Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O Livro Pensamento

O Livro Pensamento

Dois livros com humor refinado # 7

Os Filhos da Mãe, de Rita Ferro



“Não tinhaquartos nem sobrado, mas era casa: o chão era de cimento e o espaço um só”. 
Inicia-se assim a história de uma família portuguesa numerosa que partilha umespaço exíguo. Na mesma casa moram: o Pai, funcionário das finanças, a mãe chamadaVenância, os filhos (o Mais Velho, o Segundo, os Gémeos e a Anã), o Escritor (queé o hóspede), as ratazanas (as quais têm nomes como Maçarico, Sirigaita e oSenhor Salema), o cão (Covas), o peixe e, por último, Cuba, a filha de umarelação anterior, que chega com os seus quatro filhos.





Citação: “Cuba, não, chamava-se Amparo, mas como o Paiassociava o nome à farinha disse-lhe: ficas Cuba que não engorda”.



A felicidade é um chá contigo, de Mamen Sánchez



O inspetor Manchego, figura muito peculiar - escolheu essenome por ser um homem de “muita acção”,por supuesto, e por lhe soar melhor no seu WalkieTalkie-, fica encarregue de descobrir o paradeiro do jovem inglês AtticusCrafstman. Neste mistério, existem vários personagens, destacando-se o inspector,que mal sabe inglês, cinco mulheres (astutas) da revista Libertate, que lutam para manter o seu trabalho, sendo que umadelas é a feiticeira de olhos azuis chamada Soleá (curiosamente nome de um tipo ousubtipo do flamenco gitano).



Nesta comédia decostumes, o enredo não é intenso, nem se desenrola com muito mistério ou grandeacção até porque nos apercebemos logo de qual vai ser o final.No entanto, considero que a escritora procurou evidenciar uma história deamor e o choque entre duas culturas, a inglesa e a espanhola, e por isso usou váriasreferências ao formalismo inglês e ao chá Early Grey (muito apreciado pelos ingleses),por contraposição à despreocupação, às festividades, à comida espanhola e aochá da Dona Candela (chá esse ao que parece “afrodisíaco”?!).
Citação: “Teria de escolher muito bem as palavras, disse para sipróprio, e de seguida adormeceu e sonhou que uma tribo de canibais o metiadentro de uma panela de água a ferver”.
Pensamento:  Felicidade é o convívio em família.

A felicidade


Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a gota

De orvalho numa pétala de flor

Brilha tranquila

Depois de leve oscila

E cai como uma lágrima de amor

A felicidade do pobre parece

A grande ilusão do carnaval

A gente trabalha o ano inteiro

Por um momento de sonho

Pra fazer a fantasia

De rei ou de pirata ou jardineira

Pra tudo se acabar na quarta-feira



Tristeza não tem fim

Felicidade sim

A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar

Voa tão leve

Mas tem a vida breve

Precisa que haja vento sem parar(...).

          
Vinicius de Moraes

Louca por compras, de Sophie Kinsella #6

Nesta comédia romântica conhecemos uma personagemque é louca por compras: Rebecca Bloomwood, compra quando está triste, quandoestá feliz e quando vê uma promoção incrível. Toda a história é contada como seestivéssemos na cabeça de Rebecca, desde os seus pensamentos mais surreais, àsmentiras que se vê “forçada” a contar, pois não admite a si própria que temdívidas e que não gosta do seu trabalho. Ela é jornalista financeira naSuceessful Saving, mas não presta atenção ao trabalho que faz no mundofinanceiro, foge às responsabilidades que tem para com o banco e, na sua visãodistorcida da realidade, se esconder as cartas do banco, se não pensar sequerno assunto, as dificuldades desaparecem e com mais uma comprinha as coisas melhoram…
Citação:“E agora, todos aqueles episódiosda minha vida que eu tinha escondido tão cuidadosamente no fundo do meuconsciente, estão a abrir caminho, como vermes, até à superfície. Eu não mequero lembrar de nenhum deles, mas não tenho hipóteses de escolha. Aí vêm elas,todas as horríveis realidades, trepando para a minha consciência, uma atrás da outra”.
Pensamento: O pensamento positivo não resolve todos os problemas.


Para e pensa

Continua a saga: 

Em busca do(s) livro(s) divertido(s)… 




Confesso o desapontamento
Delivros procurar
No pensamento,
O tempovoa...

E vocês sem opinar?!


Com as minhas escolhas vão ter de 
aguentar?!






Pensamento: A felicidade é reciprocidade. 



Anne dos Cabelos Ruivos, Lucy Maud Montgomery #5

 
A escritora Lucy Maud Montgmory é a autora da história de Anne dos Cabelos Ruivos (Anne of Green Gables). Anne Shirley ou Ana Silvestre, como ficou conhecida na série em desenhos animados exibida pela RTP em 1987, é uma menina de 11 anos, órfã, que é enviada por engano para a quinta dos irmãos Cuthbert, Marília e Matias, que pretendiam adoptar um rapaz para ajudar Matias na quinta, chamada  Green Gables.
Ana é sonhadora, cheia de ideias românticas, alegre, sensível à beleza da natureza, sempre pronta a mudar o nome das coisas e atenta às tendências da moda (quem não se lembra do vestido com mangas de balão? ).
Se por um lado as suas ideias e a sua imaginação fazem com que ande sempre com a cabeça nas nuvens e, em consequência,tenha um comportamento socialmente inadequado, por outro a sua preocupação com a“estética” leva a situações hilariantes como no dia em que quis pintar o seu cabelo ruivo e este ficou verde :). 
As várias peripécias de que é vítima são muito divertidas e fazem com que os leitores simpatizem, como eu, com a pequena Ana.
 
Li, não sei onde, que o perfume da rosa seria sempre igual mesmo que não se chamasse rosa, mas eu nunca acreditei nisso. Não acredito que as rosas fossem igualmente bonitas se se chamassem cardos ou repolhos.


Pensamento: A felicidade interior reside na amizade verdadeira e na liberdade de sonhar.
 
 

Para e Pensa


Porfalar em alegria, otimismo e motivação, não é que pesquisei… pesquisei… e nãoencontrei livros na categoria de “divertidos” em Portugal!!!

Existirão apenas os livros de Nuno Markl, Nilton, José Pedro Gomes, RicardoAraújo Pereira, entre outros, que já conheço há anos?! 

Então?!Não editam nada novo ou pesquisei mal, alguém me sabe dizer?


Pensamento:Não sejas tu próprio. Sê uma Pizza. Toda a gente gosta de pizza. (PewDiePie)



Pollyanna, de Eleanor H. Porter #4



O romance clássico da literatura infanto-juvenilda americana Eleanor H. Porter, foi publicado no ano de 1913, ou seja, noséculo passado.
No post anteriorreferi que iria tentar ser uma “Pollyanna”, o que poderá ser interpretado deduas formas: primeira, é doida não sabe o próprio nome; segunda, é completamentesnob e dispensou a empregada. Não, não é nada disso que quis dizer. Eu explico.O livro deixou marcas na minha juventude, sem dúvida. Passei a utilizar estaexpressão sempre que quero trazer alguma alegria e optimismo para a vida,tal como a jovem Pollyanna.
Recapitulando, para quem nunca ouviu falar, Pollyanna é onome de uma jovem órfã, ingénua, caridosa e de um forte optimismo. Quando o paimorre vai morar com a sua única familiar, a tia Polly, e esta é severa, commuitas regras e não aceita a personalidade da sua sobrinha. Esta passa aensinar, às pessoas, o "jogo do contente", ensinado pelo seu pai. Essejogo consiste em procurar extrair algo de bom e positivo em tudo, mesmo nascoisas aparentemente mais desagradáveis.
Curiosamente, vim a descobrir que na psicologia existeminstrumentos de avaliação dos traços de personalidade e, por vezes, nainterpretação de resultados ocorre um fenómeno designado de “princípioPollyanna” e que se traduz numa tendência que as pessoas têm para aceitar commais frequência os comentários positivos do que os negativos.
Mais espantada fique ainda quando li que, na programaçãoneurolinguística, o livro é utilizado como treinamento de "ressignificaçãode conteúdo", através do qual o paciente aprende a atribuir novo significado a acontecimentos atravésda mudança da sua visão do mundo.

Pensamento:Basta pensar em algo positivo!



Há em tudo que fazemos



Uma razão (?) singular:
É que não é o que queremos.
Faz-se porque nós vivemos,
E viver é não pensar.
Se alguém pensasse na vida,
Morria de pensamento.
Por isso a vida vivida
É essa coisa esquecida
Entre um momento e um momento.
Mas nada importa que o seja
Ou que até deixe de o ser:
Mal é que a moral nos reja,
Bom é que ninguém nos veja;
Entre isso fica viver.
Há em tudo que fazemos uma razão (?) singular:
É que não é o que queremos.
Faz-se porque nós vivemos, e viver é não pensar

(Fernando Pessoa: Obras Inéditas)

7 dias no Pensamento



Estou de volta paradesvendar um pouco o mistério. Adoro mistérios (eheh) e questionar tudo. Tenhopresente as aulas de filosofia e tudo pode ser analisado de outra forma. É mais ou menos isso que me ocorre, frequentemente.

Como sabem, ao longodesta semana vários acontecimentos ocorreram no mundo. Porém, a religião nãoserve de justificação para matar. Aliás, na minha modesta opinião, não existeramo certo na árvore das religiões nem é preciso escolher um ramo. Deus é otronco de todas as religiões e não é preciso escolher uma religião para saberque a vida é valiosíssima. Por outro lado, podemos acreditar muito numa coisa ea nossa visão não ser a correta ou até não acreditar em nada e com isso não vir mal ao Mundo.
Acontece que paira sobre o mundo a sombra do medo e do ódio e nós devemos aprender a encarara realidade e a verdade: a vida é Caos.

Estas reflexões, aparentementedespropositadas, acompanharam as leituras desta semana:

 Nolivro A Viagem de Théo, constatei queas religiões têm muitas semelhanças entre si mas estão sempre em conflito. Nadade novo para mim, exceto desconhecer que existem muitas religiões e conceitosverdadeiramente estranhos. Além disso, por mim falo, acho que não conseguia fazera dança rodopiante dervixe: rodar erodar e rodar, ui… fico toda tonta;

Com AsLuzes de Setembro, dirigi um olhar para o fantástico e com a sua leiturapercebi a fórmula utilizada peloescritor, pois através de uma apresentação do lado obscuro de Lazarus Jan somossubtilmente conduzidos ao lado negro e malévolo existente em nós próprios. CarlosRuiz Záfon vai mais longe, pois seres mecânicos, criados por Lazarus edescritos como reais e vivos, são, a meu ver, o indício de que o homem poderáser “substituído” por seres biónicos (não sei, li notícias neste sentido evocês?);

Em Todaa Luz Que Não podemos Ver, a história é contada sob dois prismas diferentes:ela embora cega é corajosa e determinada, ele apesar de inteligente e autodidactaé subjugado pelo medo, o que paralisa a sua própria personalidade. 

O que é facto assente, é que todos temos umarazão para estarmos aqui e que do Caos podem surgir obras maravilhosas. Apósler a destruição total da cidade fortificada de Saint-Malo, fiz uma pesquisa e verifiqueique essa destruição total foi real e que só após a guerra a cidade foireconstruída, mas da forma exactamente como estava antes.


Bem, para a semana tentarei ser umaverdadeira Pollyanna...


Toda a Luz Que Não Podemos Ver, de Anthony Doerr #3



Entre o passado (antes da guerra) e opresente (em 1944), acompanhamos a história de uma jovem cega de dezasseis anos, Marie-Laure LeBlanc. Ela,com a preparação que lhe é dada pelo pai, é inteligente e determinada.

O pai, Monsieur LeBlanc, é o serralheiro-mordo Museu Nacional de História Natural em Paris. Tudo corre bem até queas tropas de Hitler ocupam a França, pelo que pai e filha fogem para casa do [agorafóbico]tio-avô (Étienne) em Saint-Malo, levando com eles uma pedra preciosa amaldiçoada chamada Mar de Chamas

O soldado alemão de dezoito anos e cabelosbrancos, Werner Pfenning, é fascinado por rádios; esse talento não passoudespercebido e é obrigado a frequentar a escola militar de JuventudeHitleriana.

O destino faz com que os dois jovens se cruzem…

Citação:”Abram os olhos e vejam tudo o queconseguirem ver antes que se fechem para sempre”.

Pensamento: Muitas vezes a vida é um Caos?


Pág. 1/2