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O Livro Pensamento

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Línguas-de-gato | Os fantasmas e a coxinha política # 9

Uma máscara que eu acho o máximo, no mundo animal, é a de uma mulher mascarada de gato. Nada me impressiona mais do que ver uma gatade duas patas! Mas caras pintadas com sangue a fingir, e dentes de vampiro, arrepiam-me o pêlo todo e fico naquela “não sei se fuja, não sei sefique”. É um sentimento estranho de aversão e de cusquice, em simultâneo. A minha dona diz que eu sou um gato intrometido e que gosto de andar sempre à procura de algo para me “coçar”. Bom. Não concordo, porque eu sou apenas um gato e um gato tem de marcar o seu território. Sou assim, honesto e fiel a quem me rodeia. Ao contrário de quem nos governa, não acham? Porque será que há essa necessidade constante de ocultar e de mentir? Já são “donos” do seu território e de todos os portugueses! Mas o que se passa já não é novidade e tem vindo a acontecer ao longo dos anos. Uma licenciatura não dá acesso direto a uma profissão. Hello?! Ou dá, a quem pode mentir, mesmo que não tenha a licenciatura?! Quem pode pode (Quem não pode, vive em casa dos pais até mais tarde). São, assim, os verdadeiros estrategas da política da ocultação e da negação,até ser tarde demais. Na ausência de qualquer reacção do povo, vamos continuara dar privilégios a quem não os devia ter (Já sei que quanto a isto não me posso queixar, pois enquanto gato tenho uma vida que muito português não tem:comida-cama-nada para fazer e dormir). Sejamos, então, realistas. Para ser político é necessário uma licenciatura? Não. Qual a necessidade de mentir? O hábito e a mentalidade enraizada na nossa sociedade. O que é acontecerá no futuro? Os políticos, quenão tiraram uma licenciatura (como deve ser, vá), que não sabem escrever bem, necessitam de escritores-fantasma para lhes fazer a papinha toda. Competência será, assim, abolida do dicionário, e em substituição, será implementada, sem a aprovação de todos os países envolvidos, outra palavra oriunda do Brasil: coxinha política

À conclusão, os competentes serão os outros, os fantasmas, e esses ninguém vê no dicionário!

Fotografia da alma


Quandocaminhares curvado pelo ónus do espírito
[pai]
edificareium empedrado de pensamentos polidos,
ondeeliminarei os minutos do horror e
[os sonhos urdidos]
nateia viva da angústia, cortarei cada fio frágil
[da memória]
enão estenderei a mão
enão exigirei a tua atenção para as fotografias
[a preto e branco]
Eos espinhos, deglutidos na garganta em trevas, devorarão as lembranças que
[esmoreceram e]
 de mim se alongaram os segundos  da hora derradeira,
quandodestruístes, nos sonhos,  a carneoculta da mãe
[dos olhos da (v)ida]
 Esquecestes  do ser imberbe gerado das células paternais…
Maseu repudio essa herança e a fria despedida
finalmente
[a dádiva de amor a um filho]

Música com palavras enfeitiçadas

O Dia das Bruxas está quase a chegar. Entre as actividades mais comuns, como vestir fantasias, a partida"doce ou travessura" ou decorar a casa com abóboras, eu prefiro os filmes de terror. É claro que preciso de companhia, pois a minha imaginação exalta o mais pequeno ruído, o que é perturbador. Mas, como faltam ainda alguns dias, lá fui eu pesquisar um video que me deixasse bem disposta e com capacidade humorística suficiente para o impacto do dia 31.


P.S. Mais um video a juntar à minha colecção.

Música com gatos e três palavrinhas

Palavras sem música

Desenhos animados sem palavras

Línguas-de-gato | A falta de noção dos humanos # 8

Nestes últimos dias, tenho andado deprimido. Não seibem porquê, mas é uma espécie de "feeling". Talvez o meu sexto sentido felino ou apenas uma impressão do subconsciente. Algo se está a passar e ninguém faz nada. A minha dona diz que este tempo não ajuda. Será influência do tempo? É que eu gosto de chuva e gosto de estar em casa. Inclino a pata direita em como todo este sentimento de tristeza está relacionado com as notícias. Não é fácil viver. Bem, DonaldT rump também está a ver a vida a complicar-se. A campanha para as eleições está cada vez mais agressiva. Várias mulheres vieram recentemente a público acusar Trump  e ele promete que vai processar todas as mulheres que o acusaram de assédio sexual. É um lavar de roupa suja nunca visto nas eleições americanas. Mas a indiferença ou falta de noção não acontece só aos políticos. De facto, um homem, por volta do meio-dia,em Northampton, Inglaterra, entrou numa loja de artigos para o lar e decidiu levar, sem pagar, uns estores enfiados na roupa e sair, na maior das descontracções. No elevador, foi filmado e a polícia divulgou uma fotografia do ladrão com os estores dentro do casaco a levantar o capuz. O objetivo era identificar o sujeito, mas, no Twitter, recebeu doze mil “gostos” e mais não sei quantas partilhas. Porque é que fico triste? Não percebo as pessoas. Afinal, sou apenas um gato e, quando faço algo errado, no mínimo, levo com um jornal… Dou um miado gigante e depois fico a pensar que o pior não foi  levar com o jornal e sim ter levado com a porcaria de notícias que vêm lá dentro. Que falta de noção!

Questão atroz


Quando, na força das palavras não ditas, surge ainsatisfação inútil?
Eis a desdita tristeza que se apressa numa lágrima fútil.
Já nada ocupa o seu ser, a não ser uma espécie de doença,
cinzenta, em forma de questão. Quan-do,
nestas sílabas silencia a atenção
que dedica à lembrança das noites com voz ciciada em maciatentação.
Vira o mundo e desmaia
a expressão (do rosto), mas esforça
a mente na procura de um resquício da noite inconfidente
e agora atravessa demente
a desabitada areia da praia,
onde as ondas engomaram e enrolaram a escravidão.
O mar, traiçoeiro, havia chegado perto da areia e baralhadoem água a emoção.
Havia chegado, ainda, o vento desleal e, bem veloz, Omomento atroz.
Acorda  para o tempoverbal das palavras e contempla
as suas pegadascinzentas demarcadas,
entretanto,arrastadas
pelo Mar, pela Vida epela insidiosa Pergunta:
QUANDO?

Sintonia do imaginário

A bloggess pediu que a ajudassem a colorir este desenho e que lhe enviassem o resultado. É relaxante. Gastei duas horas e nem dei pelo tempo passar. Bem sei que não está perfeito, mas é um trabalho moroso e de muita paciência. Além do mais, não usei qualquer critério na escolha das cores.Acho que expressei uma explosão de criatividade imaginária. Já quanto à qualidade, temo ter arruinado, um pouco, o desenho da Jenny. Ups. Sorry, Jenny.

Isto

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!


Fernando Pessoa, em "Mensagem".

Línguas-de-gato | Mixórdia de palhaçadas # 7

Hoje, foi dia de aniversário. A minha dona levou os filhos para uma festa. Houve brincadeiras, uma Pinhata, música e doces. Eu fiqueiem casa e esperei que regressassem. Depois, quando vieram, tentei pôr a pata auma goma divertida e escorregadia, em forma de minhoca. Daí a um bocado, ouvi o jornalista a falar na televisão. Não sei se percebi bem, pois ainda estava entretido com a minhoca, que era difícil de apanhar. Ao que parece já não se devem usar palhaços nas festas? Acho que há um certo mal-estar generalizado,nos Estados Unidos da América, na Austrália, no Canadá, ou até no Brasil. E dizem que é uma moda que está a gerar polémica! Percebi que as pessoas decidem disfarçar-se de palhaços assassinos, sair à rua, durante a noite, e que depois vão a correr atrás das pessoas que passam. Também há relatos de serem utilizadas facas para assustarem crianças! Acho que não entendi bem. O raio da minhoca distraiu-me um bocado e, quando consegui pô-la na boca, tive de cuspir porque sabia muito mal. O meu paladar felino não se habitou a este tipo de mixórdias. Ah, lembrei-me agora. Estava outra senhora a dizer que “onde é que anda o nosso país, onde é que anda a nossa cultura, onde é que anda os nossos ouvidos, onde é que anda a nossa visão, onde é que anda tudo” eque não quer ouvir “mixórdias musicais”. Bom. Estou um pouco baralhado, se calhar devido ao açúcar da minhoca. Acho que isto refere-se a outro tipo de palhaçadas.Aliás, os palhaços assassinos são perigosos e os países em causa já estão em alerta, até porque se aproxima o Halloween; já em relação às outras palhaçadas, que se tornaram num vírus e que necessitam da vacina contra a gripe D, acho que se tornou no maior disparate musical que ouvi na minha vida. O que é que eu aprendi hoje? Não se metam com palhaços assassinos e, sobretudo, não dêem crédito, não filmem, não passem na televisão, pessoas que, não estando disfarçadas, é como se estivessem. Que mixórdia de palhaçadas!

O Prémio Nobel é uma mensagem | A sério? #5

Uns, aplaudem. Outros, nem por isso. O Prémio Nobel da Literatura, atribuído a Bob Dylan, surtiu um efeito Woouuuu de surpresa geral. Também fiquei estupefacta e, apesar de já conhecer Bob Dylan, não me pareceu bem. Quanto às letras poéticas, isso, por si só, não justifica a atribuição de um prémio a alguém que escreveu, quase todas as letras, nos anos 60 e 70. Sei que, nessa época, existiram as revoluções sociais e culturais com os hippies, mais drogas, mais revolução sexual e mais os protestos dos jovens contra os governos. Mas esses foram anos em que eu ainda não tinha nascido. Não vivenciei de perto e parecem uma realidade distante (?). No entanto, na minha cabeça, surge uma pergunta: será que atribuir o Prémio Nobel, a um americano, é uma mensagem política? Suponho que sim.

Tradução | Knockin on Heaven´s Door (1973)

Mãe,tira esse distintivo do meu peito
Eu não o posso mais usar

Está ficando escuro, escuro demais para ver
Sinto-me como se estivesse a bater na porta do céu

Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu

Mãe, põe as minhas armas no chão
Eu não as posso mais disparar
Esta fria nuvem negra está descendo
Sinto-me como se estivesse a bater na porta do céu

Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Sinto-me como se estivesse a bater

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