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Sinopse: aqui.

Frank Lundquist é psiquiatra na prisão de Milford Basin, Nova York, e desenvolve uma obsessão pela Reclusa Miranda Greene, uma vez que é apaixonado por ela desde os tempos do liceu. Como esta parece não o reconhecer, ele decide continuar a acompanhá-la como paciente, indo contra os princípios que regem a sua profissão. Depois temos Miranda Greene, a cumprir uma pena de 52 anos de prisão, que planeia morrer e recorre a Frank alegando uma depressão. Estes dois personagens vivem "assombrados" por um mistério no passado e têm problemas psicológicos que não conseguem ultrapassar.

Eu achei que a premissa da história é interessante, no entanto, os capítulos alternados do ponto de vista de Frank e Miranda, tornam o desenvolvimento da história muito lento. Também me pareceu igualmente lenta, com recuos e avanços, a descoberta de acontecimentos do passado em relação aos dois personagens. Além disso, a história entre Frank e Miranda deixou-me um pouco confusa e à espera de uma reviravolta qualquer. 

Para ser honesta não sei se foi do livro ou se este livro não é para mim, mas, como gosto de personagens intrincados, esperei sentir empatia por algum dos personagens, o que acabou por não acontecer. 

No entanto, como não podia deixar de ser, esta história fez-me pensar. E a este propósito lembrei-me da frase de Mahatma Gandhi, a qual refere que “Uma prisão não são grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência”. Assim, refletindo um pouco sobre o sentido desta frase e sobre a história d´A Reclusa, considero que a própria mente dos personagens acabou por constituir a sua própria prisão, embora o livro nos traga outra prisão com a descrição do ambiente prisional numa prisão de mulheres e os problemas que surgem entre Miranda e as outras reclusas.

Classificação: 3,5/5*

Oferta da editora

Quem se identifica com a escrita dita a roçar a perfeição dirá que mudar uma vírgula e alterar uma palavra por um sinónimo é uma maneira de escrever melhor. No entanto, em contexto de trabalho, diria que nada é mais pernicioso do que esperar que tudo saia bem à primeira ou arrogar-se o supra-sumo nessa matéria.

Na escola primária, aprendemos que mudar uma vírgula de sítio poderá matar a verdade e a voz das próprias palavras quando retira o sentido e são expurgadas do devido contexto. E desde cedo aprendemos que escrever tem regras  (como as daqui), no entanto, talvez o aprume dos dedos colocados corretamente, por quem sabe, no teclado [que não o nosso], adquira toda uma nova forma e conteúdo, superior e elegante e, erróneamente, pensamos que há coisas que só acontecem aos outros. Mas quando não existe uma carta de instruções de quem tem a mania, ou uma qualquer bula que nos oriente a hora da toma [vai buscar], engolimos as vírgulas com vontade de lhes gritar vários sinónimos de impropérios néscios.

Creio que o alto patamar de intransigência, por parte de quem tem a mania, não provem da superioridade inteletual que se dirime com táticas dirigidas aos seus supostos serviçais, antes os coloca entre quem não soube assumir uma liderança estimulante. 

E, então, uma vírgula, um sinónimo, podem ou não fazer alguma diferença? Poder, podem, mas não devem. Poder não é dever assim como para se ser soberano na matéria não basta parecer mas, sobretudo, há que saber sê-lo. Diante um tal espezinhamento, a assertividade dos argumentos apenas iriam ter o condão de enfadar e acintar quem tem uma tal mania - palavra que, curiosamente, se transverte por "apego excessivo ou obsessivo a uma ideia ou intenção". E entender isto como escrever melhor do que outro não é mais do que uma obsessão - palavra que, curiosamente, siginifica "perseguição diabólica".  Por essas e por outras, prefiro manter uma espécie de si-lên-cio perante tanta imperfeição, usando como argumento alguém que percebe da escrita quando sente e que sente o que escreve.

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Sinopse: Aqui.

Opinião: Depois de P.S - eu amo-te, fiquei curiosa para ler este livro, porque queria muito saber como prosseguiu a vida de Holly sete anos após a última carta de Gerry. Tenho de admitir que na minha cabeça surgiram vários planos para a vida dela. Por exemplo, esperei voltar a encontrá-la casada e já com filhos. No entanto, já devia ter aprendido que nos livros, tal como na vida real, há mudanças e reviravoltas inesperadas.

Holly Kennedy tem 37 anos, está mais velha, tem um namorado, chamado Gabriel, e abriu uma loja de coisas vintagem em segunda mão com a irmã Ciara.

Este é o começo do livro e para ser sincera não estava à espera de uma mudança tão grande ao nível da vida profissional de Holly, uma vez que em P.S. ela trabalhava numa revista. Via ali um futuro promissor e esperava outro rumo na história. Tenho de admitir que (por ser verdade) quase passei a fazer parte da família e, claro, a família tem o direito a ter uma opinião e sabe sempre o que é melhor (só que não).

Quando Holly faz um podcast sobre o seu processo de luto e fala nas cartas do marido, Ângela Carberry fica interessada na sua história e quer que Holly a ajude. Falar de mágoa e desgosto afeta a todos, mas Holly não quer repisar o que passou e praticamente foge de Ângela. Quando esta morre, Holly sente-se culpada e é obrigada a repensar uma forma de ajudar os outros. É, então, que começa a relacionar-se com os membros do clube P. S.- eu amo-te e a ajudar a escrever as suas próprias mensagens aos entes queridos. 

"Talvez não seja a morte que nos revolta ou assusta, mas o facto de não a podermos controlar".

Contrariamente a P.S.- eu amo-te, não dei por mim a sorrir mas a sentir emoções com mais intensidade, tanto que chorei com Ginika. E, talvez por ter lido os dois livros de enfiada, nunca desejei tanto que o final correspondesse aos meus desejos, numa espécie de pedido à lua quando se tem as estrelas.

Cecelia Ahern voltou a surpreender-me, mais uma vez, através desta história, sentida e cheia de emoções, cujo desenvolvimento acarretou um maior envolvimento na missão em torno de vários personagens que nos comovem e nos prendem até à última página. 
Gostei bastante.

Classificação: 4/5*

Oferta da editora

 

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Sinopse: aqui.

Opinião: Li este livro para a leitura conjunta no grupo da Isabel Caldeira, do blog Manta de Histórias. Eu nunca tinha feito a experiência e espero voltar a repetir.

Depois de ler Ensina-me a voar sobre os telhados, o tamanho deste livro intimidou-me um pouco, mas assim que comecei a ler passou a ser insignificante. Além disso, o facto de ler 50 páginas por dia, para a leitura conjunta, tornou tudo ainda mais interessante.

A história inicia-se no verão de 1987, quando o adolescente Pedro Taborda apaixona-se por Laura Walsh, filha mais velha de Noah Walsh, um nova-iorquino, muito rico, com negócios de caráter duvidoso. 

Laura empresta um livro a Pedro e ele decide que um dia se tornará escritor, tal como Gary List. Dez anos depois, Pedro, decidido a tornar-se escritor, vai estudar para Nova-Iorque.O professor,  Gary List, acaba por se tornar seu amigo, apesar de uma mentira que o levou ao seu curso de literatura. Gostei bastante deste personagem, especialmente pela sua excentricidade, não deixando de concordar quando diz o seguinte:

"Nos policiais aprendemos muito sobre a arte de contar, confirmou ele. «Todas as narrativas, até mesmo as que foram escritas pelos génios da literatura, labutam na mesma matéria. Sexo, ambição e inveja. Senão, veja: Madame Bovary; Moby Dick; Crime e Castigo; Hamelet; Cervantes; Shakespeare e Conrad; Roth, Dostoievsky e Nabakov. Depois chegou a modernidade e deu cabo destes princípios".

"A partir de meados do século XX, muitos escritores decidiram sacrificar o ofício em favor do significado e começaram a debruçar-se sobre o absurdo da existência humana, culminado nestas coisas intragáveis  que abundam nas livrarias e recebem críticas elogiosas do The New York Times, cujos escribas não conseguem evitar repetir-se e usam sempre os mesmos epítetos. Um livro que espelha a condição humana. Profundamente original. Uma nova voz"

Acredito que este livro poderá ser adaptado ao cinema, uma vez que tem todos os ingredientes necessários, desde romance a investigação criminal e, ainda, um mistério em torno não de um mas de dois homicídios. E foi este mistério que me manteve presa e com vontade de descobrir o final, porque, embora ao longo da leitura fossem dadas algumas pistas, é totalmente inesperado e surpreendente. 

O thrilher é um género em que o autor se estreou e que recomendo sem hesitar.

 

Classificação: 5/5*

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Sinopse: Aqui.

Opinião: «Há livros que devemos evitar, e este é um deles?!». Se pensam assim é porque acham que o livro é apenas mais uma história lamechas que não merece uma oportunidade, ou então viram o filme e julgam que não vale a pena ler o livro. Não podiam estar mais enganados. Nem eu.Tenho de admitir que parti para esta leitura com essa ideia em mente, no entanto, o filme é diferente, confirmando-se que a minha regra atual - primeiro leio o livro e depois vejo o filme - é a que permite formar uma opinião fundamentada sobre uma história baseada num livro.

Depois deste enquadramento, julgo ser chegado o momento de apresentar os personagens principais. Holly e Gerry formam um casal feliz, que vive em Dublin. Eles têm discussões e  defeitos como qualquer outro casal. Eles são um casal muito apaixonado, que se conhece  desde a adolescência, Mas, então, esta história não é sobre «apaixonaram-se e viveram felizes para sempre?». De facto, não é. É antes sobre a fase de superação da morte de alguém querido e sobre a forma como se vive com as recordações (neste caso, mantidas por Gerry através de cartas que deixou para Holly).

«Os amigos e a família iam e vinham, ajudando-a umas vezes com as lágrimas, outras vezes fazendo-a rir. Mas, mesmo no seu riso faltava algo. Nunca parecia verdadeiramente feliz; parecia apenas estar a passar o tempo enquanto esperava por outra coisa qualquer. Estava cansada de simplesmente existir; queria viver».

A escritora Irlandesa Cecelia Ahern surpreendeu-me uma vez mais, pois nos seus livros há sempre um tema delicado, e neste conseguiu abordar o processo de luto, introduzindo certos acontecimentos cómicos através das amigas de Holly, Denise e Sharon.

«A câmara apontou nessa direção. Por baixo dos lençois de seda dourada pareciam três porquinhos a digladiar-se debaixo de um cobertor. Sharon, Denise e Holly rebolavam, aos gritos umas com as outras,  tentando passar o mais despercebidas possível, para que ninguém desse por elas».

«Denise e Sharon uivaram de riso pela maravilhosa escolha musical e fizeram-lhe uma grande festa».

Posto isto, reforço a ideia de que quem viu o filme não pode deixar de ler o livro, mas, se este conselho ainda for a tempo, não o façam por essa ordem. Primeiro o livro. Sempre. 

Enquanto leitora, apreciei muito mais o livro, porque este romance é triste, comovente e  divertido, mas é, sobretudo, uma lição de vida e de esperança.

Leiam porque vale a pena. 

 

Classificação: 4/5*

 

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Sinopse: "Stella é uma adolescente comum, de uma família honesta. O pai, Adam, é pastor da Igreja da Suécia, respeitado e de uma moral irrepreensível, casado com Ulrika, advogada de defesa. Os Sandell são a família perfeita, até que Stella é acusada do assassinato brutal de um homem muito mais velho, Christopher Olsen. Mas que motivo poderia ela ter para conhecer um homem de negócios obscuro, quanto mais para o matar? Tudo deve não deve passar de um erro terrível".

 

Opinião: Este thriller psicológico é sobre uma família e sobre Stella, uma rapariga de 18 anos, acusada de homicídio e todas as provas apontam para que tenha sido ela. Os pais, claro, acreditam na sua inocência e, uma vez que a mãe, advogada, não a pode representar, arranjam um advogado. No entanto, Stella recusa-se a contar o que se passou e não quer receber a visita dos pais.

Nesta história, aparentemente simples, fui "entrando" na cabeça dos personangens e aos poucos fui percebendo o que as move, primeiro na perspetiva do pai, depois da filha e, por último, da mãe. De facto, a narrativa é dividida em três partes e o leitor vai acompanhando a história de uma forma sequencial. Não há quebras e o facto de ser contado na primeira pessoa torna tudo real, pois é como se fossem eles a contar os seus segredos. 

Esta estrutura tripartida da história permitiu o adensar do mistério em torno da morte e, ao mesmo tempo, desvendar as falhas, segredos, dúvidas e certos acontecimentos do passado, o que tornou tudo muito mais interessante. Revela ainda que o escritor pensou muito na forma de "humanizar" as personagens.

Acho que Adam, o pai, pastor, religioso, defensor da verdade, é um personagem ambíguo pois preocupa-se com a filha e ao mesmo tempo com a forma como os outros os julgam. Já Ulrika, a mãe, defende a filha a todo o custo, embora confesse que gostava que ela fosse como a melhor amiga da filha, Amina.

" A minha menina assustada. Levanto-me ligeiramente do lugar, equilibro-me nos bicos dos pés e estendo o braço. Não estar ali para ajudar a nossa própria filha. Não há maior traição"

Stella tem sonhos e tem problemas psicológicos, que nenhum psicólogo conseguiu entender, mas é muito inteligente (mas será que foi capaz de  de matar?).

"O trabalho de qualquer psicólogo é basicamente inserir as outras pessoas numa das matrizes que aprendeu. Sugestão: deviam fazer exactamente o contrário! Razão: cada pessoa é um ser único".

Este livro lê-se tão facilmente que não descansei enquanto não o terminei de ler. Fiquei totalmente presa à teia de acontecimentos que se vão sucedendo rapidamente, mas o que realmente me conquistou foi a densidade psicológica de cada um dos personagens.

Classificação: 5/5*

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Aproxima-se o dia dos namorados e só porque sim (e não tanto para comemorar a data), resolvi abordar o tema "Romance", no Clube de Leitura, de forma a pensar um pouco sobre a sua origem e o percurso até aos dias de hoje.

Acho que já perceberam que não vou escrever, aqui, sobre os livros da fotografia. Acontece que estes livros (e não só) versam sobre mais do que um género literário (romance e policial, thriller e romance, etc.) pelo que é necessário um enquadramento muito simples e resumido (acho eu).

Começando pela história, já na Idade Média se utilizava o termo “romanço” que designava as línguas usadas pelos povos sob o domínio do Império Romano, bem como as composições de cunho popular e folclórico, escritas em prosa e em verso, que contavam histórias cheias de imaginação, fantasias e aventuras.

No século XVII, surge “Dom Quixote de La Mancha, de Miguel Cervantes, escrito em 1600, e este é considerado o percursor do romance moderno.

Não entrando em detalhes, creio que o romance chegou à modernidade com Balzac, atingindo a plenitude com Proust, Joyce e Faulkner. Certamente não pensaram muito nisso, pois não? Eu confesso que não. Recordo-me de ter estudado alguma coisa pois frequentei a área de humanísticas, mas nada sobre a evolução histórica do romance.

Seguidamente, aflorando os tipos de romance, e atendendo que existem inúmeras classificações/interpretações, cingir-me-ei apenas aos mais conhecidos na história.

No romance psicológico, analisam-se os motivos íntimos das decisões e indecisões humanas. O primeiro exemplo perfeito do género foi: As ligações Perigosas (Les Liaisons Dangereuses, 1782)de Choderlos Laclos. 

Quanto ao romance histórico, possuí a característica a reconstrução dos costumes, da fala e das instituições do passado. O primeiro romance histórico da literatura universal foi Waverley  (1814), de Sir Walter Scott  e o maior de todos os romances históricos foi Guerra e Paz (1869), de Tolstoi.

No romance gótico,  existe, regra geral, um cenário lúgubre e desolado com conventos, castelos assombrados, cemitérios. Poderá ainda abordar o horror, o mistério e torturas. Um dos mais conhecidos (existiram mais) surgiu na Inglaterra, pela Mary Shelley, que escreveu Frankenstein (1818).

No que se refere ao romance realista,  que procura fazer o retrato de uma época e da sociedade, o primeiro romance foi o de Madame Bovary, de Gustave Flaubert, publicado em França, em 1857.

Por último, temos o romance naturalista, com carácter cientificista, de análise social e de valorização do coletivo, indicando-se como exemplo Thérèse Raquin, de Émile Zola, publicado em 1867.

Existem mesmo muitas classificações e poderia continuar indefinidamente. Estou a pensar ainda nos livros de romance de comédia Romântica, de suspense romântico, de fantástico, de Young adult, do romance LGBT e do romance erótico.

O romance comeceu a ter dias menos cor-de-rosa com a ascensão do cinema, ou seja, a partir de meados do século XX. E é então que se intensifica a discussão em torno de uma crise do romance. Fitzgerald foi o primeiro escritor a perceber isso, embora continuasse a acreditar na superioridade deste género literário.

Muitas das vezes já ouvimos alguém dizer que o livro é melhor do que o filme e, na esteira de Fitzgerald, acredito piamente que os livros de romance continuarão a servir-lhes de inspiração mas não deixarão de ter leitores.

 

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Sinopse: Aqui

Opinião:  Neste livro, Diana Marcum fala-nos dos Açores, das suas gentes, das comidas, da fome, da emigração, da saudade, da pobreza, sempre maravilhada com o que vai descobrindo. 

Num tom intimista, uma vezes, noutras mais objetivo, até porque é jornalista, Diana experimenta realizar uma entrevista a um grupo de emigrantes açorianos, que vivem na zona rural da Califórnia. Uma terra árida, quente e difícil, mas em que os emigrantes conseguiram prosperar à custa do seu trabalho e esforço, continuando a manter as suas tradições e a  produzir o queijo dos açores. Mas nem tudo foi fácil para eles.

Como apaixonada por histórias, Diana rapidamente simpatiza e faz amizade com os açorianos que aí vivem, contando as suas particularidades com sentido de humor.  

"Perguntei ao rapaz porque estavam todas vestidas de preto. Ele disse-me que eram viúvas, mas que a mais recente perdera o marido há vinte anos e nem sequer gostava dele. Perguntei então ao nosso tradutor qual das viúvas tinha mais namorados. Todos se riram e apontaram para a que era de longe a mais velha"

"A primeira vez que vi um mapa do lugar que viria a ter tanta importância na minha vida foi em toalhas de piquenique. A ilha de Morais era São Jorge, um longo e estreito retângulo no centro da toalha-mapa, a flutuar entre um ananás, um moinho de vento e uma baleia".

Enquanto leitora, senti que fiz uma viagem pelas ilhas dos Açores, ao mesmo tempo que acompanhei a autora enquanto esta faz uma espécie de viagem interior em busca do seu verdadeiro amor. A certa altura alguém diz acertadamente que: "A décima ilha é o que temos dentro da gente. É o que nos resta enquanto tudo desaparece". É isto que o povo pensa. E é isto que Diana tem pela frente.

A Décima Ilha, levou-me a refletir sobre a ida dos emigrantes açorianos para Califórnia, sobre as suas raízes e sobre as suas histórias. Levou-me ainda a gostar do tom intimista, utilizado pela jornalista quando conta as histórias do foro privado e nos brinda com descrições que nos fazem "viajar" num ambiente familiar e calmo. O que fica? A descrição pouco palpável do sentimento de saudade, explicado pela ligação que sentem os emigrantes e também por quem visita um lugar tão bonito como os Açores. Eu, como gosto de viagens, achei fascinante.

Muito obrigada à Cultura Editora por esta viagem inesperada!

 

Classificação: 4/5*

 

 

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SINOPSE: Aqui

 

OPINIÃO:

Este livro foi-me enviado pela Porto Editora no ano passado, o que desde já agradeço. É com satisfação que o recebo, pois é uma oportunidade para ler mais thrillers e para conhecer novos autores suecos. Em geral, devo dizer que aprecio muito a forma como os suecos escrevem sobre crimes, bem como sobre toda a investigação que se segue.

Apesar dessa minha admiração, cada vez mais constato que nem todos vão de encontro ao que procuro. É claro que o grau de exigência vai aumentado à medida que vou lendo mais e mais livros, sendo que, em cada leitura, espero, no mínimo, alguma originalidade e, sobretudo, um final surpreendente.

Em Diz-Me Que És Minha, Norbäck, após ter sido mãe, decidiu escrever uma história sobre uma mãe que perde uma filha. Então, criou uma personagem cheia de medos, dúvidas e de ataques de ansiedade, ou seja, alguém com que qualquer mãe se poderá identificar. Essa personagem, chamada Stella Widstrand; uma psicoterapeuta, mãe de um rapaz de 13 anos, não esquece o desaparecimento da filha, ocorrido há 20 anos, o que a leva a educar o filho de forma a protegê-lo ao máximo.

Eis senão quando Isabella entra no seu consultório e Stella suspeita que poderá ser a sua filha Alice. E assim se inicia uma história em que tudo é posto em causa, incluindo a sanidade mental, pois, embora nunca tenha sido encontrado o corpo, todos, com exceção de Stella, acreditam que a filha morreu afogada no lago.

Durante a leitura, houve alguns momentos em que senti um certo afastamento relativamente à personagem Stella, pois esta transmitiu-me a ideia de que o mundo gira em torno dela. É certo que, além de Stella, também acompanhei a história, entre 1994 e os dias atuais, sob a perspetiva de Isabella e Kerstin, porém, considero que a dor de perder a filha e o sentimento de culpa não justificam algumas acções ou atitudes de Stella, aliás acreditei que enquanto psicoterapeuta estaria, ela própria, a precisar de tratamento.

"Eu sonhara com este dia. Fantasiara os acontecimentos. como me sentiria, o que diria. Não era suposto ser assim, e a dor supera as minhas piores expetativas".

Com a leitura de Diz-Me Que És Minha, fiquei presa a pensamentos e emoções que me foram sendo transmitidos pela Stella, pela Isabella e pela Kerstin, esperando, com algum nervoso miudinho, que o desfecho fosse a recompensa para tanto desgaste emocional. Embora não me tenha identificado com Stella, nem com qualquer outro personagem, considero tratar-se de um thriller interessante, perturbador, que se lê de uma assentada.

Classificação: 4/5*

 

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A opinião sobre este clássico (aqui) tem tido muitas visitas neste blog, o que me deixa muito satisfeita porque independentemente do tempo que já passou (dois anos) ainda há quem leia os meus post´s mais antigos.

Em 2020, vou continuar a ler outros livros do mesmo género literário para o Clube dos Clássicos Vivos e, também, para começar a desocupar a minha estante da "vergonha", com inúmeros livros maravilhosos à espera de serem lidos -  ou não fossem os clássicos de um género intemporal.

 

Sinopse:«Apesar das numerosas semelhanças entre "O Vermelho e o Negro" e "A Cartuxa de Parma", os dois romances são subtilmente diferentes na sua perspectiva erótica e na representação dos protagonistas de Stendhal. A nostalgia de glória napoleónica não abandona Julien quase até ao fim, mas extingue-se em Fabrizio depois da derrota de Waterloo. O autêntico amor não se apodera de Julien a não ser nos seus últimos dias e, ainda que não existam motivos para duvidar da sua sinceridade, tanto ele como Madame de Rênal sabem que não têm futuro, o que constitui um nada negligenciável motivo para intensificar a paixão.» «Julien Sorel nada sabe de si próprio; só é capaz de sentir as paixões depois de as simular e tem um inegável talento para a hipocrisia. E, no entanto, Julien mantém o nosso interesse e, mais do que isso, fascina-nos, não somos capazes de sentir antipatia por ele.» Harold Bloom, "Futuro da Imaginação" «Stendhal faz com que o leitor se sinta orgulhoso de ser seu leitor.» 

Classificação: 4/5*

 
 
 







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