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Quando olhei para a capa e para o título julguei tratar-se de um romance e iniciei a leitura com essa expetativa. Só depois verifiquei que a obra se baseia em factos reais e que estamos perante as memórias do próprio Hemingway.

No início do livro, o autor refere que poderá ser considerada uma obra de ficção. No entanto, acredito que essa afirmação fosse fruto do distanciamento temporal, uma vez que Hemingway escreveu as memórias parisienses perto dos 60 anos. Nessa altura vivia em Cuba, já tinha recebido o Prémio Nobel da Literatura e já tinha tido várias mulheres. Infelizmente, devido a uma depressão e outros problemas de saúde, acabaria por se suicidar, pouco depois, em 1961.

O livro revela um Hemingway jovem que, com apenas 22 anos, lê pela primeira vez os clássicos, como Tolstói, Dostoievski e Stendhal. No período entre 1921 e 1926, o escritor refere as dificuldades financeiras pelas quais passou, descreve a cidade de Paris e os bares que frequentava, fazendo referências aos escritores com quem conviveu, designadamente Gertrude Stein, James Joyce, Ezra Pound, F. Scott Fitzgerald.

A parte que mais gostei  é a de quando Hemingway se encontra com Fiztgerald. Os dois tornam-se amigos e vivem situações no mínimo caricatas.

Por fim, poderia deixar uma citação sobre a cidade de Paris, mas a frase que me chamou a atenção foi esta:


Dizem que as sementes daquilo que havemos de realizar se encontram todas já dentro de nós, mas sempre me pareceu que naqueles que troçam da vida, as sementes se encontram cobertas da melhor terra e de uma percentagem mais alta de adubo.

 

Sinopse: Em 1921, um jovem Ernest Hemingway chega a Paris decidido a abandonar o jornalismo e a iniciar carreira como escritor. De bolsos vazios e com a cabeça povoada de sonhos, percorre as ruas de uma cidade vibrante nos dias de pós-Primeira Guerra Mundial, senta-se nos seus cafés para escrever, recolhe-se em retiros apaixonados com a sua primeira mulher, Hadley, e partilha aprendizagens e aventuras com algumas das mais fulgurantes figuras do panorama literário da época, como Ezra Pound, F. Scott Fitzgerald ou a madrinha desta - por si apelidada - «geração perdida», Gertrud Stein. Situada entre a crónica e o romance, Paris é uma Festa é a memória destes anos e a obra mais pessoal e reveladora de Hemingway. Deixada inacabada pelo autor, seria publicada postumamente, em 1964.

 

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12 comentários

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De Chic'Ana a 22.03.2017 às 09:51

Adorei a frase! Encerra uma grande sabedoria e uma lição de como ver  viver a vida!
Achei a opinião muito interessante.
Beijinhos
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De Edite a 22.03.2017 às 20:49

Obrigada.Image
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De Catarina a 22.03.2017 às 11:03

Adoro esse livro!! E a parte que mais gostei foi, também, quando ele conheceu o Fitzgerald.
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De Edite a 22.03.2017 às 20:45

É a parte mais divertida e interessante.
Bjs
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De Sandra a 22.03.2017 às 14:20

Vou lê-lo já no inicio do próximo mês :)
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De Edite a 22.03.2017 às 20:45

Espero que gostes.
Beijinhos
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De HD a 22.03.2017 às 18:43

Os verdadeiros tempos de boémio de Ernest... ;p
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De Edite a 22.03.2017 às 20:44

É isso mesmo. Image
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De Bárbara Ferreira a 22.03.2017 às 20:51

Adoro este livro! É tão diferente da ficção do Hemingway, em tom, mas é tão aquilo que eu esperava que o autor fosse - e, no fundo, é uma óptima colecção de gossip sobre imensos escritores conhecidos, pelo que percebo o motivo de ele ter demorado tanto para o escrever. O momento em que Fitzgerald expõe as suas "inseguranças" é particularmente memorável.
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De Edite a 23.03.2017 às 13:47

Sim, mas ainda assim acho que ficou muito por contar.Image
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De Bárbara Ferreira a 23.03.2017 às 21:51

Nos últimos anos foi publicada uma nova edição, com muitas mais páginas, conteúdo que acabou por ser cortado: https://en.wikipedia.org/wiki/A_Moveable_Feast#Publishing_history


Eu li a original, mas quiçá um dia chegue à Restored Edition :)
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De Edite a 24.03.2017 às 13:37

Não fazia ideia que tinha sofrido cortes e, provavelmente, existem outros pormenores que poderiam ser interessantes. Eu confesso que apenas gostei da parte de Fitzgerald e da viagem de comboio para ir buscar o carro dele. Cheguei mesmo a pensar que se iriam zangar... 
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