destino que lhe trouxe um perfume irresistível na mulher perfeita: Isabel. Ela é casada e tem uma filha, mas só com Daniel descobre o amor, algo que ainda não tinha conhecido antes. 

 

Acompanhei esta história de amor com algum receio, não só pela trama, mas também pelo facto de a ação se desenrolar na savana cheia de vida. À noite ouvem-se os leões, o casquinar das hienas, e de dia veêm-se os leões, os jacarés e as pacaças [que desconhecia].

 

Adorei a envolvência da natureza e da fauna, bem como de todos personagens, incluindo o Dibó, a Clarinha e a Zeza. Ademais, a escrita é cheia de pormenores e proporciona uma "viagem" a um tempo em que "não há televisão, fax, computador, vídeo, DVD, telemóvel, nada". Já se imaginaram no meio da selva sem nenhum tipo de tecnologia? 

 

Eis mais uma história de África que me fica na memória!

 

Classificação: 4/5

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Ultimamente, ando sem inspiração e isso reflete-se aqui no blogue. Na realidade, gostaria que os post´s que escrevo fossem diferentes e, de tanto tentar que assim seja, acabo por falhar miseravelmente.

A indecisão é um bicho que come as palavras. Ler deveria bastar-me e as letras não deveriam fugir. Ao contrário, vivo isolada e prisioneira de ideias sem filtros. Vivo e leio. Acordo e sonho. E é este o dualismo que me prende as mãos e que não me deixa  teclar livremente as ideias! Raios.

 

Depois deste desabafo, nada melhor do que falar de um escritor talentoso. A minha disposição melhora consideravelmente sempre que indico a leitura d´" A verdade sobre o caso Harry Quebert", pois é o meu livro preferido de Joël Dicker. Gostei tanto do escritor que resolvi que tinha de ler mais e avancei com "O Livro dos Baltimore" e depois para  "Os Últimos Dias dos Nossos Pais".

 

"Os últimos dias dos nossos pais" é sobre uma história de agentes secretos. Paul-Émile, Pal, é um jovem que decide partir para Londres a fim de ingressar na Resistência. Aí, torna-se membro das Forças Especiais, numa espécie de agente secreto e é impedido de ver o pai, a quem é tão dedicado.

 

Um romance que se passa na Segunda Guerra Mundial e que prima por ser diferente, pois destaca os sentimentos das personagens e as relações de amizade (e amor)  entre eles. Apelando ao que faz de nós seres humanos, o autor revela de forma exímia os defeitos e as qualidades numa época em que o mais pequeno erro pode custar a vida de alguém que é muito próximo.

Classificação: 4/5

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A frase "cortem-me os pulsos já" foi proferida, ontem, pela Sandra, no Encontro do Clube dos Clássicos Vivos, aqui em Leiria, mas achei que vem muito a propósito da "Ilustre Casa de Ramires", de Eça de Queiros, mais concretamente, ao pouco tempo que dediquei à leitura deste clássico. Não li mais do que 50 páginas (parece que é a parte chata) e, como se isso não bastasse, apenas fiquei 10 minutos no encontro. Claro que sei que o tempo não estica nem dá para tudo, mas fiquei com imensa pena de não poder ficar e presenciar toda a discussão gerada em torno do livro. 

Para grandes males grandes remédios e a LIVE da Cristina (muito agradecida), do canal Books&Beers, permitiu que assistisse ao resto do encontro, o qual foi bem animado e interessante. Valeu mesmo a pena. 

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Obrigada a todas:

http://amulherqueamalivros.blogs.sapo.pt/

http://hollyreader.blogs.sapo.pt/

http://sayhellotomybooks.blogs.sapo.pt/

http://barbarareviewsbooks.blogspot.pt/

http://menteliteraria.blogs.sapo.pt/

http://cialiteraria.blogs.sapo.pt/

Books&beers

a outra mafalda book´s

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Sinopse:aqui.

Opinião:  Quando soube que a Magda me ia enviar este livro, pelo correio, fiquei em polvorosa. As leis fazem parte do meu trabalho, do meu dia-a-dia e as expetativas eram mais do que muitas. 

 

Então, começando pelo Mike Papantonio, o autor é advogado num dos maiores escritórios de advocacia da América (o Levin Papantónio) e resolveu escrever este livro inspirando-se em factos verídicos. É desse conhecimento que surge a história do advogado Nicholas Deketomis. O primeiro caso é o de Annica, uma jovem de de 19 anos que sofreu um acidente vascular cerebral após tomar uma pílula contracetiva. Inicia-se um medir de forças entre uma grande farmacêutica e um advogado que quer defender a vida de inocentes. Evitar novas vítimas é a sua prioridade máxima, porém terá de lidar com forças poderosas que não olham a meios, os chamados "danos colaterais", para atingir os seus fins lucrativos.


Os julgamentos de crimes (contra a vida, o ambiente e saúde pública) e os meandros do próprio sistema judicial americano são assuntos que me prendem a atenção. Já vi vários filmes (tratando-se do tema ambiente veio-me logo à cabeça o filme «Erin Brokovitch»), já li vários livros com julgamentos (ainda não vos disse que o meu preferido é o «Sete Minutos», de Irving Wallace?) e vou continuar a ver e a ler, mais e mais.
 
No início, referi que as expetativas eram altas. E eram. Porém, ter um termo de comparação também não ajuda - e eleva a fasquia. Esperava ação, muita ação, e debates, arrebatadores, entre a acusação e a defesa. Não esperava, de todo, ficar a saber a facilidade com que, no sistema judicial americano, se iliba alguém da morte de uma pessoa através do descrédito "moral" da testemunha chave, sem direito a novo julgamento.
Lei & Corrupção possui uma escrita simples, algo "cinematográfica", que se lê rapidamente. Eu esperava mais dos personagens e da história, o que não quer dizer que não venham a ler e a gostar (como a Magda ).
 
Classificação: 3/5

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Estou um pouco atrasada nos post´s aqui no blogue, mas não quero iniciar este ano sem deixar de falar nas leituras que fiz no âmbito do Clube dos Clássicos Vivos e do Livro Secreto.

Aderi ao CLUBE DOS CLÁSSICOS VIVOS em dezembro de 2016 e, durante o ano 2017, foram votados vários títulos pelos membros. O período de votação é sempre de dois em dois meses de forma a dar tempo de ler e discutir as obras escolhidas. 

Tenho acompanhado esta iniciativa da Cláudia (a mulher que ama livros) e da Carolina (Hollyreader) com entusiasmo. 

 O que mais gosto neste grupo ou clube tem sido o incentivo à leitura de clássicos.

Durante o ano, li 5 clássicos (li mais mas estes foram os escolhidos pelos membros do Clube no goodreads).

A leitura que mais me surpreendeu foi a de Dom Casmurro.

A que mais me desiludiu foi O vermelho e o Negro.

Apenas houve uma releitura com O crime do padre amaro

Paris é uma festa e uma  Boneca de Luxo foram os que gostei menos, mas considero que são importantes para conhecer os respetivos autores.

 

Curiosamente, no LIVRO SECRETO do eagora?sei lá, li mais 3 clássicos que me surpreenderam. Estou a referir-me a EmigrantesO velho e o mar e a Bichos. Fantásticos, mesmo, têm de ler. 

Desde Fevereiro de 2017, altura em que aderi ao grupo, li 10 livros.

Nuns chorei (Às terças com Morrie) e noutros ri a bom rir ( Obrigada pelas recordações).

Gostei muito de uns, outros nem tanto. Todos foram importantes à sua maneira e por isso nunca desisti nem deixei de ler nenhum.

O que mais gosto neste grupo é da surpresa no correio, pois não sabemos o livro que vamos ler nesse mês, nem o autor que vamos conhecer.

Posto isto, atendendo a que li bastante mais clássicos e livros que sairam da minha zona de conforto do que em anos anteriores, considero que o balanço geral não poderia ser mais positivo.

Resta desejar que o 2018 traga, igualmente, muitas e boas leituras.

 

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O Reading Challenge é um desafio que vi no blogue Say hello to my books  e que achei muito interessante.

Assim, no ano 2017, li:

 

Um calhamaço Crime e Castigo, de Fiedor Doestoievski

Uma biografia Paris é uma Festa, de Ernest Hemingway

Um livro sobre o Holocausto A outra metade de mim, de Affinity Konar

Um livro vencedor de um prémio O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway

Terminar uma série

Terminar um livro deixado a meio

Um livro com um título longo A história de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar, de Luís Sepúlveda

Um livro escrito há mais de 100 anos Verão, de Edith Warton

Um livro com uma mulher na capa O meu nome é Lucy Barton, de Elisabeth Strout

Um livro escrito por um autor antes dos 30 Os últimos dias dos nossos pais, de Joell Dicker (sem post)

Um livro com uma autora portuguesa Os olhos de Ana Marta, de Alice Vieira

Reler um livro lido há mais de 10 anos O crime do padre amaro, de Eça de Queirós

Um livro publicado no ano em que nasceste

Um livro com o nome próprio no título

 

Alguém seguiu o desafio? Se sim, gostaram do resultado?

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Mais um ano. mais um desafio e mais uma história (*uma brincadeira da Patrícia) para contar. Lembram-se da Avó Maria do ano passado? Se calhar não, mas não faz mal. O que interessa é que leiam a nova história com os livros lidos durante o ano 2017 

Na Altura, as Flores eram muito raras. A Primavera andava um pouco tímida e os rebentos ainda não tinham despontado.No entanto, no ar pairava um perfume, e respiravam-se as cores da alegria, o calor do contentamento, e os animais, claro, chilreavam em consonância. A expetativa aumentava, afinal, quem espera, desespera, quando alguém rompeu a ordem natural e surgiu uma conversa pouco habitual:

- O meu nome é Lucy Barton. - disse a rapariga de saia rodada e colete vermelho.

- Ai, é? E o meu nome é Um estranho lugar para morrer e a seguir vais comer!!! - disse o João, conhecido por ser o grande fanfarrão, mal educado, obtuso e complicado da escola.

- É Lucy, sim senhora. Ou melhor sabes que é Lúcia com Y que é mais elegante - pediu a rapariga.

- Então eu sou o Jonhny porque é finório e a condizer. Ahahahah - riu-se o João.

- Não sei se sabes, mas estou a ler O crime do padre amaro e embora seja o grande pecado, mudar o nome não! - disse a Lúcia.

- Ah, pois, um padre a comer uma gaja é normal. Só faltou o padre ir de Lua-de-mel e tudo! - atirou o João a ver se a conversa pegava.

- O Eça era muito corajoso para a época e falou de coisas que se passaram. Só é pena que tivesse superstições e que pensasse n´O gato preto como dando azar- disse Lúcia tentando mudar de assunto.

- Falando em Lua-de-Mel, que tal irmos os dois a Paris. Paris é uma festa

-Estás sempre a bater na mesma tecla, João. Assim não dá para conversar contigo. Ouve com atenção: vou dar-te uma última oportunidade - disse Lúcia - porque precisamos de fazer um trabalho para a escola sobre A história de uma gaivota e do gato que ensinou a voar.

- Raios, exclamou o João, julgava que era O convidador de pirilampos!

- Eu é que tenho a cabeça no ar e afinal está-se mesmo a ver - disse Lúcia sem confessar que tinha espreitado O diário oculto de Nora Rute em vez de começar a fazer o trabalho.

- Até parece que vai existir Crime e castigo por não fazermos esse trabalho! Estou a começar a ficar farto de tanto papel e de tanta escrita. Estou farto da escola!  Podiamos realizar os dois Os sonhos que tecemos, hum, não achas? - disse o João piscando o olho.

- Olha O gato malhado e a andorinha sinhá eram muito apaixonados e não ficaram juntos, portanto, tira lá o cavalinho da chuva!!! - respondeu Lúcia que corou de repente.

- Pensas que atrás dos livros ninguém vai namorar?! Ai, Lúcia, estou cada vez mais entusiasmado e a pensar no casamento! - disse o João. 

O João era fanfarrão mas, pensou no que O vendedor de passados lhe fez ver. O seu passado não o impediria de se tornar numa pessoa melhor. Agora, restava-lhe convencer Lúcia de que tinha mudado, embora fosse um bocadinho difícil de encerrar o passado e expressar o quanto estava apanhadinho por ela. Mors tua, vita mea, uma expressão em latim que aprendeu e que esperava que ela entendesse quando fosse a altura. 

- Gostavas de casar comigo n´A praia das pétalas de rosa, algures na Palestina? - perguntou o João sem pensar.

-Temos apenas 15 anos, João. Por favor, acaba com isso. O meu pai havia de gostar de fazer o trabalho d´O leitor de cadáveres  sobre o teu corpo morto! 

- Oh, Lúcia não sabes nada d´A saga de um pensador. Eu penso no futuro. Vida após vida, estamos destinados a ficar juntos. Quando for famoso vou cobrir-te de joias e serás  a minha Boneca de Luxo! - disse o João entusiasmado.

- João, credo! Esse livro não. Acho que viveria uma vida de Felicidade Roubada. Podemos pensar no futuro e n´A livraria dos finais felizes. Podemos pensar na altura em que Vamos comprar um poeta. Depois de ler O velho e o mar, que foi Escrito na água, A casa de bonecas ficará totalmente esquecida. 

-  O homem mais inteligente do mundo, o meu pai, não sei se sabes Ele está de volta, e não vai gostar, João. Os meus pais foram Emigrantes e desde que o meu pai é O leitor do comboio a vida até corre bem. No outro dia, falamos no livro do Eça e ele não ficou nada chocado. Disse que pior, pior era o padre d´O vermelho e o Negro. Não entendi, mas espero arranjar o livro...

- No  Verão,...- interrompeu o João- e daí não passa. Já não consigo viver sem A outra metade de mim, continuou. Quando o cuco chama, como ontem, podes crer no que digo. No Verão, vamos Comer e amar em Paris. És a Lucy, A rapariga de antes, mas depois não te lembrarás de mais nada. Ainda não sei se o feitiço das Bruxas fará com que digas Obrigada pelas recordações. Já planeei tudo. Vamos morar na casa do lago do meu pai. Existe O mistério do lago e podemos tentar descobri-lo juntos. O teu pai nunca mais vai perturbar a nossa vida, quando muito escreverá cartas À minha filha em França.

- João, estás a ser verdadeiramente irritante. Sinto como A noiva Bórgia que serve os interesses, neste caso os de um rapaz mimado. Sinto como Uma abelha na chuva a tentar viver a minha vida quando ainda não tive tempo para voar. Eu sei que Os livros que devoraram o meu pai e que ele é quase o Dom Casmurro  preocupado com Os olhos de Ana Marta, mas acho que não tens futuro para mim, nem que fosses O Pianista de Hotel ou um professor interessante de Às terças com Morrie!

Lúcia virou as costas e seguiu para casa. Estava cansada. O seu coração simples não acompanhava os sonhos do João. Sentia-se no abismo e a ser empurrada pel'O assassino do Aqueduto. Em queda livre, nos seus pensamentos, deu-se conta que os Bichos se calaram. O silêncio enorme pesava. E a Primavera não chegava... naquele entardecer, a Lei e corrupção* tecia teias dignas de O bicho-da-seda*. Incrédula, ela pensava no pai e n´Os últimos dias dos nossos pais*...

Na Imaginação, e em Altura, respiravam-se as cores da alegria e o calor do contentamento...

 

* Livros (ainda) sem opinião escrita aqui no blogue.

 

 

Para o ano há mais. Boas Festas!

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Este é um daqueles livros que ou se gosta ou se detesta, e digo isto porque fiquei com essa percepção depois de ter lido as críticas no goodreads. Mas adiante.

 

Quando requisitei este livro, na biblioteca, não sabia quem era a jornalista Anabela Natário, mas já tinha ouvido falar da história de Diogo Alves, do assassino do Aqueduto das Águas Livres, e da sua cabeça decepada guardada em formol para futuros estudos. Pareceu-me interessante e trouxe-o convencida de que o assunto eram as mortes ocorridas no Aqueduto. Mas Diogo Alves além de assassino era ainda ladrão e aterrorizou Lisboa da primeira metade do século XIX . Ao seu lado, tinha um bando de ladrões que vivam de assaltos, roubos, bebida e mulheres, e a sua amante, a Parreirinha (Gertrudes Maria), que era uma mulher que o apoiava em tudo. 

 

Voltando ao que referi anteriormente, uma das críticas apontadas à escritora no goodreads prende-se com o estilo de escrita da autora, porém, tenho de discordar dessa opinião, uma vez que algumas das expressões são as usadas naquela época. Talvez por já ter lido vários clássicos não estranhei a escrita e a leitura fluiu muito naturalmente.

 

O romance tem mistério e intriga q.b. e a jornalista fez um óptimo trabalho de pesquisa, consultando os jornais da época e os processos judiciais. 

Acho que é um romance histórico fora do habitual e o facto de ser baseado em factos verídicos é a minha cereja no topo do bolo. Eu adorei.

 
 
Classificação: 5/5
 
 

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