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O Livro Pensamento

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Línguas-de-gato | Os humanos divertem-se e os gatos aborrecem-se # 36

Os humanos, cá em casa, apreciam muito a vista da janela da cozinha. Veem o eucaliptal e vários animais que aí habitam, como coelhos bravos e, ultimamente, um coelho grande, gordo, branco e amarelo. Dizem que fugiu de alguma coelheira vizinha. Dizem ainda que está bem tratado e que constuma mordicar folhas tenrinhas na companhia dos outros coelhos, pequenos, mas bravos. Os humanos falam que só se conseguem ver bem os coelhinhos bravos quando estes fogem, pois, como são cinzentos, o que os denuncia é, precisamente, o pompom branco do rabo. Humpfff. E divertem-se a contar um, dois, às vezes, três, pompons brancos, a saltitar, entre as carumas e arbustos! Pru Pru Pruuuu.

Infelizmente, não consigo ver nem miar nada de divertido porque não me deixam subir para a janela da cozinha. 

Quem tem vindo à janela, embora do lado de fora, é o Amado, o gato da vizinha. O finório arma-se em esquisito e quando é avistado à janela finge que não é nada com ele.

Na última "aparição", falou comigo e passou o tempo a lamentar-se da sua vida. Parece que a vizinha brasileira está com problemas de dinheiro e que o Amado gato não tem visto muita comida. Deu-me pena e deixei-o desabafar: 

Acho que o casamento tem de ser adiado, mas o Amado gato da vizinha brasileira ainda não teve coragem de contar nada à Pipoca. 

A vida de um gato dependente da economia? Onde é que já se viu?!

Sinto um vazio. 

Vou comer.

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