Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



14593259840055-0-680x276.jpg

Passem pelo instagram @blogolivropensamento.  para saber as novidades.

Boas leituras!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

IMG_1778.JPG

Férias é sinónimo de mais tempo para ler. E este ano não irá ser diferente - espero eu. Porém, a escolha foi muito complicada. São 15 dias de férias (na praia) e levar muitos livros não é uma opção, até porque não sobrava espaço para levar roupa na mala. Então, tive uma ideia. Selecionei apenas alguns livros e coloquei no instagram.  O objetivo? Saber quem já tinha lido e se recomendavam ou não a leitura. Assim, a opinião de bloguers e vloguers, que me seguem nessa rede social, acabou com o meu problema. 

É claro que não vou levar na mala todos os livros que estão na fotografia. São cinco (dos mais votados) e um extra (à minha escolha). Seis são meia dúzia, o que me soa bem melhor do que cinco. Sim, meia dúzia, é muuuitooo melhor !!! 

Mas, como sou realista, provavelmente não vou conseguir ler todos. Acho que são boas escolhas, mas também quero aproveitar a praia, o mar e a piscina. E vocês, costumam ler muito nas férias?

 

Prodigio.jpg

A jovem Anna recusa-se a comer e, apesar disso, sobrevive mês após mês, aparentemente sem graves consequências físicas. Um milagre, dizem.
Mas quando Lib, uma jovem e cética enfermeira, é contratada para vigiar a menina noite e dia, os acontecimentos seguem um diferente rumo: Anna começa a definhar perante a passividade de todos e a impotência de Lib. E assim se adensa o mistério à volta daquela pobre família de agricultores que parece envolta num cenário de mentiras, promessas e segredos.
Prisioneira da linguagem da fé, será Anna, afinal, vítima daqueles que mais ama?
 

educação de eleanor.jpg

Eleanor Oliphant tem uma vida perfeitamente normal - ou assim quer acreditar. É uma mulher algo excêntrica e pouco dotada na arte da interação social, cuja vida solitária gira à volta de trabalho, vodca, refeições pré-cozinhadas e conversas telefónicas semanais com a mãe.
Porém, a rotina que tanto preza fica virada do avesso quando conhece Raymond - o técnico de informática do escritório onde trabalha, um homem trapalhão e com uma grande falta de maneiras - e ambos socorrem Sammy, um senhor de idade que perdeu os sentidos no meio da rua.
A amizade entre os três acaba por trazer mais pessoas à vida de Eleanor e alargar os seus horizontes. E, com a ajuda de Raymond, ela começa a enfrentar a verdade que manteve escondida de si própria, sobre a sua vida e o seu passado, num processo penoso mas que lhe permitirá por fim abrir o coração.


Stoner (1).jpg

Romance publicado em 1965, caído no esquecimento. Tal como o seu autor, John Williams – também ele um obscuro professor americano, de uma obscura universidade. Passados quase 50 anos, o mesmo amor à literatura que movia a personagem principal levou a que uma escritora, Anna Gavalda, traduzisse o livro perdido. Outras edições se seguiram, em vários países da Europa. E em 2013, quando os leitores da livraria britânica Waterstones foram chamados a eleger o melhor livro do ano, escolheram uma relíquia. Julian Barnes, Ian McEwan, Bret Easton Ellis, entre muitos outros escritores, juntaram-se ao coro e resgataram a obra, repetindo por outras palavras a síntese do jornalista Bryan Appleyard: “É o melhor romance que ninguém leu”.
Porque é que um romance tão emocionalmente exigente renasce das cinzas e se torna num espontâneo sucesso comercial nas mais diferentes latitudes? A resposta está no livro. Na era da híper comunicação, "Stoner" devolve-nos o sentido de intimidade, deixa-nos a sós com aquele homem tristonho, de vida apagada. Fechamos a porta, partilhamos com ele a devoção à literatura, revemo-nos nos seus fracassos; sabendo que todo o desapontamento e solidão são relativos – se tivermos um livro a que nos agarrar.

 As-Intermitencias-da-Morte.jpg

«No dia seguinte ninguém morreu.»
Assim começa este romance de José Saramago.
Colocada a hipótese, o autor desenvolve-a em todas as suas consequências, e o leitor é conduzido com mão de mestre numa ampla divagação sobre a vida, a morte, o amor, e o sentido, ou a falta dele, da nossa existência.

O-Alquimista.jpg

O Alquimista relata as aventuras de Santiago, um jovem pastor andaluz que abandona a sua terra natal e viaja pelo Norte de África em busca de uma quimera — um tesouro enterrado sob as pirâmides. Uma cigana, um homem que diz ser rei e um alquimista irão ajudá-lo na sua busca. Ninguém sabe exatamente o que é o tesouro nem se Santiago conseguirá ultrapassar todos os obstáculos da sua travessia do deserto. Mas aquilo que começa por ser uma aventura por locais exóticos para procurar a riqueza material, acaba por se transformar numa viagem de descoberta de si mesmo e da riqueza da alma humana. O Alquimista recria um símbolo intemporal que nos recorda a importância de seguir os nossos sonhos e de ouvir a voz do coração.

 

image.jpg

Um rapaz de onze anos é encontrado morto. Todas as evidências apontam para que o assassino seja Terry Maitland, um dos cidadãos mais queridos de Flint City, professor de inglês, marido exemplar e pai de duas meninas. O detetive Ralph Anderson dá-lhe voz de prisão. Maitland tem um álibi forte, estava noutra cidade quando o crime foi cometido, mas os indícios de ADN encontrados no local confirmam que é ele o culpado. Aos olhos da justiça e da opinião pública, Terry Maitland é um assassino e o caso está resolvido.
Mas o detetive Anderson não está satisfeito. Maitland parece ser uma boa pessoa, um cidadão exemplar, terá duas faces? E como era possível estar simultaneamente em dois lugares?
Por ser um romance de Stephen King, quando conhecemos a resposta, arrependemo-nos de ter formulado a pergunta.
 

Autoria e outros dados (tags, etc)

20190815_173731.jpg

Opinião: Esta história incrível, linda e invulgar, revela um grande conhecimento da natureza, e é fruto da experiência de Delia Owens enquanto zoóloga e cientista da vida selvagem, em África. A autora, habituada a escrever para revistas da especialidade, designadamente na área de ecologia e vida selvagem, conseguiu surpreender-me neste seu romance de estreia. A sua escrita é fluída e ritmada, e transmite uma calma visual e uma melancolia que se adequa ao espaço envolvente. E foi com essa leveza de espírito que encetei a leitura do primeiro capítulo, que descreve uma manhã de agosto quente, em que estava tudo invulgarmente silencioso, até que se ouve a porta da cabana a bater, e Kia, com seis anos de idade, vê a mãe sair com os sapatos altos de imitação de crocodilo e a mala azul na mão.

Kya é a mais nova de cinco irmãos, vive com os pais numa cabana tosca no pantanal, perto de Barkley Cove, uma pequena cidade fictícia da Carolina do Norte, mas aos poucos, a mãe, os irmãos e, por fim, o próprio pai, vão saindo e partindo deixando a pequena Kia para trás.

“E finalmente, num momento inesperado, a dor que sentia no coração desapareceu como água na areia. Continuava presente, mas a grande profundidade. Kya poisou a mão sobre a terra viva e morna, e o pantanal passou a ser a sua mãe”

Para Kia o pantanal é tudo a partir do momento que é abandonada e "ninguém" quer saber dela. Ela aprende a observar com atenção tudo o que a rodeia e torna-se desconfiada, ou um verdadeiro “bichinho do mato, preferindo estar numa cabana desolada no pântano e longe do contato de qualquer ser humano. Kia irá crescer sozinha, na companhia das suas amigas gaivotas, e do seu amigo Tate, que a ensina a ler.

“Talvez fosse uma forma de comunicar, uma forma de expressar as suas emoções a alguém que não apenas as gaivotas, para dar um destino às suas palavras”.

Este livro, possui descrições que revelam toda beleza natural do pântano e maravilha-nos com as várias espécies que aí habitam - numa verdadeira ode à natureza em que prevalece a lei do mais forte no recesso esconso do próprio ser humano. E será com este pano de fundo que o ritmo de escrita da autora nos vai fornecendo uma visão quase cinematográfica, quer da natureza selvagem, quer da natureza humana, contribuindo para que, enquanto leitora, saboreasse cada imagem com deleite. Este é, sem dúvida, o melhor livro que li este ano. Adorei cada página e aconselho vivamente a leitura.

 

Classificação: 5/5*

 

livro oferecido pela Porto Editora para opinião

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pensamentos - 5

08.08.19

escolha aleatória.png

Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam! Não duro nem para metade da livraria! Deve haver certamente outras maneiras de uma pessoa se salvar, senão… estou perdido.” 

 Almada Negreiros, A Invenção do Dia Claro

Autoria e outros dados (tags, etc)

IMG_1725.JPG

A minha opinião: Clare Mackintosh trabalhou doze anos na polícia, alguns deles no Departamento de Investigação Criminal, porém, abandonou essa carreira para se dedicar ao jornalismo e à escrita. E ainda bem que assim foi porque agora podemos ler os seus livros, os quais, provavelmente, serão inspirados em algum dos casos que investigou. Curiosos? Eu fiquei.

No livro, a história é contada sob várias perspetivas; uma delas, a de alguém que não percebemos se morreu, as outras duas, são identificadas como sendo a de Anna Johnson e a de Murray Mackenzie, um polícia aposentado. Anna é uma jovem mãe e sente saudades dos pais, os quais, ao que tudo indica, se suicidaram no mesmo sítio, com um intervalo de 7 meses entre eles. Primeiro o pai, depois a mãe. Anna não consegue compreender e sente que foi abandonada pela mãe quando mais precisava dela. Eis senão quando ela recebe um postal de aniversário com a mensagem «Suícidio? Pensa melhor» e decide ir à polícia. 

Enquanto leitora senti-me atraída pela sinopse, mas não estava nada à espera de que o ritmo da investigação fosse lento e que só surgissem novidades a mais de metade do livro. Não obstante, a escrita é simples, a leitura é agradável e tudo flui com naturalidade, pelo que o desenrolar dos acontecimentos em nada perturbou a minha leitura. Curiosamente, constatei que são fornecidos muitos pormenores que nada têm a ver com a investigação criminal e que se relacionam com a maternidade recente de Anna e com a saúde mental da esposa do polícia, Murray. Confesso que não percebi a importância desses detalhes para a história em si, se bem que permitem o adensamento ao nível da caraterização psicológica destas duas personagens. A autora entendeu que isso era relevante e resolveu realçar aspetos talvez como forma de desviar a atenção do leitor.

O que não será tão linear quanto isso, nesta história, são as mentiras. Os mentirosos têm tendência a acrescentar factos e situações e acabam, no final de contas, por ser descobertos. Basta um pequeno pormenor para se descobrir toda uma história. Mas, no livro, isso não acontece. Fui iludida pela autora, quando aparentemente tudo se resolve, e surpreendida pela seu engenho quando conseguiu acrescentar uma mentira a outra mentira. E foi precisamente isso que, na minha opinão, tornou tudo tão interessante ao ponto de já não conseguir parar de ler até ao fim. 

"Deixa-me mentir" parte de uma premissa simples [um suicídio/homicídio] para entrar em algo bem mais arrojado e interessante. A história lê-se rapidamente, mas é um intricado novelo, em que puxamos um fio e este vai-se desenrolando aos poucos, muito devagarinho, podendo, num ápice, dar uma grande reviravolta. Se julgam que já não conseguem ser surpreendidos, pensem melhor. Leiam, porque vale a pena. Gostei muito.

 

Classificação: 4/5*

 

oferecido pela editora cultura para opinião

Autoria e outros dados (tags, etc)

clube de gatos.png

A partir de hoje vou partilhar convosco as aventuras da minha gata Sushi no blog Clube de Gatos do Sapo. Ela é uma gata com um feitio especial e tem sempre aquele ar de enfado fofinho. Para a conhecerem espreitem aqui: Sushi que não é de comer e que Mia

 

Bom fim-de-semana e boas leituras!

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Follow friday

02.08.19

Sem Título.png

Há muitos blogues que visito, mas hoje vou destacar o  blog música para a alma vibrar.

Música é vida, como sabem, e a simpatia da Sofia faz com que, em cada visita, me sinta em casa.

Se não conhecem, passem por lá e fiquem a conhecer os novos sons e o seu blog.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

A JB Comércio Global é uma empresa portuguesa que comercializa livros, jogos, brinquedos e artigos de papelaria conforme já referi nest post . Agora, a novidade que vos trago relaciona-se com o seu canal no youtube,no qual fui surpreendida pela apresentação da #andreia1000ideias. Então, resolvi, meus amores, partilhar convosco dois dos momentos divertidos retirados desses videos, em que  um está relacionado com as férias e outro com o regresso às aulas.  E porquê a partilha, perguntam vocês? Porque ficam a saber uma forma diferente de dar a conhecer materiais escolares e porque podem habilitar-se a ganhar vários produtos Maped até ao dia 4 de agosto. Eu já concorri, portanto, não percam esta oportunidade antes de iniciarem as aulas. 

Boa sorte!

O que levar para as férias na praia (aqui).

Maped é o máximo! Novidades 2019 + Giveaway fantástico  (aqui)

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

20190729_190259.jpg

A minha opinião: Clara Sánchez foi professora de literatura, colaboradora do jornal El País e publicou o seu primeiro livro em 1989. Em 2000 recebeu o Prémio Nadal, o prémio mais antigo de Espanha, pelo romance “Lo que esconde tu nombre”, ou, na versão portuguesa, “Os Monstros Também Amam”.  

Este livro é um claro exemplo de que nada o que parece é - uma alusão à vida, à morte e aos nossos medos mais secretos, aqueles que se encontram aprisionados (ou não) nas nossas mentes. Esse facto leva-me a deduzir que o arame farpado, que surge na capa, não estará ali por mero acaso. Toda a realidade é apenas o que nós procuramos ver e por detrás dela escondem-se até os mais ignóbeis criminosos (os quais já deixaram de existir na face da terra, espero).  

"A solidão também é liberdade"

"Na minha balança, o ódio pesava muito, mas, graças a Deus, o amor também pesava; embora, lamentavelmente, e tenho de o confessar, o ódio tivesse roubado muito espaço ao amor".

"A inocência era um milagre mais frágil do que a neve"

No que diz respeito à história, os dois personagens principais, que vão, alternadamente, narrando os acontecimentos, são totalmente opostos. Temos Júlian, octogenário e doente, que viaja de Buenos Aires para El Tosalet, em Alicante, após receber uma carta do seu amigo, Salva, na qual relata que aí se encontra um casal de noruegueses nazis. Ambos estiveram no campo de concentração Mauthausen e dedicaram-se à caça de oficiais nazis, no pós guerra. Sandra, jovem e grávida, deixou o namorado, Santi, para ficar sozinha na casa da irmã a pensar na sua vida e, após se sentir mal na praia, ela é socorrida pelo tal casal de noruegueses de que Júlian anda à procura. A certa altura conhecem-se e esta dupla irá investigar esse casal, o Fred e a Karin, surgindo ainda mais figuras ligadas a esse passado e às atrocidades, eles que “vivem, e bem que vivem”. A certa altura também é explorada a possibilidade de existir um elixir da juventude, um segredo que os nazis sempre procuraram e que Alice esconde.

Em poucas palavras é o que se nos oferece revelar sobre o enredo. A destacar a relação de amizade entre Júlian e Sandra como uma amizade improvável entre quem teve a experiência de passar pelos campos de concentração e quer justiça e quem parece ingénua e algo superficial, especialmente quando pensa no dinheiro e na possibilidade de vir a herdar os bens do casal que a acolhe, sem descortinar as segundas intenções daqueles. Na realidade sabemos que muitos dos criminosos nazis se esconderam e viveram até à velhice sem que tenham sido punidos pelos seus atos atrozes contra seres humanos. E estou-me a lembrar, por exemplo, do Anjo da Morte, o nazista e médico Joseph Mengele, que fez experiências médicas hediondas e que, segundo consta, após a guerra, viveu na Argentina, no Paraguai e no Brasil.

Houve alturas que não consegui parar de ler e, talvez por procurar que ninguém saisse impune, a única coisa que me desapontou foi mesmo o final. É que tenho um sentido de justiça muito apurado, entendem, embora saiba de antemão que esse sentimento não se coaduna com a prática corrente.

Em suma, quem procura um thriller não se irá rever nesta história, não é disso que se trata, mas o leitor mais atento descobrirá que vale a pena ler (e pensar) sobre a forma como viveram os nazis no pós-guerra. Fala-se muito do holocausto. Pouco no que se passou a seguir. E esta história revela um pouco dessa realidade. Mas mais importante ainda é a história de uma amizade improvável forjada por ironia do destino; muito bem escrita e diferente do habitual. Eu adorei e recomendo.

 

Classificação: 4,5 /5*

 

 

livro oferecido pela matéria prima edições para opinião

Autoria e outros dados (tags, etc)

20190725194850_IMG_1674.JPG

Schopenhauer, filósofo alemão do século XIX, disse que é “importante, em relação ao nosso hábito de leitura, a arte de não ler. (...) Para ler o que é bom uma condição é não ler o que é ruim, pois a vida é curta e o tempo e energia são limitados". 

Uma frase vinda de um filósofo dá sempre que pensar, especialmente quando se refere à leitura, mas não vou tecer aqui grandes considerações acerca dela. Tudo o que escrevo são apenas palavras que fluem naturalmente e de acordo com a minha experiência, e lá por um filósofo ter pensado num assunto não quer dizer que o vá reproduzir ou que pense exatamente o mesmo. Apenas começo por salientar o aspeto do tempo. Quando fecho um livro, porque este é pior do que estava à espera, permanece realmente uma sensação de tempo perdido. Tempo que poderia ter sido gasto melhor ou a ler outro livro. Geralmente acontece quando não tenho disposição nenhuma para bagatelas e clichés.

Acho que as minhas escolhas são como a lua, têm fases, e, ultimamente, dou por mim a refletir mais sobre elas. O que me levou a comprar? O que deveria ter lido acerca daquele livro? Porque é que tive interesse nele? Porque é que o livro não é para mim? Mas, enquanto leitora, sou demasiado curiosa, quero ler tudo e conhecer vários autores. E depois há uma variedade livros com capas apelativas, com propaganda feita especialmente para me fazer pensar que preciso, quando na verdade não é bem assim.

O que move, verdadeiramente, as minhas escolhas, são as tais fases, algumas de humor, outras sazonais. Há livros que gosto de ler no verão, na praia. E há livros que gosto de ler no inverno, com uma mantinha e uma chávena de chá ou café. Já quanto aos livros que são penosos, em que cada página é uma tortura e em que queremos que chegue rapidamente ao fim, o que faço? Porque é que não desisto de ler livros "maus"?!  Pessoalmente, se o livro não me prende passo ao seguinte e volto a pegar nele mais tarde. Nunca desisto à primeira. Talvez à segunda. Talvez o livro se torne extraordinário quando já vai a meio. Talvez esteja perante um livro com uma mensagem sobre a qual vale a pena refletir. Talvez o autor tenha investido muito trabalho e mereça uma oportunidade. Talvez a minha curiosidade seja demasiado forte e precise de aprender a controlá-la. 

A dificuldade que encontro na escolha dos livros é quase como a dificuldade de não me ver a mim própria - nem no espelho vislumbro a resposta às minhas dúvidas. 

Em prol das melhores leituras, deveria de existir uma meditação guiada, só para podermos encontrar os melhores livros do mundo. No entanto, a realidade tem sido madastra e, enquanto estou em formação, na qualidade de leitora, a minha transformação continua distante do ideal Yin-Jang literário. 

 

Mais pensamentos literários para ler aqui:

Livros a mais não existe

Qual o teu género literário

Livros que intimidam

A minha dieta literária

Livros e dieta, mas que ideia

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pais e filhos.JPG

Opinião: Desde o Crime e Castigo, de Doestoievski, que fiquei com vontade de conhecer autores russos e de descobrir um pouco mais sobre cada um. Antes de avançar para um autor preferido, espero conseguir ter uma ideia sobre a forma como cada um escreve e como abordam alguns temas que prometem dar que pensar.

E foi isso mesmo o que aconteceu com Pais e Filhos, um romance sobre o conflito de gerações. De um lado, temos o Arkádi e o seu amigo Bazárov, jovem estudante de medicina, que nega tudo, acreditando apenas na ciência; do outro lado, os pais, conservadores e tradicionais, como, por exemplo, Nikolai Pietróvitch, pai de Arkádi, que vive da exploração agrícola e do trabalho dos camponeses (mujiques), usando métodos pouco eficazes e já ultrapassados.

Portanto, o conflito instala-se assim que Bazárov entra em cena, já que as suas opiniãos e personalidade chocam a família tradicional Pietróvitch, especialmente Pavel, irmão de Nikolai, que o detesta. Mas, nestes dois pontos antipoidais da história, o personagem Arkádi, sob a influência de Bazarov, possui, a meu ver, opiniões mais moderadas. 

Neste livro, existem ainda outros personagens, porém, destaco o que mais me impressionou:  Bazárov e  seu pensamento niilista, uma doutrina filosófica que atinge a literatura, a arte, a ética e a moral. Ele é o tipo personagem que choca: é frio, calculista, detesta a vida do campo e os camponeses, e não demonstra sentimentos por ninguém (exceto, talvez, por Anna), nem respeita os próprios pais.

Devo confessar que, a determinado ponto da história, o niilismo vincado de Bazárov recordou-me Camus e o seu existencialismo. Perante tais interpretações da realidade, nada faz sentido, nem a vida nem a morte, e tudo é permitido (Isto sou eu a divagar, portanto, vale o que vale).

Pais e Filhos é de rápida leitura e com um final que surpreende (a mim supreendeu, sem dúvida), o que veio confirmar a ideia de que os autores russos possuem uma habilidade invejável ao nível da escrita, bem como na forma como contam as suas histórias,continuando, assim, a desafiar, ainda hoje, os leitores. 

Classificação: 4/5*

Autoria e outros dados (tags, etc)

clube.jpg

Quantos livros podemos ler durante a vida inteira? Muito poucos. Se fizermos uma média de um livro por semana, durante 70 anos, dá uma média de 3.640 livros numa vida. Se calhar quase ninguém consegue ler tanto. E se da próxima vez ficarem chocados ao saber que alguém não leu um determinado livro, lembrem-se disto: a maioria dos livros no mundo nunca será lido, incluindo alguns dos melhores livros de sempre. É por isso que é importante ler sempre o que gostamos. 

 

No clube de leitura Livros & Ca, que se reuniu, no dia 13 de julho, na Biblioteca Municipal de Leiria, esta breve introdução serviu de mote ao tema das listas literárias. Assim, além das nossas leituras (na fotografia), o tema das listas literárias deu azo a uma reflexão importante e que é do agrado a qualquer bibliófilo.

 

Se seguirmos as indicações, por exemplo, da lista 1001 livros para ler antes de morrer e, tendo em conta o número de livros que podemos vir a ler durante a toda uma vida, os 1001 livros parecem-nos um número mais razoável e até exequível. 

 

Ora, as listas servem como mera indicação de livros eleitos por alguém e que merecem (ou não) ser lidos. Contudo, não podemos desanimar se não conseguirmos ler tudo, porque, como vimos, isso é completamente impossível. Acresce que cada vez mais se publicam mais e mais livros. Só em Portugal, se não estou em erro, são publicadas cerca de 15.000 novas edições por ano. Conseguem imaginar?! São muuuuiiiitos!!!

 

A propósito de ler muito, vocês perguntam: mas qual é a relação com a temática das listas literárias???

Tendo em conta que a lista dos 1001 livros para ler antes de morrer é extensíssima, proponho-vos que procurem a resposta através de uma outra lista. A BBC já fez a experiência há uns anos atrás, mas não deixa de ser interessante verificar quantos livros já leram, o que, segundo a BBC, difilmente, somará mais de 6 livros.

 

Para descobrirem a resposta, à vossa pergunta, basta sublinharem e contabilizarem os livros que já leram. No nosso clube de leitura chegamos à conclusão de que lemos muito mais do que 6 livros, o que é a  prova de que a BBC está redondamente enganada [ou então os ingleses andam a ler muito pouco:)].

 

E vocês, quantos livros já leram desta lista? 

1 — Orgulho e Preconceito (1813), Jane Austen

2 — O Senhor dos Anéis (1954), J. R. R. Tolkien

3 — Jane Eyre (1847), Charlotte Brontë

4 — Harry Potter e a Pedra Filosofal (1997), J. K. Rowling

5 — Mataram a Cotovia (1960), Harper Lee

6 — Bíblia Sagrada

7 — O Monte dos Ventos Uivantes (1847), Emily Brontë

8 — 1984 (1949), George Orwell

9 — Trilogia Mundos Paralelos, Philip Pullman (1995-2000)

10 — Grandes Esperanças (1861), Charles Dickens

11 — Mulherzinhas (1869), Louisa May Alcott

12 — Tess dos D’Urbervilles (1892), Thomas Hardy

13 — Catch-22 (1961), Joseph Heller

14 — A Peste (1947), Albert Camus

15 — Rebecca (1938), Daphne du Maurier

16 — O Hobbit (1937), J. R. R. Tolkien

17 — O Canto do Pássaro (1993), Sebastian Faulks

18 — À espera no Centeio (1951), J. D. Salinger

19 — A Mulher do Viajante no Tempo (2003), Audrey Niffenegger

20 — Middlemarch: Um Estudo da Vida na Província (1871), George Eliot

21 — E Tudo o Vento Levou (1936), Margaret Mitchell

22 — O Grande Gatsby (1925), F. Scott Fitzgerald

23 — A Casa Soturna (1853), Charles Dickens

24 — Guerra e Paz (1867), Lev Tolstói

25 — À Boleia Pela Galáxia (1979), Douglas Adams

26 — Reviver o Passado em Brideshead (1945), Evelyn Waugh

27 — Crime e Castigo (1866), Fiódor Dostoiévski

28 — As Vinhas da Ira (1939), John Steinbeck

29 — Alice no País das Maravilhas (1865), Lewis Carroll

30 — O Vento nos Salgueiros (1908), Kenneth Grahame

31 — Anna Karénina (1877), Lev Tolstói

32 — David Copperfield (1850), Charles Dickens

33 — A Oeste Nada de Novo (1929), Erich Maria Remarque

34 — Emma (1815), Jane Austen

35 — Persuasão (1817), Jane Austen

36 — O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (1950), C. S Lewis

37 — O Menino de Cabul (2003), Khaled Hosseini

38 — O Bandolim do Capitão Corelli (1994), Louis de Bernières

39 — Memórias de uma Gueixa (1997), Arthur Golden

40 — Ursinho Pooh (1921), Alan Alexander Milne

41 — A quinta dos animais (1945), George Orwell

42 — O Código Da Vinci (2006), Dan Brown

43 — Cem Anos de Solidão (1967), Gabriel García Márquez

44 — Folhas de Erva (1855), Walt Whitman

45 — A Mulher de Branco (1860), Wilkie Collins

46 — Anne de Green Gables (1908), Lucy Maud Montgomery

47 — Longe da Multidão (1874), Thomas Hardy

48 — A história de Uma Serva (1985), Margaret Atwood

49 — O Deus das Moscas (1954), William Golding

50 — Expiação (2001), Ian McEwan

51 — A Vida de Pi (2001), Yann Martel

52 — Duna (1965), Frank Herbert

53 — Cold Comfort Farm (1932), Stella Gibbons

54 — Sensibilidade e Bom senso (1811), Jane Austen

55 — Um Bom Partido (1993), Vikram Seth

56 — A Sombra do Vento (2001), Carlos Ruiz Zafón

57 — Um Conto de Duas Cidades (1859), Charles Dickens

58 — Admirável Mundo Novo (1932), Aldous Huxley

59 — O Estranho Caso do Cão Morto (2003), Mark Haddon

60 — O Amor nos Tempos do Cólera (1985), Gabriel García Márquez

61 — Ratos e Homens (1937), John Steinbeck

62 — Lolita (1955), Vladimir Nabokov

63 — A História Secreta (1992), Donna Tartt

64 — Rumo ao Farol (1927) Virginia Woolf

65 — O Conde de Monte Cristo (1845), Alexandre Dumas

66 — Pela Estrada Fora (1957), Jack Kerouac

67 — Jude the Obscure (1895), Thomas Hardy

68 — O Diário de Bridget Jones (1996), Helen Fielding

69 — Os Filhos da Meia-Noite (1981), Salman Rushdie

70 — Moby Dick (1851), Herman Melville

71 — Oliver Twist (1838), Charles Dickens

72 — Drácula (1897), Bram Stoker

73 — O Jardim Secreto (1911), Frances Hodgson Burnett

74 — Crónicas de Uma Pequena Ilha (1995), Bill Bryson

75 — Ulisses (1922), James Joyce

76 — A Campânula de Vidro (1963), Sylvia Plath

77 — Pergunte ao Pó (1939), John Fante

78 — Germinal (1885), Émile Zola

79 — A Feira das Vaidades (1847), William Makepeace Thackeray

80 — Possessão (1992), Antonia Susan Byatt

81 — Um Conto de Natal (1843), Charles Dickens

82 — Atlas das Nuvens (2004), David Mitchell

83 — A Cor Púrpura (1982), Alice Walker

84 — Os Vestígios do Dia (1989), Kazuo Ishiguro

85 — Madame Bovary (1856), Gustave Flaubert

86 — Memórias de Adriano (1951), Marguerite Yourcenar

87 — A Teia de Charlotte (1952), Elwyn Brooks White

88 — As Cinco Pessoas que Encontramos no Céu (2003), Mitch Albom

89 — As Aventuras de Sherlock Holmes (1892), Arthur Conan Doyle

90 — A Casa na Árvore (1939-1951), Enid Blyton

91 — Coração das Trevas (1899) Joseph Conrad

92 — O Pequeno Príncipe (1943), Antoine de Saint-Exupéry

93 — Fábrica das Vespas (1984), Iain M. Banks

94 — Era uma vez em Watership Down (1972), Richard Adams

95 — Uma Conspiração de Estúpidos (1980), John Kennedy Toole

96 — A Náusea (1938), Jean-Paul Sartre

97 — Os Três Mosqueteiros (1844), Alexandre Dumas

98 — Hamlet (1609), William Shakespeare

99 — A Fantástica Fábrica de Chocolate (1964), Roald Dahl

100 — Os Miseráveis (1962), Victor Hugo 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

1793-b.JPG

Opinião: Este livro suscitou-me de imediato a atenção, porque a capa se destaca em termos de design gráfico (como podem ver na fotografia) e porque tenho lido alguns autores suecos que me brindaram com histórias de pôr os nervos em franja - o que adoro, devo confessar.

Nicklas Natt Och Dag, neste livro de estreia, recebeu um prémio da Academia Sueca de Escritores de Crime e recebeu vários elogios por esse feito. Num deles, o de Erik Axl Sund, é referido que se trata de «Um thriller histórico sem paralelo e de grande qualidade literária. É cru, elegante, comovente e extremamente cativante até à última página». Existem outros, mas acho que este comentário resume muito bem todas as qualidades do livro 1793.

Quando iniciei a leitura, estranhei logo o facto de a polícia parecer actual, com relatórios e comissários, o que me deixou um pouco de pé atrás no que ao rigor histórico diz respeito. Não obstante essa “ligeireza” histórica, acabei por gostar da narrativa  sem quaisquer subterfúgios.

Mas vamos à história. Em Estocolmo, no Outono de 1793, um cadáver flutua no lago Fatburen. Dois pequenos vagabundos dão o alerta. E o guarda Mickel Cardell, sem o braço esquerdo, despe o casaco com dificuldade e nada em direção ao que julga ser uma carcaça de um animal. Mas então vê o corpo desfigurado, com a duas órbitas oculares vazias e, na boca, não vê um único dente. Entra depois em cena Cecil Winge, advogado, que trabalha com a polícia, que irá trabalhar no caso com o guarda Cardell e os dois irão procurar o assassino, começando por tentar descobrir qual a identidade do homem desfigurado e desmembrado. Para Winge é urgente encontrar esse assassino cruel, uma vez que está doente e sabe que não viverá muito mais tempo.

«Winge combate a morte com a mesma bússola que o guiou toda a vida – a razão. Esta diz-lhe que todos temos de morrer e que todos estamos a morrer. Ajuda. Mas, quando os suores nocturnos chegam e a mente vagueia livremente, é a sua morte em particular que o atormenta, não a ideia de morte em geral. Contempla todos os pormenores. A infecção irá espalhar-se pelas articulações e pelo esqueleto, como o que acontece a muitos dos que sofrem desta doença? Irá morrer no sono ou em agonia e paroxismo? Que tormentos sofrerá? Quando mais nada ajuda, tenta convencer-se de que a maior parte de si morreu da última vez que viu a mulher. Mas é um fraco consolo quando a parte de si que ainda vive é aquela que consegue sentir dor».

 

Winge, que é justo, racional e inteligente, bebe para esquecer. Achei impressionante a forma como os personagens masculinos tentam resolver os problemas recorrendo à bebida, mas, no século XVIII, era um hábito muito comum.  Penso que seria uma forma de sobreviverem à realidade, à miséria e às injustiças e agruras da vida. Curiosamente, Kristofer Blix é um cobarde que, surpresa, também bebe, e nós vamos ficar a conhecer a sua história através de cartas que ele escreve à sua irmã, já falecida. Uma narrativa diferente da anterior, mas que resultou muito bem, uma vez que aí é relatada toda a vida deste personagem.

Depois de ter ultrapassado a reacção de estranheza inicial, comecei a questionar, ainda, o facto de este livro não ter a presença de uma personagem feminina forte e corajosa. De facto, até à terceira parte (o livro tem quatro partes), apenas é feita uma breve menção à mulher do Winge e à prostituta Johanna, sendo que, quando surge a Anna Stina, quase a meio de livro, esta personagem feminina introduz um novo folgo ao enredo. Ela é surpreendente e muito diferente dos outros personagens, o que torna tudo mais interessante.

No livro, 1973, existem muito personagens, os quais vão surgindo e desaparecendo de seguida. Mickel Cardell, Cecil Winge, Kristofer Blix e Anna Stina, são os que se destacam e, embora, no decurso da história, tenha gostado mais de uns do que outros, todos tiveram um final que foi do meu agrado.

O escritor conseguiu dar uma nova voz à ficção histórica. A narrativa é dura, crua e sem qualquer tipo de enfeites linguísticos. As personagens são interessantes e bem desenvolvidas. E a história é intensa, invulgar e muito bem escrita. Gostei muito. Vale a pena ler.

Classificação: 5/5*

Este livro foi oferecido pela Editora Suma para opinião.

Autoria e outros dados (tags, etc)

20190710180647_IMG_1599.JPG

Um especial agradecimento à Magda do blogue Stone Art Books por me ter convidado para o grupo do Livro Secreto e por ter aguentado todos os meus pensamentos, bons e maus. 

Em fevereiro de 2017, iniciou-se a 2.ª edição do Livro Secreto, uma iniciativa da Maria João e da Magda, e terminou, em julho de 2019, quase dois anos e meio depois, altura em que recebi, em casa, o livro mais viajado que possuo, uma vez que percorreu, via CTT, o Norte a Sul do País, num total de 5.810 Km. Achei que este facto é simplesmente uma curiosidade que causa espanto, assim como o facto de a distância maior alcançada, entre cidades, ter sido entre Faro e Sabrosa,  num total de 621 Km.

Para esta peregrinação livresca, elegi o livro "Em teu ventre", de José Luís Peixoto (podem ler mais aqui), porque foi um livro que me marcou especialmente e porque é sobre as aparições de Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos.

Ora, desde pequena que oiço esta história, mas, com o passar dos anos, passei de crente rendida a cética assumida. Porém, "Em teu ventre", há uma abordagem diferente.

O autor, com as suas palavras, reinventou e desmitificou o assunto. Já ninguém mete medo com o inferno, nem obriga a rezar Padres Nossos nem Avés Marias infindáveis. E as suas palavras levam-nos a refletir sobre a fragilidade daquelas três crianças, sobre a maternidade, e sobre a mentira e a verdade.

O livro é, para mim, muito especial e nesta viagem trouxe marcas que o tornaram único e inegualável.

20190710181316_IMG_1624.JPG

Nas páginas deste livro, encontrei frases que suscitaram mais a atenção, sublinhadas a lápis, e alguns comentários, simples e sinceros:

«Antigamente não havia grande espaço para se ser criança...começava a envelhecer-se depressa (Fabiana)»

«A maternidade é um campo de críticas (Alexandra)»

«Nós com a nossa mania que entendemos os outros e entendemos aquilo porque eles passam, onde estão e como estão. Ilusão. Vai ser sempre apenas e só uma tentativa (Silvina)».

 

E esta foi a peregrinação secreta do meu livro... e as palavras dele voaram, de casa em casa, nas asas de uma história feita de pedaços de memória e de vidas passadas.

Palavras, onde estão quando preciso delas? 

Será que um simples obrigada bastará? !

20190710181154_IMG_1619.JPG

Autoria e outros dados (tags, etc)

20190623_203623.jpg

A Mafalda recomendou-me este livro e agradeço-lhe imenso por isso. Obrigada, Mafalda, este livro deixo-me com vontade de ler mais desta autora, embora não existam ainda muito livros dela traduzidos em Portugal (e não me apetece lê-los em inglês:))

 

Opinião: Vou começar por vos deixar uma pequena nota em relação à obra, uma vez que não se trata de uma biografia e sim de uma obra de ficção baseada em factos reais. Isto deixou-me muito surpreendida, porque, quando leio um livro, não procuro saber a vida do autor. Aliás, não o faço para não ser influenciada. Só depois, e antes de escrever a minhas ideias, é que que faço alguma pesquisa. Eis senão quando me deparo com a informação de que este romance é baseado na história da avó de autora, conforme se comprova através da dedicatória:

Para Blanche Morgenstern, a «filha do coveiro».

É verdade que passei os olhos pela dedicatória, mas não prestei muita atenção, pois não entendi o seu significado. Mas vamos aos factos reais nesta história.

 

O pai de Joyce Carol Oates, já com 70 anos, resolveu contar o segredo de família relativamente ao avô Morgenstern. Este, depois de ter morto a mulher, matou-se com um tiro. A filha, Blanche Morgenstern, sobreviveu. A autora além de desconhecer esta história também não sabia que a avó era de ascendência judia. 

Nada mais é biográfico, o resto é imaginação de Oates, segundo julgo.

 

Portanto, o romance inicia-se em 1959 com a jovem mãe, Rebeca Schwart, que trabalha numa fábrica. No regresso a casa, num percurso que faz diariamente junto a um canal, ela é abordada por um homem que a confunde com Hazel Jones. Rebeca desconfia e consegue fugir ilesa.

No capítulo seguinte, a história volta atrás, para 1936, ano em que, depois da fuga da Alemanha nazi, Anna, a mãe de Rebeca, dá à luz, no porto de Nova Iorque, no meio da imundice. O pai, Jacob, antigo professor de matemática, é forçado a aceitar o emprego de Coveiro em Milburn, facto que nunca irá aceitar e que o levará a sentir-se discriminado e a um estado de verdadeira paranoia. Passam então a morar numa casa velha no interior do cemitério. Jacob transforma-se num tirano e isola a família. Proíbe a mulher de falar alemão e os filhos Herschel e Gus de terem amigos. Mas quando estes saiem de casa o pai mata Anna e suicida-se de seguida. Rebeca sai ilesa, embora assista a toda a cena.  A sua professora Rose Lutter toma conta dela, por ser menor, porém, esta sai de casa sem qualquer consideração ou atenção pela tutora. É então que conhece Niles Tignor e cometerá o maior erro da sua vida. 

 

Senti muita apreensão pelo futuro de Rebeca. Muitas das vezes não concordei com as suas decisões, embora ela lute por aquilo que acredita. Acho que é uma personagem muito bem construída, percebemos tudo o que se passa com ela, exceto mais no final da história em que parece que se transforma numa pessoa hermética, cheia de segredos. Desagradou-me esta faceta dela e esperei que, com todas as desgraças que ocorreram, no final se revelasse uma pessoa melhor. Na minha opinião, isso não aconteceu. Será que o dinheiro passou a ser mais importante?!

 

Posto isto, neste livro, um retrato cru da sociedade americana, o tema predominante é a violência, psicológica e física. É um retrato duro e visceral. A escrita, por vezes, também é dura:

A história não tem existência. Tudo o que existe são indivíduos, e, destes, só existem momentos singulares separados uns dos outros, como vértebras partidas.

 

No barco, tínhamos de comer o que nos davam. Comida estragada com bolor e baratas. Pegava nelas e esmagava-as com o pé e continuava a comer, a fome era muita. Ou isso ou morrer à fome. Quando atracámos, já tinhamos as tripas carcomidas e toda a gente cagava sangue e pus (...)

 

 

 

Numa linguagem simples, direta e realista, Joyce Carol Oates entrega-nos uma imagem de Rebeca (baseada na sua avó Blanche) como se tratasse do seu testemunho real, não deixando de lado nada, nem os seus defeitos. 

Gostei muito da escrita, com frases curtas, e da história inquietante. Recomendo.

 

Classificação: 4/5* (Só não dou 5* por culpa da Rebeca. O dinheiro muda muito as pessoas e gostaria de que a mensagem fosse outra).

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

A palavra pedestrianismo significa a atividade desportiva praticada em ambientes naturais. É um bocado difícil de pronunciar e não gosto particularmente dela. Ora, tendo em conta que sou uma simples iniciante nesta prática, não a vou utilizar de todo e, tal como outras palavras do dicionário, ficará apenas nas suas páginas inquientantes até que o abra de novo.

Esta atividade física ao ar livre permite aliviar o stess do dia-a-dia e é uma forma de combater o sedentarismo. Além disso, proprociona a observação da natureza, da flora, de algumas aves e funciona como aromaterapia. Sim, leram bem. Aromaterapia porque o cheiro do mato, das flores, ou da natureza, em geral, é salutar e agradável - longe da confusão e dos cheiros da cidade.

Neste post, como já perceberam, não venho falar de livros. Claro que podemos viajar através das leituras. Mas a proximidade com a natureza, os cheiros e os sons aguçam os sentidos e revigoram a alma.

A minha cruzada/caminhada no Vale do Lapedo durou duas horas e meia e foi uma verdadeira descoberta. É que o Vale do Lapedo, aqui perto da cidade de Leiria, é um local lindíssimo. As encostas são íngremes e existem declives acentuados aos quais devemos estar atentos - para não cair ribanceira à baixo.

O mais difícil foi iniciar esta caminhada (cerca de 45 minutos à espera), dado que os trilhos eram muito estreitos e, nesse dia, compareceram 670 participantes ( o que, embora longe da cidade, é muito trânsito engarrafado, como devem calcular). Enquanto esperavamos fui observando as pessoas (também fazem parte da natureza, a humana)  e alguns levavam mochilas enormes com uma caneca pendurada, outros estavam acompanhados dos filhos e conhecidos, e outros, ainda, levaram o cão (o que me fez recordar o livro d´Os Cinco, logo quando não era suposto pensar em livros!). Travei conhecimento com o Trincas, um cão preto e branco, que foi o participante percorreu os trilhos diversas vezes, porque o seu entusiasmo o levava a correr e a voltar para trás a correr e a voltar para trás. A certa altura tomou banho e o seu corricar animado passou a molhar as nossas pernas. 

No Abrigo do Lagar Velho, situado no extremo oeste do vale, na margem esquerda da ribeira, foram feitas descobertas arqueológicas importantes. Estudos apontam que o Abrigo tem entre 20 000 e 30 000 anos. A descoberta da primeira pintura rupestre, em 1998, levou a que os arquólogos explorassem o local, tendo sido descoberto o menino do Lapedo. Com cerca de 24 500 anos, o fóssil terá pertencido a uma criança que teria nascido do cruzamento de um Homo neanderthalensis e um Homo sapiens. 

Num percurso de 6 km, íngreme e atribulado, adorei conhecer o Vale do Lapedo, a sua história, enquanto fui observando tudo e todos. Claro que encontrei muitos motivos para tirar fotografias. Espero que gostem.

20190630093829_IMG_1450.JPG

20190630101951_IMG_1458.JPG

20190630105113_IMG_1479.JPG

20190630103853_IMG_1474.JPG

20190630100124_IMG_1455.JPG

20190630102339_IMG_1466.JPG

20190630111559_IMG_1495.JPG

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

20190704_205000.jpg

A wook fez 20 anos no passado dia 1 de julho e lançou a loucura nas redes sociais com um sorteio, em dois momentos do dia, um de manhã e outro à tarde. Na primeira tentativa, de manhã, não cheguei sequer a conseguir entrar no site e este encerrou em menos de 5 minutos depois. E assim de repente puff, já tinham sido oferecidos 1.000 livros.

Mas, apesar dos comentários negativos, designamente que se trataria de um embuste, que era uma treta e que era impossível alguém ter sido agraciado com a prenda prometida e muito menos terem sido oferecidos 1.000 livros, resolvi voltar a tentar da parte da tarde, até porque não tinha nada a perder - e um livrólico que se prese tenta sempre aumentar o espólio de leituras. 

Então, retomando a história do dia em que fui bafejada pela sorte e consegui o maior feito livresco ao arrebanhar o verdadeiro tesouro de natal (porque este é quando nós quisermos, vá), na segunda tentativa consegui entrar no site da Wook e ganhar o livro A Rapariga Sem Nome.

E como é que foi isso???

Cliquei furiosamente no ecrã do telemóvel. Só isto. Não há mistério nenhum. Fui atualizando e olhando para o número correspondente aos livros que iam sendo oferecidos. 2, 6, 10, e por aí fora. Depois de entrar no site foi tudo muito rápido e, numa questão de segundos, escolhi uma novidade, coloquei no carrinho e conclui a compra a custo zero. E então respirei finalmente, dado que respirar poderia fazer cair a ligação. Ou terá sido os nervos???

Não sei bem o que se passou.

A conclusão óbvia que retiro é a de que a lei da oferta não é igual à da procura, tal como a velocidade da procura, neste caso, não é igual à velocidade com que a oferta foi encerrada.  

conclusão.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

20190627214312_IMG_1432.JPG

ResumoMais do que querer provar que a vida continua depois da morte, o objectivo é explorar como se estabelece a comunicação ente os vivos e os mortos. Este livro mudou a vida do autor. Talvez também mude a sua.

Opinião: Este livro é sobre um tema que muitos procuram esquecer e poucos ousam refletir, não sei se por desconhecimento ou se por receio. Como leitora ávida de assuntos relacionados com a religião e de histórias sobre quem comunica com o além, ou não tivesse lido Alan Kardec e outros livros que abordam o tema da espiritualidade, embarquei, com alguma bagagem, numa experiência única. 

Lê-lo é como dar pequenos passos e percorrer um caminho de espanto perante as experiências de vida dos médiuns, os sentimentos, impressões e imagens que lhes são transmitidas, a eles, sem que, no caso, tenham sido feito leituras corporais ou fornecidas quaisquer pistas.

O autor, Stéphane Allix, deixou de ser repórter de guerra após a morte do irmão num acidente de carro. Cerca de 12 anos depois, coloca cinco objetos no caixão do pai e, um ano depois, interrogará seis médiuns de forma a que o pai comunique com ele e lhe diga quais são.

"Cada um dos seis médiuns descreveu-me a mesma pessoa, porque esta pessoa está viva (…). Estamos eternamente ligados".

Este teste ou experiência revela-se um verdadeiro jogo de pictonary, uma vez que os médiuns desconhecem completamente qual o objetivo, possuem pouca informação e, nas sessões, aparecem o avô, o irmão e um irmão do avô, que é desconhecido na família do autor.  

Já todos sentimos arrepios inexplicáveis, uma sensação que nos deixa desconfortáveis. Geralmente, o assunto da vida depois da morte poderá ter esse efeito. Mas já pensaram que não sabemos as respostas a todas as perguntas nem o que estamos a fazer neste planeta? Não gostariam de saber? As nossas crenças, ou a ausência delas, não impedem que cada um de nós desenvolva a capacidade para percecionar o que permanece inacessível aos nossos sentidos?  A esta última pergunta respondo com um sim. Vivemos presos ao que acreditamos e ao que nos foi transmitido.

Nesta leitura, gostei muito da médium Christelle, a qual conseguiu conjugar o seu dom com a sua profissão de auxiliar de enfermagem. Ela ouve os mortos e ajuda-os, indo ao encontro do que eles lhe pedem para fazer e ou transmitir. Fascinou-me conhecer a vida destes seis médiuns, desde o momento em que tomam consciência das suas capacidades, geralmente em crianças, até a altura em que abandonam as suas profissões (com exceção da Christelle) para se dedicarem inteiramente à sua missão.

Depois de ter lido vários livros sobre o tema sinto que cada vez mais não podemos ignorar algo que faz parte da nossa essência. No entanto, A Prova não fornece detalhes sobre o Além. Fala antes dos espíritos, daqueles que geralmente permanecem num determinado lugar junto dos vivos, enquanto almas que precisam de ajuda, de luz e de amor. E relata  bem a necessidade de compreender melhor a partida dos que nos são queridos.

"Desde a morte do meu irmão – seu filho -, o meu pai pensava nisso constantemente e oscilava entre esperança e resignação. Não dizia muito, mas, durante os momentos que falávamos, sentia o sofrimento, a dor e a tristeza que a dúvida que o habitava a cada segundo representava. Parecia prisioneiro, dilacerado entre sensações contrárias. E os livros cuja leitura eu lhe sugeria não demonstravam fazer vacilar de forma duradoura a que ele chamava, com uma triste coragem, a «muralha imensa da bruma»".

Este livro ajuda a libertarem-se das amarras do materialismo e da «muralha imensa da bruma», e a compreenderem a capacidade de comunicação dos mortos, bem como a importância da mediunidade no processo de luto. 

Quer sejam meros curiosos ou realmente interessados no tema, recomendo esta leitura para que não sejam enganados, nem apanhados desprevenidos. A sério. Este livro é fascinante.

 

Classificação: 5/5*

Livro oferecido pelo clube do autor para opinião,

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fui desafiada pela Isabel Caldeira do blogue "Manta de Histórias" para um desafio de leitura referente ao ano de 2019.

Lembram-se do desafio Book Bingo Leituras ao Sol? Sim, esse mesmo. Neste momento, não vejo que possa existir qualquer incompatibilidade entre os desafios, pelo que resolvi aceitar e fazer a experiência.

Muitos dos livros que já li este ano encaixam-se perfeitamente e, por isso, embora já tenham passado 6 meses, não parece que esteja muito atrasada. Aliás, de 32 livros no total, li 22.

Desafio manta de histórias_ 30.06.2019.jpg

 

Livros lidos :

1-Um clássico- Admiável Mundo Novo, de Aldoux Huxley- 5*

2-Livro com um título longo - O miúdo que pregava pregro numa tábua, de Manuel Alegre-1*

3-Um calhamaço (+ de 600 págs) - Servidão Humana , de Somerset Maugham-5*

4-Livro com um número no título - 39+1, de Sílvia Soler-1*

5-Autor português nunca lido- Estar Vivo Aleija, de Ricardo Araújo Pereira-3*

6-Qualquer livro à tua escolha - A prova, de Stéphane Allix-5*

7-Livro escrito por dois autores - 28 livros para te encontrar, de Ali Berg e Michelle Kalus-3*

8-Livro com o nome de uma cidade no título - Uma praça em Antuérpia, de Luize Valente-4*

9-Livro que escolhestes pela capa- A Persuasão Feminina, de Meg Holitzer-5*

10-Um Ya - A química dos nossos corações, de Crystal Sutherland-3*

11-Livro há muitos anos na estante- A sombra do vento, de Carlos Ruiz Záfon-4*

12-Um romance - A imperatriz da lua brilhante, de Weine Dei Randel-4*

13-Um livro sobre a 2.ª guerra mundial-O Tempo entre Costuras - Maria Dueñas-4*

14-Um policial - A última ceia, de Nuno Nepomuceno-4*

15-Um livro cuja ação tem lugar em Portugal - Mau-Mau, de Filipe Nunes Vicente-2*

16-Um livro com capa vermelha - A grande solidão, de Kristin Hannah-5*

17-Protagonista é um homem - A história do Sr. Sommer, de Patrick Suskind-4*

18-Livro infantil- Lobos nas paredes, de Neil Gaiman-2*

19-Livro que tenha a palavra livro no título - Escondida entre os livros, de Setephanie Butland-4*

20-Livro escrito por uma mulher - Retrato de família - Jojo Moyes-3,5*

21-Livro publicado em 2018 - Assimetria, de Lisa Halliday-4*

22-Uma novidade- As flores perdidas de Alice Hart, de Holly Ringland-5*

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

20190627_224542.jpg

SINOPSE: Quando o meu pai morreu, coloquei quatro objetos no seu caixão. Não falei do assunto a ninguém. Depois interroguei médiuns que dizem comunicar com os mortos. Irão eles descobrir de que objetos se trata? 
 
Cerca de um ano depois, o autor contactou vários médiuns a quem propôs que participassem numa experiência. Stéphane Allix queria saber se o pai lhe falava dos objetos escondidos. O resultado deste teste é extraordinário. Seja cético ou crente, ninguém ficará indiferente ao testemunho deste jornalista. 
 
Várias investigações científicas permitem afirmar que a existência depois da morte é hoje mais do que uma hipótese sólida. Este livro pretende contribuir para o debate, trazendo resultados indiscutíveis. Apesar de se centrar no relato de experiências com médiuns, Allix faz um alerta importante a todos os que enfrentam uma perda: é preciso deixar os mortos seguir o seu caminho. O sofrimento atenua-se quando fazemos o luto, que consiste em aprender a viver com a ausência. 
 
Mais do que querer provar que a vida continua depois da morte, o objetivo é explorar como se estabelece a comunicação entre os vivos e os mortos. Stéphane Allix é claro: este livro mudou a sua vida. Talvez mude a sua também.
 
 
Podes ler tudo aqui
 

Autoria e outros dados (tags, etc)





Mensagens


O que estou a ler...

 

image (1).jpg

 

 

 

 

 




image_6_1542295800600_1542993699397.jpg