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Olá. Disponho de pouco tempo para vos miar qualquer coisa, pelo que me lembrei dos últimos acontecimentos. Não é o que estão a pensar, pois o pesadelo na cozinha é um programa sobre uma realidade na qual ainda não ponho a minha patinha direita. Parece-me demasiado estranho os humanos sujeitarem-se e exporem-se a comentários ou até ao encerramento do seu estabelecimento pela ASAE. Os humanos deveriam ter um pouco de noção e pensar que o dinheiro não é tudo. A remodelação de um estabelecimento não é um milagre ou o euromilhões. Todos têm de se esforçar e os meus olhos felinos arregalam-se quando isso não acontece. E mais mio quando verifico que cá em casa o pesadelo na cozinha está a ser tolerado de forma inaudita. Eu conto. A Pipoca só pensa em passear e não quer nada estar fechada, vai dai arranha as cadeiras e sobe para cima da mesa. Ontem, até comeu o resto do bolo do dia da mãe que ficou em cima da mesa! O chefe diria: não tenham cuidado que ainda fecham a casa. Não adianta os humanos vêem e ficam aborrecidos com as traquinices da gata, mas depois passa e continua tudo na mesma. Já dizia o outro: falam, falam mas não fazem nada!!! 

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Olá. Despacito anda no ar. O que significa, perguntam? Significa que passa devagar, mas devagar se vai ao longe. Um exemplo, à laia de enquadramento e como quem não está a puxar a pata à sua comida, é o da  nova legislação que reconhece os animais como "seres vivos dotados de sensibilidade e objeto de proteção jurídica". Vem despacito, suavizito, delicadeza, e vamos "pegando pouquito, pouquito". E que o Papa nos abençoe a todos. Pruuu pruuu...

Ora, que sou um gato já toda a gente sabe (ou não?). E sou uma coisa, certo ou errado?  Então, [Despacito] esta legislação estabelece que os animais de companhia devem ser "confiados a um ou a ambos os cônjuges, considerando, nomeadamente, os interesses de cada um dos cônjuges e dos filhos do casal e também o bem-estar do animal". Humpff, como gato não sei bem o que os humanos pretendem, em especial se numa altura destas ninguém quiser o animal. Eu reinvidico os meus direitos de se tratado como humano e pronto! 

 

 

 

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Olá. Ando muito cansado. Humpf.Sou um desgraçado de um gato. Preciso tanto de descansar!!! A Pipoca continua a fazer das suas e acorda todos, leram bem, TODOS os dias às 7h10m. Não sei se mie ou se arranhe. Fuuuuuuu!!! Dá para acreditar nesta mudança? Rsssssssss. Depois, tenho de ouvir comentários absurdos dos humanos mais novos. São pérolas de sabedoria:

 

Mini humana: Mãe, assim a Pipoca não vai aprender a falar como deve ser!

Dona humana: Então, porquê?

Mini humana: Porque foi retirada da mãe com 5 semanas, claro!

Dona humana: O quê

Mini humana: Sim, mãe. Para miar como deve ser...Ela assim não sabe o que está a dizer, não é?

Dona humana: ()

 

Esta conversa causou-me alguma perplexidade felina. Pruuu Pruuu.Pruuu. Então, a Pipoca a falar! Ah ah ha. Muito bom! Estou a chorar de tanto miar!

As crianças são assim, e falam tudo o que lhes passa pela cabeça. Eu sou a favor da sinceridade de gato humana. No entanto, há quem ache detestável. Há quem prefira os dissimulados, os omissores ou os que passam despercebidos. Para quê dar nas vistas se isso implica um esforço extraordinário que vos poderá colocar ao nível dos da má-lingua, dos impertinentes e dos parvos? Afinal o que importa não é o que se diz. Pruuuu. Lá dizia Oscar Wilde:

 Pouca sinceridade é uma coisa muito perigosa, e muita sinceridade é fatal.

Um dia vão conseguir ler os meus pensamentos  e vão perceber que eu não gosto nada de mentiras. Simplesmente fico fora de mim....

 

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Esta manhã acordei com uma dor tremenda (há muito tempo que não me sentia tão mal!). A Pipoca diz que é da idade e que estou a ficar velhinho (Humpff, sim, provavelmente). No entanto, tudo o que me ocorre e me apetece é dormir, descansar e deixar os outros miar à vontade. 

Sem palavras minhas, estou limitado a ler como se lesse, e no fundo das minhas orelhas, e sem espírito santo nenhum, sei que a língua é de quem a entende.

A minha tristeza prolongou-se durante algum tempo quando li que:

 

O gato passou a manhã na biblioteca de volta dos livros. Foi saltando de estante em estante inclinando a cabeça como se lesse os títulos nas lombadas. Os livros técnicos pouco o interessaram, assim como os manuais, os ensaios e os livros de filosofis. Ao chegar aos romances ficou excitado e chegou a atirar alguns para o chão de tanto puxar com as garras.

Um dos livros prendeu-lhe a atenção, o título em holandês, De Kreutzersonate e o animal virou-lhe as páginas como se lesse ou lembrasse de ter lido.

Quando Margarida chegou a casa, deu com os livros no chão e castigou o gato com um jornal dobrado. Arrumou-os novamente nas estantes mas notou as marcas de garras na página de um deles...

Debaixo de Algum Céu, de Nuno Camarneiro

Este gato, sem língua, deixou-me triste. Trouxe memórias de quando era jovem namoradeiro e de quando miar era a minha especialidade. Hoje, estou só, e os humanos, tal como diria Saint-Exupery, são:
Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.

 

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Olá. Estou de volta nas línguas-de-gato e mais uma vez pretendo miar as novidades da semana. Ao que tudo indica uma menina "Mogli" foi descoberta numa floresta na Índia!!! - e já vieram dizer que não estava a viver com macacos?! Por acaso até vi na televisão. Achei estranhíssimo ela agarrar e beber água por um copo. Não aceitou comida mas um copo, sim?! A minha perspicácia felina disse logo:"Algo está errado e a história não foi bem contada". Mas como quem conta um conto acrescenta um ponto, não sei bem se posso confiar em tudo o que os humanos escrevem. O problema real reside na comunicação e volto sempre à mesma miadela de sempre! Quem me diz a mim, senhor gato, que a realidade é tal como descrevem?! Ou, melhor, que o certo é o que se fala agora e não o que se disse antes. É muita confusão, não é? Nada que um gato não aguente e que, por palavras que nunca te direi, revele a chispar dos seus olhos encantadores.Pruuuuuu, pruuuu. A sério?

Clarice Lispector disse o seguinte:

 

Vocês não sabem nada de mim. Nunca te disse e nunca te direi quem sou. Eu sou vós mesmos.

[Não estudem tanto, a verdade está nos olhos de um gato...]

 

veterinario-gatos-caxias-38.jpg

daqui

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