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O Livro Pensamento

O Livro Pensamento

Em teu ventre, de José Luís Peixoto #22


Tudo se passa entre maio e outubro de 1917, em Fátima. É neste período de tempo que o autor narra os acontecimentos relacionados com as aparições de Fátima, tendo por protagonista Lúcia, enquanto intermediária entreo profano e o sagrado. Com 10 anos, ela é apenas uma menina que gosta de brincar com os seus dois primos, Jacinta e Francisco. Maria, a mãe de Lúcia, é severa com a filha, mas preocupa-se com ela, como qualquer mãe. A dimensão humana está, por isso, presente, através da mãe de Lúcia e, ainda, da mãe do autor (achei curiosa a forma como se dirige ao filho e fiquei com a sensação que estaria noutro plano). Quanto à dimensão divina, só aparecem palavras quase bíblicas, presumo que vindas de Deus. Não são referidas as palavras de Nossa Senhora quando aparece às três crianças (os pastorinhos), o que, a meu, ver foi propositado. Se por um lado o autor não quis dar uma opinião direta sobre os factos, por outro introduz algumas farpas quanto à veracidade, designadamente quando Maria surpreende Lúcia a brincar, com o lenço na cabeça, a fazer o papel de Nossa Senhora perante outras crianças e quando a Lúcia conversa com objetos ou com as folhas da azinheira, entre outros pequenos detalhes.

Citação:”As palavras são imperfeitas quando tentam dizer aquilo que é maior do que elas. São imperfeitas também quando tentam dizer aquilo que parece ínfimo, dependendo da proporção. Nesse caso, as palavras são dedos que tentam apanhar uma migalha, fazem a forma de beliscá-la, mas deixam-na lá, como se fossem inúteis”.

Pensamento: Nesta altura, as pessoas eram, na esmagadora maioria, analfabetas; um povo pobre e cujos filhos estão na guerra. Será que este povo desesperado foi vítima de uma alucinação coletiva?

Poema avariado

Algo se passa neste lugar
hilariante
Ah, quem disse que não gosto do riso
contagiante?
A frescura nas palavras
inquietante?
Ou que alcança um significado
hesitante?
Algo se passa neste lugar
O poema avariado revela num
instante:
Riso.


Mataram a Cotovia, de Harper Lee #21

A ação decorre em Maycomb nos anos 30, após a depressão, e é pelos olhos de uma criança de seis anos, Jean Louse Finch ou Scout, que a história é narrada. Ela é uma menina que aprendeu a ler sozinha e para ela a escola é um tédio. Ela é diferente; veste-se e brinca como uma “maria-rapaz”. É nas brincadeiras com o irmão, Jem, e com o amigo, Dill, que dá largas à imaginação e vive grandes aventuras, na esperança de encontrarem Boo Radley, o vizinho que ninguém vê e que comentam ser um fantasma. Já o seu pai, Atticus Finch, advogado, homem justo e bom, concorda defender Tom Robinson da acusação de violação de uma jovem branca.
A maneira como Scout vê os adultos vai mudando ao longo do livro, pois vai perdendo a inocência quando começa a compreender o que é o mundo dos adultos, bem como o que é o racismo, a intolerância, o preconceito e a verdadeira injustiça.
Citação:” A única coisa que não respeita a regra da maioria é a consciência de cada um”. 
Pensamento: Acho que assisti a demasiados filmes, porque não tive grandes surpresas neste livro. Gostei do mistério em torno de Boo Radley e das brincadeiras das crianças. Simpatizei, também, com a cozinheira negra (Calpurniana).

Sem o ar, o que respiro?

O que pesa em mim?
Serão as esmagadoras toneladas opressoras
e agressivas incertezas sobre o peito?
Sem o ar, o que respiro?
Numa amálgama de preces conjuntas
Com o tempo no altar
Ouso, na tempestade das emoções,
Pedir um sacrifício:
O sossego de livremente
respirar com calma.
Quando não desejo
Viver na turbulência
da alma
Sem o ar, o que respiro?
Embotado ensejo
Com falta de oxigenação
Questiono as singulares
circunstâncias
Em que o calor queimou
A possibilidade de qualquer meditação
Circunspecta providência
Teimosia aleivosia
Desígnio absoluto
Sempre em contradição.
Só que não posso viver sem ar
Nem alimentar a fogueira
Que queima a possibilidade
De obter alguma serenidade.



Imagem do Codex Seraphinianus

Um livro bem misterioso (2)

Ao quetudo indica, prevê-se a primeira edição de 898 exemplares (porque não 900 ou1000?) do manuscrito Voynich. Bem, a história não acaba aqui. Olivro em causa intriga toda a comunidade de especialistas e amadores em criptografia porque é: misterioso (não se sabe ao certo de onde veio ealvitram que foi escrito por extraterrestres); ninguém o consegue ler (já setentaram vários métodos). 
O que me causa enorme espanto é que o manuscrito estádisponível na internet mas (pasmem-se) vai custar a módica quantia de sete mileuros, cada um (???). Então, está mais do que assente, este mistério não é para mim. Julgo que escrevo algumas coisas que ninguém, que me conhece, entende, mas isso não faz de mimuma perita em caracteres alienígenas. Ora espreitem:
 
 
 
 
 
 
Para veres mais aqui.
 
O manuscritoVoynich, foi descoberto em 1912 em Itália e recebeu o nome de um comerciante de livrosde segunda-mão polaco, Wilfrid Voynich. De acordo com a datação porcarbono, o manuscrito terá sido criado por volta do século XV. Será uma falsificação feita por um mago daquela época? Terá sido escritoem Itália? O que serão as plantas misteriosas? E os diagramas? 

 

Têm alguma teoria sobre a forma como pode ser decifrado? 

Voa bem alto!

Tudo o que te ensinaram, acreditas,
Não duvidas e aceitas.
O dogma..
Não ousas contrariar e desesperas.
Nas palavras escritas pelo homem
Desesperas e aceitas em contradição.
Lutar com todas as forças
Desde o berço a ouvir a palavra não
Implica desesperar e chorar de frustação.
O espírito é energia sem limites
É alma e sangue
É tudo o que precisas.
Transcende o corpo e voa bem alto!
Nem a sabedoria milenar chinesa
Acata outra solução.


Manifesto de como ser interessante, de Holly Bourne # 20

Em primeiro lugar, agradeço à A., de 17anos, por me ter sugerido e emprestado este livro fora do comum (tanto a história como a apresentação).Foi uma experiência bem diferente da que estava habituada, pois, enquanto lia olivro, sentia-me divertida, enternecida, irritada e furiosa, tudo ao mesmotempo. Por diversas vezes, estive tentada em dizer: Bree não faças isso, Breetem cuidado, Bree sê tu própria e que se lixem as populares e os outros. De facto, Breetem 17 anos, está só, tem baixa auto-estima e não conversa com os pais nem como seu melhor amigo, Holdo, a partir de determinada altura. Ela quer serescritora e depois do segundo romance recusado está disposta a tudo. Resolve,então, mais uma vez desabafar com o professor de inglês que tece um comentárioacerca de fazer coisas interessantes que permitam crescer na escrita. É comessa ideia em mente que Bree irá esforçar-se, fazer compras com a mãe, fazercoisas que não têm nada a ver com ela e, também, arranjar sérios problemas.
Citação: “Tu Já mencionaste a escola… aescola é mesmo um inferno para algumas pessoas. Não duvido disso. Nunca. Mas oque não compreendem é que a morte é permanente. Enquanto que qualquer outroproblema das suas vidas normalmente não é. E se estão a provar um ponto devista, não vão estar presentes para ver esse ponto de vista ser provado".
Pensamento: A experiência decrescer pode ser dolorosa. Faz parte da vida e todos temos de passar por isso(incluindo os pais, ouviram?).Há quem disfarce muito bem e há quem não chegue acrescer. Conselho: comuniquem. Deixem o computador ou o tablet ou o telemóvel efalem com os vossos pais ou com um(a) amigo(a). A comunicação é importantíssimae é por isso que estou agora aqui a escrever os meus pensamentos.

Doenças literárias do século passado (1)

Antes que comecem a divagar sobre o título, informo que nasci no século passado e que não estou doente. As doenças literárias são apenas um desafio sobre livros, por sinal muito divertido. Eu diverti-me imenso com ele. Espero que também gostem e que comentem (muito!).

Para começar vou fazer aqui uma comparação. Acho que isto dos blogs é como quando se acaba de tirar a carta de condução: sabemos as regras, sabemos dirigir, porém temos de ter cuidado com o que fazemos e com o que outros fazem, de forma a seguir, alegremente, o nosso caminho. A propósito de viagem, resolvi embarcar numa e pedi boleia à Magda Pais (stoneartbooks.blogs.sapo). Ela é divertida, tem um sentido de humor apurado, gosta de caçar gambuzinos (pokémons) e sabe conduzir muito bem o seu blogue. Então, eu aproveitei para espreitar e responder à TAG literária aqui, com apenas uma adaptaçãozita. Esta TAG é sobre doenças literárias do século passado (atenção que não foi no tempo dos dinossauros, embora ainda andem por aí alguns).

 

Então, é assim:

 

1) Diabetes: Um livro muito doce. “Chocolate”, de Joanne Harris, pois enquanto o li não resisti a comer um (piu,foram vários) chocolate(s).


2) Varicela: Um livro que nunca mais vais pegar para ler de novo. Sem sombra de dúvida “Os Versículos Satânicos”, de Salman Rushdie. É daqueles livros que comecei a ler, não consegui acabar e não vou querer pensar nele nunca mais.


3) Ciclo Menstrual: Um livro que relês constantemente. Infelizmente, não costumo reler livros e sei que isso me faria bem. Ou por falta de tempo ou por falta de disposição, apenas há um que gosto de reler algumas partes: “A Viagem das Almas”, de Michael Newton”.


4) Gripe: Um livro que se espalhou como vírus. “Nós”, de Zamiatine, tal como um vírus esta distopia acabou por contagiar outros autores, como por exemplo George Orwell.


5) Asma: Um livro que te tirou o fôlego.“Os sete minutos”, de Irving Wallace. Fiquei sem fôlego enquanto não acabei de ler e com asma quando resolvi comprar on-line a edição do Círculo de Leitores e recebi o livro em português do Brasil (rsrsrs).


6) Insónia: Um livro que te tirou o sono. "Pássaros feridos", de Collen MacCullough. Tirou-me o sono, fez-me sonhar acordada e assisti, ainda, à série televisiva (Não que sonhasse com o padre, credo!).


7) Amnésia: Um livro que leste mas não te lembras bem. “O Deus das pequenas coisas”, de Arundhati Roy. É sobre a família e sobre mulheres, que são umas desgraçadas, mas não me lembro de mais nada.


8) Doenças de Viagem: Um livro que te leva para outra época/mundo/lugar. “Cisnes Selvagens”, de Jung Chang. Com este livro viajei à China do século passado e fiquei doente com as descrições do regime, dos pés amarrados das mulheres e do sofrimento.


É tudo, Se tiverem outros livros para indicar estejam à vontade.

(Frágil) equilíbrio


Estrada abaixo
Sempre a descer
Equilibrando
O corpo
Sem saber.
O vento na cara
Na roupa um vendaval
Segue desabrida,
A bicicleta.
Segue perdida,
A rapariga.
Esquece a liberdade,
Esquece a vida
Ou que muitas mulheres
Sofrem
Em cárceres, 
Em chagas,
Em ferida,
Na alma e no corpo.
Já a rapariga leve, leviana e livre
Seguia perdida
Equilibrando a bicicleta 
E a doce ilusão.

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