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[Agradeço o enorme privilégio que o autor me concedeu através da generosa oferta do livro]

 

 

Desde miúda que oiço falar de histórias sobre África e lembro-me perfeitamente das conversas do meu pai e do meu tio quando recordam o tempo da guerra colonial e de quando estiveram em Angola e Moçambique. De tanto os ouvir, acho que se agarrou à minha alma o espanto por essa terra de contrastes. E este livro recordou-me um pouco essas histórias e sobretudo esse mundo de mistérios, crenças, cores, cheiros e sons da fauna, que têm tanto de terrível como de maravilhoso.

 

Em "O Perfume da Savana", o autor conta-nos uma história de um grande amor, "um amor incomensurável só comparado à vastidão que o rodeia", numa época em que África era ainda uma colónia portuguesa e em que a falta de chuva afetava (e afeta) a terra, as pessoas e os animais.

 

Para Daniel, não foi o feitiçeiro nem a chuva e sim o destino que lhe trouxe um perfume irresistível na mulher perfeita: Isabel. Ela é casada e tem uma filha, mas só com Daniel descobre o amor, algo que ainda não tinha conhecido antes. 

 

Acompanhei esta história de amor com algum receio, não só pela trama, mas também pelo facto de a ação se desenrolar na savana cheia de vida. À noite ouvem-se os leões, o casquinar das hienas, e de dia veêm-se os leões, os jacarés e as pacaças [que desconhecia].

 

Adorei a envolvência da natureza e da fauna, bem como de todos personagens, incluindo o Dibó, a Clarinha e a Zeza. Ademais, a escrita é cheia de pormenores e proporciona uma "viagem" a um tempo em que "não há televisão, fax, computador, vídeo, DVD, telemóvel, nada". Já se imaginaram no meio da selva sem nenhum tipo de tecnologia? 

 

Eis mais uma história de África que me fica na memória!

 

Classificação: 4/5

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