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O Livro Pensamento

O Livro Pensamento

Qui | 30.03.17

O convidador de pirilampos, de Ondjaki

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Este livro é simplesmente surpreendente. A história, que julgamos ser dirigida apenas a crianças, é interessante para os adultos, uma vez que possui frases que nos levam a refletir enquanto admiramos as ilustrações maravilhosas. 

Um menino tem medo do escuro e gosta de "cientistar" e, tal como um cientista verdadeiro, "inventa" objetos para conversar com os pirilampos. O seu avô acompanha-o e vai fazendo perguntas ao neto. A relação entre os dois, a criatividade do neto e a "humanização" dos pirilampos novos e velhos, permite-nos entender a importância dos laços que se criam entre as duas gerações.

Li a história perante 24 crianças e achei curioso quando disseram que adoraram os pirilampos e o código de morse. Tenho a certeza que se tivesse 8 anos iria dar a mesma resposta. Atualmente, gosto de "cientistar" e observar e, quando vejo o mundo, fico feliz por ser nova e velha.

 Os cientistas parecem malucos porque passam muito tempo a olhar as coisas e às vezes olham coisas que os outros não conseguem ver. Porque há pessoas que olham sempre a ver muito pouco!

 

 Sinopse:

- Não achas que podem ficar tristes, esses pirilampos dentro de uma gaiola que fica dentro do teu quintal?

- Se estivessem tristes, acho que não brilhavam assim.

- E se estiverem a brilhar de tristeza? - perguntou o Avô.
- Não tinha pensado nisso.
Perto da Floresta Grande vive um menino e o seu Avô.
O menino gosta de cientistar coisas: Já inventou um aumentador de caminhos e um convidador de pirilampos.
Fala em código Morse com eles.
 
 
Ter | 28.03.17

Línguas-de-gato | A verdade da mentira # 25

Era uma vez uma história sobre um gato...que vivia na imaginação e na escrita. É, sou eu mesmo. Sou um personagem. Escrever uma história é isto. É sonhar com as coisas que podem acontecer e, no meio, arranjar um conflito qualquer ( e voilá surge uma Pipoca). Nesta alegoria, a inspiração é baseada na realidade e em gatos que a minha dona teve e nos que conhece. É verdade que cortei o pêlo e que a Pipoca caiu da varanda. É, esses factos são verídicos e posso considerar que há mais verdade do que mentira nas histórias que vos contei.

Eu sou um gato e sou feito de imaginação pura e verdadeira. Sei que sonhei que os gatos inspiraram os escritores a escrever. Sei que posso miar muito e não escrever nada de jeito. Mas também sei que há sonhos que se tornam realidade. Ok, admito que gostava de escrever como mio, numa linguagem fluente de miaus e ronrons, conquistando a simpatia e a atenção dos leitores do blogue. Pronto, não se pode falar nisso ainda. Há muito trabalho a fazer e uma nova habitante a cuidar.

 

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 Ela chama-se Sushi Mia e digam lá se não tem o ar mais fofo do mundo. Tem apenas 5 semanas e já é muito traquinas

Eis uma nova fonte de inspiração

Eu cá continuo sem entender os humanos Porquê, dizem vocês? Eu respondo: não percebo porque hão-de colocar nomes de comida. E vocês percebem isto? 

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Seg | 27.03.17

História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar, de Luis Sepúlveda

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Antes que pensem que ando obcecada com gatos, relembro que pertenço a dois Clubes de Leitura e, para o Clube de Leitura Conversas Livrásticas, no mês de fevereiro o tema foi: animais. Eu selecionei apenas dois livros pequenos, este, o do Gato Malhado, e o conto de Edgar Allan Poe (aqui).

A história da gaivota e do gato é, além de uma fábula, uma linda lição, uma vez que dois seres tão diferentes são unidos na amizade por uma promessa. Ao mesmo tempo a história aborda um assunto sério que é o da poluição. 

Zorbas, um gato grande, preto e gordo, mora numa casa perto do porto de Hamburgo. Numas férias, Zorbas fica em casa, sozinho, e quando estava a apanhar sol na varanda, cai ali, mesmo à sua frente, uma gaivota moribunda. Esta, foi apanhada pela maré negra, e antes de morrer, põe um ovo e faz três pedidos ao grande gato. Zorbas, que é um gato de palavra, cumprirá as suas promessas: não comer o ovo, tomar conta da gaivota, e ensiná-la a voar. Para isso terá a ajuda dos seus amigos Secretário, Sabetudo, Barlavento e Collonello.

Gostei muito desta história, porque ensina a importância da amizade e das promessas, e porque tem momentos divertidos, nomeadamente, com o gato Collonello que costuma miar palavras em italiano e queixar-se dos outros tirarem os miados da sua boca.

Posto isto, fiquei muito surpreendida quando encontrei expressões que me fizeram lembrar as "Línguas-de-gato" e eu nem conhecia o livro!

Miar a língua dos humanos é tabu. Assim rezava a lei dos gatos, e não porque eles tivessem interesse em comunicar com os humanos. O grande risco estava na resposta que os humanos dariam. Que fariam com um gato falante? Com toda a certeza iriam encerrá-lo numa jaula para o submeterem a toda a espécie de provas estúpidas, porque os humanos são geralmente incapazes de aceitar que um ser diferente deles os entenda e trate de se dar a entender (pág.113).

 

Sinopse: Esta é a história de Zorbas, uma gato grande, preto e gordo. Um dia, uma formosa gaivota apanhada por uma maré negra de petróleo deixa ao cuidado dele, momentos antes de morrer, o ovo que acabara de pôr.

Zorbas, que é um gato de palavra, cumprirá as duas promessas que nesse momento dramático lhe é obrigado a fazer: não só criará a pequena gaivota, como também a ensinará a voar. Tudo isto com a ajuda dos seus amigos Secretário, Sabetudo, Barlavento e Colonello, dado que, como se verá, a tarefa não é fácil, sobretudo para um bando de gatos mais habituados a fazer frente à vida dura de um porto como o de Hamburgo do que a fazer de pais de uma cria de gaivota…
Com a graça de uma fábula e a força de uma parábola, Luis Sepúlveda oferece-nos neste seu livro já clássico uma mensagem de esperança de altíssimo valor literário e poético.

Qui | 23.03.17

Adoro desafios e mistérios # 5

Ernest Hemingway foi um grande escritor e deixou para trás muitos livros e contos. A vida pública de Hemingway era intensa, mas o seu interior é muito complexo e misterioso.

O documentário que se segue "Ernest Hemingway, Wrestling With Life" aborda a vida desse escritor talentoso que ganhou o Prémio Nobel em 1954 com o livro "O velho e o Mar".

  

 

"Paris é uma festa", a obra inacabada de Hemingway, revela apenas 5 anos da vida do escritor, talvez os melhores ou aqueles em que foi feliz. Talvez. Mas foi um vislumbre ténue do que foi a sua vida. Eu gostaria de saber mais. Se pensarmos na vida boémia e nos lugares onde morou, ficou muito por contar.

 

Por exemplo, sabiam que, em Cuba, Hemingway foi fiel frequentador do Floridita, um bar com restaurante? Ali turistas de todo o mundo ainda hoje se sentam para tomar o daiquiri, uma combinação de rum cubano com gelo picado e limão. 

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 Dizem que o escritor também frequentava o Bodeguita del Medio, outro bar onde se podem ver as assinaturas de milhares de visitantes que cobrem as paredes.

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Quando visitei Cuba, há muitos anos atrás, estive no Bodeguita Del Medio e experimentei um mojito no mesmo bar que Hemingway. É uma boa recordação ou não?  

 

Qua | 22.03.17

Paris é uma festa, de Ernest Hemingway

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Quando olhei para a capa e para o título julguei tratar-se de um romance e iniciei a leitura com essa expetativa. Só depois verifiquei que a obra se baseia em factos reais e que estamos perante as memórias do próprio Hemingway.

No início do livro, o autor refere que poderá ser considerada uma obra de ficção. No entanto, acredito que essa afirmação fosse fruto do distanciamento temporal, uma vez que Hemingway escreveu as memórias parisienses perto dos 60 anos. Nessa altura vivia em Cuba, já tinha recebido o Prémio Nobel da Literatura e já tinha tido várias mulheres. Infelizmente, devido a uma depressão e outros problemas de saúde, acabaria por se suicidar, pouco depois, em 1961.

O livro revela um Hemingway jovem que, com apenas 22 anos, lê pela primeira vez os clássicos, como Tolstói, Dostoievski e Stendhal. No período entre 1921 e 1926, o escritor refere as dificuldades financeiras pelas quais passou, descreve a cidade de Paris e os bares que frequentava, fazendo referências aos escritores com quem conviveu, designadamente Gertrude Stein, James Joyce, Ezra Pound, F. Scott Fitzgerald.

A parte que mais gostei  é a de quando Hemingway se encontra com Fiztgerald. Os dois tornam-se amigos e vivem situações no mínimo caricatas.

Por fim, poderia deixar uma citação sobre a cidade de Paris, mas a frase que me chamou a atenção foi esta:


Dizem que as sementes daquilo que havemos de realizar se encontram todas já dentro de nós, mas sempre me pareceu que naqueles que troçam da vida, as sementes se encontram cobertas da melhor terra e de uma percentagem mais alta de adubo.

 

Sinopse: Em 1921, um jovem Ernest Hemingway chega a Paris decidido a abandonar o jornalismo e a iniciar carreira como escritor. De bolsos vazios e com a cabeça povoada de sonhos, percorre as ruas de uma cidade vibrante nos dias de pós-Primeira Guerra Mundial, senta-se nos seus cafés para escrever, recolhe-se em retiros apaixonados com a sua primeira mulher, Hadley, e partilha aprendizagens e aventuras com algumas das mais fulgurantes figuras do panorama literário da época, como Ezra Pound, F. Scott Fitzgerald ou a madrinha desta - por si apelidada - «geração perdida», Gertrud Stein. Situada entre a crónica e o romance, Paris é uma Festa é a memória destes anos e a obra mais pessoal e reveladora de Hemingway. Deixada inacabada pelo autor, seria publicada postumamente, em 1964.

 

Ter | 21.03.17

Línguas-de-gato | Ciúmes não, é tudo uma questão de sensibilidade e bom senso # 24

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Olá, estou de volta! Ultimamente tem sido difícil escrever. A minha dona está sempre a dizer que eu sou muito fofinho mas que, ultimamente, parece que ando "possuído". Humpff. Um gato é um gato. Se não defendo o que é meu, quem defende? Pensei que a Pipoca fosse dar uma volta, depois das cenas que tenho feito e miado. Mas não!!! Ela tem sempre um ar de graça que suplanta qualquer uma das minhas exigências territoriais. Rnhau! Rnhau!

No outro dia, estava calmamente a ver televisão quando vejo o Riscas e ao colocar ambas as patas no ecrâ a minha dona gritou: "Gato mau, sempre com ciúmes e estás a ver se me partes a televisão!". Fiquei de castigo injustamente. O Riscas é um gato muito querido aqui no bairro e agora é famoso!!! Humpff. Humpff.

Assim, miados os "ciúmes" que me atormentam, tenho uma coisa mais interessante para contar. A minha dona adora uma escritora, chamada Jane Austen, e comentou que afinal ela foi envenenada. Vocês sabiam que ela tinha apenas 41 anos quando morreu? Bem, eu não. Agora a descoberta dos óculos dela apontam para a hipótese de ter sido envenenada por arsénico. É mais um mistério que deixo para os humanos resolverem, porque a minha reflexão só me permitiu concluir isto:

... não tenho medo de mostrar os meus sentimentos e de fazer coisas imprudentes, pois acredito que o que não se mostra, não se sente.

Sensibilidade e Bom Senso, de Jane Austen.

Seg | 20.03.17

Adoro desafios e mistérios # 4

A leitura é um autêntico desafio. Eu leio para saber mais, para aprender coisas, para viajar por lugares que de outro modo não conheceria, e para contactar com assuntos que me me façam pensar. No entanto, nem sempre é fácil encontrar o livro certo para ler. Nessas alturas, parece que entro numa espécie de conflito literário e na "ressaca" procuro o mais simples e fácil de ler, só porque sim.

Acho que é uma forma de lidar com este conflito interno e vocês? 

 

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Sex | 17.03.17

O gato preto, de Edgar Allan Poe

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Li este conto na internet (http://www.livros-digitais.com/edgar-allan-poe/o-gato-negro/sinopse) enquanto pesquisava livros para falar no clube de leitura "Conversas Livrásticas". Já tinha lido “Os crimes da Rua Morgue” e sabia que o escritor é conhecido pelas histórias de mistério um tanto sinistras.

“O Gato Preto”, de Edgar Allan Poe, foi escrito em 1843, e é uma história repleta de simbolismo que ainda hoje é analisada pela psicologia.

 

O narrador gosta de animais sobretudo de um gato preto, chamado Plutão, mas devido ao álcool ele sofre mudanças de humor e torna-se violento, chegando a cortar um dos olhos do gato e até a enforcá-lo numa árvore. É nessa noite que há um incêndio na casa da família e o narrador entende isso como um mau presságio, especialmente quando vê a sombra do gato enforcado numa parede que se manteve de pé.

Uma noite, já muito bêbedo, vê um gato semelhante a Plutão e leva-o para casa. Só depois se apercebe que o gato tem uma mancha branca no pêlo em forma de forca.

Ao descer ao porão, tropeça no gato e, em fúria, agarra no machado para matar o gato, só que a mulher tenta defender o animal e é atingida no meio da cabeça. Depois de esconder o corpo por detrás da parede da cave, ele repara que não há sinal do gato. Só quando a polícia chega, e descobre o cadáver escondido, é que é encontrado o gato.

 

Acredito que Poe se serviu da superstição para incutir um certo medo aos leitores. Os gatos pretos eram (e são ainda) associados ao azar ou a bruxas. Se lerem a história, irão verificar que a culpa, pelo incêndio e pela descoberta do cadáver, recai sobre o pobre do gato. 

Ainda me restava alguma coisa do meu antigo coração para que a princípio me afligisse esta evidente antipatia da parte de uma criatura que tanto me amara em tempos. Mas esse sentimento em breve deu lugar à irritação. E apareceu, então, como para me destruir total e irrevogavelmente, o espírito de perversidade. Deste sentimento não se ocupa a filosofia. No entanto, tão certo como a minha alma existe, creio que a perversidade é um dos impulsos primitivos do coração humano - um dos indizíveis sentimentos ou faculdades primárias que marcam a direcção do carácter do homem. Quem não se surpreendeu cem vezes a cometer uma acção tola ou vil pela simples razão de saber que não se deve cometê-la? Não é verdade que temos uma inclinação perpétua, apesar da excelência do nosso julgamento, a violar aquilo que é lei, simplesmente porque sabemos que é a Lei? 

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