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O Livro Pensamento

O Livro Pensamento

Seg | 10.07.17

Adoro desafios e mistérios # 7

Nas apresentações de livros, os escritores são frequentemente questionados sobre o modo como encaram ou ocorre o processo de escrita. As respostas são variadas, pois cada escritor tem a sua maneira própria de o fazer e perante essa pergunta o mais certo é a resposta não ser a expetável.

Atendendo a que não podemos definir esse processo criativo de forma universal, lancei-me numa espécie de desafio e, como sou curiosa, procurei saber qual o "gatilho" que despoleta a escrita torrencial num escritor. Será a sua fúria? Será a sua racionalidade? Será a inspiração?

Em geral, pensamos num escritor como alguém que se isola e escreve durante semanas a fio e, depois de terminar o seu livro, é considerado um escritor consagrado. Nada mais inexacto. Um escritor tem algo e a obra não sai do nada, nem a inspiração sai como uma seta do cupido a atingir escritores, transformando-os em sabedores das letras.

Alguns escritores são misteriosos, outros têm vidas difíceis. Com sangue, suor e lágrimas, muitas das obras, mais conhecidas, nascem assim, isto é, de escritores cujas vidas e cujas personalidades se podem considerar "fora do normal".

Estou, mais concretamente, a referir-me aos escritores que sofreram (ou sofrem) de uma doença mental designada de transtorno bipolar, em que à fase de ânimo, energia e criatividade, se segue, sem qualquer explicação, o desânimo e a depressão.

Todos temos um traço maior ou menor deste transtorno na nossa personalidade, mas os casos mais célebres ou conhecidos são de escritores:

1.º Sylvia Plath

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Poetisa desde os oito anos de idade, Sylvia Plath escreveu o romance "A Campânula de Vidro", sob o pseudónimo de Victoria Lucas, uma vez que referia detalhes da sua própria luta contra a depressão. A escritora que, com apenas oito anos de idade, havia perdido o seu pai, tinha alturas em escrevia dezenas poemas sem qualquer dificuldade e outras com tendências para o suicídio, o que veio de facto a acontecer quando tinha apenas 30 anos de idade. 

2.º Anne Sexton 

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Outra poetisa americana notável (recebeu o prémio Pulitzer da Literatura em 1967) conhecida pela sua poesia confessional bastante pessoal, após uma depressão pós-parto, chegou a estar hospitalizada diversas vezes e, apesar de diagnosticado o transtorno bipolar, acabaria por se suicidar com a idade de 46 anos.

3.º Mark Twain

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O conhecido escritor de "As aventuras de Tom Sawyer"  e de "As aventuras de Huckleberry Finn", em 1896 na sequência da morte da mulher  e das suas filhas, atravessou uma depressão profunda. Ele não chegou a pensar no suicídio mas terá escrito :"Eu cheguei com o Cometa Halley em 1835. Ele vai passar de novo ano que vem (1910), e espero ir embora com ele. Seria a maior decepção da minha vida se eu não fosse com o cometa". No ano do Cometa, concretizou-se a sua previsão ao morrer de ataque cardíaco.

4.º Juan Ramón Jiménez

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Era conhecida a sua obsessão pela morte, dizendo-se que sofria de neurose. Com a morte da sua esposa entra numa depressão profunda, chegando inclusive a não comparecer à entrega do Prémio Nobel da Literatura em  1956 atribuido à sua obra "Platero e Eu". Dois anos depois também acabaria por morrer.

 

5.º David Foster Wallace

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Conhecido escritor de "A Piada Infinita", sofria do transtorno bipolar com predominância da tendência depressiva. Tentou suicidar-se várias vezes até que conseguiu. Tinha 46 anos de idade.

6.º Herman Hesse

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Escritor e pintor alemão, em 1946 recebeu o Prémio Goethe e pouco depois o Prémio Nobel de Literatura com a obra "O Lobo da Estepe". Porém, desde muito cedo, tentou o suicídio (com apenas 15 anos de idade). Os seus pais enternaram-no numa clínica mental, o que aumentou a sua tristeza. Morreu de hemorragia cerebral com  86 anos.

 

Poderiam ainda ser referidos muitos outros (incluindo portugueses), até porque uma percentagem alta desta doença encontra-se na profissão de escritor.

À laia de desafio, lanço a seguinte pergunta:

 

A criatividade estará de alguma forma relacionada com o transtorno bipolar ou com a depressão ou serão estas que originam uma maior criatividade? 

 

 

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