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O Livro Pensamento

O Livro Pensamento

24
Abr17

Línguas-de-gato | A sinceridade matou o gato # 28

Olá. Ando muito cansado. Humpf.Sou um desgraçado de um gato. Preciso tanto de descansar!!! A Pipoca continua a fazer das suas e acorda todos, leram bem, TODOS os dias às 7h10m. Não sei se mie ou se arranhe. Fuuuuuuu!!! Dá para acreditar nesta mudança? Rsssssssss. Depois, tenho de ouvir comentários absurdos dos humanos mais novos. São pérolas de sabedoria:

 

Mini humana: Mãe, assim a Pipoca não vai aprender a falar como deve ser!

Dona humana: Então, porquê?

Mini humana: Porque foi retirada da mãe com 5 semanas, claro!

Dona humana: O quê

Mini humana: Sim, mãe. Para miar como deve ser...Ela assim não sabe o que está a dizer, não é?

Dona humana: ()

 

Esta conversa causou-me alguma perplexidade felina. Pruuu Pruuu.Pruuu. Então, a Pipoca a falar! Ah ah ha. Muito bom! Estou a chorar de tanto miar!

As crianças são assim, e falam tudo o que lhes passa pela cabeça. Eu sou a favor da sinceridade de gato humana. No entanto, há quem ache detestável. Há quem prefira os dissimulados, os omissores ou os que passam despercebidos. Para quê dar nas vistas se isso implica um esforço extraordinário que vos poderá colocar ao nível dos da má-lingua, dos impertinentes e dos parvos? Afinal o que importa não é o que se diz. Pruuuu. Lá dizia Oscar Wilde:

 Pouca sinceridade é uma coisa muito perigosa, e muita sinceridade é fatal.

Um dia vão conseguir ler os meus pensamentos  e vão perceber que eu não gosto nada de mentiras. Simplesmente fico fora de mim....

 

20
Abr17

Crime e Castigo, de Fiódor Dostoievski

Crime e Castigo.jpg

Um livro que começa com um crime e em que estamos na mente de quem o vai cometer?! Sim, é isso mesmo. Esta foi a minha estreia com os clássicos russos (falha minha, eu sei, mas mais vale tarde do que nunca) e eu adorei a história, as personagens e o final. Foi tão bom voltar a ler um livro cuja história é tão, mas tão envolvente! Mas, uma vez que a pressa é inimiga da perfeição, quando fechei o livro fiquei plenamente convencida de que o terei de reler de forma a saborear cada frase e a tentar interpretar mais profundamente esse grande livro da literatura. Não me julguem. Sei que há aqui um "mix" de filosofia, psicologia, criminologia e de crítica social, que, na minha modesta opinião, teria de ser visto com outros olhos. Debruçei-me mais na psicologia, na culpa e na consciência do criminoso. No fundo, tentei entender Raskolnikoff e a sua teoria dos homens comuns e extraordinários. Para os homens comuns foi criada a lei. Para os extraordinários, como Raskolnikoff [e Napoleão], que estão acima da lei, um crime tem justificação quando a morte de um beneficia todos.

Dostoieveski leva-nos a questionar o bem e o mal,  o que é certo e errado, e descreve com minúcia a natureza, o sofrimento e a miséria humana.

 

Estamos na presença de um caso fantástico e muito sombrio; este crime tem a marca do nosso tempo, o cunho da nossa época, em que o coração do homem está torturado, em que se diz que o sangue "remoça", em que toda a vida se cifra na luta pelo bem-estar. O culpado é um homem de teorias, uma vítima dos livros (...).

 

Sinopse:Raskolnikoff, um jovem estudante de Direito a atravessar graves dificuldades económicas, decide matar uma velha agiota. Imbuído de um forte sentido de justiça social, vai executar o seu plano convicto de que é uma gesta digna apenas de homens extraordinários. Mas algo inesperado acontece, e Raskolnikoff acaba por perder totalmente o controlo da situação. Daí em diante, passará a viver atormentado por um fortíssimo sentimento de culpa, forma de inferno interior que não se extingue e exige expiação. Dostoievski imprime grande espessura e densidade psicológica às suas personagens, cujas motivações, sejam elas conscientes ou inconscientes, são exploradas de forma verdadeiramente inovadora. 

18
Abr17

Línguas-de-gato | Sem língua # 27

Esta manhã acordei com uma dor tremenda (há muito tempo que não me sentia tão mal!). A Pipoca diz que é da idade e que estou a ficar velhinho (Humpff, sim, provavelmente). No entanto, tudo o que me ocorre e me apetece é dormir, descansar e deixar os outros miar à vontade. 

Sem palavras minhas, estou limitado a ler como se lesse, e no fundo das minhas orelhas, e sem espírito santo nenhum, sei que a língua é de quem a entende.

A minha tristeza prolongou-se durante algum tempo quando li que:

 

O gato passou a manhã na biblioteca de volta dos livros. Foi saltando de estante em estante inclinando a cabeça como se lesse os títulos nas lombadas. Os livros técnicos pouco o interessaram, assim como os manuais, os ensaios e os livros de filosofis. Ao chegar aos romances ficou excitado e chegou a atirar alguns para o chão de tanto puxar com as garras.

Um dos livros prendeu-lhe a atenção, o título em holandês, De Kreutzersonate e o animal virou-lhe as páginas como se lesse ou lembrasse de ter lido.

Quando Margarida chegou a casa, deu com os livros no chão e castigou o gato com um jornal dobrado. Arrumou-os novamente nas estantes mas notou as marcas de garras na página de um deles...

Debaixo de Algum Céu, de Nuno Camarneiro

Este gato, sem língua, deixou-me triste. Trouxe memórias de quando era jovem namoradeiro e de quando miar era a minha especialidade. Hoje, estou só, e os humanos, tal como diria Saint-Exupery, são:
Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.

 

11
Abr17

O Diário Oculto de Nora Rute, de Mário Zambujal

nora rute.jpgEste foi o primeiro Livro Secreto que chegou à minha caixa de correio. Trata-se de o diário de uma jovem que, no ano de 1969, vai relatando os seus segredos escândalos, bem como alguns acontecimentos. A ida do homem à lua é um deles e penso que, mesmo quem não viveu naquele período, pelo menos já ouviu falar de algumas coisas. Lembro-me especialmente de uma professora contar situações relacionadas com a minissaia e com as calças à boca de sino. Era comum as jovens serem castigadas pelos pais ou expulsas das escolas se aparecessem com os trajes da moda revolucionários . Apesar disso Nora é, a meu ver, uma exceção pois pertence a uma classe social superior. Ela tem uma rebeldia (própria dos anos 60) e, apesar do pai "torcer o nariz", usa a minissaia sem qualquer pudor ou vergonha. 

O que gostei menos no livro? A  parcimónia nas palavras, os capítulos pequenos e a rapidez com que se lê a história. Parece positivo (e é de certa forma) mas não me fez sentir especialmente desafiada.  

 

Sinopse: Nora Rute é uma personagem de romance e, ao escrever o seu diário, vai escrevendo, no desconhecimento do que virá a seguir, o seu próprio romance. Ao mesmo tempo, acrescenta-lhe o registo de acontecimentos e usos que marcaram um ano (1969) desde a chegada do Homem à Lua à moda da minissaia, das manifestações estudantis a guerras em África, aos bares e cafés de Lisboa.

Narrativa de marcada originalidade, O Diário Oculto de Nora Rute coloca os leitores no caminho irrequieto de uma jovem que desafia as regras, as de uma sociedade machista de um pai austero. Predominam as personagens que são membros da família, não só uma misteriosa tia Nanda, a prima Mé mas um quase desconhecido que parece ter conquistado, em definitivo, o amor de Nora Rute. E um primo ribatejano que lhe revelará o reverso das luzes e sombras da cidade.
Ao colocar-se na sua mente de uma forma travessa, Mário Zambujal, sem abandonar o seu estilo próprio de escrita, incorpora-o no espírito e na conduta de uma jovem que descreve no seu diário a agitação dos seus dias.

10
Abr17

Línguas-de-gato | As palavras que nunca te direi # 27

Olá. Estou de volta nas línguas-de-gato e mais uma vez pretendo miar as novidades da semana. Ao que tudo indica uma menina "Mogli" foi descoberta numa floresta na Índia!!! - e já vieram dizer que não estava a viver com macacos?! Por acaso até vi na televisão. Achei estranhíssimo ela agarrar e beber água por um copo. Não aceitou comida mas um copo, sim?! A minha perspicácia felina disse logo:"Algo está errado e a história não foi bem contada". Mas como quem conta um conto acrescenta um ponto, não sei bem se posso confiar em tudo o que os humanos escrevem. O problema real reside na comunicação e volto sempre à mesma miadela de sempre! Quem me diz a mim, senhor gato, que a realidade é tal como descrevem?! Ou, melhor, que o certo é o que se fala agora e não o que se disse antes. É muita confusão, não é? Nada que um gato não aguente e que, por palavras que nunca te direi, revele a chispar dos seus olhos encantadores.Pruuuuuu, pruuuu. A sério?

Clarice Lispector disse o seguinte:

 

Vocês não sabem nada de mim. Nunca te disse e nunca te direi quem sou. Eu sou vós mesmos.

[Não estudem tanto, a verdade está nos olhos de um gato...]

 

veterinario-gatos-caxias-38.jpg

daqui

04
Abr17

Línguas-de-gato | A tradição já não é o que era # 26

Depois de ler este post, soube que a minha dona assinou a petição «Línguas de Gato Triunfo» e juntou-se aos humanos que têm a opinião de que se devem manter as tradições. Ela é assim. Um tanto saudosista! Certo dia contou-me que se lembra de comer, muitas vezes, essas bolachinhas quando era miúda; diz que eram estaladiças e viciantes... Humpff. Eu cá gosto da minha comida, e de trincar, e de morder, e de brincar, e de correr e... de miar em poucas palavras: americanos e espanhois não conhecem a nossa língua!!!  

triunfo.jpg

 

 

30
Mar17

O convidador de pirilampos, de Ondjaki

convidador de pirilampos.jpg

Este livro é simplesmente surpreendente. A história, que julgamos ser dirigida apenas a crianças, é interessante para os adultos, uma vez que possui frases que nos levam a refletir enquanto admiramos as ilustrações maravilhosas. 

Um menino tem medo do escuro e gosta de "cientistar" e, tal como um cientista verdadeiro, "inventa" objetos para conversar com os pirilampos. O seu avô acompanha-o e vai fazendo perguntas ao neto. A relação entre os dois, a criatividade do neto e a "humanização" dos pirilampos novos e velhos, permite-nos entender a importância dos laços que se criam entre as duas gerações.

Li a história perante 24 crianças e achei curioso quando disseram que adoraram os pirilampos e o código de morse. Tenho a certeza que se tivesse 8 anos iria dar a mesma resposta. Atualmente, gosto de "cientistar" e observar e, quando vejo o mundo, fico feliz por ser nova e velha.

 Os cientistas parecem malucos porque passam muito tempo a olhar as coisas e às vezes olham coisas que os outros não conseguem ver. Porque há pessoas que olham sempre a ver muito pouco!

 

 Sinopse:

- Não achas que podem ficar tristes, esses pirilampos dentro de uma gaiola que fica dentro do teu quintal?

- Se estivessem tristes, acho que não brilhavam assim.

- E se estiverem a brilhar de tristeza? - perguntou o Avô.
- Não tinha pensado nisso.
Perto da Floresta Grande vive um menino e o seu Avô.
O menino gosta de cientistar coisas: Já inventou um aumentador de caminhos e um convidador de pirilampos.
Fala em código Morse com eles.
 
 

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