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A Roberta dispensa apresentações, pois esteve connosco há muito pouco tempo (aqui). Já sabíamos que adora ler, mas não conhecíamos, ainda, o Poirot (o seu cão) nem o Graffio (o seu gato).  Ah, e temos mais para contar...

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Qual o livro que foi publicado na tua data de nascimento? 

R: O Alquimista do Paulo Coelho. Escolhi este porque, segundo o Goodreads, é o livro mais “popular” publicado em 1988. Por acaso já o li e está longe de ser o meu favorito.

 

Fala sobre alguma situação em que achas que foste vítima de Bullying na escola. 

R: Eu fui vítima de bullying no secundário e lembro-me perfeitamente da primeira vez que ouvi essa expressão. Eu entrei na escola e duas raparigas (que gostavam de me incomodar) passaram por mim com força de forma a conseguirem bater com o ombro delas em mim. Primeiro uma e depois outra. Fizeram-no com tanta força que me desequilibrei. Nesse momento uma colega minha virou-se e disse-me: Roberta, eu acho que sofres de Bullying por parte delas. Eu respondi: Sim talvez. Mas na verdade não sabia o que ela estava a dizer. Fui para casa e pesquisei e percebi que era verdade. Este episódio ficou-me marcado não por ter sido o pior, mas por ter sido aquele que me despertou para o que se estava a passar.

 

Conheceste alguém especial que gostasse tanto de livros como tu? Quem e quando.

R: Esta pergunta é complicada para mim... Já conheci algumas sim, mas vou fazer batota e responder desta forma: todas as pessoas que participam no grupo de leitura “Conversas Livrásticas” são especiais e gostam tanto de livros quanto eu.

 

Qual o livro que achas que descreve melhor a tua personalidade. 

R: Esta pergunta é tão difícil… pode haver personagens que tenham uma personalidade parecida com a minha, mas um livro? Hum… se tivesse de escolher um livro talvez seria o Orgulho e Preconceito… O livro tem critica social, tem uma personagem parecida comigo (a Elizabeth), e também tem assim uma veia romântica (que eu também tenho) 

 

Escolhe uma citação do(a) autor(a) preferido(a) e explica-a. 

R:“I declare after all there is no enjoyment like reading! How much sooner one tires of any thing than of a book! - When I have a house of my own, I shall be miserable if I have not an excellent library.” ― Jane Austen, Pride and Prejudice – Acho que nem é preciso explicar. A citação fala por cima. Neste caso trata-se de uma frase que aparece no Orgulho e Preconceito onde a Elizabeth (se não me engano era ela) dizia que não há nada melhor (nada dá mais prazer) do que ler. E eu concordo 100% :P E tal como ela, também eu serei miserável se não tiver uma excelente biblioteca na minha futura casa.

 

Qual é a música popular portuguesa que mais odiaste até hoje.

R: "O Bacalhau Quer Alho" do Saul. Acho a música abominável, a letra horrível, e o facto de usarem uma criança para a cantar. Execrável.

 

Qual é a situação mais absurda que te aconteceu a ti ou a alguém num local público. 

R: Não é bem absurda (se calhar é lol), mas eu adoro este episódio, por isso lembrei-me. Quando eu era pequena queria imenso aprender a ler e a escrever, mas os meus pais diziam-me que eu ía aprender só quando fosse para a escola. Finalmente chegou o dia. E eu fui à escola 1 dia, 2 dias, 3 dias… aguentei um tempo. Um dia não aguentei mais. Levantei-me e disse “Professora, ou me ensina a ler e a escrever, ou então vou-me embora!” Mais do que absurdo, é embaraçoso 

 

Comenta esta frase retirada do Público: “O autor morre quando põe um ponto final. O leitor nasce a seguir”.

R:Tem piada, porque quando entrevisto escritores para o FLAMES, muitos dizem-me isto mesmo, que assim que o livro está editado e sai cá para foram, o livro deixa de ser deles e passa a ser do leitor. A primeira escritora que me disse isso foi a Maria Teresa Maia Gonzalez. Lembro-me que pensei imenso nisso e acabei por perceber o que ela queria dizer. O autor escreve, coloca as suas perspetivas, conta a sua história e depois lança o livro. Quando o leitor pega no livro e o lê dá-lhe uma nova vida e, graças à sua perspetiva, personalidade e vivências, lê uma história que pode ser ligeiramente diferente daquela expressa pelo autor. Não fui muito original, mas a ideia parece-me ser esta 

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Autor: Derek B. Miller

Ano:2014
N.º de Páginas: 303
Editora: Asa
 
Sinopse: Sheldon, um judeu americano, parece ter chegado ao fim da linha. É viúvo, tem 80 anos, e revela sinais de demência. A filha, preocupada, decide levá-lo para Oslo, onde vive com o marido. Um dia, quando o deixa sozinho no apartamento, Sheldon ouve ruídos na escada. Percebe que é uma vizinha a ser perseguida, a tentar proteger desesperadamente um filho pequeno. A mulher acaba por ser morta selvaticamente. Mas o octogenário consegue, in extremis, esconder a criança dos perseguidores. É o ponto de partida de um romance onde tudo nos surpreende. Aos poucos, juntamos as peças do puzzle. Sheldon é afinal um exveterano da Guerra da Coreia, que há décadas vive num secreto inferno, a tentar expiar um crime involuntário. Num último esforço para se redimir, assume como missão salvar o filho da vizinha. Numa terra desconhecida para ambos, começa uma fuga épica, que os levará aos confins da Noruega – e uma perseguição implacável,movida por um gangue kosovar. Um estranho lugar para morrer, considerado o melhor romance do ano por uma série de publicações, desafia qualquer definição. O ritmo e a tensão absolutamente sufocantes remetem para o thriller moderno, do mais fino recorte escandinavo. Mas o autor, um ativista do desarmamento e dos direitos humanos, usa a dramática epopeia de Sheldon para pôr a nu a violência latente na cultura ocidental.
 
Opinião: Li este livro com muita expetativa, afinal foi considerado o melhor thriller moderno, e fiquei à espera da minha cenoura. O Sheldon é um personagem interessante, tem 80 anos, é viúvo, revela sinais de demência e ajuda uma criança a fugir dos assassinos da mãe, que é sua vizinha. Depois acompanhamos esta fuga e a sua história nos tempos da guerra na Coreia, com crimes por desvendar, com conversas com pessoas que afinal já morreram.
Gostei das críticas às políticas de emigração e à sociedade norueguesa. Gostei da descrição do gangue Kosovar, da chefe da polícia local e do próprio Sheldon. Os personagens estão muito bem caraterizados, contudo, a cenoura não apareceu. Onde está o mistério?! No final da história fiquei triste, pois acho que um bocadinho de Agatha Christie seria essencial.
 
Não era hora para estar a pensar naquilo, mas como é que as autoridades podiam pôr a segurança e o bem-estar do povo norueguês -os que são cidadãos e votam e lutaram pela democracia- a seguir ao dos estrangeiros? Uma vida pacífica não devia ser conseguida à custa dos emigrantes, claro, mas também não devia ser relegada para segundo plano.(...) Como é que podemos ser tão totalmente otimistas em relação ao mundo, apenas sessenta anos depois de termos sido ocupados pelos nazis? (pág.144).

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Autora: Elisabeth Strout

Ano:2016
N.º de Páginas: 173
Editora: Alfaguara
 
SinopseLucy Barton está numa cama de hospital, a recuperar lentamente de uma cirurgia que deveria ter sido simples. As visitas do marido e das filhas são escassas e pouco aproveitadas por Lucy. A monotonia dos dias de hospital é quebrada pela inesperada visita da mãe, que fica cinco dias sentada à sua cabeceira. Mãe e filha já não se falavam há anos, tantos quantos os que Lucy passou sem visitar a casa onde cresceu e os que a mãe passou sem a visitar em Nova Iorque, nem sequer para conhecer as netas. Reunidas, as duas trocam novidades e cochichos sobre os vizinhos de infância de Lucy, mas por baixo da superfícies plácida da conversa de circunstância pulsam a tensão e a carência que marcaram a vida de Lucy: a infância de pobreza e privação no Illinois, a vontade de ser escritora e a desconfortável sensação de não pertencer a lado nenhum, a fuga para Nova Iorque e a desintegração silenciosa do casamento, apesar da presença luminosa das filhas. Com um passado que ainda a atormenta e o presente em risco iminente de implosão, Lucy Barton tem de focar para ver mais longe e para voltar a pôr-se de pé. Mais do que uma história de mãe e filha, este é um romance sobre as distâncias por vezes insuperáveis entre pessoas que deveriam estar próximas, sobre o peso dos não-ditos no seio das relações mais íntimas e sobre a solidão que todos sentimos alguma vez na vida. A entrelaçar esta narrativa está a voz da própria Lucy: tão observadora, sábia e profundamente humana como a da escritora que lhe dá forma.
 

Opinião : Este livro foi-me oferecido pela Marta como prenda de aniversário. Fiquei em pulgas e muito feliz. Quem é que não gosta de receber um livro? A justificação para esta oferta foi a de que se tratava de uma história da relação entre uma mãe e a filha, o que, quando se tem uma filha adolescente, é relativamente conturbada. Mas quando comecei a ler, verifiquei que a relação de Lucy com a mãe é algo diferente. Não trata da adolescência, mas da filha já adulta e da mãe que não vê desde o seu casamento. No entanto, ela volta a estar com ela ali no hospital, muitos anos depois . É uma conversa entre as duas mas ambas escondem os sentimentos e os pensamentos. Ainda assim, a Lucy fica contente só de poder conversar com a mãe, mesmo sobre pessoas que não voltou a ver. E, nestas conversas, achei muito divertido os nomes que elas colocam nas enfermeiras, tais como a Tosta (magrinha e de seco trato), a Dor de Dentes (sempre desolada) e a Criança Séria (uma índia que ambas gostaram).

Lucy ora conversa com a mãe, ora pensa no seu casamento, nas filhas, e depois volta às memórias do passado, do tempo em que tinha 5 anos e ficava trancada na carrinha, para os pais irem trabalhar e os irmãos estudar. Nesta parte, não sei se compreendi bem ou se a Lucy terá imaginado, há um grande trauma e um segredo que ela não ousa revelar. 

Este livro prende. É preciso ler com calma, pois a escrita é simples mas os avanços e recuos na história podem prejudicar a compreensão das memórias de Lucy, umas reais, outras não sabemos se imaginárias, mas que são reveladores de um sofrimento que admite ter sido necessário para se tornar no que é.

 

Mas quando vejo outras pessoas andarem com autoconfiança pela rua, como se estivessem completamente livres de terror, percebo que não sei como são os outros. Uma grande parte da vida parece especulação (pág. 17).

 

 

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Entre dores e agonias, a minha dona precisa muito de mim. Dou-lhe o conforto necessário com a minha presença e ela dá-me miminhos com muita paciência. Sou um gato de estimação, mas poderia ser livre. A recompensa reside nestes momentos, em que os humanos sentem um calor, uma amizade e um carinho especial. Nada mal para um gato, não é? Pois, a minha dona tem andado um bocadinho mal. Diz que é um problema nas costas. Não sei muito bem, mas a mim quando estico todo o meu corpo sabe mesmo  bem. Já a minha dona, não. Começa logo a gemer e deita-se com uma cara triste. Eu mio e enrosco-me perto dos pés dela, procurando dar-lhe algum tipo de conforto. Porém, não tem sido fácil. Será que o fim está próximo e encaro o desafio final? my way, é uma forma de dizer que faço à minha maneira, e faço tudo direitinho sem "trampa". Com algum cuidado, procuro sempre estar por perto. Aninhado. Sentado. Acordado ou a dormir. Passo às vezes ao largo, como a esquadra russa navega ao largo de Leixões. Mas sempre imprimindo a convicção de que aqui há gato, que sou eu ou talvez não!

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Ainda não sei bem o que me espera... É tudo novo para mim, mas nem tudo é o que parece e sem tentar é que não sabemos, certo?! Em todo caso, nada como experimentar coisas novas e novos desafios. Estou, por isso, entusiasmada nas iniciativas/projetos de outros blogues, tais como:

2017 Reading Challenge

Clube dos Clássicos Vivos

Projeto Poupança 2017

Livro Secreto

Conversas Livrásticas

 

Desejem-me boa sorte!

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