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"E olhava a cadela como se não houvesse mais ninguém na sala mais importante do que ela. O bicho dava saltos, empinava-se em ânsias, faria lembrar, coitadinha, a Amy March, de Mulherzinhas, se por acaso a Louise May Alcott a tivesse descrito enquanto cadela, em vez de adolescente burguesa e mimada".

 

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Sinopse: aqui.

Opinião:

Em entrevista dada pela jornalista Claúdia Rodrigues é referido que esta adora ler desde sempre e que escreveu este livro porque se comoveu "com a capacidade de as mães de levar tudo à frente por causa de um filho".

Em "A Espera de Fernanda", a mãe vive à espera de justiça para o seu filho e nunca desiste de procurar a verdade, pois o seu filho saiu de casa para o trabalho, e apareceu, dias depois, morto num pinhal, em circunstâncias no mínimo suspeitas, embora consideradas pela polícia como suicídio.

Como não conhecia esta história, nem Fernanda nem Joaquim, os pais do jovem de 24 anos, de nome Fernando da Cruz, fui ao longo do livro, ansiando e  esperando por um desfecho, por um desenlace que trouxesse alguma paz a esta mãe incansável, a qual nunca acreditou na versão da polícia e encetou várias diligências ao seu alcance para que analisassem o caso como homicídio. No entanto, a corrupção acabou sempre por decepar as expetativas destes pais que procuraram sempre descobrir a verdade, com base em provas irrefutáveis. Perante isto, o leitor não conseguirá ficar indiferente. Eu não fiquei, pois, ao longo desta leitura, senti a dor de Fernanda, a sua coragem e força de vontade em não desistir em momento algum, mesmo perante as adversidades que vão acontecendo. Uma verdadeira lutadora. Uma pessoa simples. Uma pessoa bondosa que criou o seu filho de forma honesta para que este seguisse só os bons princípios. Pessoas de bem, é a definição que me vem à cabeça.

Na minha opinião, esta história prende a atenção desde o início, porque é baseada em factos reais e documentos genuínos, e porque o preenchimento de espaços vazios na narrativa, recorrendo à fição, nem sequer se chegam a notar.

A escrita é fluída, o que torna a leitura simples e rápida, e descreve uma realidade que nos revolta pela inércia propositada da polícia e do sistema judicial, sendo de todo impossível ficar indiferente a esta história verídica e não reagir a esta leitura com sentimentos de revolta e de sentido de Justiça.

Gostei bastante da história e, ainda, da capa, simples e bonita, escolhida para este livro.

 

Classificação: 4/5*

 

Livro oferecido pela editora para opinião

 

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Estou a escrever isto para o meu Eu futuro para lhe lembrar que tudo o que tomava por garantido acabou de mudar. Não faz muito tempo que me preocupava com a quantidade de livros não lidos e, por ironia do destino, quando encerraram as livrarias e a venda de livros em supermercados, passei à fase de que afinal o "armazenamento" de livros na estante fazia todo o sentido em alturas como estas. Como se alguma vez na vida imaginasse que iria ser como o pão para a boca e um bem escasso!

Aquilo que me vem à cabeça poderá soar a exagero, mas lembra-te de que quem gosta de livros as ideias surgem donde menos se espera e as comparações estranhas não superam os tempos distópicos que vivemos, em 2020-2021, em que os encontros do Clube de Leitura Livros & Cª têm de ser online através da plataforma Zoom. É um facto que dá para colocar a conversa em dia e falar dos livros que lemos no mês anterior. Mas recordo-te que há diferenças assinaláveis que, aos poucos, se tornam cada vez mais notórias. Estou a referir-me à presença do outro, ao olhar, à expressão e à forma como a pessoa sorri ou até os gestos. Depois há, ainda, a descontração, a companhia de um chá, de um café, e de um bolo. Nada disto tem sido possível e tentamos manter o contato à distância, esperando que em breve seja possível, pelo menos, estar fisicamente (pois acredito que tão depressa não há chazinho nem bolinho para ninguém).

Há pouco tempo li, algures na vastidão da internet, que a fadiga pandémica se começa a sentir. Talvez seja isso, ou talvez esteja a ficar saturada dos ecrãs, mas não me tirem os livros, nem as conversas que nos aquecem a alma; não me tirem, ainda, a foto com a pilha de livros, pois eu tenho esta pancada e gosto de ver muitos livros alinhados e ordenados - é que quando é para conversar é a sério e, no clube, as leituras são como as conversas e as cerejas, acabamos a falar pelos cotovelos e a mostrar todos os livros que lemos.

Ao meu Eu futuro digo que sábados à tarde é com livros, chá, bolo e companhia. E isso é liberdade!

 

 

 

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Sinopse: aqui

Opinião: 

Este livro é uma edição da Suma de Letras  e considero que é o livro mais bonito que recebi até hoje. A editora esmerou-se nesta edição, pois a capa e as ilustrações são simplesmente maravilhosas. 

Charlie Mackesy é ilustrador e cartoonista inglês, com trabalhos exibidos em galerias de Londres e Nova York. O autor, numa entrevista, descreveu o livro como «uma pequena novela gráfica, feita de ilustrações e diálogos, com uma paisagem em fundo». No entanto, antes de ser um livro ilustrado foi apenas uma ilustração partilhada pelo autor no seu Instagram. Começou, assim, por ser algo pequeno para depois fazer «uma enorme diferença».


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Esta fábula é sobre um rapaz, curioso, que encontra uma toupeira e os passeios que fazem. Pelo caminho vão se juntando a eles a raposa e depois um cavalo. As aventuras dos quatro amigos iniciam-se na Primavera, em que cai neve e a seguir o sol brilha, sendo que eles passam o tempo juntos a contemplar a Natureza.

As personagens são todas diferentes: a toupeira é mais extrovertida, sempre pronta a dizer o que pensa e sem conseguir resistir a um bolo (como eu); a raposa mais introspetiva e observadora, mas sempre presente e pronta para falar só quando acredita acrescentar valor; e o cavalo é mais sábio, o maior mas também o mais delicado. 

Como podemos ler logo na introdução, Charlie Mackesy refere que: «É surpreendente eu ter escrito um livro porque não sou grande coisa a lê-los. A verdade é que preciso de imagens, elas são como ilhas, lugares onde chegar num mar de palavras».

Ora, é precisamente nas imagens e nas palavras que encontramos a beleza deste livro. Com palavras simples, é certo, mas que nos recordam a beleza e o valor da vida.

Um livro que é uma pequena obra de arte, para ler, pensar e divertir os mais novos e os mais crescidos. Podemos ler,  folhear, sem seguir qualquer ordem, e apreciar as ilustrações, já que o poder de observação desempenha, aqui, um papel tão importante quanto os o pensamentos e as reflexões sobre a vida, a esperança, a motivação, a coragem, a bondade e o amor.

 

Classificação: 5*

Oferta da editora para opinião

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Já há muito tempo que vi um vídeo da Tatiana Feltrini a dizer maravilhas deste autor. Para quem não conhece, ela é uma conhecida booktuber brasileira e lê muitos clássicos. Embora não tenha sido este o livro que ela recomendou, resolvi dar uma oportunidade e fui surpreendida.
A história inicia-de com um crime horrível e macabro num lugar pacífico, onde todos se conhecem, chamado Terra Alta, pois os donos das Gráficas Adell, aparecem mortos, barbaramente assassinados.
Melchor Marín, jovem polícia, irá revelar o desenrolar da investigação ao mesmo tempo que conta o seu passado obscuro.
Este livro lê-se de uma assentada porque a escrita e a narrativa assim o permitem, no entanto o final deixou, na minha opinião, um travo amargo a realidade.
Gostei bastante deste policial e vou querer ler mais deste autor, tendo em mente que este não é o seu estilo habitual.
Alguém já leu algum livro do autor ?

 

Este texto é brilhante e intemporal mas fico triste quando ouço estas palavras e penso na proibição de venda dos livros 😞. E não me venham falar em comprar online quando nem as livrarias nem as bibliotecas estão abertas... e quando deviamos questionar o porquê de tanta preocupação em confinar os livros.

O casal do lado, de Shari Lapena

[O ano do pensamento acelerado]

04.02.21

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Anne e Marco vão jantar com os vizinhos do lado. A vizinha Cynthia pediu a Anne que não levasse a filha Cora, a bebé de seis meses, e os pais decidem ir pois combinaram levar o intercomunicador e ir alternadamente, de meia em meia hora, ver como está a filha. A certa altura a bebé é raptada e a polícia tem de resolver o caso mais rapidamente possível. 

A história neste livro revela o pior pesadelo para os pais. Enquanto mãe, li com alguma apreensão, mas, tal como na vida real, nem tudo é o que parece.
É um livro que se lê bem, mas que não trouxe grandes surpresas.

O Tatuador de Auschwitz, de Heather Morris

[O ano do pensamento acelerado]

22.01.21

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O tatuador de Auschwitz é baseado numa história verídica e decorre entre 1942 e 1945. Lale Solokov tem de tatuar os prisioneiros que chegam ao campo de concentração que são marcados para sobreviver e apaixona-se por Gita quando faz a tatuagem no seu braço.

Este romance é de certa forma comovente e, ao mesmo tempo, arrepiante pelas várias descrições aos horrores cometidos contra seres humanos.

Por mais livros que se escrevam sobre esta fase negra da história, fico sempre com a sensação de incredulidade e de espanto perante a capacidade de sobrevivência do ser humano.

Gostei de ler este testemunho em forma de romance.

A Balada do Medo, de Norberto Morais

[O ano do pensamento acelerado]

19.01.21

IMG_20210119_142755_481.jpgTerminei de ler este livro há alguns dias. É o segundo livro que leio deste autor e acho que agora possa afirmar com convicção de que estamos perante um grande autor e um grande contador de histórias. Foi uma aventura e tanto, uma vez que Cornélio Santos Dias de Pentecostes, caixeiro-viajante, no dia em que regressa a casa, cinco meses e meio depois de ter partido pela última vez, é confrontado com o anúncio da sua morte. Tem apenas dez dias de vida se não entregar 10 mil cádos por dia ao misterioso homem de fato negro. Durante uma semana e meia, o caixeiro-viajante de Santa Cruz dos Mártires mergulhará numa espiral de desespero, percorrendo os caminhos mais sinuosos de si e do seu passado à procura de motivos e da salvação. Será que ele vai conseguir iludir a morte?
Um livro que recomendo vivamente.

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Sinopse: aqui

Opinião: Este é o segundo livro que leio da mesma autora de “Meu nome é Lucy Barton”e, tendo em conta que venceu o Pulitzer de ficção em 2009 e que foi adaptado a uma minissérie da HBO, encontrei razões fortíssimas para sentir logo curiosidade.

A prosa, que tão bem caracteriza Elizabeth Strout, é por vezes poética e por vezes crua, porém, neste livro, ela optou por escrever não uma mas 13 histórias, independentes, estruturalmente aproximadas ao género de contos, cuja única ligação é Olive Kitteridge, uma professora de matemática reformada. Portanto, o título do livro refere-se à personagem principal (Olive), embora, na minha humilde opinião,  Henry, o marido de Olive, farmacêutico simpático, merecesse ter um papel de maior destaque. 

Na pequena vila de Crosby, no litoral do Maine, todos se conhecem e os dramas surgem como  histórias isoladas, as quais fazem parte das vivências da comunidade. Este é um dos motivos para,  inicialmente, pensar que se trata de um romance que aparenta ser um conjunto de contos sobre pequenos dramas dos habitantes de uma pequena vila e, sobretudo, sobre a antipática Olive. Contudo, sabemos bem que as aparências enganam, cabendo ao leitor tirar as suas próprias conclusões, conforme explicarei de seguida.

Para mim, a subtileza neste livro está, portanto, na forma como a autora transfere para o leitor um certo ónus ao nível da leitura, dependendo muito de quem lê e da forma como o faz, ou da escolha entre ler o livro todo de seguida ou ir saboreando a leitura, ou até ao nível das simpatias e antipatias para com os personagens. Eu, por exemplo, terei sempre o Henry na memória enquanto Olive é apenas uma lembrança espartilhada pelas histórias de outros personagens.

Este livro é uma espécie de desafio lançado ao leitor, pois ele terá de tentar descobrir os detalhes e as mudanças desta personagem (Olive) que, quer se goste ou não, prima pela singularidade da imperfeição inerente ao ser humano. 

E vocês, já leram?

 

Classificação: 4/5*

 

 

Oferecido pela editora para opinião







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